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revista de cultura # 36 - fortaleza, são paulo - outubro de 2003 |
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Reflexões em torno à natureza Fernando Casás
Até a metade do século
passado os trópicos eran vividos como a extrema liberdade e fartura de
vida em comparação com a repressão e o racionamento que havia em quase
toda a Europa devastada pelas guerras. Nesta exquisofrenia se podia
perceber a constatação de um éden não tocado, que até hoje se mantem
um território virgem num país que traz em si a idéia da originalidade e
a criatividade especiais como vivencia quotidiana. Nos trópicos, a
natureza se impõe numa convivência constante. O momento primigênio se
evidencia e se conforma na mutação da natureza, onde a realidade só
pode ser entendida como processo ou transformação; uma expressão
expansiva, presente, e por tanto transitória, da existência. A percepção
intuitiva e descuidada desta presença se foi transformando, para mim, em
momentos de introspecção e encontro, onde o brilho de uma gota de água
ou os desenhos sutis da que a primeira onda deixava na areia,
desdesenhados e redesenhados pela seguinte onda, desencadeavam uns
processos que tinham un existir tão efêmero que não podiam mais que ser
captados pela retina. Chamei estas experiências de Projetos Idiotas, de
um lado pela sua simplicidade e por outro, recordando a sua etimologia
grega que lhe dá o caráter de individualidade, de algo que não pode ser
sujeito a uma redução e portanto não admite ser compartido. Estes
projetos buscam a observação pura e não consciente, disvinculada de
outra idéia ou propósito, aonde o observador se encontra no limite da
criação do universo. Desmaterializados e fugazes, são a idéia
fundacional e a gênese de qualquer trabalho que desenvolvi
posteriormente, de tal forma que todos, de alguma maneira, nascem
diretamente dêles ou são uma pós-tentativa de metaforizar ou
materializa-los. A tentativa de ‘provocar’ estes momentos derivou em mínimas
e íntimas intervenções na natureza. Tentei fazer novos cauces para as
pequenas correntes de água da chuva, provocar desenhos com as marés,
atrair beija-flores com água açucarada ou fazer formigas andar sobre
pigmento, numa experiência que corre paralela à propria realidade e que
contém o potencial nostálgico de que não existe outra obra que a própria
ação. Com o pigmento azul
nasceu, de maneira casual, o Projeto Errante. Tinha ido passar umas férias
no litoral do sul do Rio de Janeiro e com um amigo pintamos a casa dele.
Com os restos do pigmento anil fiz como que uns rastros que saíam dali e
se perdiam na praia. Algum tempo depois, e nesta mesma região, começaram
a construir uma usina atômica, destroçando un ambiente belíssimo,
perfeita imagem do paraíso. Retomei então aqueles rastros como uma espécie
de protesto, círculos azuis que marcando caminhos cósmicos no que, com o
tempo, acabariam por se transformar numa obra recorrente. Algumas obras de
caráter efêmero se relacionaram com o Projeto Errante, principalmente
pela utilização do pigmento azul, como as Casas de Joäo de Barro ou a Intervenção na
obra onde, na construção de um edificio, fiz num fim de semana diversos círculos e
os operários, ao encontrar aquelas marcas, evitaron pasar sobre elas,
inclusive com os caminhões e as escavaderas. No século XXI, a prehistoria é o quotidiano no
Amazonas e a sua essência pulsa a tiempo real. Ali a paisagem deixa de
ser un conceito e, por imensa ou por próxima, não pode ser contida com a
vista. Entretanto, até ali chega a contaminação, e no Igarapé de las
Pedrinhas se extinguiu a victoria régia. Com a ajuda de um seringueiro e
com os restos de látex que ele preparava para transportar à cidade, fiz
umas placas redondas que depois foram equilibradas na superfície dágua
sobre o mato meio submergido buscando, nuna metáfora, aquelas plantas que
por algum motivo tinham sido dizimadas. Mas ao tempo que entrava nos espaços
naturais, comecei a recolher velhos pedaços de madeira comidos por
insetos ou desgastados pelas intempéries, restos de ninhos e outros
materiais desprezados pelo olhar civilizado. Seu acúmulo me levou a
buscar algum tipo de articulação e registro, o que foi feito através de
separação e classificação. Assim nasceram obras que constavam de
simples apropriação e exposição ou outros procedimentos de agrupação
muito próximos à museografia científica, como se fossem restos arqueológicos
ou antropológicos, como em Côcos e ametista ou em Cupinzeiro. Esta situação
me levou a compreender que o material indica a propria forma de pensar
plasticamente uma situação e que este fato tem precedência sobre
qualquer outro tipo de preocupação, indicando o caminho a seguir na sua
relação com a criatividade, formando seu próprio espaço de expressão
e de diálogo não pode ser percebido, concebido ou pensado a partir de
equacionamentos diferentes. Dentro desta postura, a criatividade leva a ética
como caminho à estética, e assim o recolher e evidenciar os materiais se
tornou obsessivo para mim, no sentido de considerar a arte pela sua carga
ética. Neste trabalho de arqueólogo, fui formando uma
recuperação do passado e da memória como suporte para uma leitura do
