revista de cultura # 31 - fortaleza, são paulo - dezembro de 2002

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Flavio Ermini: perspectivas editoriais na literatura italiana (entrevista)

Fabrizio Nesti

Flavio ErminiEncontro-me com Flavio Ermini na sede da Revista Anterem, dirigida por ele e um dos pontos de referência privilegiados para quem, seja por estudo ou por amor à literatura, se interesse pelos rumos da poesia contemporânea.

FN - Minha idéia é essa: falar da sua poesia e da sua atividade editorial. Me diga: por onde quer que a gente comece?

FE - Gostaria de começar por um nome: Karlsár.

FN - Você talvez esteja se referindo à denominação que os Normandos davam ao lugar que, há algum tempo atrás, era conhecido como «colunas de Hércules» e que agora é comumente chamado de estreito de Gibraltar?

FE - Precisamente. Karlsár era o nome que indicava um limiar cuja proibição de ultrepassá-lo resultava válida nas duas direções: para quem chegava do Mediterrâneo, como é sabido, mas também para quem chegava do Atlântico. Vou lhe dizer mais. Karlsár significava em dialeto germânico «águas do homem». Este elemento explica que aquela mesma experiência do limite, aquele ficar no meio, na soleira, é percebida como constitutiva da essência humana em geral.

FN - E isso tem alguma coisa em comum com a sua poesia ou com Anterem?

FE - Veja, Karlsár se tornou o título de um dos meus livros de poesia dos anos noventa. Livro que é fruto de uma série de interrogações e questões com as quais me confrontei nas últimas duas décadas.

FN - Por exemplo?

FE - A questão principal é aquela com a qual sempre se depararam os poetas: como consentir à palavra de se afastar do sentido que lhe preexiste para se colocar na condição de inaugurar um novo sentido, até poder pronunciar a palavra originária. No falar original se cumpre a revelação do mundo. A palavra que chama e que reúne faz com que o mundo se manifeste nas coisas.

FN - Você poderia explicar melhor este conceito?

FE - Claro. A palavra poética tem que se constituir ela mesma como produtora de sentido, do próprio sentido. Alguns caminhos foram traçados. Pense por exemplo em Arnaut, em Scève, Hölderlin, Mallarmé, Ungaretti... Muitas estratégias foram articuladas. Muitas outras terão de ser ativadas para remontar à palavra da origem. Espero que Karlsár, assim como o livro posterior, Poema n.10. Tra pensiero sigam de alguma forma nessa direção.

FN - Olha, pode ser legítimo definir Karlsár como o manifesto da sua maneira de entender a poesia?

FE - Sim, é possível. E posso acrescentar que escrevendo esses textos, eu pensava numa poesia que não nasce da percepção do imenso, mas da experiência do limite. Eis porque aquele título, Karlsár.

FN - Creio estar compreendendo. Neste choque de águas diferentes, nestas ruas que levam para a mesma interdição, representada pelas Colunas de Hércules, o poeta organiza o seu «fazer», a sua capacidade de atuar. Quem chega do Atlântico, superado o limite, acha a civilização. Ao contrário, quem chega do Mediterrâneo, acha o desconhecido.

FE - É assim mesmo. E ao poeta interessam as duas vias para a sua procura. A primeira para conhecer as estruturas do já conhecido e desestruturá-las; e a segunda para se aventurar no desconhecido, iluminando partes do mundo que antes afundavam na escuridão.

FN - Olha, nas suas coletâneas anteriores o eu e todos os acontecimentos meramente existenciais eram eliminados. Nesta obra, além deste apagamento, me pareceu interessante destacar que a ação se torna até mais abstrata. É como se estivéssemos nos movendo em áreas lingüísticas desprovidas ou quase de pontos referenciais. E é como se a realidade posta em jogo fosse esvaziada de si mesma.

