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Luiz Bello
@MOR VIRTU@L
Meu nome é Lya – disse – e não sou gente.
Fui gerada na mente de outra Ly@
E de um certo Lubell, rapaz alegre,
Um sonhador, sentimental, poeta.
Poeta também sou. Posso cantar
Os amores que somos, ele, ela,
A ebulição implícita no @mor
E o feixe de emoções de que sou feita.
Nasci adulta, nunca fui criança..
Surgi um dia entre o Lubell e a Ly@,
Combustão espontânea, cerebral,
Centelha de ignição do @mor virtu@l..
Seu tom de voz tão firme e comedido,
Desenhou um retrato de si mesma:
Sou moderna, sou jovem, sou bonita,
Da Ly@ sou a imagem e semelhança,
Cabelos negros, lábios bem vermelhos
Contrastando com a face muito clara.
Largos quadris, cintura de pilão
Que agradeço ao bom gosto do Lubell.
Comecei entre dois computadores,
Numa troca de e-mails entre o Lubell
E a eloqüência da Lya@, os criadores
Da primeira donzela imaginária.
Hoje sou parte ativa no processo
De um amor que se cria e se repete.
Gente que nunca se viu, conversa e ama
Seus interlocutores na Internet.
Eis aí, em resumo, a febre atual,
Amor de “chat “, ou seja, @mor virtu@l...
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