presente, em que estes rastros seriam uma das possíveis vias de resposta
às indagações do ser humano. Assim trabalhei durante estes anos com
restos de marés, de madeiras comidas por insetos, de materiais
desgastados pelas intempéries e algumas vezes inclusive com o vai-e-vem
humano, como na série Tapumes, compensados gastados por operários de
construção. Por seu lado, Garimpo trabalhava como cascas de árvores e
mercúrio, referindo-se ao trabalho dos garimpeiros que usam este metal
pesado para encontrar ouro. Em Antropofágico/I Ching usei sementes e
bagas, com a intenção, usando o antigo livro da sabedoria chinesa, de
evidenciar o conceito oriental, contemporâneamente também baralhado na física
quântica, de que nada acontece ao azar. Na cultura oriental o universo
é entendido como básicamente potencial, onde um processo ininterrupto e
constante de mutação favorece acontecimentos que se desenvolvem num
tempo cósmico, não existindo o que conhecemos como presente, passado ou
futuro. Esta situação está incluida no que Jung chama de
sincronicidade, onde a coincidência significa mais que mero acaso: na
realidade subjacente ao I Ching, as condições psíquicas que se
inscrevem na totalidade da situação momentânea estão entrelaçadas
entre sí; assim, o simples observar qualquer ocorrência na natureza é
observar e participar do espaço-tempo, do fluir da energía, do
estruturar da realidade. O nome deste trabalho também tem relação com o
movimento Antropofágico, cuja idéia básica era a de assimilar a influência
estrangeira através da sensibilidade e cultura brasileiras, criando un
novo perfil na obra de arte. Comecei a sentir a necessidade de outro tipo de
elaboração do material recolhido. O Ciclo
do Cupim foi o primeiro projeto desenvolvido como série, aonde tentei
esgotar as possibilidades formais e teóricas de uma maneira sistemática
e contínua, e ainda assim deixando uma janela aberta a futuras investigações.
Trabalhei nele mais de dez anos, desde finais dos anos sessenta. Colhida
uma madeira aparentemente estragada pelos insetos, ao ser aberta mostra um
mundo subterrâneo que prèviamente não havia conhecido a luz; e expostos
os labirintos feitos pelos insetos, se expõem os âmbitos do desconhecido
interno, a entropia e este desenvolver do tempo que involucra uma gama
infinita de possibilidades. Os cupins, na sua busca de alimento, de
procriação e de abrigo, formam e conformam seus espaços em un jogo de
vida e morte, pois o mesmo movimento de construir é o de destruir o seu
mundo, abrigo e alimento. Trabalhando metafòricamentecom as nossas
interioridades, o cupim pode fazer as vezes deste silencioso Thanatos
que levamos dentro e que na sua luta com Eros forma/conforma nossa vida e nossos caminhos. O Ciclo do Cupim pode ser lido como uma das
formalizações dos Projetos Idiotas, como a sua complementação ou avêsso
na busca da apreensão do cosmos na sua manifestação mais próxima, a
natureza. Tenta congelar e expor o momento da transformação em que a matéria,
em geral a madeira, deixa as suas características próprias e começa a
ser detrito ou a se misturar com a terra e a água. Com a intenção de
sistematizar uma linguagem já previamente codificada nas primeiras obras,
a extensão do Ciclo do Cupim
foi chamada de Reciclo, onde a metodização busca encontrar o mais ‘asséptico’,
em termos de conseguir mostrar só o absolutamente primordial. No entanto,
esta expressão aparentemente fria não significava uma ausencia do drama;
ao contrário, alí eu buscava evidenciar plenamente o drama da entropía
e, portanto, da vida. O ápice
desta série foi Ciclo, Reciclo, Labirinto, uma releitura de todo o
trabalho desenvolvido até aquele momento. O Labirinto é uma referência
a quando os insetos trabalham em un material cuja polpa é homogênea. No
material natural, geralmente as veias mais delicadas e macias são
desgastadas ou comidas primeiro, ficando intacto o núcleo mais duro. Num
material industrializado como podem ser o conglomerado ou o papel, os
insetos xilófagos não têm o caminho previamente indicado e desgastam o
material ao acaso, muitas vezes formando círculos ou caminhos que se
voltam sobre si mesmos, criando labirintos e mandalas. A observação de que não
somente os insetos trabalhavam com os pontos débeis da madeira mas que,
de uma forma paralela, a intempérie também trabalha evidenciando o
passar do tempo e a lei do eterno retorno, levou à série Eros/ão, onde
o título da exposição se refere a que a fermentação, a erosão, o que
convencionalmente chamamos morte, leva em si o germe criador, Eros, o deus nascido diretamente do vazio, do Caos onde estão todas as possibilidades. Numa praia de Angra dos
Reis encontrei enterrado um enorme tronco de ipê tabaco, uma das madeiras
mais duras que existem. Com a ajuda dos pescadores, cortamos o tronco para
poder desenterra-lo, e depois tivemos que esperar a que se secase para
poder ser transportado. Em Parati, tardei meses tentando comprar umas
velhas janelas comidas pelo cupim, situadas numa parede, aquela única
parede que havia ficado de pé quando a casa caiu. Os donos não entendiam
o porquê do meu interêsse, desconfiavam, mas ao final nem quiseram