FE - Sim, me dou conta disso. Através da poesia estou diretamente em confrontação com áreas subtraídas à clareza tranqüilizante da consciência. De fato, como epígrafe para o livro inicialmente queria citar um pensamento de Heráclito: «Quando a sua vida se apagou, acende na noite uma luz para si mesmo: e vivo é ao contato com o morto, e acordado ao contato com o dormente». Aqui também existe a vontade de fazer com que os contrários se encontrem.

FN - Existe algum elemento que você gostaria que se destacasse com muita clareza em sua poesia?

FE - Em geral, gostaria de mostrar o que acontece quando a palavra precipita no passado ancestral do ante-sentido, da latência, no qual vigora o acontecimento ainda sem nome, sem relação e não sublimado. Aqui a paisagem já não é caraterizada por sólidas arquiteturas, mas por fragmentos de memória. Vamos dizer que sigo o movimento das sombras que acompanham o meu pensamento. São lugares de onde a vida se retirou, como você mesmo observara antes. Aqui vive a figura do Outro...

FN - ... o navegante normando que chega a Karlsár...

FE - Precisamente. O Outro que desafia a maneira como o mundo está organizado.

FN - Se bem entendi, sua poesia confere uma substancial importância àquelas margens que existem nos limites do tempo, aquelas orlas inseguras e descentradas deixadas na sombra pela luz retilínea do «progresso»...

FE - Sim, é verdade. E é precisamente nessa direção que vai grande parte da poesia contemporânea...

FN - ... poesia que é documentada na revista Anterem com teimosia desde muitos anos, não é?

FE - Você não está errado.

FN - E então me fale um pouco de Anterem. Vamos começar pelo nome.

João CâmaraFE - Sim, com prazer. Anterem é o nome de um grupo de poetas que se responsabiliza por uma revista, diferentes coleções de literatura e escrituras, por um prêmio de poesia e por um centro de documentação. O nome Anterem acentua o valor pré-lógico da palavra, chamada a ser o lugar de junção entre percepção e sensibilidade num interrogar que se refere a uma singuralidade antecedente à distinção entre universal e individual. Se refere à palavra que ainda não é o correspondente da coisa designada. Se dirige, vichianamente, à palavra que precede as formas típicas da reflexão. À palavra que ainda não ultrapassou aquele limite além do qual a representação do mundo começa a partir-se em classificações.

FN - Você poderia sintetizar o conceito guardado no nome Anterem?

FE - É muito fácil. A questão que contém o nome Anterem é a seguinte: é ainda possível dar vida a uma palavra capaz de nomear o que ainda não foi pensado? É ainda permitido ao poeta se colocar, com sua voz, no lugar do nascimento das palavras, onde as coisas ainda não existem e as palavras são um «antes», um ante com respeito à coisa?

FN - Uma curiosidade: por que os dois termos foram unidos entre si?

FE - A fusão dos dois termos «ante» e «rem», com o deslocamento do acento tônico, quer mostrar graficamente aquele traço onde sentimento e ordem racional constituem alguma coisa de único e indivisível. Aquele traço onde se encarna na palavra o que foi silenciado, restaurando o co-pertencimento inaugural entre silêncio e voz. O silêncio de onde nasceu a voz e que a voz continua guardando em si.

FN - Se não estou errado, Anterem é a primeira em ordem de tempo entre as iniciativas que vocês promovem, não é?

FE - Sim, Anterem foi fundada no distante 1976, constituindo-se, pois essa era a necessidade, como um laboratório de pesquisa. «Pesquisa» como tensão inevitável que do ouvir conduz ao ouvir pensante, num deslocamento que pede uma suspensão de cada costume de sentido. Uma maneira que quer ser um leve cercar - como salvaguardar, como guardar - e não um possuir, não um fechamento no conceito. Deixando coincidir o objeto da pesquisa com o exercício da procura, Anterem considera todos aqueles processos interiores onde positivo e negativo, elevação e queda, apropriação e renúncia coabitam indissoluvelmente.

FN - ... «o objeto da pesquisa», você disse. Poderia esclarecer a que se refere?

