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revista de cultura # 26 - fortaleza, são paulo - julho de 2002 |
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Editorial Vários já terão reparado no modo como se reproduzem hierarquias sociais na arquitetura e na qualidade das instalações desse importante centro universitário. Por exemplo, o prédio da FEA, Faculdade de Economia e Administração, é um espaço de cinco estrelas, bonito, limpo, bem arrumado, com amplos e confortáveis anfiteatros. Pode-se até trazer gente de fora para visitá-lo, e levá-lo para comer sem sustos em um dos restaurantes dessa faculdade, com a certeza de que o convidado sairá de lá com uma boa impressão, satisfeito com seu programa de turismo acadêmico. Já o prédio onde funciona o curso de Letras, de Língua e Literatura, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, é um primo pobre na Cidade Universitária, com suas instalações acanhadas, minimamente equipadas, apenas o básico para que se possa lecionar e estudar, distribuídas em um labirinto. Em lugar do restaurante, conta apenas com uma lanchonete no subsolo. Nada de espantoso em estudantes da FFLCH haverem entrado em greve, há coisa de dois meses, reclamando da falta de professores e de condições adequadas para aprender. A razão da disparidade é evidente. A FEA, Faculdade de Economia e Administração, tem uma interface com o poder e com o capital. Quantos ministros da Fazenda já não saíram de lá? Quantas outras altas autoridades na área de Economia e Planejamento? Isso, além dos inumeráveis dirigentes, altos executivos e consultores de corporações privadas. Em resumo, a diferença de infra-estrutura e status entre essas duas divisões da Universidade de São Paulo se explica de modo singelo: uma delas interessa à empresa privada e à política; a outra, não. Problemas relacionados a conteúdo, infra-estrutura e prestígio em faculdades de Letras não são exclusividade da USP. De modo menos dramático, sem tanta repercussão, têm sido registrados em outros cursos superiores, em São Paulo, no Brasil, no restante do mundo; inclusive nos Estados Unidos. Protestar contra a influência do capital, da iniciativa privada, da política na distribuição de recursos para o ensino, talvez não seja o melhor modo para tratar essa questão. Quem sabe, conviria tentar mostrar que Humanidades, em geral, e Letras, em particular, também interessam ao mercado profissional, quer seja no setor privado ou público. Que esses cursos não têm como finalidade apenas uma partenogênese, uma auto-reprodução, gerando mais professores da mesma coisa. Que, conforme já dissemos aqui, os conhecimentos que constituem uma formação humanística, especialmente a literária, contribuem, pela ampliação do repertório simbólico, para o domínio de códigos mais técnicos ou instrumentais, e, por decorrência, para o bom desempenho profissional. Que, além disso (e ainda nos repetindo), nações com maior desenvolvimento econômico e social também exibem índices elevados de leitura, o qual, historicamente, precede o desenvolvimento em outros campos. Por isso, agências que contribuem para a ampliação do saber sobre literatura e língua deveriam ser consideradas como estratégicas, a começar, obviamente, pelos cursos universitários nessa área. Um curso de Letras deveria ser visto como instrumento de desenvolvimento social e econômico, tanto quanto os de Economia e Administração, de Engenharia, do que for, merecendo igual carinho e atenção na hora de fazer orçamentos e planejar distribuições de recursos. O mesmo vale para as demais agências: órgãos culturais públicos, bibliotecas, os periódicos literários. Até mesmo, por quê não, para nós. Afinal, muito do que apresentamos aqui, em Agulha, é aquilo que as universidades, os cursos superiores de Literatura deveriam estar apresentando, se cumprissem efetivamente sua missão e preenchessem sua finalidade. Os editores |
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Sumário 1 as collages de tereza d'amico. carla schneider e fernando freitas fuão2 cena viva: poesia e teatro em fernando pessoa. maria esther maciel 3 civilización y barbarie en la literatura hispanoamericna. silvia favaretto 4 cultura, información e integración en nuestra américa. carlos véjar pérez-rubio 5 dos años de faro (méxico): una celebración. benjamin gonzález 6 las búsquedas de francisco amighetti. joaquín gutiérrez 7 ler e traduzir allen ginsberg. claudio willer 8 livro terceiro: graus da realidade. foed castro chamma 9 nelson rodrigues: a desconstrução do lírico. weydson barros leal 10 sobre riegl, panofsky e cassirer: a intencionalidade histórica da representação espacial. jorge lucio de campos 11 that's the way the moon wanes (fragmentos de uma leitura dramática). william burroughs & floriano martins 12 uma experiência estética radical: fernando millán y el proceso de la tachadura. laura lópez fernández artista
convidado mário botas (obra múltipla) texto de maria joão
cantinho |
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Expediente editores projeto gráfico & logomarca jornalista responsável conselho editorial correspondentes artista plástico convidado (obra
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