dinheiro e me deram de presente; com elas foram feitas as Janelas de
Paraty. A pequena camionete que usava para transportar este material foi
mais de uma vez parada pela polícia, muito preocupada naquela época de
ditadura por qualquer situação que para eles estivesse “fora da
normalidade”. Os índios, seminômades, se adaptam à floresta;
entretanto, esta interação com o meio ambiente foi rompida pelas novas
estruturas sociais que se desenvolveram para facilitar a exploração
indiscriminada da terra. Esta nova realidade foi corroendo o equilíbrio
que existia antes. Quando os madeireiros abrem caminhos em busca da
madeira, vão derrubando árvores de maneira indiscriminada. No meio de
uma derrubada na Mata Atlântica, deixaram os restos de uma árvore
“ouriço” de cêrca de quinhentos anos, da que sobraram as catanas, a
estrutura aparente que se forma ao redor de algumas árvores da floresta
pluvial. Seus restos ocupavam uma superficie de aproximadamente 8 x 10m.
Outra árvore como esta já não se desenvolveria assim por causa das
circuntâncias de mutação
climática, devastação da macro e micro flora e erosão do solo. Com o
sentido de que a sua recolocação na floresta levaria à evidenciação
de sua destruição e portanto da transformação erosiva e o consequente
retorno à terra, reposicionei o tronco de uma maneira diferente ao
natural, fazendo uma intervenção na floresta, onde a árvore seguia
presente mas já sob uma nova forma, entrando outra vez na cadeia
transformativa. Levei parte da madeira, que serviu para diversas obras.
Uma delas , Onda, representação
da água, completava a metáfora dos quatro elementos sublunares da
alquimia: ar, fogo e terra presentes na exposição Longa
noite de pedra (o nome faz referência ao poeta galego Celso Emilio
Ferreiro). Feita numa época em que estava muito interessado nas formulações
psicanalíticas, busquei fazer uma recuperação das minhas raízes, através
das obras, que eram formadas cada uma a partir de um bloco, partido e
rejuntado. Esta escultura foi mais tarde o eixo de uma série de intervenções
levadas a cabo no ano 1984, com o nome de Onda, Interven ção pela
Ecologia. Esteve então colocada na entrada do MAM/Museu de Arte Moderna
do Rio de Janeiro, na Escola de Artes Visuais do Parque Laje, etc. O
transplante dos restos de uma antiga árvore para a entrada de um museu de
arte contemporánea e outros lugares também ligados à arte, fazia uma
união simbólica entre a realidade dos trópicos e a cultura elitista
levada a cabo nestes países, buscando criar uma nova e vital itinerância
de tempo e de espaço. Se com Longa Noite de Pedra tentei
uma metodização do meu tempo subjetivo, da longa noite da minha escisão
interna e da vivencia num não-lugar, trabalhando dentro desta percepção/memória
na que o próprio oceano separa uma terra donde posso me reconhecer e
enraizar, com o Diario de Viagem formalizei a metáfora da primeira visão,
a de um europeu e a sua chegada aos trópicos intocados, onde está
integrado este proprio mar, e o selvagem e o natural, a vida e a morte
convivem harmoniosamente; onde se pode ser testemunha da própria gênese
se desenvolvendo. Trabalhei com o barro, a madeira, relêvos, colagens e
gravuras, com tinta a base de ouro. Estes pequenos trabalhos foram
finalmente divididos em compartimentos ou capítulos que deram começo a
uma série que Roberto Grey chamou de Romanceiro Visual. Este projeto
trabalhava assim diretamente com uma experiência sensível à errância
no tempo e no espaço, procesando um momento que ainda é presente nos trópicos,
onde todas as possibilidades coexistem, incluída a de escrever uma nova
história; onde o resgate do tempo exterior é também a medida do tempo
interior. O Diário de Viagem se compôs de obras, umas já existentes e
outras feitas ex-professo para serem expostas na Espanha, numa época em
que eu ainda vivia no Brasil: como Gulliver trazendo as vacas de Liliput,
o Diário trazia pequenos testemunhos de vida através da evidenciação
do passar das intemperies e dos insetos, sendo a sistematização da minha
própria experiência nos trópicos, as lembranças da viagem iniciática
na maleta do viajante. Aí estão as expedições de Alexander von Humboldt, Richard Burton, Charles
Darwin, da Comisión Científica del Pacífico e de tantas outras,
estabelecendo uma relação com a terra onde estão todas
as possibilidades. Em relação específica a esta última expedição
citada, se dá a coincidência que vivi intermitentemente e trabalhei
entre os anos sesenta e oitenta entre Angra dos Reis e a Fazenda do
Palacete, que foi o pavilhão de caça do imperador brasileiro em Petrópolis
e naquela época pertencente à familia da minha mulher, onde os científicos
e o fotógrafo da Comisión del Pacífico pesquisaram e colheram materiais
a convite de D.Pedro II. Alguns dos trabalhos do Diário de Viagem foram
feitos neste sítio, ainda que, naquela época, eu não tivesse conhecimento
deste fato histórico. Nada acontece ao acaso, e as obras desta série
buscan, na metáfora, uma experiência gêmea a destes exploradores do
Romantismo, que foram chegando à América até a metade do século vinte
e que souberam ver com un olhar que supunha mais que mera curiosidade,
numa busca de conhecer que nada mais é que a busca das fontes da vida.
