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revista de cultura # 39 - fortaleza, são paulo - junho de 2004 |
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Poiesis: diálogo com Rodrigo Petronio Wanderson Lima
RP – Olha, acho que isso se
deva primeiro a um motivo ocasional. Meu único livro de poemas publicado
é de 2000, e teve tiragem de 500 exemplares. Não saiu nem uma mísera
menção em nenhum jornal. Depois, com o Transversal
do Tempo, meu livro de ensaios, de 2002, já tinha um número bom de
contatos e pude fazer uma distribuição grande de exemplares. Confesso
que fiquei surpreso com a repercussão. Muitos comentários, resenhas,
entrevistas, notas, o que me deixou muito feliz. De tempos pra cá também
tenho escrito em alguns veículos da imprensa, textos críticos, ensaios,
resenhas. É algo que me dá muito prazer, gosto muito desse debate público
de idéias. Quanto ao meu trabalho ficcional é mais grave: não tenho
nenhum livro publicado, só contos espalhados em suplementos. Talvez por
isso meu nome esteja mais associado à crítica que à poesia e à ficção.
Esse ano devem sair dois livros: um de ensaios, chamado O
Grão e o Cosmo, e um de poemas, pela editora Girafa, em novembro.
Também devo ser publicado em antologias poéticas no exterior, em
Portugal e na Venezuela. Vamos ver como as coisas se desdobram. A princípio
e em primeiro lugar eu sou poeta. Tento plasmar a escrita ensaística,
ficcional e a propriamente poética com o imaginário da poesia. Ela é
uma espécie de eixo do meu pensamento e da minha visão do mundo. Não
vejo disjunção nenhuma entre essas atividades. No começo tinha algumas
dúvidas, achava que a crítica iria inibir minha criação. Bobagem.
Percebo que ela, sendo feita da maneira que tem sido feita e pensada por
mim, só tem fortalecido minha poesia e minha ficção. São seguimentos
de uma mesma matriz. Se você não se afasta da matriz, tudo corre às
maravilhas e a engrenagem funciona bem. Mas para isso há que se fazer
algumas rupturas. Por exemplo: há um tipo de linguagem e de pesquisa acadêmica
que eu me recuso a fazer. Mesmo estando ligado à universidade, a
universidade é uma parte do meu trabalho intelectual não eu uma parte
dela. Se não fosse assim, eu já a teria abandonado. De fato, todas essas
dimensões que você menciona são modalidades. O que me interessa mesmo
é o texto e a intensidade que corre nele. Independente de ser histórico,
biográfico, poético, filosófico, ficcional ou de qualquer outro gênero.
Nos últimos tempos tenho me dedicado muito à leitura de poesia e
filosofia, por exemplo. Acho que são irmãs conaturais e complementares.
Extraio muito prazer de ambas, no sentido intelectual e também em um
outro, quase sexual. Mas, no fundo, o que anima todas essas vertentes e
vozes, acredito que seja a Poesia e o Mito. A poesia no sentido grego do
termo, como poiesis, que é do verbo poien,
que significa fazer. Creio que o
poeta é um Fazedor, como bem intuiu Borges. Então a atividade poética
transcende a poesia e deságua na própria atividade de plasmar, modelar e
transfigurar o real, sejam quais forem os meios que ela assuma para isso.
Se for reconhecido como ensaísta, ainda que a despeito da minha poesia e
ficção, isso não me incomodará em nada. Serei reconhecido pelo teor poético
da minha prosa ensaística. Já é uma grande honra. WL – A crítica que julgou o
Modernismo já não é hegemônica. O professor Paulo Franchetti, para
citar um só exemplo, afirma que a nossa literatura foi contada de forma
acentuadamente teleológica. Segundo ele, a eleição do Modernismo como
ponto de culminância de nossa atividade literária acarreta dois
problemas: “Em primeiro lugar,
essa escolha tende a gerar uma apreciação esquemática dos períodos
imediatamente anteriores, que, por necessidade argumentativa e pela adoção
das bandeiras modernistas pelo historiador literário, acabam sendo
apresentados como zonas cinzentas, sem relevo, em que apenas se destacam
os anúncios do que está por vir. (...) Em segundo lugar, a mesma idéia
de chegada promove uma narrativa em que a literatura brasileira vai se
formando como organismo ou sistema ao mesmo tempo que a nação, sendo
esse momento de autonomia ou completude a segunda fase modernista. Essa
perspectiva promoveu (...) um recrudescimento da identificação romântica
entre o nacional e o estético, entre a construção nacional e a construção
estética, que durante os anos 1960/1970 deu origem à perversa polarização
entre ‘esteticismo’ e ‘participação’ que marcou os debates literários
e a cena cultural brasileira de modo geral”. Como você se situa nesta
discussão? RP – E agora, depois da USP e
do Concretismo, chegou a vez da Rede Globo de televisão tentar colonizar
o resto do Brasil com a belle époque da paulistocracia e repor o
mais do que desgastado, enjoativo e inócuo mito modernista. Mas há um
movimento interessante de crítica a essa tradição canônica, não só
do modernismo brasileiro, mas dos outros modernismos também. Na
Inglaterra um historiador excelente, Paul Johnson, abriu recentemente uma
polêmica sobre o assunto. Aqui no Brasil há o trabalho finíssimo de
Hugo Estenssoro na imprensa, entre outros, e no meio acadêmico, o de
intelectuais como Alcir Pécora, João Adolfo Hansen e Leon Kossovitch. Não
seria o caso de lembrarmos o gênio Gilberto Freyre caçoando da visão de
Brasil de Mário de Andrade? Ou da importância de Câmara Cascudo para a
pesquisa folclórica, em muitos sentidos maior do que a do poeta paulista?
