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revista de cultura # 1 - fortaleza, são paulo - agosto de 2000 |
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Em busca de um mercado para os filmes brasileiros Augusto Guilherme
Apesar do bombardeio de cinema hollywoodiano, é
possível que o público brasileiro esteja aprendendo a se identificar com
um tipo específico de "cinema brasileiro". Não é à-toa que
os filmes que vislumbram a chamada identidade nacional e os aspectos
culturais sejam os filmes mais relevantes de nossa cinematografia. Marco
do cinema brasileiro, Central do Brasil, foi pensado como um projeto
cinematográfico e não apenas como um produto cinematográfico para o
mercado.
Está claro que o precário sistema de distribuição
e exibição de filmes brasileiros no mercado interno interfere no
processo de identificação que o público brasileiro deveria manter com o
cinema nacional. A não-continuidade no mercado da distribuição dessa
produção não traz o hábito da aproximação, condição e pré-requisito
para estabelecer uma identificação de um povo com o seu cinema, e a
partir do qual o processo é perenizado. O local - bem delineado -
floresce como apelo para o universal. A co-produção com países do
Mercosul e/ou da América Latina (o diálogo com a América Latina era um
antigo anseio de Glauber Rocha) é também uma alternativa para o cinema
brasileiro, não apenas em termos de produção, mas como mercados de
exibição potenciais. No entanto, a matéria, no aspecto distribuição/exibição
nos países do Mercosul, está a merecer melhor aprofundamento, em virtude
da insipidez (em sentido quantitativo) do movimento em torno dessa
iniciativa. A exemplo da nossa, as cinematografias dos nossos vizinhos são
igualmente periféricas, do ponto de vista econômico, visto que a produção
majoritariamente consumida mundo afora é egressa da indústria de
Hollywood. Aqui vale um registro: a referência, quando se fala em produção
hollywoodiana, diz respeito ao produto orientado especificamente visando a
bilheteria, sem preocupações estéticas maiores. É claro, todos os
cinemas também enveredam por esse caminho, mas o volume da produção de
Hollywood praticamente destrói qualquer concorrência nesse sentido.
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Augusto Guilherme. Crítico de cinema. Contato: augustoamorim@yahoo.com. Página ilustrada com obras do artista Víctor Chab (Argentina). |