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revista de cultura # 33 - fortaleza, são paulo - março de 2003 |
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A obra plural de R. Roldan-Roldan R. Leontino Filho
Os
que permanecem e acenam, não sabem. Paul
Celan
Toda
paixão nasce da experiência de um fracasso e deságua, já completamente
remoçada, num estranho transbordamento de esperanças que, por vezes,
resulta em novas quedas. Por isso mesmo, o homem que ama sem comedimentos
possui a dimensão real de sua infrutífera busca: amar é aniquilar-se a
cada encontro. Daí o seu fascínio em exprimir, quantas vezes for necessário,
a repulsa total pelos gestos passivos da emoção que impossibilitada de
gerar outros conflitos, morre sem jamais se banhar nos ardentes mares do erótico. A
volúpia do ato erótico reside na infinita capacidade de sugerir novas
rotas. Caminhos que expressam a plena incompletude do humano – esse insólito
espaço minado por fragmentos de amor e paixão – que envereda pelas
tortuosas sutilezas do prazer. Prazer que se constitui em única vereda
eficaz para se alcançar a embriaguez do afeto e se atingir o sentido físico
da ternura. Um braço requer sempre outro braço, como um corpo sempre busca
pousar noutro corpo. A paixão em queda livre é o recomeço dos corpos que
nos intervalos de desencontros esbarram um no outro e iniciam, mais uma vez,
os arroubos de amores arriscados, mas o impossível de tudo está em temer a
queda e se conformar com a placidez do já conquistado. Tecer os oceanos do
erótico, eis a missão acoplada no corpo dos amantes que não subestimam o
desconhecido. Toda paixão desconhece os próximos passos a serem dados, o
caminho dos corpos é a via de acesso à transgressão da mesmice. Na
desmesura da vereda, todos os amores plasmam-se na derradeira expressão do
desejo, esta extensa voragem de se estar sempre a caminho. O caminho do
poeta é um ouro-fio abismático no qual ele entrega-se de corpo e alma
plenos ao translúcido gesto de gerar a cumplicidade dos sentimentos, por
isso mesmo, pode-se afirmar que em cada esquina do destino há um fiapo de
amor à espera de realizar o transbordante fracasso da paixão. Tomado pela
perplexidade existencial que espelha as mais díspares mazelas humanas, R.
Roldan-Roldan atravessa as sendas sígnicas do exílio e experiencia, como
uma forma de ascese, a dissoluta fábula da errância. Caminho,
insólito caminho,
novo livro de R. Roldan-Roldan, segue a trilha solitária do poeta
eternamente destribalizado, que elabora uma ars poetica sob o signo
do dilaceramento das vozes internas e externas que prenunciam o êxtase
evocatório do estar no mundo. Os três principais eixos temáticos que
permeiam a obra literária roldanesca, a identidade, o exílio e o silêncio
procuram, de todas as maneiras, uma aproximação íntima com a linguagem da
solidão. A solidão neste insólito caminho vem sob o manto da dor e da angústia
e, a cada volta do destino, assume novo rosto. Ungido pelo linguajar das
pedras e pela largura dos ventos, o caminho de R. Roldan-Roldan não se
exprime na vacuidade da fé – esse simulacro apócrifo do nada –, mas,
pela precariedade do drama que é o ser no mundo quando exposto às intempéries
do estar-só. Para cada osso do destino, um silêncio atroz representa a
linguagem diante das coisas do mundo, o ser-estar gauche da linguagem
resiste ao tempo de provações regendo as três sinfonias do afeto
representadas na poesia de R Roldan-Roldan pelas luas e poentes do verbo,
pela partilha da imaginação e, por fim pelo reverso da infância captada
nas frestas da inocência. Caminho,
insólito caminho
aparece e destaca-se na trajetória poética de R. Roldan-Roldan como uma
espécie de livro-síntese, seja pela abordagem temática, toda ela
perpassada por preocupações que envolvem direta e obsessivamente as mudanças
existenciais sofridas no decorrer das inúmeras andanças do autor, seja
pela inebriante sensação de ser tragado pela voragem da paixão e do
desejo, o poeta como portador de exílios e decifrador de enigmas. O
livro-síntese de R. Roldan-Roldan apresenta, com o seu silêncio dentado e
a sua rutilante percepção do espaço-tempo em que se insere, a marca da
indivisibilidade do corpo e da alma fundidos nalguma metamorfose de um eu-lírico
cindido no próprio universo da poesia como um todo. O livro está dividido
em seis sessões, ou em termos diferentes, em seis partes poemáticas. A
primeira, que dá título à obra, Caminho, insólito caminho é um precioso
poema-comunhão, onde a desolação do poeta define-se como presença máxima
da potencialidade do canto, justamente por abeirar-se das volutas e curvas
do onírico, no ritmo acelerado, circular e labiríntico do fazer poético.
