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revista de cultura # 29 - fortaleza, são paulo - outubro de 2002 |
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Allen Ginsberg e a volta dos apocalipses da década de 50 Claudio Willer Desde o 11 de
setembro, eu vinha observando que Allen Ginsberg, morto em 1997, fazia falta. Seria
alguém capaz de dizer algo, fazer um pronunciamento lúcido sobre o que anda acontecendo
nos Estados Unidos e no mundo. Certamente, diria algo bem melhor e bem acima do tipo de
maniqueísmo que temos visto, representado, de um lado, por pessoas que enxergam alguma
positividade em atentados e os acham capazes de abalar os alicerces da sociedade
capitalista, e, de outro, pelos que endossam irrestritamente o militarismo como
represália.
Por isso, em homenagem ao momento presente, ofereço dois dos seus poemas que traduzi para a edição de Uivo, Kaddish e outros poemas (L&PM editores, 1999): um mais político, Morte à orelha de Van Gogh! e outro mais místico, Salmo mágico. Há, em ambos, a representação de um fim de mundo ou de uma sociedade à beira do abismo, enfatizada na frase inicial do segundo deles: Porque o mundo está à beira do abismo e ninguém sabe o que virá depois. Retratam, portanto, um ambiente ou um contexto de catástrofe iminente, associada às tensões da Guerra Fria e do risco de um confronto com armas nucleares, que repentinamente voltou e se re-instalou em nosso cotidiano. Aliás, cabe uma pergunta: ao aludirmos ao militarismo e ao desprezo pelas questões ambientais e outros temas que ganharam relevo nos últimos meses, é de um retrocesso aos anos 50 que estamos falando,? Ou estamos tratando de algo bem pior, da volta a um período anterior, mais bárbaro ainda? A menção, em Morte à orelha de Van Gogh, a Teddy Roosevelt, o presidente norte-americano que invadiu Cuba em 1892, em uma guerra notoriamente produzida pela imprensa, nos deixa em sobressalto. Pode ser que estejamos recuando mais ainda do que receamos, em uma viagem sem regresso que acabará nos devolvendo à Idade das Cavernas. Morte à Orelha de Van Gogh! dialoga com Antonin Artaud, notadamente em Van Gogh, o Suicidado pela Sociedade e Para acabar com o julgamento de Deus, pelo tom de acusação indignada e a politização dos artistas "malditos". Neste e em outros textos, inclusive No túmulo de Apollinaire, há constante referência a poetas que se suicidaram: Maiakovsky, Hart Crane, Lindsay, Vaché, Rigaut; e aos que morreram prematuramente: Lorca, Radiguet, Apollinaire. É a viagem órfica, com Ginsberg refazendo o percurso de Orfeu, patrono dos poetas, descendo ao reino dos mortos e encontrando seus pares (a interpretação é reforçada pela menção à barca do Letes no Supermercado na Califórnia). Há, em Morte à Orelha de Van Gogh! uma frase que poderia servir como epígrafe para toda a obra de Ginsberg: esta é a hora da profecia sem morte como conseqüência: Continuador da tradição dos poetas proféticos, indignados com seu tempo, para ele o conflito entre poeta e sociedade não mais terá como conseqüência sua destruição; ao contrário, será ouvido, e sua voz ecoará com mais força do que a dos políticos. O poema também poderia se chamar "Morte à Morte", morte ao símbolo da exclusão do poeta e seu banimento, a orelha cortada de Van Gogh.
