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revista de cultura # 29 - fortaleza, são paulo - outubro de 2002 |
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A poética da gravura: o trabalho da mão sonhadora Mirian de Carvalho
Na poética da gravura, o artista mobiliza imagens de despertar - imagens surgidas do trabalho da mão confrontando-se com a matéria. Em toda poética, o mundo se revela desafio, e a matéria se afirma força contrária ao corpo. Ao aceitar o desafio do mundo e a resistência da matéria a ser trabalhada, o artista produz imagens. A imaginação as concebe. A mão lhes dá corpo e movimento, originando seres de poesia. Nesse surgir, mão e matéria são animadas pela imaginação dinâmica desencadeando uma luta entre mão e matéria. Entre pulso e elementariedade. A matéria se contrai. Resiste. A mão opera forças ao criar imagens, sendo a imaginação dinâmica ligâmen da concretude e do gesto, inserindo no mundo seres resultantes do confronto dessas forças contrárias. Por ser ontogenética, a criação artística percorre forças criadoras do espaço e o do tempo poéticos. O novo ser que chega ao mundo habita um espaço próprio. E ao irromper, deverá reter no instante de seu surgimento, um tempo cósmico e um tempo individual. Nesse processo, o ser criado é autônomo, pulsante, ritmado. Tem sentidos só seus. Sentidos que eclodem a cada instante nas forças operantes na gravura. A arte de gravar se recria a cada etapa. A gravura vive a multiplicidade do uno. Na multiplicidade, o reproduzir-se é ato criativo. O que se multiplica não tem valor de cópia - o que se multiplica são forças tensionais, forças criadoras que reciclam o espaço e o tempo do mundo para acolher o ser que surge. 2 Do espaço e das forças criantes Na gravura, o espaço e o tempo são seres imagéticos. Neles interagem simultaneamente ato e elemento, mão e matéria, o instante poético e a espacialidade da poesia. O tempo ressalta nessa arte a dominância do espaço imagístico enquanto espaço do afeto - um espaço tátil. Não se trata do espaço neutro e homogêneo da Geometria. Na arte, o espaço ganha qualidades. Denso, o espaço se torna tecido imagístico. Mas a imagem não é representativa. Não surge como pós-percepto, nem como pensamento, nem como registro mnemônico. Ela não precisa de uma causa. Não precisa de um passado. Não é objeto, nem substituto do objeto. Ela surge. Surge enraizando-se como espaço do afeto. A chapa metálica, a massa de pedra, a madeira ou a tela constituem espaços de amorosidade. Os instrumentos também. Extensão do corpo, eles operam numa espacialidade singular, produzindo efeitos da imaginação criadora. Quando o artista insufla tais efeitos, captá-los é ofício da mão. A matéria trabalhada pelo gravador se confirma espaço resistente, espaço rígido. Inanimada, a princípio; para rompê-la ou para acariciá-la, para penetrá-la ou para habitá-la, a mão opera forças rápidas e forças lentas, forças abruptas e tênues: simultaneamente rápidas e lentas, abruptas e tênues, em concomitância e reversibilidade. A imaginação dinâmica do gravador - imaginação de forças a operar forças - mobiliza energias diversas, tensões contrárias que se expandem ou se retraem pelo trabalho da mão. Imaginar e atuar se correspondem. O