Este longo poema está subdivido em 35 cantos, cada um começa e termina com
a expressão caminho, insólito caminho, reforçando a idéia
de circularidade do destino que doma o tempo e o espaço das ações
humanas. Enredado na teia dos caminhos, o poeta recita o silêncio em voz
alta e dissonante para apurar a inexata estranheza dos sentimentos que o
inquietam. A relação dos haveres propicia a urgente necessidade de
substantivar a vida, celebrando a realidade bárbara do exílio, pobre
desterro de todos os nadas condensados em perdas milenares. Um homem a
caminho sempre carrega trágicas heranças, ainda mais quando habita a
imensidão insólita do verbo. O
espraimento da primeira parte do livro (os 35 cantos) pode ser visto, grosso
modo, como a potencialização de um epigrama dilecerado, hipercrítico e
demolidor que vai se multiplicando até alcançar uma forma outra,
completamente modificada pela ação iconoclasta do poeta. O epigrama, antes
mero artifício para o exercício da sátira e o manejo de conceitos e máximas,
atinge nesta travessia um novo formato situado entre a poesia e a prosa,
recuperando a parte no todo, despejando a dor no gozo e, estoicamente,
alimentando a palavra no rio do silêncio. São cantos que vertidos em
humana matéria e expostos às intempéries da paixão e do amor reabilitam
o incessante diálogo com o pai, a mais ancestral das nostalgias. O pai é o
caminho objetivo dos deuses, com os seus segredos abençoa ou amaldiçoa com
delicadeza e graça ou com furor e rigor a estrada do peregrino que sonha
eternizar a infância – errância para sempre perdida, por isso mesmo, tão
cara a sobrevivência da poesia. Quão
dessemelhante parece ser o fio da meada-labirinto que atravessa cada um dos
cantos desta senda estranha, extraordinária e incrível que em lírica, trágica
e por vezes épica linguagem deixa-se tocar pela palavra fundadora e originária
do mistério presente na identidade do poeta. R. Roldan-Roldan atinge, já
na primeira parte de Caminho, insólito caminho a materialização
da absoluta consciência da liberdade: volta-se inteiro para si mesmo, só
desse modo poderá encontrar o rarefeito tecido de que o outro é feito.
Munido de uma perspectiva intimista, o poeta labora sua intenção central,
qual seja saciar a fome do corpo no silêncio da alma. Eis, quiçá, nesta
equação corpo-fome-silêncio-alma a quadratura do exílio forçando o
voraz diálogo com o pai sempre grávido de iluminações, por mais rara que
seja a memória ausente do filho. Pode-se
afirmar que R. Roldan-Roldan na primeira parte do livro, por si só já uma
obra completa, realiza com extrema competência um grande-poema epistolar ao
pai ou que Caminho, insólito caminho é um quase-ensaio disfarçado de
poesia e recoberto pelas máscaras do amor, da morte, do tempo e da
liberdade. É uma viagem ao pai em forma de poema-ensaio, poema-epístola
para ser mais preciso.
