revista de cultura # 32 - fortaleza, são paulo - janeiro de 2003

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Tânia Gabrielli-Pohlmann: em defesa da música brasileira na Alemanha

Solange Castro

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Tânia Gabrielli-PohlmannTânia Gabrielli-Pohlmann é paulistana, nascida em 1965. Formada em Letras pela USP, com seus 24 anos já editava o jornal Poemagia, foram editados dois livros seus e passou a desenvolver oficinas literárias em bibliotecas e escolas pelo Estado de São Paulo, dando prioridade às escolas de periferia, junto a adolescentes carentes. Em paralelo lançou a Revist’Aura, abordando todas as linhas de pensamento, causando bastantes polêmicas, como sempre, e promovendo eventos pela cidade. Além de outros projetos em bibliotecas de São Paulo e outras cidades, colaborou com muitas publicações literárias da época, recebendo alguns títulos e sendo integrada a algumas academias literárias brasileiras e portuguesas. Por alguns meses trabalhou em rádio, também dedicando espaço à literatura. No final de 92 mudou-se para Curitiba a fim de desenvolver um suplemento cultural e um ano mais tarde foi convidada a desenvolver o programa de ação cultural do consulado de Angola em Curitiba, que estava sendo estruturado naquele ano. No final de 1994 voltou a São Paulo e nesse período investiu numa editora, lecionou inglês, alemão e português para estrangeiros, além de ter dado início à série de dicionários e gramáticas, que vem concretizando na Alemanha. Assim foi até agosto de 1996. Os três anos seguintes foram uma lacuna em sua vida, por problemas de saúde. Em dezembro de 1999 casou-se na Alemanha. Nos anos de 2001 e 2002 foi classificada nos concursos da Nationalbibliothek des deutschsprachigen Gedicht, München - Biblioteca Nacional de Poesia em Língua Alemã, em Munique; os trabalhos estão publicados nas Antologias correspondentes.

Fez alguns cursos de equiparação universitária e num desses cursos foi convidada a participar de um projeto na então OK Radio. A partir deste projeto surgiu a proposta de produzir e apresentar um programa sobre o Brasil. Lançou, com Clemens Pohlmann, o programa "Revista Viva", com entrevistas, comentários de livros, CD’s e publicações em geral sobre a cultura mundial, além de um espaço fixo e exclusivamente dedicado à nossa literatura, história, música e cultura em geral.

Alguns meses mais tarde foi convidada a apresentar um segundo programa, paralelo ao "Revista Viva", que teria duas horas de duração, mas decidiu dividir o espaço com Clemens. Passou a apresentar o "Brasil com S" e Clemens, o "Musika - die schönste Sprache der Welt", cada um com uma hora, em alemão, ao vivo e sem intervalos. Desde setembro de 2000 leciona português na VHS, uma faculdade aberta em Osnabrück. Está desenvolvendo um trabalho junto à Ekkart Verlag (Ed. Ekkart), redigindo resenhas, promovendo leituras literárias, apresentando seminários e palestras a respeito da cultura brasileira. Além dos programas de rádio, e das dicas culturais internacionais (locais) na OS Radio, encabeça um projeto de integração a estrangeiros residentes em Osnabrück e região. Oferece cursos de corte digital e acompanha programas nascentes, com auxílio técnico e em parceria com Clemens. Está estruturando um projeto de intercâmbio cultural Brasil-Alemanha. Mas isto ainda está sendo estudado, o material tem sido selecionado e posteriormente será vertido para o alemão.

Em entrevista exclusiva e apaixonada, Tânia coloca seus ideais e seu respeito pela cultura… E ainda nos fala:

"Muita gente me pergunta porque não publiquei mais livros meus, além dos didáticos. Pois é. Tenho muito material engavetado. Mas por enquanto estou dando prioridade aos dicionários e gramáticas, a fim de que continue a manter a criançada carente na escola. Se não investirmos no futuro de nossos piás, quem é que vai ler nossos livros amanhã??? Não dá. Também tenho questionado muito a literatura atual. Para quem escrevo? Será que meu trabalho consegue desempenhar sua função social, além da artística? Se escrevo só para literatos, como é que posso lidar com o conflito interior, que me faz pensar naqueles que mal sabem ler e escrever? Se fecho meus olhos a essa problemática, vendo-me à simples vaidade de ser aplaudida por um público seleto? Isto tem-me levado a calar um pouco. E a repensar a função do artista."

SC - Tânia, as diferenças culturais entre o povo latino-americano e o europeu são enormes - como você percebe o "cuidado" com que o povo brasileiro e o alemão com suas culturas?