imaginar tem valor de ato, de um agir sobre o espaço poético. O percurso da técnica é criativo, faz-se vitalidade nos procedimentos instrumentais. O espaço poetizado pela técnica é criante. Criar é animar a matéria inerte, fazendo-a despertar dentro de si mesma, e desenclausurar-se do seu receptáculo interno. Na arte de gravar, o espaço - ao ser tangenciado pela mão do gravador - se projeta num duplo despertar: o da matéria e o da mão sonhadora. O despertar é um projeto em ato, para aquele que se lança nos meandros das forças cósmicas, das forças maiores, das forças pulsantes, para além da individualidade. Tais forças atuam como persona. Encarnam potências do mundo, posto que no despertar atua um drama. Essa dramaticidade envolve potências trágicas, diversas das potências do psiquismo cotidiano. Do ponto de vista poético, tais potências devem ser ricas em expressividade. Só assim elas atingem o outro. Só assim elas se tornam solidárias. O drama individual é uma força de solitude, não segue vetor de solidariedade. Na arte, o despertar é também drama do outro - o dionisíaco é cósmico. Não há embriaguez passageira. Dionísio é uma fúria etílica, presente nas forças arrebatadoras do gesto do gravador. As forças marcantes desse poder nunca são anuladas por completo - são forças criantes do espaço poético. 3 Do tempo e da contemplação A gravura quer ser olhada. O contemplador quer vê-la. Nesse momento, um Narciso cósmico se coloca diante do espelho. Então, a gravura reage. Mais que contemplação, ela é ação. Lembremos a observação de Bachelard: Não se contempla a gravura; a ela se reage, ela nos traz imagens de despertar - imagens atuantes no tempo do olhar. Nesse olhar, Narciso não é mito. Nem faceta do psiquismo mal resolvido. Narciso se torna força de ação bilateral. Um olho nos olha intensamente. Em instantaneidade, ele nos percorre a pele. Olhamos Narciso. Olhamos para ele com todos os sentidos. Metamorfoseâmo-nos em cauda de pavão surpreendida pelo olhar que nos surpreende. Nesse momento, reagimos solidariamente. A sedução do olhar é sedução consentida - sedução de forças imageantes. Tem poderes de vontade. Tais poderes implicam ultrapassagem dos limites do exterior e do interior, se nos pomos a construir uma superfície dentro das coisas e um interior em desvelamento. Eis alguns dos movimentos e forças atuantes no tempo da contemplação. Para percorrer poeticamente o espaço, se torna necessário dar-lhe temporalidade: um tempo poético - o tempo de retenção de cada momento da imagem. Esse tempo é explicitado em cada momento único da arte de gravar, reunindo o inanimado e a mão sonhadora. O inerte reage. Potencializa-se. Nesse instante da matéria e dos olhos, as imagens de despertar atingem e revelam dinamismos da materialidade. A imaginação dinâmica - imaginação dos movimentos - reúne forças diferenciadas, opostas à mão e inerentes à mão: potências propiciatórias de uma hierarquia do movimento. Criante, a mão sonhadora tece o espaço. Tece o tempo. Na gravura se cria o espaço-tempo uníssono que nos impele a reagir diante do ser nascente em cada faceta da multiplicidade. O gravador desvela, na pluralidade, a unidade. No uno, o múltiplo, e diferenciado. Eles se articulam nas etapas da arte de gravar.
