revista de cultura # 41 - fortaleza, são paulo - outubro de 2004

discos da agulha

Ano Novo, de Rildo Hora e Maria Teresa Madeira1. Ano Novo, de Rildo Hora e Maria Teresa Madeira. Brasil. 2003. Rob Digital. Contato: contato@robdigital.com.br
Ano Novo junta os talentos do gaitista, arranjador e compositor Rildo Hora e da pianista Maria Teresa Madeira.Um duo que se anuncia forte logo na primeira faixa onde a escrita para piano de Rildo recebe refinada interpretação de Maria Teresa.A partir daí é puro prazer o passeio eclético que gaita e piano fazem por vários gêneros. Assim ouvimos "Chorinho para ele" de Hermeto Pascoal e "Cabuloso" de Jacob do Bandolim, sons nordestinos como "Algodão" de Luiz Gonzaga e “Pipoca no Fogo” do próprio Rildo,temas mais suaves,como “Modinha” de Rildo e Sérgio Cabral e “ Morro Velho” de Milton Nascimento além das parcerias de Rildo com Elton Medeiros e Martinho da Vila.O disco se encerra com uma alentada suíte em três movimentos composta por Rildo em homenagem a seus filhos e que faz jus a seu mestre maior que também dedicou-lhe uma suíte,o grande Guerra Peixe.Um CD que revela um duo entrosadíssimo formado por dois grandes intérpretes,e um finíssimo compositor da mais pura música brasileira.

Maria Teresa Madeira é formada em piano pela Escola de Música da UFRJ, mestre em música pela University of Iowa nos EUA,onde residiu por três anos, solista de várias orquestras nacionais e estrangeiras, Maria Teresa Madeira além de exímia pianista tem se destacado por sua dedicação à obra de alguns mestres do piano brasileiro.Primeiro foi Chiquinha Gonzaga , por conta de uma minissérie de TV. Recentemente lançou dois CDs com obras de Ernesto Nazareth comemorando os 140 anos do compositor , e realizou importante trabalho para organizar a obra de Carolina Cardoso de Menezes, graças a uma bolsa de pesquisa da RioArte. Ao longo de uma prolífica carreira já gravou 20 CDs , todos dedicados à música brasileira.

Rildo Hora, natural de Caruaru (PE), é reconhecido internacionalmente como um dos maiores gaitistas da atualidade, Rildo Hora estudou durante vinte anos Teoria , Harmonia , Contraponto e Orquestração com Guerra Peixe, que dedicou-lhe a suíte ¨Quatro Coisas¨.A diversidade de seu talento abrange a música popular e a música de concerto, não só como solista mas também como compositor, arranjador e produtor musical.Nesta área é detentor de inúmeros prêmios , inclusive o Grammy Latino de 2000, 2001 e 2002 pelo trabalho inovador que vem realizando com Zeca Pagodinho.Neste CD , Rildo apresenta em duo com Maria Teresa Madeira, o livro que escreveu para Realejo (gaita de boca para os nodestinos) e Piano.

Não basta juntar dois ótimos músicos para surgir um duo. O processo de entendimento é bem mais complexo do que simplesmente acertar umas notas nos instrumentos. Para que dois tocando seja um duo é necessário fluência, generosidade, afinidade e um toque a mais, que palavras não costumam explicar.“Ano Novo” anuncia logo em sua primeira faixa que Rildo Hora e Maria Teresa Madeira formam um duo de verdade, daqueles que toca “conversando”. Se examinarmos a trajetória artística de cada um podemos compreender o porquê de um encontro tão feliz.

Tendo começado na música de forma intuitiva, Rildo soube acumular conhecimento ao longo dos anos tornando-se além de um virtuose em seu instrumento, um arranjador de grande técnica e originalidade. As partes de piano que escreveu para este disco são uma amostra disso e suas composições também. O processo de aplicar o que aprendeu nos meandros teóricos num arranjo de partido alto, só para dar um exemplo, denota em Rildo uma grande capacidade de romper barreiras e derrubar preconceitos.

Já Maria Teresa fez a trajetória inversa. Pianista de sólida formação clássica, foi se chegando na música popular e hoje em dia atua num espectro que vai dos contenporâneos até Nazareth e Chiquinha Gonzaga. A questão é que a Maria está à vontade em todos as áreas, destacando-se sempre como camerista.

Uma audição atenta de “Ano Novo” me faz lembrar do que dizia o saudoso maestro Radamés Gnattali: música só tem de dois tipos, a boa e a ruim. Passando por sabores chorísticos, contemporâneos, nordestinos e modinheiros, Rildo Hora e Maria Teresa Madeira nos oferecem argumentação para nos orgulharmos de nossa diversidade musical.

[Texto de Henrique Cazes]

Avó, de Jorge Marciano2. Avó, de Jorge Marciano.  Zabumba Records. Brasil. 2004. Contato: estudiozabumba@uol.com.br.
O compositor, percussionista e pesquisador rítmico Jorge Marciano busca em suas referências ancestrais a linha mestra deste trabalho , e a elas agrega as principais influências de sua vivência musical.O resultado é uma fusão de estilos que incluem o jazz, a música indiana, a afro-cubana, e principalmente a diversidade da música afro-brasileira."Avó" conta com participações de importantes instrumentistas brasileiros, entre eles o baixista e produtor Aldo Landi e o saxofonista Mario Alphonso III, além do renomado baterista e percussionista Dinho Gonçalves.Em suas variadas canções, Jorge Marciano revive os timbres e ritmos africanos com técnica peculiar e o suingue da cultura brasileira. Um disco de canto e percussão de alto nível, cuja rica mescla de influências brota de raizes musicais profundas e autênticas.

