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fokus
in arte (brasil)
FM - Como surge Fokus in Arte e o que lhe justifica
o nome? AL - Fokus significa enfocar em alemão.
“Enfocar a arte” é a tradução do nome de nossa revista. A Arte está em toda parte, em tudo que fazemos. Seja no
dia-a-dia, no trabalho, no trânsito, no cinema, estamos em constante
processo de criação do mundo e de nós mesmos. Nosso propósito é
levar ao leitor esta visão: Somos protagonistas de nossa história e
vivemos construindo o que amanhã denominarão como Arte. Partindo do princípio de que os personagens
de ontem, que criaram e recriaram nosso jeito de ver o mundo, de ler, ver
as horas; inventaram a roda, o automóvel, a tecnologia; descobriram a música,
a pintura, a dança e a poesia; desenharam o que viam, descobriram a
fotografia; enfim, em tudo a ARTE estava presente e fora criada pelo homem
que foi ontem igual a mim e a você. Hoje, somos os artistas que estamos
inventando e criando o amanhã. Queremos, através da Revista Fokus in
Arte, registrar estes personagens que estão criando uma nova etapa da
História de nossa Humanidade, ao mesmo tempo, que levar ao leitor a
possibilidade dele entender o que nos cerca e permitir que ele também
registre suas conquistas, seus desejos e suas verdades. FM - No editorial do segundo número se fala em “variedade, entretenimento e muita informação”
como uma preocupação básica da revista. Que tratamento é dado ali ao
conceito de “entretenimento” em um projeto editorial que centra seu
foco na arte? AL - Muito bom! A arte quando é vivida em seu dia-dia,
transparece em tudo que fazemos. Desta forma, o entretenimento, é
focado como uma vertente do “fazer a arte”. Assim como um trabalho
pode ser considerado um lazer, se este for um projeto de realização e
sonho profissional. Matérias como a que encabeça o segundo número,
“Swing – Uma explosão de Prazer” fazem parte da editoria de
Comportamento. No entanto, podem divertir além de informar o leitor para
que ele compreenda melhor o mundo atual. Cada ser humano é único, próprio
e individual e percebe o mundo de maneira diferente e também individual.
Aí está a arte. O que para uma pessoa é informação, para outra pode
ser apenas uma leitura de entretenimento. Porém, dentro deste processo,
colocamos à disposição do leitor um aprendizado lúdico onde a cultura
é propagada e onde a arte passa a ser vista de maneira natural e instantânea. FM - Como te parecem que se relacionam hoje no Brasil as mídias
impressa e virtual? AL - A mídia impressa
ao meu ver, ainda tem a possibilidade de propagar matérias mais
longas e prolixas enquanto as informações dos noticiários virtuais se
restringem a “pílulas” de notícias. Nestas pílulas, o leitor
direciona sua pesquisa numa rede própria de conhecimento e muitas vezes
ele pode até chegar a informações mais profundas do que aquela
encontrada pronta na mídia impressa. Porém, vivemos em ritmo alucinado
de produção onde o capital é a vedete dos dias atuais. Neste processo, o leitor ansioso por dados enxutos, vê na
mídia impressa a idéia pronta e completa enquanto as pílulas da
Internet se tornam superficiais a primeira vista. Mesmo que superficiais
estes dados virtuais podem atender as necessidades do leitor mais afoito
por tempo e capital e, sem ocasião para continuar sua pesquisa ele pare
nos primeiros informes encontrados no mundo virtual e dê como finalizada
sua rede de sabedoria, embora o consumo de elementos encontrados não
contribua tanto para seu capital intelectual. Há assim, dois lados da moeda. De um, a
informação mais profunda, porém, aquele que
necessita de maior pesquisa (Internet).De outro, a mídia Impressa,
a ciência completa, entretanto, sem interatividade. Neste novo mundo que
se desenha, as duas mídias, em minha opinião, tem a somar e subtrair
para nossos leitores. Mais uma vez depende de cada ser humano –
próprio, único e individual – escolher que rede (ou redes) de
conhecimento deseja escolher para seu crescimento próprio. FM - Como vocês têm sentido o retorno do trabalho que estão
realizando? AL - Ainda é muito cedo,
estamos firmando nossa marca neste diversificado mercado. No
entanto, já pudemos perceber, nestas primeiras edições, que o público
está pronto para coisas novas, feitas com carinho, independência e
preocupada com o aprendizado mais intelectual, menos consumista. Nossos
leitores têm encontrado um espaço para expor sua visão do mundo, sua
arte, seu jeito de viver, muitas vezes vetado por publicações que se
preocupam apenas por aquilo que vende, mesmo que não seja interessante
para a vida de quem lê. Desta forma, estamos recebendo e-mails, cartas e
telefonemas de jovens, intelectuais, artistas e universitários que vêem
nosso veículo como um instrumento vanguardista, uma arma para a formação
de opinião culta, artística e engajada na política do mundo atual. FM - Quando fizemos, Adriano Espínola e eu, a revista Xilo
(1999) - impressa e de circulação nacional em bancas (projeto
lamentavelmente abortado em seu número inaugural por ingerência do grupo
empresarial que nos contratou como editores) - também constatamos, de
imediato, essa expectativa do leitor por um tratamento não mais viciado
em relação a arte e cultura. Sigo defendendo, desde então, que há que
romper essa barreira do lugar-comum que não é determinada em isolado
pelo mercado, mas sobretudo é fruto de uma conivência da parte de quem
faz cultura neste país. O que pensas a respeito? AL - Penso que
nosso povo - musical, inteligente, curioso e essencialmente alegre - está
sempre apto a conhecer tudo que é novo e a descobrir o que aqui se cria.