Ou do papel decisivo de Alberto Nepomuceno, em certo sentido até um
precursor de Villa-Lobos? Poderíamos reavaliar a obra de Augusto dos
Anjos, confrontando-a com os tristes poemas-piada de Oswald de Andrade,
para pôr um pouco de pimenta no debate? Ou pensar em artistas monumentais
e até hoje ainda pouco absorvidos pela crítica, como Ismael Nery, Iberê
Camargo e Farnese de Andrade, todos em um âmbito plástico e de discussão
que transcende e passa a quilômetros de distância dos valores canônicos
estatuídos pelo Modernismo? Fico feliz de ver você mencionar essa
abordagem lúcida de Paulo Franchetti. Hoje em dia os maiores escritores
brasileiros estão inseridos em uma tradição totalmente alheia aos
valores literários do Modernismo. Penso nas obras de Dora Ferreira da
Silva, Foed Castro Chamma, José Santiago Naud, Gerardo Mello Mourão,
Ariano Suassuna, Vicente Franz Cecim, Nauro Machado, César Leal, Hilda
Hilst, entre tantos e tantos outros, que não há como mencionar aqui. Se
não sairmos desse ideário modernista, estaremos fadados a ignorar essa
produção. Acho que um dos maiores cancros do pensamento hoje em dia é
essa teleologia que você muito acertadamente menciona. Ela se baseia em
um afunilamento da História, afunilamento este que gera todo tipo de
exclusões estéticas e históricas, contribuindo para a falsificação
dos fatos tais e quais eles se deram, bem como do valor das obras do
passado, lidas em função dessa escatologia carola da cartilha marxista,
o que, em suma, é uma atitude autoritária. E, diga-se de passagem, esse
discurso autoritário foi forjado e construído justamente pelos
defensores cegos da dialética, que acham que o movimento humano dentro da
história obedece a um sentido inequívoco e segue uma seta de tempo rumo
a um futuro triunfal. Isso gerou um dos conceitos mais nojentos que temos
hoje em dia: o contemporâneo, vulgarmente conhecido também como pós-moderno.
O poeta Affonso Romano de Sant’anna tem contribuído muito com sua
artilharia fina para desmantelar os engodos gerados por esse conceito.
Resta que também nós contribuamos para colocar a discussão em termos
mais lúcidos, fora do âmbito dogmático e demagógico. Como mapear milhões
de quilômetros e culturas e etnias e produções simbólicas dispersos
pelo mundo, elegendo quais são mais ou menos sintonizadas com o nosso
tempo? Como definir quais são mais modernas, mais avant garde,
mais inventivas, como quer essa fauna de poetas desmiolados que posam na mídia
hoje em dia? Aliás: como definir o que é o nosso tempo, essa
entidade sutil e etérea, essa abstração cândida, esse enunciado vindo
dos abismos e masmorras da mais retrógrada metafísica? Há que se convir
que há várias temporalidades convivendo simultaneamente dentro disto que
chamamos de nosso tempo, e que a pluralidade dos centros de produção e
de poder não é algo mais ou menos bom ou ruim, mas sim um fato incontornável.