Há notas várias de rodapé, na edição em livro de Morte à orelha de Van Gogh. Para facilitar a leitura on-line, coloquei-as no final desse poema. Morte à orelha de Van Gogh! O Poeta é Sacerdote O dinheiro contabilizou a alma da América O Congresso desabou no precipício da Eternidade O Presidente construiu uma máquina de guerra que vomitará e varrerá a Rússia para fora do Kansas O Século Americano foi traído por um Senado louco que não dorme mais com sua mulher Franco assassinou Lorca o filho queridinho de Whitman assim como Maiakovski se suicidou para evitar a Rússia Hart Crane Platônico insigne se suicidou para soterrar a América errada assim como milhões de toneladas de cereal humano foram queimadas em porões secretos sob a Casa Branca enquanto a Índia morria de fome e gritava e comia cachorros loucos encharcados de chuva e montões de ovos eram reduzidos a pó branco nos corredores do Congresso nenhum homem temente a Deus andará de novo por lá por causa do fedor dos ovos podres da América e os índios de Chiapas continuam a mastigar suas tortillas sem vitaminas aborígenes da Austrália talvez resmunguem na selva sem ovos e raramente eu tenho um ovo para o café da Manhã embora meu trabalho precise de infinitos ovos para renascer na Eternidade ovos deviam ser comidos ou então devolvidos a suas mães e o desespero das incontáveis galinhas da América se expressa pela gritaria dos seus comediantes no rádio Detroit fabricou um milhão de automóveis de seringueiras e fantasmas mas eu caminho, eu caminho e o Oriente caminha comigo e toda a África caminha e mais cedo ou mais tarde a América do Norte também caminhará pois assim como expulsamos o Anjo Chinês da nossa porta, ele também nos expulsará da Porta Dourada do futuro nós não mostramos piedade para Tanganica Einstein em vida recebeu zombarias por sua política celestial Bertrand Russel expulso de Nova York por trepar e o imortal Chaplin foi expulso das nossas praias com a rosa entre os dentes uma conspiração secreta da Igreja Católica nos mictórios do Congresso negou anticoncepcionais às incessantes massas da Índia Ninguém publica uma palavra que não seja o delírio covarde de um robô com mentalidade depravada o dia da publicação da verdadeira literatura do corpo americano será o dia da Revolução a revolução do cordeiro sexual a única revolução incruenta que distribuirá cereais o pobre Genet iluminará os que trabalham nas colheitas de Ohio Maconha é um narcótico benigno mas J. Edgar Hoover prefere seu mortífero scotch E a heroína de Lao-Tsé & do Sexto Patriarca é punida com a cadeira elétrica porém os pobres drogados não têm onde pousar suas cabeças canalhas em nosso governo inventaram um tratamento torturante para o vício tão obsoleto quanto o Sistema de Defesa de Alarme pelo Radar eu sou o sistema de defesa de alarme pelo radar Não vejo nada a não ser bombas não estou interessado em impedir que a Ásia seja Ásia e os governos da Rússia e da Ásia se erguerão e cairão mas a Ásia e a Rússia não cairão o governo da América também cairá mas como pode a América cair duvido que mais alguém venha a cair alguma vez a não ser os governos felizmente todos os governos cairão os únicos que não cairão serão os bons e os bons governos ainda não existem Mas eles precisam começar a existir eles existem nos meus poemas eles existem na morte dos governos da Rússia e da América eles existem nas mortes de Hart Crane e de Maiakovski Esta é a hora da profecia sem morte como conseqüência o universo acabará por desaparecer Hollywood apodrecerá nos moinhos de vento da Eternidade Hollywood cujos filmes estão atravessados na garganta de Deus Sim Hollywood receberá o que merece Tempo Infiltração ou gás paralisante pelo rádio A História tomará profético este poema e sua horrível estupidez será uma hedionda música espiritual Eu tenho o arrulhar das pombas e a pluma do êxtase O Homem não pode agüentar mais a fome da abstração canibal A guerra é abstrata o mundo será destruído mas eu só morrerei pela poesia que salvará o mundo Monumento a Sacco e Vanzetti ainda não patrocinado para dignificar Boston nativos do Quênia atormentados pelos imbecis criminosos da Inglaterra a África do Sul nas garras do branco alucinado Vachel Lindsay Ministro do Interior Poe Ministro da Imaginação Pound Ministro da Fazenda e Kra pertence a Kra e Pucti a Pucti cruzamento de Blok e Artaud a Orelha de Van Gogh estampada no dinheiro chega de propaganda de monstros e os poetas devem ficar fora da política ou se tornarão monstros eu me tornei monstruoso por causa da política o poeta russo indiscutivelmente monstruoso em seu diário íntimo o Tibete deve ser deixado em paz Estas são profecias óbvias A América será destruída os poetas russos lutarão contra a Rússia Whitman preveniu contra essa "maldita fábula das nações" Onde estava Theodore Roosevelt quando ele mandou ultimatos do seu castelo em Camden Onde estava a Câmara dos Deputados quando Crane leu em voz alta seus livros proféticos Onde estava tramando Wall Street quando Lindsay