Adriana Lustosa

 
        Como te dizer?! 
        Rio-me se passas... 

        Tomo-te  
        com os olhos (d’água)  
        e viras fonte. 

        Tomo-te 
        com os braços 
        e viras lago. 

        Tomo-te  
        a te soltar por dentro  
        e fico inerte.

    À primeira vez que li Soares Feitosa [Thiago], senti vontade de morrer, queria uma chance de nascer de novo: a poesia me comoveu no mais profundo das águas e me fez poeira de tudo o que eu sabia.  

    Preciso de Thiago e das fontes de Thiago; preciso da poesia como da vida que me vive. Onde encontrar? No Siarah? No Almazona? Na solidão das águas ou no umbigo da terra?  

    ‘Stamos em pleno mar, foi bom avisar: é possível navegar. 
  

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Página editada por  Alisson de Castro,  Jornal de Poesia,  09 de dezembro de 1997