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revista de cultura # 25 - fortaleza, são paulo - junho de 2002 |
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Editorial Desde o princípio Agulha se propôs a circular em dois idiomas - português e espanhol -, dedicando-se a apresentar a seus leitores uma perspectiva a mais ampla possível de uma percepção crítica das artes e da cultura envolvendo a realidade desses idiomas. Nossas parcerias estabelecidas com outros países, seja através da busca de condições ideais para definir o artista convidado de cada edição, ou do diálogo com instituições que tornaram possíveis muitas das matérias publicadas, de alguma maneira confirmam uma receptividade - expressa, por exemplo, em um mailing de mais de 50 mil endereços. Igualmente se poderia aludir a cumplicidades estabelecidas com outras publicações, virtuais e impressas, que se manifestaram, ao longo desses dois anos, na concretização de projetos culturais (Panamá, México, Costa Rica, Portugal, Colômbia) envolvendo os editores da Agulha. Contudo, o que nos realiza fora nos inquieta dentro. Quando pressentimos uma aproximação maior de leitores de língua espanhola do que de língua portuguesa, logo nos indagamos acerca de uma possível janela travada. Será nossa a trava, quando estamos tão declaradamente empenhados em trazer para uma mesa de diálogos as culturas brasileira e hispano-americana, por exemplo, ou acaso a trava será de uma equívoca tradição cultural brasileira que rejeita o diálogo com outros povos, que só entende a linguagem da submissão e de um capricho perversamente mundano de transferência de padecimento? Talvez devamos considerar um aspecto, que é o da utilização deste veículo virtual de comunicação, por demais incipiente na realidade brasileira. O país que ostenta certas recorrentes tolices estéticas como sendo sua pastoral dos dias maduros, é o mesmo que não consegue vislumbrar sucesso editorial que não esteja diretamente ligado à indústria do entretenimento. A utilização da Internet no Brasil é tão precária que mesmo no plano institucional se conclui pela ausência brutal de percepção de um instrumento inquestionável de ampliação da comunicação. Mas o que tudo isto explica? Em dois anos de existência a Agulha jamais conseguiu, no Brasil, exceto por ações paralelas de seus editores, uma nota na imprensa cultural impressa. Ao que parece estamos tão determinados por uma cultura do específico que se desenvolvermos um pepino de três cabeças só encontraremos abrigo no programa Globo Rural. Se há uma cultura geral, o que ela divulga? Com que preenche seu infinito aparato diário de repercussão do vazio? Até o momento a Internet é percebida, por esse jornalismo tão presente e interferente em nosso cotidiano, como um mostruário da criminalidade: sabotagens, perversões etc. Evidente que tudo isto reflete uma estreiteza de visão muito maior. Esta ausência de coerência em qualquer plano ofertado pela política no Brasil, ajuntada ao fato de que o reclamante foi não propriamente anulado mas antes astutamente convertido em cúmplice, corrói parcialmente a base de qualquer recusa. Algo de tudo isto não tem especificamente a ver com o Brasil nem mesmo com a Agulha, já o sabemos. Nem o que se reclama é propriamente restrito a uma compreensão do que temos realizado até o momento. Tal realização implica justamente na cobrança de atenção para o que se tem produzido culturalmente neste país. E em momento algum podemos desprezar o diálogo essencial com a cultura hispano-americana. Do que se ressente a Agulha é justamente da atenção de brasileiros. As justificativas não compõem uma carta de navegação. É preciso cair no mar, entregue às ondas ou medido por um vislumbre cartográfico qualquer, mas que se esteja ali, em quaisquer ondas, e que se compreenda que apenas o movimento rege nossas vidas. Não há história calcada na inércia. Cada mínima espátula com que se borra a história se chama risco, movimento, entrega. Por vezes não sabemos mais o que fazer com o leitor brasileiro, de tão precário ou ausente. Será assim tão pautado pela ações governamentais, de claro isolamento cultural, de absoluta incapacidade de definir o mundo por conta própria? Não cremos nisto. O que por vezes imaginamos é que se encontre desbastado em seu ânimo, que já não alcance vigor suficiente para restabelecer-se de uma perda de credibilidade na honestidade do outro, estando o país como que toldado pela inércia, desestabilizado por uma arritmia brutal de fraudes e desenganos. E não nos referimos ao leitor de uma maneira geral, habitual ou infreqüente, mas antes àquele que nos busca para o estabelecimento de uma cumplicidade, e acaba por tornar-se um valioso colaborador. Temos nos posicionado sempre de maneira a mais descerrada possível, buscando as harmonias menos previsíveis, dadas como incomuns em nossa prática de uma política cultural. A soma de matérias até aqui publicadas atestam qualquer consideração a respeito. Boa sugestão é que visitem nosso índice geral de matérias. Um ponto final: que os brasileiros percebam que a Agulha é uma revista pensada como possibilidade de diálogo entre nossa cultura e o resto do mundo. Os editores |
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Sumário 1 bom-crioulo, de adolfo caminha: estratégias para uma narrativa homoerótica. alfredo fressia2 em defesa da literatura. claudio willer 3 ezra pound: o calor convida à sombra. rodrigo petrônio 4 joseph brodsky, trodavía no mármol. lauren mendinueta 5 luis miguel nava: o corpo como inscrição do real ou o corpo radical. maria joão cantinho 6 mário cesariny e a pintura. bernardo pinto de almeida 7 mar enfurecido: uma entrevista com carlos nejar. fabrício carpinejar 8 notas sobre o mito literário de paris: de restif aos surrealistas. flávia nascimento 9 pare no d. - algumas idéias sobre esaú e jacó e memorial de aires, de machado de assis. sérgio telles 10 três livros de jorge lucio de campos. prólogos de cláudio daniel, cluaido willer e floriano martins artista
convidado luis
caballero (obra múltipla) texto de josé maría salvador |
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múltipla) apoio cultural banco de imagens os artigos assinados não refletem necessariamente
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