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revista de cultura # 37 - fortaleza, são paulo - janeiro de 2004 |
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Saramago e Drummond: o verdadeiro senhor dos arquivos Maurício Matos
Não se
mexeria do seu canto, não entraria na Conservatória nem que lhe viessem
prometer a fortuna inaudita de descobrir o documento que mais procurado tem
sido desde que o mundo é mundo, nem mais nem menos que o registo oficial do
nascimento de Deus. José Saramago, em
Todos
os nomes
Da mesma maneira que a Conservatória do Registro Civil,
[…], a divisa não escrita deste Cemitério Geral é Todos os Nomes,
embora deva reconhecer-se que, na realidade, à Conservatória é que estas
três palavras assentam como uma luva, porquanto é nela que todos os nomes
efetivamente se encontram, tanto os dos mortos como os dos vivos, ao passo
que o Cemitério, pela sua própria natureza de último destino e último
depósito, terá de contentar-se sempre com os nomes dos finados. [1] Além desta divisa, homônima para a Conservatória Geral
do Registo Civil e para o Cemitério Geral, não sabemos o nome sequer da
cidade onde se encontram instaladas estas duas instituições, nem do possível
país em que esta cidade se insere. As personagens são indicadas por suas
características mais marcantes, por exemplo: a “senhora do rés-do-chão
direito” é identificada por uma referência superficial à localização
de seu apartamento no edifício onde reside; o “conservador”, por seu
cargo; a “mulher desconhecida”, por sua condição misteriosa. Poderíamos acreditar, portanto, que a ironia - tão cara
ao autor de História do cerco de
Lisboa - seria a responsável pela atribuição do título Todos os nomes a um romance onde escassamente os encontramos.
Contudo, a escolha de um nome significa a eliminação de todas as outras
possibilidades, o que nos leva a supor que, quando não se atribui um nome a
determinada personagem, nenhuma possibilidade é eleita e, com isto, nenhuma
é descartada. Portanto, o caráter anônimo do espaço da narrativa, bem
como o da invocação das personagens, encontra-se em plena coerência com o
título do romance; por exemplo, a Conservatória é necessariamente
vinculada a uma cidade, que não é identificada e que pode, portanto, ser
qualquer uma: todas as cidades. A questão do nome é, sem dúvida, crucial e atravessa boa
parte da obra de José Saramago. Blimunda em Memorial
do convento, Marcenda em O ano da
morte de Ricardo Reis, Ouroana e Mogueime em História do cerco de Lisboa são alguns exemplos de nomes
engenhosos, não escolhidos, mas criados, provavelmente, a partir do mesmo
impulso criativo empregado na configuração da trama que os enreda.
Contudo, se nestes casos os nomes chamam nossa atenção em virtude de sua
estranha e poética sonoridade, a partir de Ensaio
sobre a cegueira, desperta-nos a curiosidade sua inexistência - neste
caso, total. Decidi que não haverá nomes próprios no Ensaio,
ninguém se chamará António ou Maria, Laura ou Francisco, Joaquim ou
Joaquina. […] Prefiro, desta vez, […], que o leitor não saiba nunca de quem
se trata, que quando alguém lhe
apareça na narrativa se pergunte se é a primeira vez que tal sucede, se o
cego da página cem será ou não o mesmo cego da página cinqüenta, enfim,
que entre, de facto, no mundo dos
outros, esses a quem não conhecemos, nós todos. De fato, para além da “senhora do rés-do-chão
direito”, da “mulher desconhecida” e do “conservador” - que
respondem individualmente por suas respectivas “alcunhas” -, dos quinze
funcionários da Conservatória de Todos
os nomes, onde se passa a maior parte da trama, apenas distinguimos
dois. Os demais encontram-se divididos e equalizados, respeitando três
categorias hierárquicas: oito auxiliares de escrita, quatro oficiais e dois
subchefes, desprovidos de qualquer alcunha que os identifique e diferencie.