anunciou o destino final do Dinheiro Estariam escutando meus delírios nos vestiários do Departamento de Pessoal de Bickfords? Deram ouvidos aos gemidos da minha alma enquanto eu lutava com estatísticas de pesquisas de mercado no Fórum de Roma? Não eles estavam brigando em reluzentes escritórios, sobre carpetes de parada cardíaca, berrando e negociando com o Destino brigando com o Esqueleto com sabres, mosquetões, dentes arreganhados, indigestão, bombas de roubo, prostituição, foguetes, pederastia, de costas para a parede por causa das suas mulheres, apartamentos, gramados, subúrbios, contos de fada, Porto-riquenhos amontoados para o massacre por causa de uma geladeira de imitação chinesa-moderna Elefantes da misericórdia trucidados por causa de uma gaiola elizabetana de pássaros milhões de fanáticos agitados no hospício por causa do estridente soprano da indústria O canto de dinheiro das saboneteiras - macacos de pasta de dente nos televisores - desodorantes em cadeiras hipnóticas - atravessadores de petróleo no Texas - aviões a jato riscando as nuvens - escritores do céu mentirosos diante da Divindade - açougueiros de afiados dentes com chapéus e sapatos, todos Proprietários! Proprietários! Proprietários! com obsessão de propriedade e Ego evanescente! e seus longos editoriais tratando friamente do caso do negro que berra atacado por formigas pulando para fora da primeira página! Maquinaria de um sonho elétrico das massas! A Prostituta da Babilônia criadora de guerras vociferando com Capitólios e Academias! Dinheiro! Dinheiro! Dinheiro! dinheiro celestial da ilusão berrando loucamente! Dinheiro feito de nada, fome, suicídio! Dinheiro do fracasso! Dinheiro da morte! Dinheiro contra a Eternidade! e os fortes moinhos da eternidade trituram o imenso papel da ilusão! [Paris 1958] NOTASØ Lorca o filho queridinho de Whitman - queridinho é tradução de fairy, "fadinha"; em gíria, boneca, bicha. A passagem remete à Ode a Walt Whitman de Lorca, e às idéias de Ginsberg, expostas na entrevista para o Gay Sunshine, sobre uma espécie de transmissão iniciática pelo contato sexual entre homossexuais, ao comentar sobre um homem com quem Neal Cassady havia transado na juventude, que por sua vez transara com o próprio Walt Whitman: uma linhagem, por essa via, de Whitman a Ginsberg. Ø Hart Crane - grande poeta americano (1899-1932), autor de White Buildings e The Bridge, que se suicidou, jogando-se de um navio. Parte de sua obra dá continuidade a Whitman, inclusive no profetismo e messianismo. Comentaristas apontam relação entre o texto de Ginsberg e Crane, pelos versos longos e uso de travessões. Ø milhões de toneladas de cereal humano - alusão a manobras para manter o preço dos produtos, queimando cereais e pulverizando o excesso de produção de ovos (algo semelhante às queimas de café no Brasil depois da crise de 29). Ø eu caminho, eu caminho - but I walk, I walk, com o duplo sentido de avançar, prosseguir, e de andar a pé, em contraste com os automóveis do verso anterior. Ø expulsamos o anjo chinês -o Oriental Exclusion Act de 1911 impôs limites à imigração de chineses nos Estados Unidos; uma lei racista. Ø Bertrand Russel expulso de Nova York por trepar - o filósofo, matemático e pacifista inglês foi expulso nos anos 40, depois do escândalo alimentado pela imprensa conservadora, por viver maritalmente com uma mulher e haver defendido o "casamento livre", pessoas viverem juntas algum tempo antes de casarem, para saberem se a união valeria a pena. Ø e o imortal Chaplin foi expulso de nossas praias - a expulsão de Chaplin foi nos anos 5O, em pleno macarthismo, acusado de idéias comunistas. Desde então, passou a viver na Europa. Einstein também foi hostilizado pelo FBI e tachado de comunista, por seu pacifismo internacionalista, dos anos 30 até 50. Ø Sexto Patriarca - mentor do Budismo. Ø Lindsay - Vachel Lindsay; o poeta foi um crítico do mercantilismo e da ganância, na mesma linha de Whitman. Ø Kra pertence a Kra e Pucti a Pucti - Kra e Pucti são glossolalias, ou seja, sons não semantizados presentes em textos de Antonin Artaud, como Van Gogh, o suicidado pela sociedade, e Para acabar com o julgamento de Deus, sua obra derradeira, terminada pouco antes de morrer. Ø Blok - Aleksander Alexandrovich Blok (1880-1921), o grande poeta simbolista russo. Ø Theodore Roosevelt - presidente dos Estados Unidos na primeira década do nosso século; responsável pela política intervencionista do "big stick"; antes, havia comandado a invasão de Cuba em 1898; Ø castelo em Camden - a casa onde Walt Whitman morou em Camden, Nova Jersey, e escreveu Democratic Vistas, seu livro político-profético no qual pedia uma América mais democrática e menos gananciosa. Ø Bikcfords - a lanchonete na qual Ginsberg lavou pratos depois de sair de Columbia, Nova York. Ø enquanto eu lutava com estatísticas de pesquisa de mercado - Ginsberg trabalhou como analista de dados na firma Towne-Oller de San Francisco, em 1954; seu último emprego fixo antes de dedicar-se apenas à poesia.
