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revista de cultura # 40 - fortaleza, são paulo - agosto de 2004 |
discos da agulha
Segundo CD do compositor Paulo Gusmão, produzido por
Roberto Sion, responsável também pelos bem trabalhados arranjos. Em suas
dezessete faixas, o compositor apresenta gêneros variados, passando da
bossa-nova à toada nordestina, ao choro, ao tango, à valsa-jazz,
revelando dentro dessa diversidade, uma unidade estilística bastante
pessoal. Na trilogia “Três Passagens Literárias”, por
exemplo, Paulo Gusmão nos mostra inspirados temas melódicos, aos quais
Roberto Sion imprimiu sofisticado tratamento camerístico. Merecem
especial destaque as faixas “Suíte Astoriana”, tango composto
em homenagem a Astor Piazzolla, e “Choro Novo” (esta em
parceria com Marcelo Zanettini). Garantindo a qualidade e o requinte na
interpretação de seu trabalho como compositor, Paulo Gusmão contou com
a participação de músicos de renome no cenário musical brasileiro:
Roberto Sion, Toninho Ferragutti, Léa Freire, Toninho Carrasqueira,
Marcelo Jaffé, Mariô Rebouças, Paulo Freire, Swami Jr, André Magalhães,
entre outros.
O novo CD de Mona Gadelha começa com uma marcha de
carnaval antiga, “Bloco da Solidão”, escrita pela dupla Evaldo
Gouveia/Jair Amorim, gravada por Maysa e Altemar Dutra, entre outros. A
faixa produzida, arranjada e executada pelo pianista carioca Fernando
Moura, com percussão de Marcos Suzano, ganhou sonoridade jazzística com
levadas de drum’n’bass. O disco prossegue marcado pela forte presença
dos recursos da música eletrônica -
samplers, loops, ruídos, efeitos, texturas que se mesclam com canção
brasileira, bossa, samba, jazz e rock (este sob a forma de balada, na
regravação de “A Última Guerra”, de Samuel Rosa, Lô Borges e
Rodrigo Leão). Além de resgatar um clássico de carnaval, ela também relê
um standard eternizado por Billie Holliday, “Love me or Leave me”, que
na versão em português de Fernando Cali Pereira ganhou o título de
“Suspense”, transformado num samba-canção d&b por Fernando
Moura. Para alcançar a sonoridade múltipla que almejava, a
cantora contou com a colaboração de cinco produtores: Alexandre
Fontanetti (com quem trabalhou em seu primeiro CD), Fernando Moura, Alvaro
Fernando (produtor de faixas do seu segundo disco), DJ Mau Sacht e Paulo
Bira, além do DJ e produtor italiano Roby J. C., que assina a faixa 13, o
remix “Saint-Denis-Ceará Panaphonic”. “Foi enriquecedor trabalhar
com vários produtores”, conta Mona. “De cada um ganhei sugestões,
parcerias e novas experiências”. As faixas produzidas pelo DJ e guitarrista Mau Sacht
(“Saint-Denis-Ceará”, “Na Estação” e “29 Beijos” - esta
resgatada do baú dos Novos Baianos Moraes Moreira e Galvão), com levadas
de house e percussão brasileira, devem ganhar as pistas.