É obrigação de todos aqueles que possuem algum veículo de comunicação,
criar espaço para a difusão de nossa cultura tão farta. A liberdade de expressão seja ela através da música, da
dança, das artes plásticas ou da literatura deve ser respeitada, pois
falam diretamente do coração de quem cria, seu jeito de pensar, de agir
e de compor a Humanidade para aquele que o consome - parte inerente do
dia-a-dia, já que caracteriza aquele que registra em sua memória a criação
e sua evolução. Infelizmente, hoje em dia a aquisição da arte e sua
divulgação estão acopladas ao consumo exagerado do mundo capitalista
impedindo um olhar para a arte pura e simples. O giro rápido de capital e
a aceleração do ritmo cotidiano fazem com que muitos veículos de
comunicação prefiram a divulgação do lucro certo e rápido ao invés
de propagarem quem realmente está fazendo história em nossa Cultura e em
nossa Arte. FM - Gostaria ainda de observar que acho uma grande lição
a que transmites aos intelectuais deste país, que seja justamente um músico
a preocupar-se de maneira tão substanciosa com a difusão e reflexão em
torno de nossa cultura. Nossos escritores, por exemplo, caíram no ardil
da especialização, de tal forma que hoje podem melhor ser entendidos
como autistas do que como artistas. A Agulha te recebe, assim, com imenso
carinho e respeito. A palavra final é tua. AL - Agradeço à Agulha, mas considero vocês, merecedores
de tais elogios. A Agulha sempre foi um espaço aberto para artistas de
diferentes vertentes e precursor no que tange a liberdade de criação e
sua propagação. Como músico, quero resgatar a beleza da música pura
sem ser nostálgico ou copiar estilos. Afinal, vivemos em um novo mundo
delineado pela tecnologia avançada, pela Globalização e pelo exaltar da
Publicidade. No entanto, continuamos seres que pensam, que sentem, que
refletem e principalmente que criam... Resgatar a criação (não me refiro à criatividade, mas a criação como algo mais
profundo) aliada ao desenvolvimento da atualidade e a liberdade de expressão
são, para mim, um desafio extremamente prazeroso. Em minhas composições,
pretendo resgatar a sensibilidade melódica, a estrutura complexa dos
grandes mestres da Música Mundial, a Tecnologia de nosso tempo, a Alegria
dos musicais, a naturalidade e a liberdade em encarar o mundo como ele se
desenha para nós e a leitura de nossa história. Enfim, quero mostrar ao
mundo que o ‘hoje’ pode ser mais culto sem ser chato, pode ser mais
sensível sem ser “piegas”, pode ser complexo, fino e bonito sem ser
caro. Desejo, através da Revista Fokus in Arte propagar que, assim como
eu, muitos artistas, intelectuais e pessoas comuns anseiam por escrever
nossa história e assinalar para o mundo quem somos - um povo preocupado
com a preservação de nossa obra e com o ambiente em que vivemos. Um povo
que deseja registrar o jeito com que enfrentamos nossas angústias
(naturais do ser humano), a maneira como avançamos nossas tecnologias e o
modo como buscamos a felicidade para que futuramente nossos netos possam
ter orgulho de seus antepassados.
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