Ó Fantasma que minha mente persegue de ano para ano desce do céu para esta carne trêmula colhe meu olho fugitivo no vasto Raio que não conhece limites - Inseparável - Mestre Gigante fora do tempo com todas as suas folhas caindo - Gênio do Universo - Mágico do Nada onde nuvens vermelhas aparecem - Indizível Rei das rodovias que se foram - lnintelígível Cavalo saltando fora do sepulcro - Poente sobre a grande Cordilheira e inseto - Cupim - Lamentoso - Riso sem boca, Coração que nunca teve carne para morrer - Promessa que não foi feita - Consolador, cujo sangue arde em um milhão de animais feridos - Ó Misericórdia, Destruidor do Mundo, Ó Misericórdia, Criador das Ilusões Acalentadas, Ó Misericórdia, arrulho cacofônico da boca quente, Vem, invade meu corpo com o sexo de Deus, sufoca minhas narinas com a infinita carícia da corrupção, transfigura-me em vermes viscosos de pura transcendência sensorial, ainda estou vivo, grasna minha voz com o mais feio que a realidade, um tomate psíquico falando-Te por milhões de bocas, Alma minha com miríades de línguas, Monstro ou Anjo, Amante que vem me foder para sempre - véu branco do Polvo sem Olhos Cu do Universo no qual desapareço - Mão Elástica que falou com Crane - Música que toca na vitrola dos anos vinda de outro Milênio - Ouvido dos edifícios de NY Aquilo em que acredito - que vi - procurei incessantemente na folha cachorro olho - sempre culpa, falta, - o que me faz pensar - Desejo que me criou, Desejo que escondo no meu corpo, Desejo que todo Homem conhece Morte, Desejo ultrapassando o mundo Babilônico possível que faz minha carne sacudir-se em orgasmos do Teu Nome que não conheço nunca conseguirei nunca dizer Dizer à Humanidade para dizer que o grande sino toca um tom dourado nos balcões de ferro em cada milhão de universos, eu sou Teu profeta volta para casa para este mundo para gritar um insuportável Nome pelo odioso sexto dos meus 5 sentidos que conhece Tua mão em seu falo invisível, coberta pelos bulbos elétricos da morte - Paz, Solucionador onde embaralho ilusões, vagina de Boca Mole que entra no meu cérebro por cima, Pomba da Arca com um ramo de Morte. Enlouquece-me, Deus estou pronto para a desintegração da minha mente, desgraça-me no olho da terra, ataca meu coração cabeludo come meu caralho Invisível coaxar do sapo da morte salta em mim matilha de pesados cães salivando luz, devora meu cérebro fluxo Uno de interminável consciência, tenho medo da tua promessa devo fazer que minha oração grite no medo - Desce Ó Luz Criador & Devorador da Humanidade, arrebenta o mundo em sua loucura de bombas e morticínio, Vulcões de carne sobre Londres, em Paris urna chuva de olhos - caminhões carregados de corações de anjos para lambuzar as paredes do Kremlin - a caveira de luz para Nova York - miríade de pés recobertos de jóias nos terraços de Pequim - véus de gás elétrico baixando sobre a Índia - cidades de Bactéria invadindo o cérebro - a Alma escapando para as ondulantes bocas de borracha do Paraíso - Este é o Grande Chamado, esta é a Toxina da Guerra Eterna, este é o grito da Mente assassinada na Nebulosa, este é o Sino Dourado da igreja que nunca existiu, este é o Bum no coração do raio do sol, esta é a trombeta do Verme na Morte, Apelo do arcanjo castrado sem mãos Doação da semente dourada do futuro pelo terremoto & vulcão do mundo - Sepulta meus pés sob os Andes, esparrama meus miolos sobre a Esfinge, hasteia minha barba e cabelo no Empire State Building, cobre minha barriga com mãos de musgo, enche meus ouvidos com teu clarão, cega-me com arco-íris proféticos Que eu prove finalmente a merda de Ser, que eu toque Teus genitais na palmeira, que o vasto Raio do Futuro entre pela minha boca para fazer soar Tua Criação Eternamente Não-nascida, Ó beleza invisível para meu Século! que minha oração ultrapasse minha compreensão, que eu deposite minha vaidade a Teus pés, que eu não mais tema o Julgamento de Allen neste mundo nascido em Newark chegado para a Eternidade em Nova York chorando novamente no Peru pela definitiva Língua para salmodiar o Indizível, que eu ultrapasse o desejo de transcendência e entre nas calmas águas do universo que eu cavalgue esta onda, não mais eternamente afogado na torrente da minha imaginação que eu não seja assassinado pela minha própria doida magia, crime este a ser punido nos piedosos cárceres da Morte, homens entendei minha fala fora de seus próprios corações turcos, ajudem-me os profetas com a Proclamação, que os Serafins aclamem Teu Nome, Tu subitamente em uma imensa Boca do Universo fazendo a carne responder. [1960] |
Claudio Willer (São Paulo, 1940). Poeta, ensaísta e tradutor. Atualmente preside a União Brasileira de Escritores. Traduziu parcialmente Ginsberg e Artaud, e a obra completa de Lautréamont. É um dos editores da Agulha. Contato: cjwiller@uol.com.br. Página ilustrada com obras do artista Juan Bernal Ponce (Costa Rica). |