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revista de cultura # 31 - fortaleza, são paulo - dezembro de 2002 |
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Editorial Esta reflexão importa sobretudo em um país esfacelado por uma falsa percepção de qual seja o papel do indivíduo em uma sociedade, distorção que assume um grau assustador quando o que situamos aqui como indivíduo vai além do cidadão comum, incluindo toda uma casta intelectual em seus diversos segmentos e tendências. Os leitores que acompanharem a íntegra da referida entrevista poderão perceber claramente uma diferença de comportamento entre escritores italianos e brasileiros, sendo rara entre nós a busca de elaboração do que Ermini chama de "um pensamento que dialogue com a verdade do ser humano, do seu estar no mundo, do mundo mesmo", isso não como gesto isolado, mas antes como discussão aberta envolvendo tendências estéticas e pendências éticas de toda sorte. De alguma maneira, nossos escritores perderam o sentido de bem comum, não cabendo mais à língua ou ao mito a responsabilidade de unir os homens. Nós nos acomodamos tanto a uma ilusória máscara da fragmentação que já nos causa incômodo outra máscara: a da realidade. Mas a qual realidade devemos nos referir, se já não buscamos a nós mesmos em parte alguma? Agulha inaugura neste número um tablado virtual que concentra o que parcialmente já vinha sendo realizado nas páginas do jornal O Escritor, da UBE - União Brasileira de Escritores. O que seguimos chamando de galeria de revistas, e que antes era apenas uma vitrina de links, passa a ser um lugar de encontro entre editores de revistas literárias e de cultura em vários países do mundo. Some-se a isto uma parceria com duas outras publicações igualmente virtuais: Alô Música (Rio de Janeiro) e TriploV (Lisboa), respectivamente dirigidas por Solange Castro e Maria Estela Guedes. Sendo este também o momento de acentuar a valiosa cumplicidade que encontramos, nós editores da Agulha, em Soares Feitosa, criador e diretor do Jornal de Poesia, praticamente desde o princípio de nossa atividade editorial. A permanente discussão em torno de ambientes culturais e perspectivas renovadas de projetos em tal área seguimos tecendo com inúmeros diretores de periódicos, cabendo destacar a presença constante de Alfonso Peña (Matérika, Costa Rica), Eduardo Mosches (Blanco Móvil, México), Harold Alvarado Tenorio (Arquitrave, Colômbia), Helena Vasconcelos (Storm Magazine, Portugal), José Ángel Leyva (Alforja, México), Mónica Saldías (El Artefacto Literario, Suécia), Rogério Pereira (Rascunho, Brasil), dentre outros. Tudo isto aponta em uma única direção: a de que Agulha não existe sozinha. Talvez até seja possível, mas não nos interessa. Não cabemos no amargor da solidão ou da submissão. Há uma certa obsessão pela construção de pontes que permitam o livre trânsito entre diversas culturas. Os 30 números circulados até o momento - caso o leitor aceite o convite de uma visita a nosso índice geral - possuem uma abrangência de tempo e espaço que tornam razoável essa obsessão. A relação entre o indivíduo e uma correspondente "dimensão coletiva" pode ganhar um novo ambiente de discussão, a partir dessa multiplicidade de visões de mundo que propicia a pauta de uma revista como Agulha. É bem possível. Contudo, há que fazê-la circular, antes de tudo, cuidando para que dela se desdobre um projeto que parta da necessidade de ouvir o outro. Os editores |
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Sumário 1 anita malfatti e a pintura moderna. contador borges2 claudio willer: evocações de uma unidade do pensamento (entrevista). floriano martins 3 del muelle de limón al callejón de hammel. hemingway, olga guillot y paquito d'rivera en la vida de un maestro de américa: ray tico (entrevista). alfonso peña 4 ernst jünger: que a beleza nos preserve do mal! joão barrento 5 flavio ermini: perspectivas editoriais na literatura italiana (entrevista). fabrizio nesti 6 lances da pós-modernidade. foed castro chamma 7 lo que es y está en la obra de yves tanguy. oscar gonzález 8 marxismo, messianismo e utopia: a atríade indissociável e a sua experiência na linguagem. maria joão cantinho 9 o inventário do mundo: arthur bispo do rosário e peter greenaway. maria esther maciel 10 pensar a língua: clarice lispector e a literatura brasileira. carlos mendes de sousa 11 rosamel del valle: la araña que encontró un chileno. lorenzo garcía vega 12 víctor chab: una trayectoria del surrealismo. floriano martins artista
convidado joão câmara (pinturas e objetos) texto de mirian de
carvalho |
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Expediente editores projeto gráfico & logomarca jornalista responsável conselho editorial correspondentes artista plástico convidado (pinturas e
objetos) apoio cultural banco de imagens os artigos assinados não refletem necessariamente
o pensamento da revista escreva para a agulha |
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