Do
outro lado, os poemas elípticos posteriores aos cantos introduzem a
descontinuidade rítmica, domam a voracidade do dizer, reproduzem um tom
menos confessional, mais exposto à realidade exterior, mostram a tonalidade
erótica dos versos e ativam os mecanismos líricos de todos os sentidos. Do
Absoluto, Da Lenda, Recolhimento, Banzo e Com Fal(s)o Pudor formam um amálgama
das várias facetas que permeiam o ilimitado caminho do andarilho. São uma
espécie de último estágio a plasmar a graça do verbo inserido no
esqueleto do desejo – vontade da alma rediviva no acolhimento da carne. Os
poemas exprimem, com absoluta segurança, a perturbadora atividade
auto-reflexiva de R. Roldan-Roldan que assume os contornos do tensionado
caminho do viver assombrado por uma geografia ética e estética onde as
inquietações sociais e filosóficas vêem sob o manto das ambigüidades
humanas e de suas mazelas. É um caminho de assombrosa desesperança, ou uma
via de múltiplos sortilégios. Um caminho de contundência poética traçado
por um hibridismo lingüístico (olerki-drum) que busca religar as
pontas de um destino consolidado pela inidentidade de tantos trajetos. Caminho,
insólito caminho – a metáfora do gozo – celebra, na transumância
do amor, a infinita unidade de todas as quedas quando amar a vasta errância
do prazer é estar-ser indiferente às perdas e às culpas da travessia. Com
Caminho, insólito, caminho R. Roldan-Roldan dionisiacamente espalha
o fogo prometéico pelas frinchas de exílio e silêncio que perduram em
toda obra poética. Para o poeta, vale a escrita e o saber de Ernesto Sábato:
“Escrever é um dilaceramento, uma tenebrosa danação.” Porém, só
quem pode assim se manifestar é quem sentiu a miragem-prometeu, quem não
ficou permanentemente acenando na beira do caminho, é quem seguiu e segue
estilhaçando os narcísicos espelhos da mesmice. A ilha roldanesca é uma fábula
em estado de graça, operando a transumância das vontades, um convite para
se ler mordaz e enviesadamente o exílio como predestinação e culminância
de toda busca. 2
Na finitude das margens: a fulgurante epifania Toma,
devora-me o fígado, pois cometi um crime: Samuel Rawet Escrever
é fazer ecoar o silêncio. É deixar deslizar na pele do mundo a sombra
silenciosa da solidão. É recolher as palavras, uma a uma, retirando-lhes
os derradeiros resquícios da mera aparência das coisas. É entranhar-se na
agressiva passividade do ser – local onde o recolhimento do eu assume, às
vezes, a face do outro, ele mesmo. Escrever é descer, passo a passo, os
degraus do infinito abismo que é o ser. É esculpir pacientemente na pedra
o rosto do exílio. É, em última instância, desenhar com o suor da vida a
errância da escritura. A escritura que nasce do esquecimento, fábrica
sublime das recordações da infância. Escrever é ser falível, falível a
cada tentativa de capturar a verdade empalhada nas dobras do futuro. Um
futuro que se torna presente quando busca a desmedida dionisíaca do canto.
Escrever é migrar embalado pelo hálito quente, adocicado e eternamente
sedutor de Sheherazade. É tomar o último trem, sem destino, mil e uma
vezes perdido na paciência exposta de um corpo sedento de amor. Sheherazade
é a escrita da paixão, é a lembrança sem apelo do escrever sem fim.
Escrever
o silêncio, habitar o lugar imaginário dos instintos, dissolver o tempo na
presença fugidia da esperança, peregrinar até às origens, extrapolar as
páginas do insólito erotismo, tecer a aventura do espírito irmanado à
carne – fonte dos prazeres –, trilhar os comboios do sexo sem rodeios e
sem vergonha, captar o inacabado gesto do encontro e andarilhar sob todos os
céus, com os mesmos olhos da viagem, essa matéria errática é uma breve
parcela do universo que compõe o novo romance de R. Roldan-Roldan,
intitulado Boa Viagem, Sheherazade ou A Balada dos Malditos. R.