Na gravura, ascese e descese são processadas pela mão sonhadora, ao transmutar a matéria espessa em movimento extensivo à fibra do papel. O gravador conhece profundezas e altitudes da matéria imaginada e do gesto em ofício. Na ascese e na descese, o que parece vazio é pleno. A incisão na pedra, a corrosão processada pelo ácido, a canaleta aberta pela goiva, a tela interceptada por uma forma, os vazios decorrentes e seqüenciais do procedimento técnico se desvelam em plenitude. Os sentidos do pleno recuperam as entranhas desses vazios, no eixo vertical do tempo em que contemplamos o Narciso que nos contempla, dando sentido às lacunas. Na pedra, cada marca gravada; na serigrafia, cada forma que intercepta a tela; cada lasca retirada da madeira: tudo se preenche de sentido, assim como a nova superfície assumida pelo metal significa preenchimento. Todo vazio registra movimentos. Tais movimentos demarcam lugares - espaços poéticos - densos e táteis ao corpo que ali se insere. Na gravura, os vãos se abrem em profundidade, em aprofundamento. São regiões que recuperam vontade e força dos líqüidos, da solidez, e dos elementos etéreos. A espacialidade transubstanciada revela ritmos e temporalidades, negando o curso do tempo linear. O vazio se preenche no instante poético, em cada etapa da gravação e na gravura diante dos olhos. Do vazio, o gravador fará um despertar. Em cada técnica, o vazio tem valores de despertar. Ao eleger uma técnica, o gravador descobre um modo único e singular de alterar a densidade da matéria, e de trazer ao mundo um novo ser: novo em imagem, novo em temporalidade. A gravura é uma dádiva da mão sonhadora! Nas mãos do gravador, o tempo sonha. 4 Da cor O gravador não trabalha a matéria inerte. Ele aprimora uma matéria desejada, executando através da técnica metamorfoses múltiplas, que envolvem a cor. Nessa dinâmica, que inclui o negro, a cor transforma a matéria pelo trabalho da mão. A cor se torna matéria luminosa! Coloridas, linhas e manchas impõem limites e expansões à materialidade própria de cada técnica na "reprodução da gravura". A cor impõe limites e expansões. Mas nesse jogo cromático, o preto tem matizes de cor reveladora. Ao dar cor à matriz, o gravador imprime cor às texturas. Com a cor, ele quebra a rigidez da superfície material. Ele a transforma pelo colorido ou pelo negrume que se insere na matéria trabalhada. Podemos então dizer: a escolha da técnica é por si só um ato expressivo. Assim é a escolha da cor, posto que a tinta perde a neutralidade ao integrar-se a essa poética. O gravador quer a cor no âmago da matéria, para isso ele a integra aos movimentos ativos do espectro cromático em que a mão trabalha a matéria luminescente. A escala cromática adquire novos comprimentos de onda. De ondas pulsantes que se deslocam em profundidade ou em alteamento. A nova matéria cromática perfaz movimentos ascendentes ou descendentes. Trata-se de uma poética da cor. Aqui, cessam da cor os efeitos físicos e químicos. Os efeitos óticos são efeitos de potências cromáticas que impregnam o espaço poético, criando o tempo da cor, e revelando uma natureza transformada. As cores utilizadas por diferentes gravadores têm densidades e texturas comuns a cada técnica, apresentando profundidades diversificadas. A cor tem definições motrizes, por isso a fruição da cor é expressiva diante do olhar: expressa espaços e tempos intrínsecos às diversas técnicas. A cor não colore, ela impregna a gravura. Integra-se à materialidade na dinâmica do gravar. A cor não é um procedimento técnico justaposto à gravura. A escala cromática acolhe múltiplas tintas, dentre elas a tinta negra, a brancura ou outra qualquer tonalidade do papel, dando-lhe vitalidade. O papel se torna cor substancializada. 5 Do papel Na arte de gravar, a mão sonhadora traz ao mundo simultaneidades imagísticas operantes no espaço e no tempo. Nesse espaço e nesse tempo, as etapas da gravação se unem organicamente. A escolha do papel, a dinâmica do "suporte" é um despertar. Outra etapa - outra dinâmica - impõe-se ao processo criativo da arte de gravar: a força tênue do papel - a resistência suave do "suporte". À matriz integra-se o suporte. Da pressão esmagadora da prensa utilizada na litografia e na gravura em metal chega-se a uma pressão menos drástica, quase leve, ao imprimir-se a xilogravura, enquanto se percebe uma força suave na estampagem da serigrafia. A cada uma dessas forças o papel tem reações várias. Torna-se sensível. Reage. No transcurso de cada técnica há, sempre, uma resistência e uma contra-resistência diferentemente tensionadas.
