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revista de cultura # 23 - fortaleza, são paulo - abril de 2002

Livros da Agulha

El Jazz en México (Datos para una historia), de Alain DerbezAlain Derbez. El Jazz en México (Datos para una historia). Colección Popular. Fondo de Cultura Económica. México. 2001. 480 pgs. Contato: editor@fce.com.mx.

O atrativo universal do jazz não se deve tão somente à sua vitalidade, contínua experimentação nem à liberdade inerente a seus intérpretes. Representa sobretudo a maneira de viver de nossa época. Para determinar a riqueza do gênero no México, o escritor, músico e investigador Alain Derbez examina sua história a partir de suas origens. Seu relato dá cota da passagem do jazz ano por ano, e inclui um ameno e ilustrativo anedotário, com opiniões de muitos de seus protagonistas, como Henry West, Juan José Calatayud, Chilo Morán, Enrique Neny, Tino Contreras, Francisco Téllez e Gerardo Bátiz, entre outros. O percurso da obra parte dos anos 20 e repassa os lugares mais importantes onde se deram as melhores manifestações do gênero no México. Recolhe, além de abundante material inédito, textos que apareceram em sessões de jazz, em publicações periódicas, dados pertinentes apresentados em conferências e programas de rádio, entrevista, informação sobre os personagens do jazz e uma completa discografia. Todo este material revela a lealdade e obsessões do autor, estudioso e apaixonado do jazz.

Alain Derbez nasceu em Veracur em 1956. Estudou história a UNAM e publicou, entre outros títulos, Todo se escucha en el silencio (El blues y el jazz en la literatura) (1987), Amar en baños públicos (1992) e Los sesenta cumpen treinta (2001).

O pensamento mestiço, de Serge GruzinskiSerge Gruzinski. O pensamento mestiço (trad. Rosa Freire d'Aguiar). Companhia das Letras. São Paulo. 2001. 398 pgs. Contato: www.companhiadasletras.com.br.

Com uma visão pluridisciplinar que abrange a história, a antropologia, a estética e a crítica de arte, Serge Gruzinski desmonta as engrenagens do pensamento mestiço e faz uma análise original de seu impacto nos imaginários dos povos americanos. Na ponte que lança entre o México da Conquista e a Europa do Renascimento, estão as chaves para a compreensão, cinco séculos depois, da world culture do mundo globalizado.

O historiador e paleógrafo francês Serge Gruzinski (1949) dirige um núcleo de pesquisas no Centre National de la Recherche Scientifique e ensina na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris. Especialista no Novo Mundo, é autor de Les hommes-dieux du Mexique, Pouvoir indien et société coloniale, XVIè-XVIIè siècles, La colonisation de l'imaginaire e A passagem do século: 1400-1520, este último também publicado pela Companhia das Letras, em 1999.

Chamados e escolhidos, de Afonso Felix de SousaAfonso Felix de Sousa. Chamados e escolhidos. Editora Record. Rio de Janeiro. 2001. 626 pgs.

Trata-se da obra poética reunida deste poeta brasileiro que é também um notável tradutor. Inúmeros críticos já se reportaram à poesia de Afonso Felix de Sousa (1925). Um deles, Fábio Lucas, chamou a atenção para o fato de estarmos diante de um dos raros poetas brasileiros "a se exprimir sob forma de romanceiro", cabendo aqui lembrar que Felix de Sousa é um dos mais primorosos tradutores de Federico García Lorca. Por sua vez, Fernando Py observou que "a poesia de Afonso, embora enquadrada no conjunto da chama Geração de 45, é de recorte bastante independente, caracterizando-se por discurso muito pessoal, em que o poeta questiona constantemente a criação verbal, e a linguagem como veículo de poesia".

Graffiti. Antologia poética 1982-2001, de Gaetano LongoGaetano Longo. Graffiti. Antologia poética 1982-2001. Franco Puzzo Editore. Triste, Itália. 2001. 64 pgs. Contato: fpe@triste.ws.