Se você quiser negá-la ou omiti-la, você cairá na maldita teleologia,
na concepção evolutiva e positivista da História, e, sob o pretexto da
mais austera convicção no desenvolvimento social, econômico, artístico
e espiritual de uma sociedade, você estará tão-só legitimando essa
estrutura podre de exclusão das diferenças e de homogeneização, que é
o princípio mesmo do capitalismo tal qual o vivemos, e contribuindo para
o fortalecimento do Império do Mesmo. Aliás, há décadas a própria idéia
de vanguarda e ruptura se tornou absurda, algo digno apenas de ser
cultivado entre ignorantes. Na medida em que você vive em uma sociedade
totalmente regulada pelo dinheiro e a livre-concorrência, a própria
defesa do novo, que a arte apresenta falsa e demagogicamente como uma
atitude revolucionária, está inserida nesse mecanismo mercadológico prévio
e nessa mentalidade empresarial: o artista, quando se diz radical ou
qualquer bobagem do tipo, está simplesmente criando uma imagem consumível
de si mesmo, e dizendo, por contraste, que os outros não são tão
inovadores quanto ele e, portanto, tão dignos de freqüentar as
prateleiras das livrarias e as resenhas dos jornais. De transgressão isso
não tem nada. É a pura e cristalina lógica do consumo, do fetiche, da
mercadoria e da mais-valia. Arte que se preocupa com o novo é uma arte
idiota. Estaremos assim sendo representantes dessa estrutura que continua
amordaçando e deixando alijadas dos centros de poder as manifestações
culturais que não se encaixem nas engrenagens dessa gincana cultural, que
seus proponentes intitulam História da Arte. Aliás, se quisermos ir mais
longe, é desse ideário que se nutre boa parte da esquerda brasileira,
com seus intelectuais mancomunados com a cabeça em 1917, seu fisiologismo
partidário e seu nepotismo de cátedra, legislando sobre o nível de síntese
dialética e de engajamento das obras de arte e da literatura. Seria
oportuno, nesse caso, para eles despertarem de seu entorpecimento coletivo
e voluntário, que lessem o belo e demolidor livro de Gerard Lebrun, O
Avesso da Dialética, uma leitura de Hegel à luz de Nietzsche. A
partir dele podemos revolver e trazer à luz todo o lixo que a fé cega na
dialética produziu, bem como reavaliar muita coisa boa que esta mesma
dialética varreu para os porões da história, com seu discurso teleológico
e seu sectarismo cor-de-rosa, como se seus defensores fossem eles próprios
investidos da própria graça do desenvolvimento e do progresso, e,
portanto, uma nova legião de intocáveis sobre a Terra. WL - Você citou Nauro Machado,
Dora Ferreira da Silva, Foed Castro Chamma e César Leal, poetas muito
menos conhecidos do que merecem. Fabrício Carpinejar, em entrevista que
me concedeu, afirmou que “uma tônica realista e ateísta
impregnou o cânone brasileiro”, banindo dos centros de discussão os
poetas metafísicos, barrocos e visionários. Chegamos a uma situação tão insólita que Alexei
Bueno chegou a afirmar (cito-o de memória) que se Herberto Helder fosse
brasileiro ele passaria despercebido ou seria tachado de retrógrado. Você
corrobora com o posicionamento desses dois poetas?
WL – Em entrevista que concedeu
a Floriano Martins em Agulha 32,
você afirmou: “Todas as maneiras de abordar
o passado são criticáveis, devem ser, como tudo. Mas acreditar que elas
sejam excludentes é algo que só colabora para o benefício da exclusão
e não do espírito”. Ora, me parece que a leitura da história da
literatura promovida pelos concretistas colaborou fartamente em benefício
dessa exclusão de que você fala, por ter ensejado uma exclusão sistemática
de diversas vertentes do universo literário em prol de uma meia dúzia ou
pouco mais de autores que precederam ou anteciparam a “revolução”
concretista. Além de perigosa, essa manipulação não me parece nada ética.
O que você pensa a respeito? RP – Como bem disse o poeta
Affonso Romano de Sant’anna, se um químico decide que apenas os gases
nobres devem ser estudados, ele não está mais fazendo química: ele está
fundando um partido político. O Concretismo foi e continua sendo um
entreposto poético da CIA em São Paulo. Foi porque sua história é
basicamente a história de uma cartilha política e poética que pretende
catalogar e discernir o que é invenção e o que é antigo, o que é novo
e o que é velho, o que é vanguarda e o que é retaguarda, o que é inovação
e o que é retroação, e assim por diante, em um exercício colegial
altamente constrangedor para qualquer pessoa que tenha o mínimo de massa
encefálica e vergonha na cara. É um binômio tão torpe que os softwares
da década de 50 se enrubesceriam caso o tivessem produzido, mas seus
proponentes o repetem até hoje, com uma placidez inacreditável. São
boas almas iluministas, no sentido mais patético do termo. Continua sendo
porque o ideário da grande maioria dos poetas que se pretendem
inovadores, hoje em dia, não passa de um palimpsesto, um xerox, um papel
carbono, uma cópia esmaecida das bobagens que os concretistas vêm