Com o novo CD, Mona insere seu trabalho na MPB contemporânea,
valendo-se de variados ritmos e estilos, num álbum em que prevalecem as
personagens femininas com
suas fantasias, dramas, descobertas e aventuras. O trabalho é resultado
do seu apego à canção e de suas andanças pela Europa (foi ao Midem
duas vezes, apresentou-se na Alemanha, foi ao Womex, na Espanha). Em
Paris, reencontrou o compositor cearense Valdo Aderaldo, de quem gravou
“Saint-Denis-Ceará” (parceria com o gaúcho Celso Gutfreind), que
originou o primeiro videoclipe, um “diário eletrônico” da viagem à
França filmado por Maira Sales e editado pela VJ e diretora Fabiana Prado
(a mesma do primeiro clipe de Mona, “Cinema Noir”). “Tudo se Move”, título inspirado na obra do sociólogo
polonês Zygmunt Bauman, traz a participação de grandes músicos em suas
13 faixas, como os pianistas Fernando Moura, Lelo Nazário e JETHER
Garotti, os percussionistas Marcos Suzano e Alvaro Fernando ( produtor e
autor de duas faixas do CD, “Felicidade
pra Mim” e “Escuro”), os baixistas Caco Faria e Paulo Bira (produtor
e autor de “De Onde Você Vem?”, do repertório da Nomad, pioneira
banda paulistana de reggae), os guitarristas-violonistas Edu Gomes e
Alexandre Fontanetti (produtor e arranjador de “A Última Guerra” e
“Louca,Nua”). Como compositora, Mona assina parcerias com Moura (na
faixa-título e “Noturna”, uma balada lounge com sotaque francês),
Ricardo Cunha (na bossa pouco ortodoxa “Louca, Nua”) e Sergio Cruz (na
dançante “Na Estação”). Desde o lançamento do segundo CD (“Cenas &
Dramas”), Mona passou a ter o seu próprio selo, que também é
produtora cultural, a Brazilbizz Music. Seu primeiro disco, lançado pela
Movieplay emplacou algumas faixas em rádios brasileiras, como “Cinema
Noir”, “Cor de Sonho” e “Imagine Nós”. Com o convite para
participar de uma compilação na Espanha (“Músicas do Caribe e da América
Latina” - FNAC), Mona começou a atuar no mercado internacional,
apresentando-se na Alemanha (em Nuremberg, 2002, cantou para um público
de 1500 pessoas em praça pública).
No CD "Cenas & Dramas" Mona já mostrava o
amadurecimento do seu trabalho e incorporava recursos eletrônicos, como
na faixa “O Amante”, acid jazz com programação de bateria
produzida por André Magalhães. O disco é um lançamento do selo Brazilbizz Music, do qual
a cantora é sócia, com distribuição da Tratore. Traz participações
dos produtores e de músicos como Marcos Suzano, Lelo Nazário, Caco
Faria, JETHER Garotti e Alex Fornari, entre outros. O selo Brazilbizz lançou
o CD do DJ Mau Sacht (#1) e lançará Rogério Rochlitz (Carro de Boy),
Ricardo Cunha (Bossa New Soul) e Allan Grando, jovem pianista de música
erudita.
Humberto Araujo é um daqueles músicos brasileiros que
merece um CD solo há muito tempo. Saxofonista, flautista, arranjador,
compositor e figurinha fácil ao lado de grandes nomes da MPB como Chico
Buarque, Martinho da Vila, Cidade Negra, Jorge Benjor, Luís Melodia, Ivan
Lins, Elba Ramalho, Zeca Pagodinho, Alcione, Beth Carvalho, Paralamas do
Sucesso, Paulinho da Viola, Elza Soares, entre outros, ora em gravações
ora em shows no Brasil e no exterior. Em "CHORO CRIOLO", muito
mais que um passeio instrumental pelas obras de compositores tradicionais,
como Pixinguinha, Jacob do Bandolim e Bonfiglio de Oliveira, Humberto usa
todo seu talento e experiência para inovar na leitura de choros, valsas e
maxixes, introduzindo uma pitada rítmica bem brasileira, com o uso de
instrumentos de percussão como repique de mão, tantan, tamborim, cuíca,
entre outros. O resultado é um disco de sonoridade nova onde mesclam-se
swing com virtuosismo.
Sonhos Musicais buscando as
reais paralelas do disco em todos os âmbitos de vida possível.
Poderíamos falar em trova, chorinho, acalanto, música medieval,
renascentista, contemporânea. Sempre em forma de canção. O essencial,
porém, é dizer que são fortes manifestações vitais de sonho
vivido, de vida sonhada, em vias melódicas e poéticas
que originaram 13 canções: Primavera, Bem Lá Dentro, Madrugal,
Taurina, Procissão, Na Falta De Espaço Pr'um Jardim,
Luto, Tarde, Ciro Sol, Aura Lúnia, E
Viajei, Ingatiaia e Samba de Alvrakélia. As canções são
de Mário Montaut, com exceção de "Luto", de Vicente Thiné,
também co-autor de "Primavera". "Tarde" é uma
parceria de Mário Montaut e Cássio Gava, arranjador e produtor do
álbum que contou com a presença da cantoras Ana Lee, e de músicos
como Mário Carvalho (piano elétrico/violões), Roberto Gava (violão,
craviola, cavaquinho e samplers), Vicente Thiné (cavaquinho), Sérgio
Menardi (flautas, clarinetas e sax alto) e Décio Menardi (fagote),
dentre outros.