TGP - Sim, as diferenças são imensas, mas não podemos lançar mão dessas diferenças para alimentarmos nosso complexo de inferioridade, não. Infelizmente o povo brasileiro acabou ingerindo o conceito de que é inferior e dependente culturalmente. Para os brasileiros mesmos que torcem o nariz para nossa cultura, seria muito bom que pensassem, antes, nos recursos que o artista em geral tem em suas mãos… E que não se esquecessem de que nosso país é muito jovem e que, apesar disto, não deixa tanto a desejar frente à cultura de outros países, embora a maioria insista em afirmar o inverso.

Falar de cultura alemã, Solange, é falar de história. E de fragmentos. Cada estado alemão tem sua autonomia - política, cultural, pedagógica… O povo alemão continua buscando sua identidade, sua integridade. Ouve-se até com muita freqüência o alemão ocidental se referindo ao oriental como sendo "lá do outro lado". Ainda não é um povo homogêneo. Está em processo de readaptação, após a queda do Muro. Conversando com autores e editores alemães, fala-se muito, ainda, na lacuna literária, por exemplo, provocada pela queima de livros que os nazistas realizaram. Esta lacuna ainda persiste; o alemão ainda não se recuperou deste choque. É um povo que se volta mais para os sentires de uma forma intensa e simples. A partir do Plano Marshall a Alemanha Ocidental se viu diante do desafio visceral de efetivar sua capacidade de reconstrução sem se tornar dependente dos EUA, mas por outro lado teve que engolir por muito tempo uma gratidão advinda de uma falsa solidariedade. Uma das conseqüências foi a rejeição a tudo que não fosse alemão. Essas contradições todas foram se refletindo na cultura e gerando um certo temor no tocante à ousadia. No período pós-guerra o que havia culturalmente era uma total desorientação artística. Os alemães estavam mais preocupados em reconstruir o que fosse possível em seu país. O que acontecia no exterior não tinha muita importância, em função da urgência de se reestruturar nos setores mais básicos.

Paula RegoO Brasil começa a tomar consciência de sua importância e de sua capacidade culturais, embora falte ao artista em geral a simplicidade e a interação social mais concreta. A Alemanha procura manter suas tradições, mas tem-se visto obrigada a se adaptar a mais um fenômeno, aliás, inédito antes da Segunda Guerra: a migração. Há um tempo agarra-se a seu potencial tecnológico e ha outro tempo envergonha-se um tanto pela ainda "inocência" artística atual, por ter parâmetros como Goethe e por não conseguir mais atingir tal nível. Um dos cuidados maiores que a Alemanha tem para com sua cultura é com o teatro, com a música clássica e a preservação da tradição histórica.

SC - E como o alemão recebe a cultura latino-americana?

TGP - A cultura latino-americana é recebida, num primeiro momento, com uma certa incredulidade. Ironia, até. A mídia inseriu no conceito alemão as imagens de pobreza, de analfabetismo, de falta de seriedade e de corrupção como únicas existentes na América Latina. E sobre tais imagens há muitos alemães desenvolvendo "projetos sociais em prol do terceiro mundo", que na verdade não desempenham papel algum a não ser o de ganhar muito dinheiro às custas dessas imagens. Enquanto isto os nativos que desejam realmente desenvolver um trabalho sério, de esclarecimento, não conseguem voz ativa a não ser com muito esforço voluntário. Existem muitos projetos sociais bastante positivos também, não posso generalizar… A música, no entanto, vem abrindo caminho para a história e a literatura latino-americanas. Quando cheguei, em dezembro de 1999, a salsa estava em intensa evidência. E tudo o que entra em evidência na Alemanha, acaba gerando interesse de aprofundamento através de leitura, de discussões, de seminários. As universidades têm obtido bastante procura aos cursos de "Ciências Sociais dos Países da América Latina"…

Após o famigerado 11.09.2000 têm-se aberto discussões em torno de culturas estrangeiras com maior profundidade. A Alemanha está tentando se adaptar a este novo país que começa a mesclar culturas, cores, linguagens. Existe um interesse até que relativamente intenso - especialmente da parte de jovens - com relação à América desconhecida. Na faculdade onde trabalho temos grupos de discussões semanais; temos conseguido promover muitas leituras, workshops, palestras, matérias para a imprensa. Na OS Radio também temos conseguido desenvolver um trabalho bastante intenso que está começando a exigir espaço também a culturas de outros países.

SC - Você trabalha numa rádio - qual o tipo de música que o alemão prefere?