A cartografia já havia
aparecido varias vêzes no meu trabalho. A partir dos comêços da década
de 80, a necessidade de uma outra forma de expressão levou-me a
desenvolver um papel feito à mão cuja própria elaboração, a partir de
material reciclado e fibras naturais, é em si mesmo un fator expressivo.
As cores foram obtidas com pigmentos naturais (óxidos de ferro e terra) e
de outros tipos, que eran incorporados à propria massa que, ao ser
colocada para escorrer em peneiras, conformando o papel, ia também
formando uma cartografia onde se desenhavam oceanos, continentes e rios.
Posteriormente trabalhei sobre estes módulos com técnica mista, com
algum tipo de monotipias ou de gravuras em relêvo ou cor. Estes mapas
imaginários levaram o nome de Terra
Camuflada. Em 1784 se encontrou no
interior do Brasil um meteorito, muito conhecido por ser o maior
encontrado nesta região, chamado Bendengó em honra ao pequeño
riacho perto do qual caiu. Uma das obras do Ciclo do Cupim, Reestruturaçäo
de uma pequena caixa/Bendengó , leva o nome desta ‘pedra do raio’.
Tentei assim conciliar diferentes metáforas, já seja pela semelhança de
un corte (que também se encontra no meteorito, feito pelos cientistas)
que desta maneira mostra o seu interior e também pelas ‘escritas’ que
os cupins deixaram na madeira e que são como uns petroglifos encontrados
naquela remota região e que o ideário popular conecta con a caída do
asteróide. De uma forma diferente trabalhei com umas pedras recolhidas no
rio Macacu, que baixa a serra de Friburgo aonde naquela época estava meu
atelier, o qual ainda conservo. A partir delas fiz uma escultura
encarregada pela The Jerusalem Foundation para ser colocada naquela
cidade, em homenagem a Manasche ben Schlomo, com o qual aliás me uniu uma
profunda relação de amizade. Na tradição judia, não se levam flores
aos mortos, pois murcham, mas sim se colocam pedras sobre os túmulos ou
outros lugares em sinal de lembrança. Partindo desta idéia, trabalhei
com duas pedras, nas que fiz un corte – intervenção, por outro lado
presente em práticamente todo meu trabalho em pedra - e que assim
recordava diretamente o formato do Bendengó. Feitas a partir de formas
comumente encontradas no Brasil, estas pedras são inexistentes na
paisagem israelita, trantando-se assim de un transplante de paisagem. Em
algum momento Arthur Miller comentou que a criação pressupõe a busca de
outras pessoas que falem uma mesma linguagem criadora. Uma obra colocada
num espaço público está sujeita às mais diferentes interpretações; a
escultura Two Stones, que faz da discrição un dos seus sentidos básicos,
foi colocada num pequeno jardim próximo às muralhas de Jerusalem, como
se fossem duas pedras naturais que sempre estivessem estado ali. No
entanto, foi vandalizada em 1994, quando duas bombas destruiram a obra. Posteriormente
foi feita outra versão em granito, Two Stones Two, colocada no University
Botanical Garden da mesma cidade. A finais dos anos
sessenta, estudando na ESDI/Escola Superior de Desenho Industrial no Rio,
tive contacto com o grupo da Poesia Concreta, sendo inclusive aluno de Décio
Pignatari. Fiz então uma série de obras que jogavam com as palavras e
citava a destruição da floresta, relacionando este fato com Marte, o
planeta deserto. Também havia uma relação entre a quadrícula da divisão
do território – a região amazônica estava sendo distribuida entre
grandes proprietarios, preferentemente multinacionais – com as grades de
uma prisão. Já tinha muitas vezes trabalhado com o papel, como suporte
ou como material, e quase vinte anos depois das primeiras experiencias, e
tendo passado por Terra Camuflada, voltei a novas pesquisas. Com un uso
mais intenso de material orgânico e de óxidos, consegui um papel mais
encorpado e rígido, com cerca de 2,5cm. de espessura, o que me permitiu
incisões mais profundas e uma presença mais decisiva do material como
obra em si mesmo. Pela espessura do papel e presença de excessiva umidade
no ar, tive que construir un pequeño quarto de tijolos, colocando no
interior umas prateleiras onde foram colocados os painéis; no meio do
quarto coloquei uma fogueira, alimentada durante tres dias. O resultado
foi um matizado nas cores, como se houvesse un véu de fumaça, que davam
um aspecto de velhos mapas. Ao mesmo tempo, o cheiro da fumaça impregnou
fortemente o material, levando-me imediatamente ao problema dos incendios
incontrolados que devastavam o Amazonas naquele momento. Ao terminar