FE - A pesquisa da qual Anterem se ocupa considera a natureza do pensamento poético, e enfoca desde perspectivas plurais o tema da fundamental e controvertida questão sobre o sentido que se articula no texto e que da escrita faz o lugar da sua revelação. Seu ponto central é constituído pela pulsão em direção à palavra inaugural, uma palavra que tenha recuperado todo o seu valor primitivo, as suas potencialidades nativas de criação da coisa, de criação do mundo.

FN - Anterem está estruturada em números temáticos. Existe uma motivação particular atrás dessa escolha?

FE - Para responder à pergunta, é necessário dizer antes de tudo que Anterem é o resultado do confronto entre a pesquisa individual e a elaboração teórica coletiva, tanto que cada número se configura como uma obra orgânica, em sintonia com o passo da realidade. E determina um cruzamento não-interrompido de reflexão crítica e prática poética, numa livre expressão que descuida das regras para atravessar saberes diferentes. Tendendo àquela forma que não pode ser assimilada a nenhuma solução estilística codificada. Então, seguindo essa lógica, Anterem se estrutura em números monotemáticos, num entrelaçamento de forças, pensamentos, idéias, problemas, projetos diferentes acerca de argumentos de particular relevo no âmbito literário e filosófico. Com a consciência de que existe uma única maneira para determinar o curso da literatura, ou seja: elaborar novas formas expressivas e ao mesmo tempo dar vida a estruturas de pensamento que permitam falar delas. Entre as temáticas da quarta série: a Imperfeição, a Abertura, Metaxy, o Outro, Epoché, Eterotopias, Grados.

FN - Reparei que ao longo dos anos, ao redor da revista nasceram e cresceram algumas coleções editoriais que deram à iniciativa a configuração de uma pequena casa editorial. Imagino que inclusive na escolha dos livros para publicação vocês sigam as mesmas modalidades...

FE - Também nos livros, como na revista, a redação se empenha na defesa daquele «novo» em literatura que sempre tem dificuldade em ser acolhido. Mas que sem dúvida representa o front principal da escrita, aquele irredutível «diferente» que o tempo se ocupará de transformar em nova tradição. São destinados à publicação aqueles textos que realmente implantam dispositivos para dar vida a uma palavra ainda capaz de inventar céu e terra, criar objetos de sentido.

João CâmaraFN - Quantos livros vocês publicaram até agora?

FE - Mais de cem, divididos em quatro coleções: «Limina», «La ricerca letteraria», «Itinera», «Pensare la letteratura».

FN - Me fale de «Limina»

FE - Essa coleção reúne textos de poesia e prosa abertos à expressão lingüística mais avançada e documenta os êxitos daqueles autores que na evolução estilística divisam o caminho necessário da palavra originária. Nesta coleção encontram o seu lugar também trabalhos ideativos que pela sua estrutura específica (gráfica, fotográfica, concreta...) são para se considerar como uma penetração da palavra em contextos que enriquecem sua potencialidade.

FN - E das outras coleções, o que você pode me dizer?

FE - «La ricerca letteraria» é a coleção reservada para as obras dos ganhadores do Prêmio de poesia Lorenzo Montano, organizado pela revista. Tem como objetivo valorizar aqueles textos que, nascidos da verdade e da necessidade, manifestam novas arquiteturas verbais, voltadas para reconstituir com as suas estruturas uma história de origem perdida. «Itinera» apresenta poetas que constituem para Anterem um ponto de referência no mundo literário contemporâneo. Cada volume é dedicado a um autor e tem caráter antológico; no sentido que apresenta uma seleção de textos que cobrem as distintas vertentes de toda a sua produção.

FN - Você pode me dizer duas palavras sobre «Pensare la letteratura», a última nascida, pelo que eu sei, em Anterem Edições?