repetindo há cinco décadas. São agentes internacionais infiltrados no
Brasil cuja finalidade é validar e distinguir o que é moderno do que é
antigo, e assim gerar superávit poético, tecnologia literária de ponta,
para que possamos nos equiparar, poeticamente, aos grandes centros de
poder, e assim tornar a literatura brasileira um bem de consumo e
investimento sustentável e confiável. Transformá-la no famoso biscoito
fino para exportação, na acepção de Oswald de Andrade. Bonito, não? A
propósito, já que você mencionou meu querido amigo Floriano Martins,
falou do cânone modernista e agora fala em Concretismo, o próprio
Floriano tece uma comparação apropriada entre esses movimentos. Não
estaria a Semana de 22 para o Estado Novo da mesma forma que o Concretismo
está para o Golpe de 64 e, mais especialmente, para o AI-5? Acho que
essas associações transcendem em muito o mero acaso. Não acho também
que a comparação seja mera metáfora ou tiro no escuro. Eis a teleologia
de volta aqui, nesse movimento, com força total e em seu ápice de
idiotismo e alienação. Haroldo de Campos, em uma entrevista antológica,
disse que a importância do Modernismo foi ter atualizado o Brasil com o
Futurismo italiano, já que o Manifesto Futurista, sendo da década de 10,
punha-nos em um “atraso irreparável” de quase uma década em relação
à Europa. Raciocínio brilhante, magnífico, inteligência rara! Então
para o Brasil se desenvolver temos que imitar um bando de italianos
fascistas idiotas, cuja contribuição para a arte do século XX foi
praticamente irrisória, consistindo na produção de meia-dúzia de
manifestos ridículos, e cuja obra se resume a uma enfiada de poemas
ruins? Se for assim prefiro evoluir me equiparando à arte bizantina do
ano mil, à arte parta de dois mil antes de Cristo, à arte do século
XVII, à poesia da dinastia Ming. Esse é um exemplo precioso da má-fé
desses senhores. Isso, claro, potencializado pelo fato de estarem há
cinco décadas repetindo o mesmo disco riscado, e distribuindo suas hóstias
e suas circuncisões de modernidade pela imprensa em um ritmo nauseante,
no que se pode ter a dimensão do estrago que esses grandes inovadores
promoveram no Brasil, não só na esfera da literatura, mas em um sentido
cultural mais amplo, já que, mais do que escritores, eu os considero, na
verdade, agitadores culturais. Agora, tudo isso é lido e referendado de
uma maneira totalmente escolar e imbecil. Fala-se da contribuição que o
Concretismo teve à literatura brasileira trazendo alguns excluídos para
o cânone. E por que não se fala do oceano que esse mesmo movimento
excluiu do cânone, ao transformar a história da literatura universal em
uma ilha cujo ponto cêntrico são seus próprios umbigos? O que é mais
assustador em tudo isso é o abismo que há entre a vindicação crítica
desses autores, e de seus seguidores, e a qualidade deprimente de suas
realizações poéticas empíricas. Essa é a parte mais séria. Porque
eles usam o discurso da crítica como autoridade para legitimar uma criação
que é, feitas algumas exceções, pobre, ruim, raquítica e destituída
de qualquer interesse que não seja arqueológico. Isso gera uma grave
distorção na cabeça dos leitores mais ingênuos, que sucumbem sob a
autoridade da teoria e têm sentido, mente e gosto obnubilados por ela, de
modo que não sabem mais avaliar o que estão vendo e julgar o que estão
lendo. Veja a obra poética de Décio Pignatari. A diferença entre ela e
um catálogo de agência publicitária é que ele a transformou em poesia
por meio do discurso autoritativo (dir-se-ia autoritário) e da deformação
descarada de Peirce, Saussure, Jakobson, MacLuhan, Hjelmslev, Derrida,
Pound, Mallarmé, e mais uma lista infinita de autoridades que desfilam
pelos olhos do leitor. Isso tem nome. Chama-se: cabotinismo. Ou: golpismo.
Em último caso, isso se manifesta da maneira mais cristalina possível
quando o autor vota em si mesmo como um dos maiores poetas brasileiros do
século XX. Isso é muito sério, porque cria um desequilíbrio entre a
especificidade empírica de uma obra e seu correlato teórico, que é
construído pelos próprios criadores da obra com a função de a
referendar sob quaisquer hipóteses contrárias e anular as possíveis críticas
a ela. A obra poética de Pignatari é um lixo. Qualquer pessoa que
entenda um pouco de arte e tenha um pouco de conhecimento da história da
poesia visual sabe disso. E, no entanto, as camadas de discurso crítico e
a teoria vêm sempre preencher esse vácuo simbólico e formal dos seus anúncios
visuais. Os publicitários, que são mais inteligentes do que Pignatari,
fazem de sua arte o seu ofício, e com ela ganham dinheiro e a executam em
sua funcionalidade. Pignatari, por motivos que desconhecemos, apoiado em
toneladas de teoria, transformou a sua publicidade em poesia, e assim
rompeu as barreiras entre essas práticas para poder satisfazer sua
vaidade canina. Eu me pergunto: o que esperar de uma poesia que só é