Amazonas, Série Negra, os papéis foram dispostos pelo chão e paredes
das galerías em uma exposição simultânea no Rio e em São Paulo. O
intenso cheiro de queimado dominava o ambiente durante as mostras: através
do seu processo específico de secado, a série havia incorporado os
elementos da devastação. Como tinha comentado, o
Projeto Retorno se revelou como uma preparação inconsciente para a minha
volta definitiva à Espanha. Ao chegar de volta à Europa, comecei a
retoma-lo , catando materiais no litoral e interior. Efetivamente, os
detritos demonstraram ser totalmente diferentes dos recolhidos nos trópicos,
tanto pelo tipo como pelo tamanho. Se apresentavam principalmente algas,
restos cerâmicos ou de vidro, geralmente materiais de construção e
panelas, garrafas, pratos quebrados ou, próximo à desembocadura do rio
Minho, pequenos restos de madeira, resultantes principalmente das podas
das vinhas que povoam as suas margens. Com uns detritos tão
‘domesticados’ e igualados em tamanho, a postura de uma simples
evidenciação abriu caminho a uma linguagem complementária de cobrir as
pranchas aonde se evidenciavam estes materiais com un negro espêsso que
se referia aos derramamentos de petróleo comuns no litoral galego, sobre
o qual fazia uma pintura gestual, em geral em azul profundo. Não cheguei
a completar este projeto; as poucas obras que chegaram a ser concluidas me
pareceram importantes por serem o reflexo de uma ‘costura’ entre as
duas experiencias fundamentais desta tentativa de busca. Uma experiência a
principio muito subjetiva pode desenvolver-se numa visão universal. Este
voltar a viver no interior de seu país natal, situando o novo atelier na
pequena cidade onde se nasceu depois de haver vivido numa metrópolis como
Rio de Janeiro, não variou muito a substancialidade, no sentido
significativo ou de conteudo da obra, mas se refletiu na sua forma de
expressão. Este retorno deu lugar a uma inflexão que se traduziu de
forma paradóxica num processo de desterritorialização, onde os
contactos com o meio ambiente se deram de forma arqueológica, com a
retirada de camadas das paredes da casa familiar aonde se instalava o
atelier. O arrancar da chapa de compensado que cobria as paredes havia
revelado un material carcomido, que foi utilizado para gravação e como
obra em si mesma. Estes restos eran depositários do que descreve
Baudelaire como o palimpsesto da memória, cujas ‘incessantes camadas
se vão acumulando’ . Assim, as camadas de pintura cobriam uma
argamassa muito primitiva, que inclusive tinha restos de conchas e outros
materiais incrustrados e que por sua vez, ao ser extraida, a través do
processo do poliester, expunha as pedras que sustinham a casa. Já tinha
trabalhado com o poliester nos anos sessenta, quando dei uma mão na
construção da inovadora casa do arquiteto Edgard Duvivier em Ibicuí,
feita inteiramente com esta resina; mas agora ela se transformava em um
suporte quase invisível que, ao ser despegado, trazia agregado parte da
propria parede e a outra parte marcada em relêvo. O resultado foi unm
material básico que chamei de ‘restos arqueológicos’, que continha a
história daquela centenária casa e portanto parte da história de minha
família. Assim muitas vêzes, como notaram alguns autores, a busca dos
fundamentos da vida têm uma contrapartida nas investigações sobre a
psique humana. Freud favoreceu uma comparação da excavação sistemática
dos extratos sucessivos da consciência com a arqueologia. A partir da
elaboração deste reencontro com a parte da minha identidade que havia
ficado na Europa, pude extrapolar o meramente individual até refletir
esta idéia cósmica que, latente na obra desde seus começos, adotou uma
forma mais explícita a través dos ‘restos arqueológicos’, aonde se
incorpora e evidencia não un material, mas uma situação já existente:
uma camada de pintura resgatada de um muro, um pedaço de parede ou, em
alguns casos, um pedaço da natureza; sempre uma ocorrência da realidade,
isenta de outra manipulação que a da transferência, na que a estética
não é nunca uma finalidade. Os restos arqueológicos
deram origem a obras nas que, num principio, trabalhei diretamente com a
idéia de opor à busca das minhas raízes a vivência americana, a idéia
do exílio contraposta ao primigênio latente naquele continente. Assim
nasceram Africa, Oriente e principalmente América. Esta última se
desdobrou na série 1492, em referência ao ano em que Colombo chegou ao
