Benjamin Valdivia: depoimento & poemas
Minhas principais afinidades estéticas se orientam
pela grande poesia latino-americana do século XX. Especialmente Huidobro,
Lezama Lima, Borges, Neruda e Vallejo. Com os demais poetas vivos me une o
espírito do tempo (coisa que não posso evitar): escrevemos a partir da
mesma plataforma espiritual. Mas penso que as diferenças não estão
nessa convergência de simultaneidade, mas sim nas raízes culturais e de
assimilação das tradições.
As contribuições essenciais da poesia mexicana do
século XX têm que ver com aspectos muito amplos da escritura: o caráter
de avançada (em que as rupturas são levadas com mesura); o sentido
cosmopolita (enquanto o nacional e o estrangeiro são postos no mesmo nível);
e o tom de liberdade (porque é possível, e assim se tem feito, abordar
na poesia todos os matizes do material e do transcendental).
O que impede relações hispano-americanas mais
estreitas, creio eu, é uma espécie de egoísmo cultural: cada país ou
região se encerra em si mesma, preocupada com seus próprios produtos;
isso lhe impede atender ao que se faz em outros rumos do continente (e do
planeta). É como perder um tesouro por guardar uma moeda. [B.V.]
CREDO
Yo creo en el amor
matrimonial de los cisnes perfectos,
en la sustancia del sol
que desparrama
sus ríos jubilosos.
Creo en el aguacero febril
que siempre vive
por el cráneo de luz de
los enamorados;
en aquellos instantes
previos a morir,
en las interpretaciones de
música del viento.
Creo en la paz amena y
sorprendida de tus ojos.
Creo en la sal del mar y
del momento:
la fruta milenar que hemos
mordido;
en el cielo tenaz que
siempre nos espera.
Y también en la luz, en
la fiesta fugaz;
y en tus manos sencillas
que todo lo sostienen.
CREDO
Creio no amor matrimonial dos cisnes perfeitos,
na substância do sol que esparrama
seus rios jubilosos.
Creio no aguaceiro febril que sempre vive
pelo crânio de luz dos enamorados:
naqueles instantes prévios à morte,
nas interpretações de música do vento.
Creio na paz amena e surpreendida de teus olhos.
Creio no sal do mar e do momento:
a fruta milenar que mordemos;
no céu tenaz que sempre nos espera.
E também na luz, na festa fugar;
E em tuas mãos singelas que a tudo sustentam.
TRÍPTICO
En un jardín olvidado te
beso al parecer por la vez última.
Gente imposible pasa por
los lados sin ver
todo lo que se juega en el
espacio.
Hay pupilas que jamás
contemplaremos nuevamente.
La gente sigue su camino
sin rumbo
sin entender el trágico
transcurso de los tiempos.
Esos labios jamás serán
besados nuevamente.
La gente pasa de largo en
una noche perpetua
sin sentir que se fractura
la luz de los astros.
TRÍPTICO
Em um jardim esquecido te beijo como se fosse a última
vez.
Gente impossível passa pelos lados sem ver
tudo o que se joga no espaço.
Há pupilas que jamais contemplaremos uma vez mais.
As pessoas seguem seu caminho sem rumo
sem entender o trágico transcurso dos tempos.
Esses lábios jamais serão beijados novamente.
As pessoas passam ao largo em uma noite perpétua
sem sentir que se fragmenta a luz dos astros.
ENTRADA
Amamos la palabra y su
hierro matizado
porque en ella se cumple
la fuerza de la voz
y los ciclos del agua
silenciosa.
La palabra trae luz
para nuestro animal
introspectivo.
Quien levanta la voz
inaugura los diálogos del
fuego.
Y así,
establece recintos por
miradas,
produce atardeceres que no
pesan
y de nuevo color.
Amamos la palabra
por el río de tiempo en
que transita:
un río de manos escribe
en mis manos.
ENTRADA
Amamos a palavra e seu ferro matizado
porque nela se cumpre a força da voz
e os ciclos da água silenciosa.
A palavra traz luz
a nosso animal introspectivo.
Quem ergue a voz
Inaugura os diálogos do fogo.
E assim,
estabelece recantos por olhares,
produz entardeceres que não pesam
e de novo cor.
Amamos a palavra
pelo rio de tempo em que transita:
um rio de mãos escreve em minhas mãos.
LUNA VERDE
Aquella luna verde de
marzo maduraba.
Ella traía la
indumentaria del calor
y vi en su boca el otro
lado de la vida.
Múltiples fuegos ardieron
entonces.
Y se quebró de sutileza
el aire
y nos movimos en caprichos
de agua.
Toqué en ella la muerte:
encontré sólo árboles
de pluma,
aves de hoja.
Como un metal
las uñas imprimieron sus
imágenes.
Era ella un recuerdo
vegetal
creciendo entre la noche.
LUA VERDE
Aquela lua verde de março amadurecia.
Trazia a indumentária do calor
e vi em sua boca o outro lado da vida.
Múltiplos fogos então arderam.
E quebrou-se de sutileza o ar
e nos movemos em caprichos de água.
Nela toquei a morte:
Encontrei somente árvores de pluma
aves de folha.
Como um metal
as unhas imprimiram suas imagens.
Era ela uma lembrança vegetal
crescendo entre a noite.
BOLERO
Olvidar lo que no existe
es algo inútil.
Olvidarnos a quién
pertenecía
ese nombre dormido en
nuestra agenda
es duro.Quisiéramos beber
otros océanos,
arrancarnos los besos de
la boca,y eso es triste.
Pero no recordar tus ojos
cuando los pianos de la
lluvia me envenenan,
no merece perdón.
BOLERO
Esquecer o que não existe
é algo inútil.
Esquecermos a quem pertencia
esse nome adormecido em nossa agenda
é duro. Quiséramos beber outros oceanos,
arrancar-nos os beijos da boca, e isso é triste.
Mas não recordar teus olhos
quando os pianos da chuva me envenenam,
não merece perdão.
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