Roldan-Roldan é autor de vasta e considerada obra literária, que abrange
contos, poesia e romance. Com Boa Viagem, Sheherazade ou A Balada dos
Malditos, ele retoma, de antemão, (o sentido visceral da escrita está
expresso no número de retomadas que o escritor é capaz de executar sem
cair na redundância dos discursos ocos) as excentricidades de um narrador
preocupado com a extravagância que é viver sem o sopro absurdo do outro,
mesmo que esse outro seja o inferno das elementares frustrações que cada
um carrega consigo desde o nascimento. Ir à procura do outro: o sultão
Shariar à caça de Sheherazade que, por seu turno, busca a si mesma. Nessa
fonte bebem os mais inusitados narradores. O outro é sempre a mutação
constante do mundo. Os fios roldanianos do outro já haviam sido tecidos e
destecidos com esmero e maestria nos seus dois romances anteriores Azeviche
ou Nossa Senhora do Sagrado Sexo (Ed. Iluminuras, 1993) e O Bárbaro
Liberto – Mnaloah (Lemus Editorial, 1999). Conferindo, desse modo,
veracidade às palavras de Maurice Blanchot quando assinala que: “o
escritor nunca sabe que a obra está realizada. O que ele terminou num
livro, recomeçá-lo-á ou destruí-lo-á num
outro”. Cada obra em sua exata medida prima pelo ‘privilégio do
infinito’. A obra romanesca de R. Roldan-Roldan é a prova cabal de que
todo autor é múltiplo em sua inteireza de espírito. Que
tecido veste o narrador roldaniano nessa rede de interditos tramado com a
cumplicidade ativa de Sheherazade? Seria o exílio voluntário inscrito na
experiência tátil das pátrias invisíveis? Seria o diálogo imprevisível
das formas mutantes do corpo que extraviado se abeira de outro corpo? Seria
a partilha da imaginação abrasada pelas ignotas reentrâncias da infância?
Seria o despertar possesso de uma história ainda por vir? Ou, não seria,
então, o drama selvagem, obsceno, impaciente, doloroso, porém prazeroso
feito sob medida para expressar a precariedade da esperança? Em Boa
Viagem, Sheherazade ou A Balada dos Malditos estas e outras
possibilidades rondam o périplo do narrador, que de estação em estação,
busca um rosto, um nome, uma forma, uma síntese que seja de sua perdida memória:
a identidade extensa do infinito desejo do viver. Três
pontos iluminam Boa Viagem, Sheherazade ou A Balada dos Malditos: o
homem (narrador anônimo), a mulher (Sheherazade pluriforme) e o trem (a
geometria da viagem). Para cada ponto, o romancista experimenta uma música,
um filme um poema. A música vai do mais soturno, melancólico e rascante
Tom Waits ao insólito musical Hair; quanto ao filme, expressa o gesto de
solidariedade com o tempo e a memória, motor dessa narrativa roldaniana,
por isso mesmo, três cineastas são chamados a integrar a viagem:
Angelopoulos, Visconti e Resnais. Já o poema, resume, de certa maneira, o
verdadeiro banquete que é oferecido aos deuses, aos mortais e aos imortais
de ocasião. No último capítulo (o décimo), tem-se a balada dos malditos,
um hino de amor e paixão à poesia, que contempla o leitor com preciosas
palavras de Baudelaire, Trakl, Mutamid, Sá-Carneiro, Miguel Hernández,
Antun Branko Simic, Orides Fontela, Verlaine, Léo Férrer e Antero de
Quental, além de pôr em cena, Lautréamont, Villon, Floberla Espanca,
Garcia Lorca, Pushkin, Pessoa e Nerval, sem esquecer, é claro a divina
trindade Khayyam, Cruz e Souza e Ben al-Zaqqat, espécie de ‘reis’
travestidos em magos que numa alucinante e magnífica homenagem reverenciam
o nascimento do Libero, um novo Rimbaud, quem o dirá, com certeza? Em
dez capítulos, Boa Viagem, Sheherazade ou A Balada dos Malditos, o
romancista R. Roldan-Roldan passa em revista a história de um homem que
como o trem atravessa a noite, e na noite procura encontrar a memória que
perdeu no longo percurso dos dias. O ser desmemoriado é o não-ser,
portanto ele necessita de companhia e, mais do que isso, de afeto e paixão,
do contrário sucumbirá ao mundo subliminarmente triste. O homem sem memória
conta sempre a história do ‘Homem-Que-Era-Outro’, sendo outro, cada
encontro é uma nova e revigorante esperança de ao contar a si mesmo e ao
próximo reencontrar o fio perdido da meada, uma nesga qualquer que o
recoloque de pé nas Mil e Uma Noites: Sheherazade é o desterro dos sem pátria
e o aconchego dos sem lar.