novo continente. Estas últimas obras, de alguma maneira, eran uma extensão
do Diário de Viagem. Tres delas participaram na XXI Bienal Internacional
de São Paulo. Justamente a última exposição no Museu de Arte Moderna
(MAM/SP) daquela cidade, em seguida ocupado pela Bienal, foi Dimensão
Possível. Utilizando materiais pobres – troncos, areia, pigmento –
trabalhei o chão do salão principal do museu. Logo na entrada e seguindo
o comprido do formato retangular deste espaço, parte dos troncos foram
jogados ao solo como un bosque arrasado pelo vento e em seguida, tanto o
chão como os próprios troncos foram cobertos por uma fina camada de
areia. A continuação esta areia, através de un trabalho com peneiras e
fôrmas, vai formando desenhos como se fossem buracos. Ao final, un tronco
pendurado do teto sobre troncos jogados no chão, dentro dum retângulo
formado pelo pigmento azul, também espalhado sobre o tronco pendurado,
conformam um espaço desértico, desolado, que através do uso de
praticamente os mesmos materiais e procedimentos, se transforma numa
semente cósmica, a esperança de que exista uma outra dimensão onde seja
possível a vida. No dia 12 de outubro de
1992, dia em que se completavam quinhentos anos da chegada de Colombo à
América, foi inaugurada na galeria Afinsa de Madrid a obra 1492
Fragmentos de América, composta por mil quatrocentos e noventa e dois
pedaços de técnica mixta sobre poliester, que cobriam todas as paredes
da galeria. Cada fragmento é uma obra em si mesma e a sua totalidade
conforma uma visão crítica deste fato histórico e suas consequências,
a metáfora da realidade latinoamericana, cujas terras e riquezas foram
espalhadas pelos mundo. Coerente com esta idéia, parte dos Fragmentos foi
distribuida pessoalmente ou por correios a amigos e outras pessoas, como
previa o projeto original. Por esta mesma época fiz outras obras ligadas
a este tema. Uma foi a escultura Opresión, formada por uma suástica de aço
cujos braços, colocados de maneira não formal, apresavam no seu interior
um ôvo de cerâmica e que, colocada na Expo’92 (Exposição
Internacional de Sevilha) fazia uma crítica direta ao chamado
descobrimento da América, tema central da exposição, e à situação de
intolerância da Europa naquele momento. A outra obra é Ashé. Ashé é
uma palabra do idioma africano Yorubá e quer dizer ‘força vital’.
Nesta exposição se busca justamente a metáfora da perda desta força
vital através da devastação do continente africano, que teve um ponto
de inflexão com o descobrimento da América e o consequente tráfico
massivo de escravos em direção às novas terras. As instalações
ocuparam os arredores e a própria Antigua Estación Marítima de Vigo, un
lugar também significativo para mim, pois dali parti de menino, levado
pela minha família, em direção à América. Pouco tempo depois, subindo
as montanhas em direção a Manzaneda, encontro com uma derrubada
indiscriminada dos castanheiros centenários daquela região. Para renovar
a antiga e bela estrada que leva a uma estação de esquí, derrubaram
mais de cem destas árvores. Consegui transportar algumas para o atelier e
uma delas, carbonizada, a que chamei Proyecto Castaño, esteve exposta
frente ao mar no verão de 1997, como ponto de reflexão sobre a destruição
do meio ambiente. Neste mesmo ano, o convite para fazer uma exposição
junto a un projeto de arte e natureza em Huesca, onde anualmente há um
workshop internacional sobre este tema, me ajudou a metodizar sobre o
percorrido conceitual da minha obra até aquele momento, propiciando uma
visão que ia desde a simples evidenciação da natureza até chegar aos
novos trabalhos onde voltei a utilizar o pigmento fosforescente, já usado
a principios dos setenta na obra Vagalume, sobre madeiras submetidas a luz
negra e intermitente. Assim as obras trabalhavam não somente com a energía
– a exposição se chamava Natürgeist, espírito da natureza – mas
também com a idéia do cheio e do vazio como opostos complementários,
fazendo um jogo que expõe o verso e reverso das coisas: a obra e o
espectro da obra, sua sombra. Esta energía é muito
evidente no comportamento dos líquidos, com os quais tentei trabalhar
desde o início. Com a série Água, tratei de flagrar diretamente este
movimento através da sua propria mobilidade, capturada através da
pintura feita por e com a água, jogada em uma superficie pintada e assim
deixando o seu rastro; depois submetía o material à evaporação. O
rastro da água é a sua memória e reflete a sua própria existência.