poesia porque está em um livro de poesia? O que esperar de uma arte que só
é arte porque está dentro de um museu? Por acaso você acha que se eu
despejar um caminhão de areia na esquina da minha casa e ficar a seu lado
fumando de piteira alguém vai me pedir um autógrafo? Quer coisa mais
acadêmica do que uma arte que depende do museu pra ser arte? Quer coisa
mais demagógica e hipócrita do que alguém que nega as instituições
mas mantém o seu status graças às instituições? São as contradições
insolúveis desses descaminhos modernos: uma arte que nasceu como crítica
ao espaço museológico hoje se apóia nele para manter seu status, a
despeito de seu sentido crítico inicial. Uma poesia que nasceu como crítica
do suporte poético e da literatura como instituição, hoje precisa
prestar genuflexões à crítica e lançar mão de toda sorte de
falcatruas teóricas para continuar sendo poesia, no que seu espírito
demagógico se revela em seu ápice. Não sei o que se ganha com isso, já
que os publicitários são pessoas mais felizes e não têm que pôr em
xeque o seu ofício o tempo todo para sobreviverem, ao passo que Pignatari
tem que estar o tempo todo sustentando algum tipo de adversidade para
fazer com que seus trocadilhos visuais deixem de ser propagandas dele próprio
e passem a ser poemas ideologicamente engajados. Outro exemplo. Veja a
produção poética recente de Augusto de Campos. É algo feito por e
endereçado a adolescentes. É vergonhoso ver um autor que se diz
poliglota e poeta, do alto dos seus mais de 70 anos, publicar o que ele
publica sob o glamour do ineditismo. No entanto, basta vir a lume, e já
se enfileiram uma série de semiólogos tentando explicar os jogos semânticos
entre os verbos fazer e querer,
como outros tantos já se debruçaram sobre o isomorfismo poético achado
pelo poeta entre as palavras viva
e vaia e sobre a grande descoberta que foi o poeta ter notado que a
palavra rever pode ser lida de
trás pra frente e vice-versa, sem perda do sentido. Isso para não
lembrar pérolas passadas. Preciso recordar aqui o poema de Augusto de
Campos em que ele nos fala de uma “noturna noite”? E o “inferno ofélio
do langue heliotropo”, de Haroldo de Campos? Nem Bilac seria tão ousado
para chamar o girassol pelo seu nome grego, heliotropo. O que é muito
triste é que o trabalho deles como tradutores é algo de altíssima
qualidade e importância. Nesse quesito creio que sejam uma unanimidade,
feitas apenas ressalvas pontuais a suas escolhas. Porém, seria preciso
ler as traduções à parte, destacadas do contexto em que nas oferecem, já
que sua crítica acaba deformando os autores traduzidos e usando-os
interessadamente para seus próprios fins, tornando-os precursores deles
próprios. Os padres do século XVII tentavam provar que a Santíssima
Trindade já estava na Trindade egípcia de Hermes Trimegisto, e que a
criança da Écloga II do poeta
pagão Virgílio é Jesus Cristo, transformando assim o cristianismo na
suprema finalidade dos homens na Terra. Os concretistas tentam provar que
o concretismo já está in nuce
em Píndaro, Leopardi, Dante, Bashô, Rilke e numa lista praticamente
infinita, querendo com isso ser, eles próprios, a consumação e o cume
da história universal da arte. A única diferença, no caso, é o uso ou
não de batinas. Trata-se, sim, de atitude nada ética, para não dizer
extremamente retrógrada. E o que lhes deu visibilidade foi sua atividade
crítica, que é das piores possíveis, e sua produção poética, que é,
em geral, de qualidade muito desigual, quando não francamente ruim, tendo
que ser sistematicamente confiscada e endossada pela teoria que eles próprios
criaram para se auto-explicar, e que hoje em dia seu séqüito de acólitos
desmiolados fazem o favor de repetir ad nauseam, para a tristeza da literatura. Essa é a vanguarda
brasileira, a nossa ponta-de-lança. Esses são os desbravadores dialéticos,
aqueles que nos põe em primeiro lugar no páreo da arte universal e que
nos atualizam com as tendências mundiais do melhor que acontece na arte e
na literatura. Ah, e vale dizer, aqueles que, com isso, estão tirando o
país da miséria. É algo da maior importância. Temos que respeitá-los.
WL – Impera ainda, a meu ver, a
polarização imbecil que divide os jovens poetas entre concretistas e
reacionários, “vanguarda” e a “retaguarda”. Por que é tão difícil
no Brasil ser poeta sem prestar genuflexão ao Concretismo? Você
vislumbra possibilidades de superação dessa situação?
WL – Apesar de sua admiração
confessa por poetas como Donizete Galvão, Contador Borges e Claudia
Roquette-Pinto, seus estudos têm se concentrado em autores canônicos.
Você poderia explicar o porquê. RP – Antes de ser um bom
escritor, até de ser um escritor, o que mais quero é ser um bom leitor.
Não há regras para um bom escritor. Mas há algo que eu acho que é
quase um imperativo para se ter uma idéia da potência que é a
literatura e para exercê-la com dignidade: os clássicos. Está tudo lá.