O
trem, no romance de R. Roldan-Roldan, é o espaço-tempo do narrador
desmemoriado. O narrador em ponto zero. Que a cada estação configura uma
pequena fuga de uma história (a sua) não concretizada. O trem em suas
linhas (em seus trilhos) reflete o olhar de desterrado junto às palavras
submissas a um corpo que desesperadamente clama por outro corpo. O narrador
sem nome ou com um nome a ser feito (descoberto), sem destino (ou com a sina
de encontrar-se consigo mesmo) procura saciar a fome da memória
associando-se aos prazeres da carne. Diante disso, a heroicidade é tão
somente um cisco no olho do narrador, firmemente amparado nos gravetos da
memória que o seu relato possibilita aos demais participantes dessa
aventura repleta de solitudes ad finem. Afinal de contas “o que
conta é a história que é narrada”. Acompanhar
o trajeto do narrador ‘desmemoriado’ é, de alguma forma, viver a história
no ato de escrever. É deixar que as coisas sejam inteiramente livres na
fecundidade da língua, língua abraçada com tanto zelo e ardente amor pelo
poeta, contista e escritor R. Roldan-Roldan. Em Boa Viagem, Sheherazade
ou A Balada dos Malditos, a ancestralidade da carne é miticamente
reconstruída. Sheherazade lendária, sedutora e féerica personagem
prolonga, tal qual um réquiem de Brahms ou uma suíte de Handel, a visão
do paraíso, no ato de minimizar a fantasmática presença do inferno
dentado que é outro. A face do silêncio ecoa na pele das palavras e a pele das palavras é o mundo de R. Roldan-Roldan, que com a fusão de estilos cruza as histórias paralelas do narrador sem memória ao dinâmico sopro de vida que brota do corpo e da alma de Sabbah Oufkir ou seria Sheherazade, essa mescla de temas onde nada é excessivamente longo, afinal de contas o que interessa é a história se fazendo diante dos olhos: o Libero nascendo para logo em seguida ser amamentado com suavidade por Sabbah Oufkir. O nascimento e a amamentação do Libero seria uma espécie de captura da memória por parte do narrador, que de posse de suas lembranças insere-se, novamente, no seio de uma ampla história iniciada em Azeviche ou Nossa Senhora do Sagrado Sexo e O Bárbaro Liberto – Mnaloah, formando assim, a trilogia roldaniana da in-identidade, campo aberto para outras narrativas ou baladas tão bem construídas nas margens epifânicas do verbo. |
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R. Leontino Filho (Aracati, 1961). Poeta e Professor de Literatura Brasileira da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Doutorando em Estudos Literários pela UNESP de Araraquara. Autor dos livros de poemas Cidade Íntima e Sagrações ao Meio, entre outros. Contato: r.leontino@ig.com.br. Página ilustrada com obras do artista Enrique Lechuga (México). |