Madeira, metal, pedra e tela adquirem efeitos impressos por tentáculos ritmados, que operam movimentos defensivos e movimentos de chamamento. O dinamismo de tais movimentos se integra aos ritmos emergentes nas células inventadas no papel pelo gravador. As tensões incontidas na madeira, no metal, na pedra ou na tela interagem com a densidade microscópica do papel, fibra por fibra. Forças ritmadas, filiformes e transformadoras tornam poderosas as forças celulósicas. 6 Da Xilogravura Na Xilogravura, a resistência - maior ou menor - da madeira sofre transformações. Criam-se na madeira novos veios, outra trama. Fibras nascentes vão compondo vãos e cortes abertos pela goiva. Essas fibras nevrálgicas - amalgamadas ao branco do papel - compõem com ele os ritmos das fibras insurgentes, a contrastar com o filamento negro ou colorido da impressão. Integrada ao papel, a cor negra adquire valores de liar. O negrume e a coloração registram uma urdidura única, inexistente na natureza. A xilogravura recria o tecido celulósico da árvore. Faz dele uma nova matéria - nem orgânica, nem inorgânica - que, integrada ao papel, cria um interlúdio de luz e sombra no aglomerado de fibras invisíveis a recriar o branco no espectro de luz. Banhado de luz negra, o branco e o negro pertencem também ao espectro solar. O branco e o negro se tornam ora mais opacos, ora menos densos, nessa tensão luminosa. Diante dos poderes de despertar, podemos repetir as palavras do filósofo: "Então o branco da página põe-se ele também a florescer." As forças celulósicas da prancha e do papel são uma florescência de fibras. A xilografia é um despertar de beleza vegetal. 7 Da Litogravura Na Litogravura, o artista depara com outras forças defensivas. Uma resistência inesperadamente doce reveste a pedra. Os limites e as expansões da linha e da mancha devem atenuar ciclicamente as profundezas da rocha. Imagens de profundidade e de superfície se alternam em ciclos, no trabalho da mão sonhadora. Ciclos precisos, ritmados por forças leves, extraem sentidos do oculto a pulsar no interior da pedra. A litogravura traz à luz segredos de uma caverna. Entreabre o ser da pedra: superfície profunda e profundidade à flor da pele. Profundeza emergente, a pedra, em tudo preparada para receber uma força máscula, requer a perícia de um talho delicado. À mão sonhadora, ela pede: - Da flor, grava a pétala! As linhas e marcas na pedra formam um microcosmo hidrográfico na fixação da tinta, em efeito de atenuada cheia. Transbordando e derramando águas, pequeníssimos e mansos córregos, minúsculos mares - sob a pressão da prensa - vazam para o papel, interagindo com as fibras. A litogravura é um despertar de delicada, quase invisível, hidrografia. É "um sonho de beleza mineral", entrelaçando pedra e águas imaginárias. 8 Da Gravura em Metal Na Gravura em Metal, uma força vulcânica deve ser controlada e transformada. Além da persistência do movimento da mão, na placa de metal atua a tenacidade das forças calóricas - forças advindas do ácido entranhado ao metal, ou dos instrumentos cortantes desbastando-o, como o buril e a ponta seca. Da mão, advêm ainda instantaneidades reguladoras - forças de equilíbrio do tempo exato da corrosão ou do desbaste. Ao nortear esses procedimentos, a mão realiza uma poética do fogo. Do fogo que arde, e da haste que escava e se entranha na placa metálica. O material da chapa desperta ambigüidades, opondo forças de vida e morte. Algo vive, algo morre - a matéria. Em transformação, nela se registram forças nascentes e forças de destruição. Algo morre. Algo vive - a matéria.