O futuro da literatura está nas camadas e camadas de sentido que podemos
mover e remover do passado, de modo que, alterando as peças do xadrez,
possamos criar uma arte totalmente diversa de si e ao mesmo tempo idêntica
à sua própria história que, por algum motivo divino ou por mero acaso,
ainda permanecia submersa em alguma zona de sombra. Não faço nenhum
elogio boboca da erudição, que pode ser um belo sedativo e desviar
nossos olhos do que realmente importa. Kant não sabia grego e teve um
conhecimento bastante precário da obra de Platão e da própria história
da filosofia, por exemplo. Não fosse ele ter tido contato com a obra de
David Hume talvez não tivesse sido o que foi e feito o que fez: uma das
maiores revoluções do pensamento. O que estou dizendo é que há,
sobretudo no Brasil, um elogio da espontaneidade e da informalidade que me
dá náuseas. Todos crêem piamente que o escritor escreve para retratar a
sociedade, para criticar seu tempo, para expressar suas angústias, para
produzir entretenimento, para se evadir, para vender e fazer dinheiro,
para produzir contracomunicação ou apenas para criar uma realidade
paralela à qual vivemos. Perde-se aqui um dado óbvio, que transcende a
sociologia, a psicologia, a economia, a publicidade e, no pior dos casos,
a patologia. Esquece-se que o escritor escreve em primeiro lugar porque lê.
Um autor vem de outro. Essa é praticamente uma lei, como a da gravidade.
Uma história da literatura que fosse pensada como a história de um contínuo
tecido de textos que se entrecruzam na obra de um autor, muitas vezes por
razões misteriosas, é algo que ainda não temos e que nos escapa. Não
falo de filologia. Falo de outra coisa. Falo da consciência profunda e da
identificação existencial, histórica e concreta que um escritor precisa
ter por uma obra do passado para que possa enfim retomá-la, revivê-la e
recriá-la, de modo que, a partir de sua atualização, consiga dar o
melhor veredicto possível de seu próprio tempo. Escritor espontâneo e
ingênuo é conversa para idiotas. Até porque essa mesma ingenuidade é
conquistada com muito suor e às vezes é até programática. Vide o belo
ensaio de Heidegger sobre Höderlin. Poeta ingênuo é poeta in-genus,
fora do genus, sendo genus plural de gens, que
é gente, ou seja, coletividade, sociedade, povo, mas também tradição e
origem. O poeta in-genus é
aquele que rompeu a aliança que o vinculava à coletividade à qual
pertencia e da qual se origina, que se mantém fora da comunidade, da
tribo e da tradição, pensada de forma orgânica e integrada. É aquele
que está fadado a criar sua própria tradição. Nesse sentido toda a
poesia moderna é ingênua, na medida em que não é mais a expressão de
um todo social harmônico e de suas partes, mas sim, pelo contrário, uma
ruptura sumária com essa mesma sociedade e com seus valores. O que há de
ingênuo nisso, na acepção superficial da palavra? Creio que nada. Por
isso, você pode me falar o grande, pequeno ou médio escritor que seja,
que mereça um monumento ou uma nota de rodapé na história do Espírito,
que eu lhe direi onde ele bebeu o que fez e onde leu o que criou. Gênios
inspirados aparecem um por século. Mesmo no caso deles há muita controvérsia.
Na adolescência Rimbaud chegou a ganhar concursos de poemas em latim. Um
amigo tempos atrás descobriu traduções em versos que Rimbaud fez de
Lucrécio, poeta dificílimo de traduzir. Voltando à sua pergunta: os clássicos
são meu alimento cotidiano. Não vivo sem eles, mas eles prescindem de
mim. Eles me inscrevem, mas eu não os possuo. Essa é a dose de liberdade
e desprendimento que mais me encanta. Isso não quer dizer que não
aprecie, leia e me corresponda com os poetas de hoje. Afinal, eu e você
estamos entre eles. WL – Já que falamos em autores
canônicos, o que você pensa a respeito da atividade do crítico Harold
Bloom? Apesar da sua quase ensandecida shakespearelatria,
qual a importância das teses de Bloom no contexto da crítica atual? RP – Acho muito saudável que
haja um Harold Bloom para nos livrar da lama em que vem chafurdando os
subprodutos das vertentes desconstrutivistas. Digo subprodutos porque a
teoria desconstrutiva tem muitos pontos interessantes. O próprio Bloom a
seguiu durante algum tempo, viu nela pontos de contato com a cabala, que
ele tanto aprecia, e foi bastante amigo de Paul de Man, um crítico leitor
de Derrida. Refiro-me a essa horda de sub-intelectuais feministas,
homossexuais, negros e a essas minorias que ficam usando a literatura como
cavalo de batalha político-ideológico. Eles são os que detestam Bloom,
pelos motivos, meios e razões erradas. Seu trabalho é importante na
medida em que dá uma espécie de eixo gravitacional da grande literatura.