TGP - O alemão está começando a se interessar por extremos: do blues à salsa; da clássica à música árabe. Desde que ele conheça a história do respectivo país… (Aqui aproveito para complementar minha resposta anterior.) O rádio alemão tem decaído demais em qualidade. O que se ouve nas chamadas "rádios de massa" comerciais ("ffn", "Antenne", etc) são regravações dos sucessos dos anos 80 e 90, mesclados à ainda menos interessante e querida música popular alemã, além de muita música descartável norte-americana - um terror… Tenho percebido que o público tem dado preferência a rádios "multiculti", como é o caso da OS Radio e da Deutschlandfunk, que apresentam não apenas blocos musicais, mas que trazem em sua programação muitas discussões, muitas resenhas, entrevistas. Estamos conseguindo chamar a atenção ao desestigmatizarmos um pouco os países latino-americanos. Causo espantos bastante positivos quando mostro que Brasil não tem só samba e que a salsa não é um ritmo genuinamente brasileiro (!!!). Um exemplo: apresentei três especiais Bossa Nova no "Brasil com S", intercalando música e história. Tinha no estúdio alguns músicos, estudiosos e curiosos, que ficaram completamente fascinados com o que ouviram. Mas é um trabalho árduo, pois tenho que lançar mão de uma linguagem simples, elucidatória, exata. Em paralelo fui, como sempre, inserindo o cenário histórico e dados biográficos de cada compositor, de cada intérprete. Também por isto é que sempre insisti em apresentar os programas todos em alemão.

SC - E como ele recebe a música brasileira?

Paula RegoTGP - O alemão adora o samba, mas tem-se mostrado bastante curioso a respeito de outros ritmos. O que mais o fascina, além do panorama histórico, é a capacidade que o brasileiro tem de explorar os mais diversos ritmos. Tivemos (Clemens e eu) um retorno bastante positivo, por exemplo, ao dedicarmos duas horas ao trabalho de Oswaldo Montenegro. Clemens apresentou o CD "Telas" em seu programa "Musika - die schönste Sprache der Welt" e eu mesclei trabalhos seus de diferentes estilos e épocas no "Brasil com S" que entra no ar em seguida. No "Revista Viva" apresentei uma série, abordando os sons de norte a sul do Brasil. Cada intérprete ou banda com pelo menos duas canções de estilos bem diferentes. Da música tradicional gaúcha, atravessando o Brasil e parando lá em Rondônia, com uma faixa do CD "Suíte Amazônica", de Gabriel Cursino Madeira Casara, um garoto que gravou este CD de música clássica por ele composta aos 15 anos. Esta viagem contou, ainda, com enfoques históricos e literários regionais. Este tipo de trabalho tem chamado muito atenção, pois o alemão está acostumado a ouvir o samba como único ritmo que temos.

SC - Em termos de "poesia', a nossa "toca" o povo europeu? Ele consegue "sentir" e/ou "perceber" as inúmeras preciosidades da nossa literatura musical? Citando um exemplo (seriam infindos - este é só um que acabei de ouvir…), uma grande do Chico Buarque: "… Passas sem ver teu vigia, catando a poesia que entornas no chão"…

TGP - Consegue "sentir", mas exige muito mais. É preciso elucidar. E quando ele entende o que está sendo cantado, fica entre perdido, confuso e encantado. O alemão não convive muito intimamente com figuras de linguagem, mas tem-se mostrado bastante inclinado a mergulhar neste universo. Trabalho muito com música em meus cursos e me chamou a atenção a questão do "tocar". Fico pensando até que ponto o povo brasileiro consegue perceber as nossas preciosidades…

SC - Agora sobre a literatura - qual o estilo de leitura preferido pelo alemão?

TGP - É um povo que lê muito e de tudo. É difícil dizer qual o estilo preferido. O que percebo, através da própria imprensa especializada, é que o romance (especialmente histórico e policial), o ensaio, o conto e a biografia ficam bem à frente da poesia. A História, a Sociologia, a Política e ultimamente livros especializados na questão islâmica e em outras religiões têm encontrado um público ávido. Nunca vi uma livraria ou uma biblioteca vazia, aqui. A qualquer hora do dia. (Aliás, as bibliotecas municipais cobram uma anuidade de €30…) Em qualquer lugar onde se tenha que esperar, seja consultório médico, ônibus etc., só se vê alemão lendo.

SC - E existe algum tipo de incentivo para as crianças lerem ou é uma coisa puramente tradicional, familiar?

TGP - A criança alemã tem dois companheiros inseparáveis (que a acompanham por toda a vida): a bicicleta e o livro. Brinquedo pedagógico para bebês também significa livro, a fim de que a criança se acostume ao formato, ao manuseio, ao contato físico. Ler é um ato tão natural como qualquer outro. O investimento na literatura infantil é imenso. Todos os centros culturais aqui em Osnabrück, por exemplo, mantêm horários semanais para leituras infantis. A televisão mantém, até hoje, programas infantis educativos diários, como é o caso do Vila Sésamo, que hoje (08.01) está completando 30 anos. Um dos fatores intensificadores da leitura é o clima… A criança alemã é muito solitária e tem praticamente dois meses de verão com direito a sol. A leitura acaba sendo sua válvula de escape, mesmo com Internet à disposição. E o sistema de ensino alemão deixa muito mesmo a desejar, mas tem um aspecto bastante positivo, apesar de criticado internamente. As aulas são interativas e o aluno é avaliado não apenas em provas escritas e orais, como ao longo do semestre, com relação à sua participação em sala de aula. Para participar é obrigado a pesquisar por conta própria, já que o professor não tem uma postura muito ativa…

SC - Em termos de cinema e teatro, qual a preferência do povo?