Assim, bem como no Ensaio sobre a cegueira, não sabemos, por exemplo, se o subchefe,
que na página catorze sugere ao conservador uma reorganização do arquivo
dos mortos, é o mesmo a quem o Sr. José informará que está doente à página
cento e vinte e três. Mas, quem é o Sr. José? Dissemos no parágrafo acima que,
dos quinze funcionários da Conservatória Geral do Registo Civil, distinguíamos
apenas dois: o conservador, que, por ser apenas um, dispensa qualquer outra
apresentação além de sua patente, e este Sr. José, um dos oito
auxiliares de escrita e personagem central da história, que sem um nome próprio,
a julgar pela economia narrativa do romance, não diferiria em nada dos
outros sete - a menos que alguma característica particular o
individualizasse, como ocorre com a “senhora do rés-do-chão direito”
ou com a “mulher desconhecida”. Além do seu nome próprio de José, o Sr. José também
tem apelidos, dos mais correntes, sem extravagâncias onomásticas, um do
lado do pai, outro do lado da mãe, segundo o normal, legitimamente
transmitidos, como poderíamos comprovar no registo de nascimento existente
na Conservatória se a substância do caso justificasse o interesse e se o
resultado da averiguação pagasse o significado de confirmar o que já se
sabe.
José pode ser um nome comum, mas, exatamente por isso, não
é um nome qualquer. Além de ser o próprio nome do autor, é o título de
um poema de Carlos Drummond de Andrade, a partir do qual Saramago escreveu a
crónica “E agora, José?”,
inserida na coletânea A bagagem do
viajante: Considero privilégio meu dispor deste verso, porque me
chamo José e muitas vezes na vida me tenho interrogado: “E agora?”
Foram aquelas horas em que o mundo escureceu, em que o desânimo se fez
muralha, […]. “E agora, José?” […] Mas outros Josés andam pelo
mundo, não o esqueçamos nunca. A eles também sucedem casos […] de que
saem às vezes vencedores, às vezes vencidos. Alguns não tem nada nem
ninguém a seu favor, […]. A esses, que chegaram ao limite das forças,
[…], sem coragem para o último ainda que mortal arranco, é que a
pergunta de Carlos Drummond de Andrade deve ser feita, como um derradeiro
apelo ao orgulho de ser homem: “E agora, José?” Após estas primeiras linhas que glosam - por assim dizer -
o verso de Drummond, Saramago envereda por uma breve narrativa: “Um outro
José esta diante da minha mesa. […] Sei que se chama José Júnior […]
e vive em São Jorge da Beira”; e segue narrando acontecimentos emblemáticos
que, no entanto, não têm muita pertinência em relação ao tema deste
trabalho, senão quando enuncia o seguinte: “Escrevo estas palavras a
muitos quilómetros de distância, não sei quem é José Júnior, e teria
dificuldade em encontrar no mapa São Jorge da Beira. Mas estes nomes apenas
designam casos particulares de um fenômeno geral”; ou seja, são apenas
nomes, que não indicam pessoas ou lugares determinados, mas sim a
humanidade e seu mundo como um todo, o que faz absolutamente compreensível
a relação do verso “E agora, José?” com o “derradeiro apelo ao
orgulho de ser homem”, a ele atribuído por José Saramago. Visto com esta amplitude, o nome José perde até mesmo o
seu vínculo milenar com o gênero masculino e passa a indicar tanto Antônios,
quanto Lauras, Franciscos, Joaquins, Joaquinas, Fernandos, Ricardos e Lídias,
bem como pode indicar também os nomes que não nos são informados, como o
da “senhora do rés-do-chão direito” e o da “mulher desconhecida”.
Desta forma, José é a metonímia de todos os nomes e de todos os homens.