Na gravação em metal, o ácido, os instrumentos, movimentos e ritmos perfazem efeitos do calor. O fogo anima a imagética do gravador nessa técnica. A gravura em metal é um despertar de beleza das chamas fluidas e da incisão corrosiva. 9 Da Serigrafia Na Serigrafia, limites e expansões da matéria se fazem leves e vitais pelo engenho da mão do gravador acolhendo a técnica. Uma força rápida emerge nesse processo de gravação. O processo de secagem se impõe como resistência. Na instantaneidade dos seus movimentos, o gesto hábil do gravador alcança poderes sutis do universo e da imaginação. No instante da evaporação, a mão fixa o kósmos e o sentir. Imaginar e agir se correspondem no decorrer dessa técnica. Numa espécie de sonho etéreo, a mão opera a evanescência das cores foscas e das cores transparentes, retendo um mundo prestes a desaparecer. A resistência ganha uma nova ordem. Na tela, transparências, intercepções e películas de recorte operam forças a serem vencidas. Subleva-se uma força sutil a ser contrafeita: a evaporação. Da secagem emanam forças que devem ser dominadas. Para transformá-las, a mão as surpreende com movimentos céleres e definitivos. A impressão é direta, imediata. A mão do gravador recria o papel. Recria em seu tecido possibilidades permutacionais e transparências cromáticas. A plasticidade da cor é metamorfose, porque a serigrafia não é uma camada de tinta sobre papel. O procedimento técnico se reinventa ao inserir-se no papel outra cor e outra densidade advinda da transformação de suas fibras. O tênue movimento da mão - seu peso quase inexistente sobre o papel - é suficiente para retexturizar as fibras celulósicas. A serigrafia é um despertar de rapidez de forças evanescentes. 10 A Poética da Arte de Gravar Unidade na pluralidade. O múltiplo no uno. Eis a demiurgia da gravura. Na poética da arte de gravar, cessam as diferenças entre as etapas sucessivas. Interrompem-se as querelas relativas à matriz e à reprodução. Funde-se a trilogia: desenhar, gravar, reproduzir. Ao dar nova ordem ao tempo, ao espaço, à matéria, o gravador nos revela que a reprodução não tem efeito de cópia. Tem efeitos de simultaneidade. O que se multiplica na gravura é sua temporalidade, a reprodução é um evento de simultaneidades. "Reproduzir" é produzir espaços e tempos de poesia. Podemos, então, dizer que o gravador conhece os sonhos da matéria inerte, que se quer sensível, plástica, iluminada. Na poética da gravura, desenho, matriz e reprodução se fundem num corpo único, entre momentos de luz e sombra. Na gravura, o uno nasce de um lugar-entre. Nem desenho, nem matriz, nem reprodução, a gravura nasce como entre-fase: entre-luz da matéria em transmutação. Eclode do movimento desvelado pela mão trasformando a matéria com forças contrapostas. Para conhecer a dominância dessas forças, o contemplador deverá aprender esta lição poética: "Com singular convicção, a imaginação afirma que o que ilumina vê. A luz vê." Impelida pela mão do gravador, toda matéria é luminosa. A matéria vê. E a mão sonhadora elabora um lugar entre natureza e trabalho, entre devaneio e concretude, nas imagens de despertar eclodindo em cada um dos momentos da gravura apreendida pelo "contemplador". Desenhar, gravar, reproduzir, repetimos, não são tarefas justapostas. Interpenetram-se a cada etapa. A cada olhar. A cada despertar. São momentos únicos e múltiplos da matéria e da imagem, do espaço e do tempo reunidos pela alquimia da mão sonhadora, alquimia que entrelaça o kósmos e o eu, no ato de criar. A gravura, arte da matéria realizada, arte da mão que sonha os sonhos da matéria, a ela reagimos arrebatados pelos "poderes hierárquicos dos movimentos". É propício agora meditar sobre as palavras poéticas de Bachelard: "As alegrias do olhar se renovam conforme a hora e a estação, conforme o humor. Que benefício é ter uma gravura na própria casa." |
Mirian de Carvalho. Crítica e poeta. Vice-presidente da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Publicou, em parceria com Angela Martins, Novas Visões: Fundamentando e Espaço Arquitetônico e Urbano (2000). Versão atualizada de texto publicado com outro título em Gravura Brasileira Hoje (1994). Contato: mir3@zaz.com.br. Página ilustrada com obras do artista Juan Bernal Ponce (Costa Rica). |