Gaetano Longo nació en Trieste (Italia) en 1964. Es reportero de guerra, es poeta, novelista, periodista y traductor. Actualmente colabora con las páginas culturales de diarios y revistas y televisiones italianas y extranjeras. Dirige dos colecciones de poesía contemporánea y tiene el cargo de Codirector Artístico del "Premio Internacional Trieste-Poesía" y de Director de la "Cátedra Mitteleuropea de la Poesía" de Trieste. Há publicado los libros de poemas: Lo Scacco Matto (1990), Atmósfera di Tattuaggio (1994), Diario de un Pagano (1997), Paesaggi senza ritorno (1999), Antologia di Defirí e Meraviglie (2001). Sus poemas han sido traducidos y publicados en revistas y antologías al español, inglés, francés, alemán, portugués, griego, macedonio, serbio y croata. Su intensa actividad de traductor lo ha llevado a publicar una veintena de libros de autores de lengua española y portuguesa. Entre otros há antologado y traducido tres antologías de la poesía cubana contemporánea, dos antologías del poeta español Justo Jorge Padrón, dos antologías del cubano Gastón baquero, el libro fotográfico Mutis a Trieste, el poemario Il sole nelle viscere del brasileño Reynaldo Valinho Alvarez y dos novelas del cubano Miguel Barnet.

Nu entre nuvens, de Reynaldo DamazioReynaldo Damazio. Nu entre nuvens. Edições Ciência do Acidente. São Paulo. 2001. 62 pgs. Contato: terron@uol.com.br.

Reynaldo Damazio nasceu em São Paulo, em 1963. Formado em Ciências Sociais na USP, estudou também publicidade. Considera-se jornalista acidental, profissão que exerce desde 1987, quando trabalhou no jornal Folha de S. Paulo. Desde 1990, atua como editor no departamento de publicações do Memorial da América Latina. É colaborador da revista Cult e editor executivo do site Weblivros (www.weblivros.com.br), que criou em 1998 com o webdesigner Ricardo Botelho. Publicou dois livros: O que é criança, coleção Primeiros Passos, Editora Brasiliense; e Poesia, linguagem, tradução de poetas latino-americanos, coleção Memo, Memorial da América Latina.

O filho do crucificado, de Nelson de OliveiraNelson de Oliveira. O filho do crucificado. Ateliê Editorial. São Paulo. 174 pgs. Contato: atelie_editorial@uol.com.br.

Nelson de Oliveira (1966) é jornalista e escritor. Autor de livros como Os saltitantes seres da lua (Relume-Dumará, 1997), Naquela época tínhamos um gato (Cia. Das Letras, 1998) e Treze (Edições Ciência do Acidente, 1999). Segundo o crítico Leo Gilson Ribeiro, a escritura de Nelson de Oliveira tem "seu ponto de força no insólito, na inquietação açodada do medo, do mal, da crueldade, da dubiedade das aparências imutáveis, da insatisfação com a lógica alfabeticamente ordenada e acomodada da maioria". Essa inquietude seria confirmada por outro crítico, José Castello, ao observar que, em seus livros, "qualquer esperança de lógica está desde o início abolida", uma vez que "os personagens mudam de identidade quando menos se espera, suas reações não podem ser calculadas, seu destino é o susto".

Digo e não peço segredo, de Patativa do AssaréPatativa do Assaré. Digo e não peço segredo. Poesia & Biografia. Escrituras Editora. São Paulo. 132 pgs. Contato: www.escrituras.com.br.

Neste livro composto de quatro partes: O Homem e o Pássaro, O Pássaro e o canto, O Canto e a Vida e A Vida e o mito, Patativa do Assaré nos mostra que há muito ele deixou de ser do Assaré, Ceará, para ser do mundo. As sessões de leitura - seguidas ou não de entrevistas estruturadas - e os bate-papos sobre sua vida e sua obra são apresentados aqui pelo poeta, que acaba contribuindo para que seus admiradores conheçam os bastidores de sua vida e do seu processo criativo. Este livro é a síntese do dia-a-dia de um mito que nunca perdeu sua simplicidade e que subverte todas as previsões sobre a memória dos idosos. Sempre atual e atento às coisas do Brasil, o mito Patativa, às vésperas dos seus 93 anos, mostrará neste livro que o tempo apenas lapidou uma consciência que já existia nele em estado latente.

São revelações surpreendentes sobre o maior poeta brasileiro ainda vivo e o título não apenas sugere que é ele que nos fala diretamente, mas mostra Patativa entregue ao diálogo. Adentrarmos esta é como se entrássemos na sala de jantar do poeta, em Assaré, onde diariamente ele recebe uma romaria de admiradores, pesquisadores e jornalistas e de onde se podem ver fotografias, trechos de seus poemas, imagens do seu sertão; de onde se escuta o canto mavioso do pássaro, canto e plumagem que vão mudando conforme as situações e o estado de espírito do poeta-pássaro.

Agulha - Revista de Cultura

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