Homens e mulheres, está claro, pois poderíamos mudar o verso para “E
agora, Maria?” e não estaríamos adulterando o seu significado, nem sua métrica. Feita a relação Saramago / Drummond, voltemos nossa atenção
ao poema deste, e perceberemos como, nele, o significado de seu próprio título
- “José” - é posto em cheque logo na primeira estrofe: E
agora, José? O primeiro verso introduz a questão, “E
agora, José?”, indicando uma situação limite em que se insere um
sujeito (José), a quem compete fazer alguma coisa. Do segundo ao quinto
verso, observa-se a sugestão desta situação: “A festa acabou, \ a luz
apagou, \ o povo sumiu, \ a noite esfriou”; donde depreende-se que o
sujeito invocado está em silêncio, no escuro, sozinho e com frio. A partir
de então, o enfoque passará da situação ao sujeito. Assim, podemos
perceber no oitavo verso - “você que é sem nome” - o primeiro de uma série
de cinco pronomes relativos: “que zomba dos outros, / você que faz
versos”, estando o último substituído por uma vírgula, no décimo
primeiro verso: “que ama, protesta”. O último verso da primeira estrofe
reintroduz a questão motivadora do poema - com a força de um “Ser ou não
ser?” - “E agora, José?” Temos, portanto, um “José” - “um “você” - para
vários predicados: “que zomba dos outros”, “faz versos”, “ama”
e “protesta”; mas, principalmente, temos no poema de Carlos Drummond de
Andrade um “José” - “um você” - “que é sem nome” e que,
portanto, pode encarnar, como no caso do romance de Saramago, a metonímia
de todos os nomes, de todos os homens, de todos os vocês. Donde, podemos
depreender e reforçar a equivalência literária (brasileira e portuguesa):
José @
todos os nomes.
É de se abrir um parêntese e assinalar como - não raro -
Josés portugueses preocupam-se e deleitam-se com o próprio nome, numa
postura curiosa em relação à tão cultuada questão heteronímia, dando
rumo diverso a uma já tradicional atração onomástica - por assim dizer -
assumida na literatura por um Fernando - o Pessoa, está claro; e assim
valerá ainda o registro de um outro José, contemporâneo deste, o de
Almada Negreiros, que inicia o seu romance Nome
de guerra conjeturando acerca da adequação do nome à pessoa a que
corresponde: Das duas uma: ou as pessoas se fazem ao nome que lhes
puseram no baptismo, ou ele tem de seu o bastante para marcar a cada um. Será
imprudente deduzir o nome próprio através das fisionomias ou dos
caracteres; no entanto, uma vez conhecido o nome próprio de uma pessoa,
ficamos logo convencidos de que este lhe assenta muito bem. De fato, considerando as observações de Almada Negreiros,
chegaremos à conclusão de que o Sr. José, no romance de José Saramago,
poderia até mesmo ter um outro nome, mas nenhum lhe assentaria tão bem
quanto este; nenhum outro permitiria a relação com o poema de Drummond com
toda a carga significativa que comporta, em sua simplicidade. Todavia, não
nos esqueçamos de que cada José é um José, assim como cada homem é um
homem, pois “o que à primeira vista é igual para todos”, “na
realidade é diferente para cada um”. Todos os anônimos do romance podem
ser Josés, mas cada qual com seu nome, e seu segredo. É o Sr. José o homem em sua eterna busca do desconhecido,
que neste caso específico é representado pela “mulher desconhecida”,
cujo verbete lhe caiu às mãos através do acaso que, segundo as palavras
do narrador, “não escolhe, propõe”. Segundo a “senhora do rés-do-chão
direito”, “o processo de uma pessoa é o processo de todas”, portanto,
se o Sr. José encarna o papel da humanidade em sua busca, a “mulher
desconhecida” representa metonimicamente o objeto desta busca, ou seja, o
próprio desconhecido. Cabe agora perguntar: e a Conservatória, o que representa?