FE - Sim, «Pensare la letteratura» é a última nascida dentre as coleções e está sob os cuidados de Ida Travi e Flavio Ermini. Inaugurada no começo de 2000 por Marica Larocchi e Lisa Bisogno, os seus roteiros de investigação pretendem cruzar com diferentes modalidades e intenções o sentido mesmo da experiência artística. Assumindo uma tarefa não só estética, mas também ética, elaborando um pensamento que dialogue com a verdade do ser humano, do seu estar no mundo, do mundo mesmo. A coleção nasce da idéia de que nos nossos dias o ensaio possa ter um papel comparável àquele que pôde desenvolver o romance nas suas origens, como gênero que junte os excluídos dos «grandes gêneros». Para essa coleção se consideram em definitiva as escrituras que não podem mais pertencer nem à narrativa, nem à poesia, nem à ciência. Os volumes mais recentes são: L’aspetto orale della poesia (que chegou na 2a edição e se qualificou na Seleção Prêmio Viareggio 2001) de Ida Travi e Scritti nomadi de Stefano Guglielmin.

FN - Você falou do Prêmio Lorenzo Montano. Me diga: quando nasceu e, acima de tudo, quais são as suas funções?

FE - O Prêmio Nacional de poesia Lorenzo Montano, fundado em 1986, se inclui entre as finalidades de Anterem. Que são aquelas de divulgar o conhecimento da produção poética empenhada em buscas formais avançadas, e também de escutar aqueles poetas que perseguem uma idéia de transformação e de inovação, para recuperar, pelo menos em simulacro, a violência criadora da palavra. O Prêmio está articulado em três seções: «Inedito», «Edito», «Poesie scelte». Para a primeira é prevista a publicação da obra ganhadora na coleção «La ricerca letteraria», com uma nota crítica de Giuliano Gramigna. Para a obra já editada, o prêmio é constituído por uma soma em dinheiro para o autor da obra ganhadora.

FN - E a terceira seção?

FE - Começando da XIII edição, é designado pelo júri o Prêmio «Poesie scelte» para um autor que tenha contribuído sensivelmente para alargar o horizonte expressivo da palavra poética na contemporaneidade. Ao poeta é conferida a publicação, na coleção «Itinera», de uma seleção de textos poéticos, selecionados entre as suas obras inéditas. O trabalho antológico, introduzido por uma reflexão crítica, se configura como um verdadeiro perfil da poética do autor.

FN - Me parece que a atividade de vocês seja digna de todo respeito. Uma fonte, uma verdadeira riqueza para a nossa sociedade.

FE - Agradeço-lhe pela apreciação. Em realidade, este aspecto, digamos assim «social», sempre tem caracterizado as nossas iniciativas. Daí a fundação do nosso grupo em associação non profit. Daí a nossa relação com as realidades mais vitais do lugar, como a Biblioteca Cívica de Verona na qual organizamos em 1991 um Centro de documentação sobre a poesia contemporânea dedicado a Lorenzo Montano. A iniciativa se propõe a oferecer aos leitores um instrumento de informação no setor da poesia contemporânea, normalmente descuidado pelas instituições bibliotecárias. O Centro, que recolhe manuscritos e volumes de poesia dos autores contemporâneos mais significativos, além das principais revistas literárias, era um projeto muito caro a Silvano Martini, o poeta que comigo fundou Anterem, falecido em setembro de 1992. Enfim, ninguém pode mais pôr em dúvida o fato de que os indivíduos não têm sentido sozinhos, mas apenas no jogo relacional do qual fazem parte. Estou convencido de que a dimensão coletiva não é um aspecto do qual o indivíduo possa tomar parte ou se subtrair, mas é a medida que o define. Daí a importância de cada forma de agregação fundada sobre o saber.

João CâmaraFN - Eu também estou convencido de que iniciativas como as de vocês, e não são poucas na Itália, são muito importantes para o tempo em que vivemos. São iniciativas nascidas da vontade de não se direcionar para modalidades estilísticas consolidadas, para seguranças oferecidas pela tradição, mas de querer enfrentar novos universos expressivos e, não raramente, acidentados. De qualquer maneira, não é uma tarefa fácil. Nós agora estamos operando numa época histórica na qual o declínio de cada alternativa e diversidade verdadeiras tem deixado o monopólio das idéias ao domínio fortemente invasivo e condicionante dos mídias, televisão acima de tudo, os quais já produzem os próprios «intelectuais»: pensa-se no condutor da televisão ou no publicitário criativo. Numa sociedade literária que pretende textos fechados e acabados, e considera o livro unicamente como «mercadoria», o fato de haver realidades como a de vocês é um verdadeiro alívio.