Sobre este tema também foram feitas uma série de esculturas, donde a
referência a este líquido é feita através da metáfora da sua ondulação,
que fica como detenida no seu movimento. Em outras obras, a água também
aparece de maneira indireta. A principios da década dos noventa, o
litoral noroeste da Espanha, uma região rica em peixes, moluscos e algas,
sofreu o naufrágio do petroleiro Mar Egeu, provocando un derramamento de
petróleo que supôs a aniquilação de quilômetros deste peculiar
ecossistema. Trabalhei diretamente com o destroço da paisagem, recolhendo
e limpando 823 carapaças de centolha (un tipo de crustáceo muito comum
na costa galega), que depois foram trabalhadas com betume, cimento branco
e gêsso. Alguns foram fundidos em bronze. O conjunto, chamado irônicamente
Descubra a carapaça de ouro e ganhe un cruzeiro pelo Mar Egeu, foi
exposto de diferentes maneiras e situações, algumas vezes sobre a
parede, outras no chão ou em caixas de cartolina com carvão, numa alusão
direta ao naufrágio. Também foi feito um cartão fotocopiado em preto e
branco para distribuição por correio, onde uma faixa preta pintada nas
bordas, como nos antigos anúncios de falecimento, emoldurava uma
fotografia das carapaças com betume. A finais de 2002 um novo naufrágio
das mesmas características afetou o litoral galego, com consequências
bastante mais graves. A leitura de uma tragédia assim já estava feita
através das cascas de centollas. A aproximação mais adequada ao novo
acontecimento me pareceu uma ‘revisita’ a esta mencionada obra.
Metaforizar o derramamento destruidor sobre derramamento destruidor: sobre
fotografías das primeiras instalações, fiz umas monotipias com petróleo.
Busquei a reprodução não através dos meios tradicionais, mas através
de un meio banal como é a fotocopiadora, ao se referir a uma tragédia
que se reproduz cada vez com mais frequência. As intervenções na
natureza onde são usados restos de troncos naturais, muitas vezes
deixados no seu habitat para seguir mais ràpidamente com o processo entrópico,
tem sido uma constante na minha obra. Mas também busquei uma representação
onde a metáfora sobre a memória, através da fossilização da natureza,
fôsse imediata. A árvore está frequentemente presente como simbolismo
de vida na mitología dos mais diferentes povos. Na linha de uso de outros
materiais como representação, presente por exemplo na obra Manuscritos
do Rio Amazonas, que desenvolvi a convite do Europees Keramish Werkcentrum
da Holanda, foi realizada uma série de esculturas públicas. Amazônia/Raízes
e Cobra Grande foram feitas usando restos de árvores como matrizes, dos
que se tiraram negativos em gêsso posteriormente fundidos em resina de
poliester, transformando os restos de uma gigantesca árvore num objeto
passível de reprodução. Amazônia/Raízes foi feita para ser colocada
no Parque de Esculturas da Catacumba, no Rio, ‘estetizado’ com plantas
tropicais originárias deste mesmo lugar, antigamente dominado pela Mata
Atlântica, de onde também vieram os restos de árvores. O contato direto
com a vegetação frondosa do parque, de onde surgem os elementos brancos
da escultura como se fossem esqueletos ou ossos da desertificação da
vida vegetal, extremam o enfrentamento entre o material sintético e a
natureza. No caso de Cobra Grande, colocada no Seef & Marks Community
Garden de Jerusalem, esta reflexão foi enriquecida com a lenda indígena
onde a Cobra Grande, encarregada por Tupã de vigiar o côco aonde estava
guardada a noite, não resistiu e abriu uma pequena fenda para ver o que
havia dentro, com o que liberou a escuridão. Por seu lado as esculturas
Bosque, Lamed Vav/36 Justos e Arvores como arqueologia têm em comum o
trabalho com representações de troncos misturados a árvores vivas. A
oposição entre árvores e a sua representação abre uma vía de reflexão
sobre a natureza e as transformações às quais tem sido submetida. Na
praça Burgo das Nacións, um espaço pavimentado entre a faculdade de
Economia da Universidade de Santiago de Compostela e os blocos de
residencia dos estudantes, propus a criação de un espaço com árvores.
Assim, dentro de un círculo de 13 metros de diâmetro perfeitamente
delimitado de onde foi retirado o cimento, foram plantadas nove árvores
da espécie Platanus hybrida, muito frequente nas paisagens urbanas da
Europa, circundando un tronco fundido em alumínio, colocado como se fôsse
un elemento arquitetônico semi-enterrado que emerge do solo. As árvores
vivas estão como que protegendo o seu resto arqueológico, a sua
representação cristalizada no interior do círculo. Esta escultura deixa
de lado o conceito tradicional de obra estática de estrutura vertical
para transformar-se em uma obra conectada com a vida, uma vez que as árvores
darão testemunho através do seu próprio desenvolvimento.