Antes de responder a esta pergunta - se é que resposta há - verifiquemos
como funciona este órgão burocrático, onde trabalha o Sr. José há vinte
e cinco anos, sem jamais ter tido uma promoção. Arquitetonicamente,
trata-se de uma “sala rectangular onde os funcionários trabalham,
separados do público por um balcão comprido que une as duas paredes
laterais”. Atrás do balcão, há, sucessivamente, oito, quatro e duas
mesas, ocupadas, respectivamente, pelos auxiliares de escrita, pelos
oficiais e pelos subchefes, e uma última e isolada, que, como era de se
esperar, pertence ao conservador. O espaço restante da Conservatória é
dividido […] em duas grandes áreas, a dos arquivos e ficheiros de
mortos e a dos ficheiros e arquivos de vivos. Os papéis daqueles que já não
vivem encontram-se mais ou menos arrumados na parede traseira do edifício,
cuja parede do fundo, de tempos em tempos, em conseqüência do aumento
imparável do número de defuntos, tem de ser deitada abaixo e novamente
levantada uns metros adiante. Como será fácil concluir, as dificuldades de
acomodação dos vivos, […] são muito menos prementes, e têm sido
resolvidas, até agora, de modo razoavelmente satisfatório, […]. Reparemos, portanto, que o narrador, ao referir-se às
“dificuldades de acomodação dos vivos” não faz referência, como era
de se esperar, a seus papéis, mas sim a eles próprios (ou nós), os próprios
vivos; viramos a página e deparamo-nos com um caso semelhante, diz o
narrador: “os mortos” e corrige-se imediatamente “isto é, os papéis
deles”; adiante, à página trinta e cinco, encontraremos o Sr. José “a
folhear […] vidas”. Conseqüentemente, percebemos uma identificação -
na economia narrativa do romance - entre os documentos e as pessoas, vivas
ou mortas, a que estes se referem. Por motivos que não vêm ao caso, o Sr.
José irá transcrever para um verbete em branco os dados referentes a
determinada figura notória, neste caso, um bispo:
Como se pode perceber, toda a vida do bispo resume-se - ao
menos no “labirinto confuso” da cabeça do Sr. José - às informações
contidas no verbete que lhe cabe, entre os inúmeros que abarrotam a velha
Conservatória; e, como “o processo de uma pessoa é o processo de
todas”, a todas deve se estender esta regra. Somos levados, portanto, à
suspeita de que as personagens deste livro não sejam mais que seus nomes,
nomes estes que desconhecemos, exceto o do Sr. José, como já foi dito.
Esta suspeita deixa de ser apenas suspeita quando chegamos ao momento em que
o Sr. José vai ao Cemitério Geral em busca da sepultura da “mulher
desconhecida”. Pelo fato do Cemitério ser labiríntico, o funcionário
que o atende não encontra outra forma para lhe explicar o caminho, senão
através de um mapa: […] identificá-la-á [a sepultura da “mulher
desconhecida”] pelo número, E pelo nome, Sim, se já o tem, mas são os números
que contam, os nomes não caberiam no mapa, seria preciso um do próprio
tamanho do mundo, Escala um por um, Sim, escala um por um […]. Ora, se para que os nomes pudessem ser inscritos no mapa
seria preciso um mapa de escala um por um, ou seja, do tamanho do mundo, então,
ao menos espacialmente, neste romance, os nomes assumem as dimensões das
pessoas a que correspondem. Sendo as pessoas os nomes que possuem, e o
conjunto das pessoas, o mundo em que habitam, a Conservatória Geral do
Registo Civil não pode representar outra coisa senão a totalidade que
normalmente se atribui como característica primeira do mundo: um mundo de
nomes, de todos os nomes; o que nos parece evidente na seguinte passagem
destacada: Parou por um momento [o Sr. José] a olhar a secretária do
chefe [ou conservador], nimbada pela luz esquálida que descia do alto, sim,
era o que devia fazer, ir sentar-se naquela cadeira, a partir de hoje seria
ele o verdadeiro senhor dos arquivos, só ele podia, se quisesse, tendo de