Paula RegoTGP - O que está lotando os cinemas por aqui é Harry Potter… Mas também há muitos centros culturais que apresentam o cinema mundial. No ano 2000 tivemos um mês inteiro só de cinema brasileiro no Lagerhalle, um centro cultural que vive abrindo espaço para nossa cultura. Em termos de teatro, depende da região. Aqui na Baixa Saxônia, por exemplo, o que ficou por muito tempo em cartaz foi "Elizabeth" - uma abordagem histórico-biográfica da imperatriz Sissi. Este ano tem muita coisa interessante, mas o que tem chamado a atenção do público é "Esperando Godot", com Harald Schmidt - um comediante bastante conhecido aqui, que apresenta um talk show na SAT.1, idêntico ao formato do Jô Soares 11.30. E o "Rei Leão"… Musicais e monólogos também têm público fiel na Alemanha.

SC - Tânia, aqui no Brasil nós vivemos um problema seríssimo que é o Jabá - isso existe na Europa?

TGP - Não posso afirmar com segurança. Tenho ouvido coisas a respeito, com relação às rádios de massa, mas supor não é saber… Só posso afirmar que a OS e a Deutschlandfunk estão fora disso pela própria legislação.

SC - Aqui os "modismos inventados para fazer dinheiro" invadem as rádios e impedem que nossa verdadeira música de chegar ao nosso povo. É assim aí também?

TGP - Naturalmente aqui é assim, também, nas rádios comerciais. Há pouco falei a respeito da decadência do rádio alemão. O público tem-se voltado às rádios institucionais, como as duas que citei e em paralelo tem ouvido mais CD’s. Sendo assim, não se pode afirmar que o que se ouve nas rádios representa a preferência do público. E no Brasil esta invasão de modismos também não representa a preferência do povo brasileiro, mas talvez a manifestação de uma rejeição provocada pelo não acesso ao teor intelectual da nossa verdadeira música. Não se pode exigir de um povo que não tem direito a escola que ele assimile a arte. Mas se pode exigir do artista que desça de seu pedestal e que tente dar ao seu público potencial uma chance. Hoje a literatura, por exemplo, é privilégio de poucos. E a outra facção do público que tem vontade de ler, mas que não tem condições - financeiras e intelectuais - quem é que se preocupa com este leitor? Há muitos anos tenho ouvido de escritores, infelizmente, que o povo brasileiro não gosta de ler. Com este tipo de afirmação fica-me claro que tais escritores simplesmente não conhecem seu próprio povo. Não consigo engolir tal desculpa. Promovi muitas leituras, discussões e workshops em colégios de periferia em São Paulo e em cidades do interior. Mesmo quando se fala que a biblioteca é a solução para quem não tem condições de comprar um livro, não se pensa que esses leitores precisam apenas de orientação. Esta função não cabe apenas ao professor…

SC - O que você acha de Gilberto Gil ocupar a pasta do Ministério da Cultura?

TGP - Têm-me perguntado isto aqui, também. Gilberto Gil é UM ARTISTA muito respeitado na Alemanha. E respeito muito, também, seu trabalho. Mas creio ser cedo demais para falar a respeito. Só posso afirmar que a imprensa daqui está acompanhando isto tudo. E se ele quiser que sua carreira internacional continue tão respeitada, vai ter de fazer um trabalho digno de um respeito ainda maior. Torcidas não faltam…

SC - O que você acha do comportamento do Governo dos últimos tempos (ou de todos…) com a cultura brasileira?

TGP - Até hoje me pergunto como é que eles conseguem dormir… E como é que nós conseguimos sobreviver… É melhor não responder, Solange.

SC - Já que estamos com uma nova proposta social e nos é permitido sonhar, o que você vislumbra para nossa cultura?

TGP - A nova proposta social está aí, mas ainda é preciso muito tempo para se vislumbrar resultados positivos. Será necessário ter muita "paciência ativa". O que realmente sonho para nossa cultura continua sendo o mesmo de sempre: que o brasileiro pare um pouco de se deslumbrar com tudo o que vem de fora e que passe a olhar com um pouco mais de delicadeza para seu próprio potencial. E que cada artista seja responsável por este processo, devolvendo ao povo brasileiro a liberdade real de escolha.

Solange Castro (Rio de Janeiro, 1956). Produtora cultural. Criou e dirige o projeto virtual Alô Música. Contato: solange@alomusica.com.br. Página ilustrada com obras da artista Paula Rego (Portugal).

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