Oposto geogràficamente a
Pontevedra, os Monegros são uma região desértica cujo nome vem de
montes negros, pela impressão que davam os seus bosques de coníferas.
Ainda que alguns estudos defendam que, ao margem da deflorestação,
grande parte deste território já teria uma aparência não muito
distante da atual: não é o tradicional deserto de areia, mas sim é semi
coberto por uma vegetação estepária. O fato é que aí efetivamente
existiram bosques que foram cortados e assolados pelos mais diferentes
fatores, entre eles o fornecimento, em séculos passados, de madeira para
fazer caravelas. Na atualidade, os cultivos ocupam grandes superficies,
ainda que isto não diminui em nada a espetacularidade do entorno, no qual
as colinas desgastadas pelo vento formam uma paisagem de aspecto pre-histórico
e lunar. O conjunto de esculturas Arboles como arqueología foi
desenvolvido dentro do Proyecto Huesca: Arte y naturaleza, único no seu gênero,
cuja meta é fazer desta província un parque de esculturas. Assim o
artista pode escolher qualquer lugar para colocar sua obra, desde que seja
un espaço não-urbano. A eleição do lugar não podía ser outra que o
Deserto de Monegros, onde a natureza perdeu a memória do seu bosque através
do derrubamento indiscriminado. A escultura consta de duas oliveiras
centenárias, transplantadas ao meio de um conjunto de oito troncos de
granito que ocupam un espaço máximo de cinco metros de altura por cerca
de trezentos metros quadrados. Colocados no alto de uma destas montanhas
cortadas pelo vento, cujas laterais são totalmente erosionadas, esta
escultura pode ser vista desde grande distância, discretamente integrada
ao entorno monumental, como un testemunho das modificações que sofreu
esta região e de toda a historia que passou ali. Também trabalhando com
a memória está Orixás. Na noite da passagem do ano, as praias se enchem
dos rituais das religiões sincréticas, herança dos escravos africanos,
como a macumba ou o candomblé, que constam de buracos feitos na areia
onde se colocam velas acesas, em homenagem principalmente a Iemanjá, orixá
das águas do mar, para que proteja o ano que começa. Com a vinda dos
turistas, um dos pontos mais importantes deste costume, a praia de
Copacabana, foi abandonada em favor de recantos mais discretos. Na noite
da passagem do milênio, ao alvorecer do dia primeiro de janeiro de 2001,
tentei uma recuperação deste ritual. Não contava, no entanto, com que
atraisse a participação de pessoas ligadas a estas crenças, com o
resultado de que tive que, por respeito e receio, encurtar o video
programado sobre a intervenção, ainda que este não tivesse un roteiro
pre-estabelecido. Finalmente, desenvolvendo
uma tesis sobre Arte & Cosmos, que profundiza nas relações entre a
arte e outros campos do conhecimento, como o pensamento oriental ou as
ciencias, e na qual a obra de Einstein tem uma presença bastante
significativa, vou ao Rio de Janeiro e me hospedo no Hotel Glória. Qual não
é a minha surpresa ao descobrir, ao lado da porta do meu quarto, uma
placa que dizia que Einstein havia estado hospedado ali - na suite contígua
à minha! Não sabia que o físico havia estado no Brasil. Entrei
imediatamente em contato com a direção do hotel, que me facilitou
visitar o espaço e me permitiu fazer uma intervenção e um vídeo na
suite que ele havia ocupado. Para isto usei uns círculos de uma fazenda
grossa, em vez do pigmento que uso habitualmente e que mancharia tudo,
distribuidos na sua suíte, no meu quarto e no corredor entre ambos. Sobre
a mesa onde em 1925 ele havia escrito ‘Comunicações sobre a atual
situação da teoria da luz’, se abria uma janela que naquela época
dava diretamente ao mar, não existindo então o Parque do Flamengo, onde
também fiz uma intervenção, filmada deste esta janela. Nada se explica
pelo acaso… assim esta obra foi chamada ‘Espaço/tempo, o que Einstein
viu desde a sua janela’, metaforizando o fato de que o tempo está aí,
presente, passado e futuro se confundindo no espaço. Só temos que deixar
que esta situação emerja. [Nigran,
verão de 2003] Trajetória
de Fernando Casás 2003 2002 2001 2000
1999 1998 1997 1996 1995 1994 1993 1992 1991 1990 1989 1988 1987 1986 1984 1983 1982 1980 1979 1978 1977 Finais dos anos 60 anos 70. |
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Fernando Casás (Galiza, 1946). Artista plástico
considerado um dos pioneiros do movimento Arte e Natureza. Viveu por quase
40 anos no Brasil, atualmente residindo em Pontevedra (Galiza), sendo
professor de escultura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de
Vigo. Depoimento concedido exclusivamente para a Agulha. Contato: minamarx@wanadoo.es. Página
ilustrada com obras do artista. |