“O meu disco é uma reminiscência daquele som das rádios,
mais regional, em que existia o acordeão, o violão, o cavaquinho e a
percussão. Parece um pouco com certas coisas do Caçulinha, do Ciro
Monteiro, da Elisete Cardoso. É um disco feito para dançar, mas sem os
metais de uma gafieira. É mais delicado para os ouvidos, mais
intimista” – é assim que o maestro, músico e arranjador define o seu
mais novo trabalho. Para chegar a esse resultado, Paulo Moura juntou no
estúdio sinfônico da Rádio Mec os percussionistas Marcos Esguleba,
Marcos Zama e Laudir de Oliveira, o baterista Paulinho Balck, o
cavaquinista Márcio Almeida, o bandolinista Rodrigo Lessa, o acordeonista
Chico Chagas e o violinista Carlinhos Sete Cordas. Próprio a um disco dançante
o repertório montado pelo maestro é variado e inclui sambas, forrós,
choros e composições de matizes afro-latinos. O CD traz a marca de um
trabalho que o músico vem desenvolvendo já há alguns anos, com uma
sutil diferença: as músicas formam uma sequência bem planejada, com a
transição quase sempre feita através da percussão tornando o disco ótimo
de ouvir do início ao fim.
Este CD aposta numa sonoridade acústica e camerística,
investe em nova safra de compositores paulistas e busca sonoridade
diferenciada. Traz em seu repertório estilos variados, compositores que
vão da nova geração como Chico César, Lincoln Antonio e Walter Garcia,
passando por José Miguel Wisnik, Chico Buarque até Manuel Bandeira e
Jayme Ovalle com sua Modinha
– opus nº 5 (sendo a “modinha” o primeiro gênero de canção
popular a chegar ao Brasil, segundo J. R. Tinhorão), entre outros. O disco tem uma sonoridade extremamente sofisticada,
apoiada em poucos instrumentos, porém com combinações variadas e
surpreendentes, buscando as sutilezas e o relevo da palavra. Assim, traz formações pouco usuais como a que leva o
clarone na função de contrabaixo, como em “Virtual” (Wisnik/Alice
Ruiz), “Tô ligada, Tô legal” (Walter Garcia), ou como no duo de
contrabaixo e voz em “O que será – À flor da pele” (Chico
Buarque), destacando a letra da canção, ou ainda em “Deserto para Erik
Satie” (Lincoln/Walter), com piano, fagote, percussão e voz. O CD contou com a participação de Swami Jr. (violão 7
cordas), Célio Barros (baixo acústico), Ari Colares (derbak), Miguel
Briamonte (piano), Guilherme Kastrup (percussão, programação e
samplers), Bráulio Mendonça (violão nylon) e Ozias Stafuzza (violão
nylon), Cássia Maria (percussão), Itamar Vidal (clarone) e Ramoska
(fagote), Ana Isabel (viola), Marisa Silveira (cello), J. H. Penna (flauta
; arranjo de cordas e flauta), André Magalhães ( bateria e percussão) e
Oswaldinho do Acordeon.
A ousada experiência de um grupo de músicos que durante
anos pesquisou, copiou, sampleou e traduziu para a linguagem eletrônica
um repertório selecionado da fase mais marcadamente afro do grande
Pixinguinha. O resultado é surpreendente, pelo caráter atual da
linguagem, pelos arranjos arrojados e sobretudo pela manutenção de toda
a autenticidade da obra deste mestre da música brasileira. Participações
especiais de Teresa Cristina e Pedro Miranda. Um disco "dance"
com tradição e atitude. parceiro da agulha nesta seção |
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