passar aqui os dias por obrigação, viver por vontade sua também as
noites, o sol e a lua a girarem sem descanso à volta da Conservatória
Geral do Registo Civil, mundo e centro do mundo. Desta forma, se a Conservatória Geral do Registo Civil é
“mundo e centro do mundo”, quem seria este “verdadeiro senhor dos
arquivos”, cuja secretária o Sr. José tanto cobiça? A resposta pode ser
óbvia. Certamente, não faltam traços da onisciência
do conservador no discurso do Sr. José, que destacamos, em conversa com a
“senhora do rés-do-chão direito”: […] o meu chefe, por exemplo, […] sabe de cor todos os
nomes que existem e existiram, todos os nomes e todos os apelidos, […] O cérebro
de um conservador é como um duplicado da Conservatória, […] Sendo, como
é, capaz de realizar todas as combinações possíveis de nomes e apelidos,
o cérebro do meu chefe não só conhece os nomes de todas as pessoas que
estão vivas e de todas as que morreram, como poderia dizer-lhe como se
chamarão todas as que vierem a nascer daqui até o fim do mundo, […]. A perfeição
também está presente, desta vez na fala do próprio conservador: “a única
pessoa, aqui, que não comete faltas, sou eu”. Também a providência lhe é característica, revelada na inesperada atenção
com a qual se dedica pessoalmente ao tratamento do Sr. José, quando este
lhe aparece febril; e, finalmente, o estranhamento de todos os funcionários
da Conservatória - inclusive do próprio Sr. José, e também do leitor -
em relação a estas mesmas atenções, aparentemente injustificáveis,
dispensadas pelo terrível conservador a um dos seus oito subordinados de
mais baixa hierarquia, este estranhamento, como dizíamos, remete-nos ao Desconcerto do Mundo, tão caro aos poetas do Renascimento; e
segundo António José Saraiva: Se aparentemente há no mundo sòmente acontecimentos ou
casos, se os benefícios são repartidos injustamente, se não há ordem ou
regimento visível, se a fortuna parece dominar com o seu capricho e a única
divindade ser o Desconcerto, é porque os desígnios de Deus transcendem a
compreensão dos homens. O que para Deus é justo parece injusto aos homens;
o que a Deus é evidente parece aos homens profundo, encoberto e escondido. Desta forma, concluímos que, certamente, neste mundo de
nomes, se o Sr. José é o homem, então, a Conservatória é o mundo e o
conservador, deus; um deus terrível e surpreendente que, nas últimas
paginas do romance, irá tornar-se cúmplice do homem, e de todos os homens,
em nome da vida; da vida dos vivos e da vida dos mortos: de todas as vidas.
Trata-se, portanto, de um livro sobre todos os nomes, e sobre nenhum, que
nome nenhum é o nome de deus. Finalmente, deixemos o Sr. José numa daquelas inúmeras páginas
críticas, para ele criadas por José Saramago, e nas quais lhe caberia a
pergunta de Drummond, certamente como “um derradeiro apelo ao orgulho de
ser homem”: “E agora, José?”: Imagine agora quem puder o estado de nervos, a excitação
com que o Sr. José abriu pela primeira vez a porta proibida, o calafrio que
o fez deter-se à entrada, como se tivesse posto o pé no limiar duma câmara
onde se encontrasse sepultado um deus cujo poder, ao contrário do que é
tradicional, não lhe adviesse da ressurreição, mas de tê-la recusado. Só
os deuses mortos são deuses sempre.
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Mauricio
Matos (Brasil, 1973). Jornalista, poeta e ensaísta. Tem textos publicados
no Brasil e em Portugal sobre poetas de língua portuguesa, tais como
Fernando Lemos, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Camões,
Jorge de Sena, etc. Como editor, exerceu o cargo de Assistente Editorial
na Fundação Nacional de Arte - FUNARTE, entre 2000 e 2001. Contato: mauricio.matos@bol.com.br. Página
ilustrada com obras do artista Júlio Resende (Portugal). |