Queiramos ou não, haja os problemas ideológicos, estéticos e políticos
que todo cânone tem, é impossível ler Cervantes e Dante sem ter os
ombros levemente curvados pelo peso da realização objetiva de suas
obras. E em último caso, o cânone é algo construído pela comunidade
dos leitores ao longo dos séculos, não uma dinastia mantida à força
por uma corriola de meia-dúzia de críticos espalhados pelo mundo. O
problema da obra de Bloom é que ele faz essa eleição sem polêmica. As
grandes obras e os grandes autores entram para a sua caravana triunfal de
modo tão asséptico que deixam de ser os grandes autores e as grandes
obras que de fato são para virarem modelos de profundidade e de sabedoria
em um mundo mergulhado na estupidez, na mercadolatria e na publicidade.
Assim ele acaba transformando grandes autores em grandes autoridades:
fornece ao mundo um espelho de sua grandiosidade perdida e clama a esse
mesmo mundo por redenção como Isaías clama a Deus no deserto. Nesse
sentido ele se revela bastante judeu. E esse é o lado complicado de críticos
como Bloom. Em uma sociedade toda regrada pelo consumo, obras como o Gênio
acabam tendo função profilática, e alimentando a lógica da qualidade
absoluta. Aliás, diga-se, lógica tão norte-americana, não? Se todos os
setores da sociedade a almejam, por que a literatura não a almejaria?
Costumo dizer que a obra de Bloom é uma fábrica de profundidade
espiritual com padrão Yale de qualidade. Ela é positiva na medida em que
é reguladora, em uma realidade atrofiada por politizações e perseguições
ideológicas das mais espúrias. Mas deixa muito a desejar se quisermos
ter uma visão profunda, vertical e crítica dos mesmos autores que ele
contempla. Afinal, esses mesmos autores nunca escreveram pensando em
entrar para a obra do professor Bloom. Pelo contrário, mantinham uma relação
litigiosa, agonística e polêmica entre eles próprios. Os exemplos
seriam muitos para arrolar aqui. Por fim, a idolatria a Shakespeare é
algo que se mostra apenas mais patente em Bloom, mas é uma doença do
mundo anglo-saxão. Dizer que Shakespeare inventou o humano é pressupor
que andássemos de clava em punho até Shakespeare? Essa doença existe
também em âmbito francês e na Itália. Quer discussão mais idiota do
que saber quem é maior poeta, se Dante ou Shakespeare? É algo que só
serve para mobilizar a paixão rasteira da platéia e exercitar um pouco o
nosso patriotismo, tão em baixa em um mundo que se quer global e mal
consegue dar conta de seus infinitos quintais.
RP – Alethéia é, ao pé da letra, aquilo
que permanece, já que se trata de tudo o que nega o Letes, rio do
esquecimento. Tudo o que não se subordina ao devir do tempo, que se fixa,
que é perene e se mantém é alethéia.
Essa palavra foi traduzida, portanto, durante muitos séculos, como sinônimo
de verdade. Aqui estão
implicados os transcendentais platônicos, já que o que é verdadeiro é
necessariamente bom e, sendo bom e verdadeiro, também é forçosamente
belo. De posse destas três qualidades, a única coisa que se pode esperar
é que tudo o que for bom, belo e verdadeiro seja também duradouro,
constante, mais perene que o bronze, no famoso verso de Horácio. Mas
desde que Martin Heidegger descobriu nos textos dos filósofos pré-socráticos
uma nova acepção para esta palavra o pensamento nunca mais foi o mesmo.
Porque para eles alethéia também
pode ser traduzida como: aquilo que aparece, que é desvelado, que se
mostra no logos, no discurso.
Ora, aqui a idéia mesma de verdade acaba se subordinando a um fenômeno
sensível e passa a assumir o valor de um epifenômeno aparente, que
aparece sob dada circunstância e sob determinado regime de significações,
já que só existe na ordem do discurso, é parte integrante de uma imanência
discursiva e só pode ser verdadeira enquanto tal. Assim também se retira
dela o lastro metafísico e essencialista que a animava, e que a ligava à
cadeia entitativa e à causa suprema, última e onipotente que é Deus.
Essa é uma das grandes transgressões do pensamento: a verdade é fenômeno
e construção do discurso, nunca nomenos e coisa em si, como já advertia
Kant. Essas indagações vêm desde o grande filósofo de Königsberg,
passam pelo romantismo, por Hegel, deságuam em Husserl e, depois, em
Heidegger, e destes dois últimos, penetram e alimentam toda a filosofia
do século XX e agora do século XXI. Excetuo Nietzsche e Schopenhauer,
ambos também herdeiros da tradição criticista kantiana, mas herdeiros
que a radicalizaram de uma tal forma que acabaram se tornando figuras excêntricas
dentro desse desenvolvimento da filosofia ocidental. Enquanto, por
exemplo, os filósofos debatiam o sujeito transcendental de Kant e o
trabalho do negativo de Hegel, Nietzsche vai dizer que o sujeito é uma
ficção e que a dialética é um artifício com o qual a consciência
escrava se vinga da consciência senhorial, perfazendo, nas suas palavras,
o ápice do ressentimento cristão e da moral de rebanho. A meu ver, o
desconstrucionismo é o ponto de exaustão dessa longa tradição. Seu mérito
é ter aprofundado e radicalizado a tese de que a verdade é um epifenômeno
lingüístico. É certo que já encontramos algo semelhante nos filósofos
céticos da Antiguidade, em Sexto Empírico e em Montaigne. Mas aqui o âmbito
e a gravidade dos problemas é de ordem bem diversa e de outra amplitude.