FE - Fico feliz que você pense assim. É precisamente dessa convicção que nasce o nosso empenho em continuar promovendo o amor pela experimentação, por aquela experiência do novo e do diferente que o tempo cuidará de transformar em nova tradição.

FN - ... e outros empenhos seus em outras direções?

FE - Entre as últimas iniciativas, uma me é particularmente cara. Ao lado da Ida Travi cuido de uma coleção editorial da Cierre Gráfica.

FN - Como se chama?

FE - «Via Herákleia». Se fundamenta como arquivo da poesia do nosso tempo, mas Ida Travi gosta de defini-la como «lugar de conciliação da razão poética com as formas de escrita de final do século XX». Inaugurada em 1997, já tem editados mais de 10 volumes.

FN - Por que este nome, «Via Herákleia»? O que é que quer dizer? Qual programa espelha?

FE - É nossa intenção investir em regiões da poesia fortemente contaminadas pela arte, pela filosofia e pela estética, ou mais em geral, olhamos para a fusão de mais linguagens da contemporaneidade. Poesia de pensamento, prosa poética, escrita visual... as diferentes maneiras de escrever dos últimos anos do século XX. Com essa coleção é programado um espaço adaptado para conter as formas expressivas que vagam afora do mundo editorial... além das Colunas de Hércules. Daí a idéia de nos referirmos precisamente àquele roteiro, àquela via que levou Hércules aos limites do mundo conhecido, naquela mesma direção seguida depois por Ulisses, até a infração do veto de superar o canal.

FN - Existe então um desejo de superar uma proibição com essa iniciativa?

FE - De alguma maneira... «Via Herákleia» se propõe reunir aquilo que é esparso numa espécie de arquivo submerso, nas margens do Milênio, se constituindo como testemunha de uma verdadeira e autêntica heresia do presente. Partimos com esse pressuposto: os cânones críticos não são invariáveis. Se é verdade, como é verdade, que o clássico de um tempo pode se tornar um simples objeto de curiosidade histórica e erudita, o contrário também é verdadeiro: uma obra hoje não compreendida e ignorada pode com o tempo ser reconhecida como grande. Os julgamentos dos especialistas e o apreço geral não são inflexíveis. Nossa idéia é dar espaço para obras que devido a sua forma hermética, incomunicável, constituem exemplos de evidente desacordo estético inconciliável; obras que fazem sentir mais agudamente a total liberdade expressiva do autor além da força de gravidade que leva ao dizer de uma linguagem muito pessoal.

FN - Serão então trabalhos «extremos» os que vocês propõem?

FE - Sim, como extremas podiam parecer aos seus contemporâneos as experiências de artistas e poetas inovadores com respeito às épocas deles. Foi assim para Keats, Rimbaud... os impressionistas... ou para a escola de Viena, nos inícios do século XX, pelo que concerne à música...

FN - Quais são os seus projetos mais imediatos?

FE - Outras obras, relacionadas à filosofia, à imagem, às poéticas visuais. Queremos continuar no caminho da fusão entre as várias formas expressivas e pôr em arquivo aquilo que é mais representativo, buscando também entre aquelas que serão as obras recém-nascidas nos dias atuais. Como diz Ida Travi: «Seria bonito se o segundo milênio nascesse com poucos vazios de memória, mesmo que, pensando bem, em arte, em poesia e em literatura é seguramente mais difícil fazer-se notar do que se fazer esquecer».

Flavio Ermini (Verona, 1947). Poeta e editor. Dirige a revista Anterem. Autor de livros como Thaide (1983), Delosea (1989) e Karlsár (1998).Entrevista traduzida do italiano por Prisca Agustoni. Contato: flermini@mondadori.it. Página ilustrada com obras do artista João Câmara (Brasil).

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