Acho que um pensador que soube levar esse questionamento a um ponto
brilhante e irreversível foi Gilles Deleuze, e sinto-me muito afinado com
a sua filosofia, principalmente com suas obras maduras, como Diferença
e Repetição e Lógica do
Sentido. Deleuze é um dos grandes filósofos do século XX. Muito difícil
falar em pensamento moderno sem passar por ele. Jacques Derrida tem textos
e idéias muito interessantes também. Mas no seu caso tudo que em
Heidegger e Husserl é investigação radical e mergulho nas origens,
sinto nele se reduz a uma onomástica universitária. Falta força
existencial a seus questionamentos. Tudo acaba se pulverizando em uma
desmontagem de conceitos, proposições, sentenças e enunciados, algo
mais digno de um escoliasta do que de um filósofo. De tempos para cá o
filósofo de minha devoção tem sido Martin Heidegger, o filósofo por
antonomásia, que tenho lido, relido, freqüentado e estudado. Para mim a
filosofia do século XX e XXI gravita em torno de três nomes: Henri
Bergson, Edmund Husserl e Martin Heidegger. Tudo gira em torno deles,
nasce deles, retorna a eles ou remete a suas obras. Mesmo os grandes
livros dos melhores pensadores que lhes são posteriores, como O
Ser e o Nada de Jean-Paul Sartre, guardam um débito enorme, dir-se-ia
essencial, para com essa trinca de ases. Eles são espécies de gênios
seminais, de eixos gravitacionais do pensamento moderno. E há um quarto
nome, que é inclassificável e que surge para desmantelar o sistema e
desorganizar a reflexão em suas raízes: Friedrich Nietzsche. O fato de
ter conhecido Nietzsche na adolescência foi algo decisivo para toda a
minha vida. Creio que seria muito diferente do que sou caso esse fato não
tivesse ocorrido. Não sei se melhor ou pior: diferente. É um dos autores
da minha vida. Para o qual eu estou sempre retornando sempre que penso que
estou no caminho certo, para assim poder felizmente me perder de novo. Ele
é um antídoto contra o veneno das convicções. Agora, quanto às aplicações
da teoria desconstrutivista à crítica e à história da literatura, já
é bem problemático, pelos motivos que enumerei na resposta anterior. Boa
parte dos autores que décadas atrás questionavam o cânone como algo
autoritário e centralizador hoje estão revendo suas premissas e estão
envolvidos em um outro horizonte de indagações, para mim muito mais
interessante. WL – Quais serão os focos de
interesse de O
Grão e o Cosmo, seu próximo livro de ensaios? RP – Ele será uma coletânea de ensaios e estudos. Concentra-se na literatura, mas se espraia um pouco pela filosofia também. Aliás, para mim, como já disse, esses compartimentos são ilusórios. Toda a atividade do espírito que tenha a palavra como suporte e fim é integrante das Letras. Procurei um enfoque mais temático nesse novo livro. Há um longo ensaio de abertura que tenta equacionar o binômio Poesia e História, vendo suas afinidades e exclusividades ao longo do tempo, bem como suas possíveis permutações. Há um ensaio sobre poesia e religião na Índia, abrangendo o interregno que vai dos hinos védicos a Buda. Há um sobre a criação poética de maneira geral e outro sobre crítica literária. Há um estudo sobre a poesia grega arcaica, um sobre as Memórias Póstumas de Brás Cubas e outro sobre alguns aspectos dos Sermões do padre António Vieira. O livro contempla um texto sobre Elias Canetti e uma análise do Poema Final de Camilo Pessanha. Fecha-se com um ensaio que aborda o pensamento de Vicente Ferreira da Silva. O seu horizonte, tanto temporal quanto geográfico e cultural está mais amplo que o do livro anterior, Transversal do Tempo. Isso é temeroso. Pode parecer megalômano. Mas não teria graça se não fosse. |
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Wanderson Lima (Brasil). Poeta e crítico. Autor de Escola de Ícaro - O Exercício Necessário da Queda e Morfologia da Noite. É um dos editores da revista Amálgama [www.revistaamalgama.hpg.ig.com.br]. Rodrigo Petronio é poeta e ensaísta. Autor de Transversal do Tempo (ensaios) e História Natural (poesia). Contato: pseudopetronio@directnet.com.br. Página ilustrada com obras do artista Carlos M. Luis (Cuba). |