"Este Cd é uma síntese das minhas idéias e principalmente de minhas influências. O trabalho é rico de participações e tenho muito orgulho de todas elas. Conto com a presença de nomes como José Eduardo Nazário, que além de ser meu ídolo, é muito respeitado na música instrumental brasileira; participou do grupo Hum, trabalhou com Egberto Gismonti e Hermeto Pascoal. Há também a participação de um dos maiores formadores de bateristas e percussionistas do nosso país, Mestre Dinho Gonçalves, do guitarrista, baixista e produtor Aldo Landi e do saxofonista Mário Alphonso III.

Procurei no Cd fazer uma fusão da música afro-brasileira, afro-cubana, música indiana e o jazz , além das coisas que ouço e estudo. A minha forma de compor é o canto, que herdei de minha avó, depois vem o ritmo e por último os acordes, onde conto com a participação de Valdir Roberto e Aldo Landi que foram de vital importância para o projeto". (Jorge Marciano)

Brazilian Landscapes, de Sérgio Brandão e Manga Rosa3. Brazilian Landscapes, de Sérgio Brandão e Manga Rosa. Rob Digital. Brasil. 2002. Contato: contato@robdigital.com.br.

Resultado de um trabalho desenvolvido pelo violonista, arranjador e compositor Sérgio Brandão, radicado em Boston, este Cd mescla com sutileza e impecável qualidade técnica uma variedade de timbres como os da flauta, flugelhorn e sax, com as células rítmicas de um Brasil marcadamente afro. Sérgio, cuja música figurou com destaque na trilha do filme Next Stop Wonderland, reuniu um grupo cosmopolita de músicos extraordinários que deu às suas composições um som original que passa tanto por xote baião e maracatu, como pelas batidas e harmonias do choro, samba e bossa nova, recebendo importantes elogios da crítica local e de artistas consagrados como Dory Caymmi.

Sérgio Brandão começou cedo na música, aos treze anos, como pianista, ganhando um prêmio do Ministério da Cultura. Estudou harmonia com o maestro Koellreuter - mestre de Tom Jobim - e integrou o premiado Coral Pro-Arte, regido pelo jovem e talentoso Jacques Morelembaum. Mais tarde cursou o Conservatório de New England em Boston, e circulou ecleticamente pelos mundos do rock, música clássica, ,jazz, fusion e finalmente MPB, para onde canalizou muitas destas influências.
O CD Brazilian Landscapes/Paisagens Brasileiras é o resultado de todas estas vivências, agrupadas no projeto Manga Rosa, que completa dez anos de estrada. Com sua banda multinacional formada por Fernando Brandão(flauta), Mattan Klein (flauta alto), Anat Cohen(clarineta e sax), Avishai Cohen (trompete), Alon Yavnai (piano), Fernando Huergo (baixo) e Steve Langoni (bateria), Sérgio apresenta-se freqüentemente no circuito dos clubes de Boston, onde ganhou o Best Music Poll 2000, o prêmio mais importante da cidade, na categoria de World Music.
A música de Sérgio Brandão, rotulada nos Estados Unidos de mistura de Folk e Jazz com ritmos brasileiros, tem recebido críticas elogiosas de importantes publicações como Guitar Magazine, Boston Herald, Jazz Times e Bossa.

O programador Ron De La Chiesa da estação de rádio WGBH-Boston declarou que a Manga Rosa "é uma das melhores bandas Latinas da atualidade". Já Catherine Salmons do Boston Phoenix diz que Paisagens Brasileiras está "além do apelo étnico;são melodias urbanas com um domínio impecável dos idiomas contemporâneos do jazz".

Cinema, de Rodrigo Leão4. Cinema, de Rodrigo Leão. Sony Music Entertaiment (Portugal). Lisboa. 2004. Contato: uguru@arcmusica.com.  
Um novo disco de Rodrigo Leão é sempre motivo de interesse. Depois de ter colocado a fasquia bem elevada com «Alma Mater» (2000) e confirmado a sua crescente popularidade com a edição do álbum ao vivo, «Pasión», «Cinema» constitui o capítulo seguinte da sua carreira. Um episódio que conta com a cumplicidade de gente como Ryuichi Sakamoto, Beth Gibbons, Sónia Tavares, Helena Novoguerra e Rosa Passos.

Foi na estrada que nasceu este disco. Porque foram nos concertos que os primeiros traços de «Cinema» foram construídos. Tudo começou com «Rosa», o segundo tema do disco, o qual se chamava «Cinema» nas digressões do ano passado. Foi esta canção, então inédita e dedicada à sua jovem filha, que originou o novo registo de originais do compositor português.

Fortemente imagético, «Cinema» não era de início um projecto de canções de bandas-sonoras que corriam na cabeça do ex-Madredeus. «A forma como tudo decorreu foi como um mero acaso. Nos concertos do ano passado começámos a projectar imagens pela primeira vez. Depois aconteceu incluir esse tema, «Cinema». Tinha na época uma versão distinta, cantada em italiano, numa vertente lírica. No final da tournée quis experimentar esse mesmo tema num outro formato. Com uma voz mais grave. Mais quente. Pensei logo numa cantora brasileira.» E daí se chegou a Rosa Passos, uma das vozes convidadas.

Rodrigo Leão não estranha que o cinema esteja tão presente na sua obra. De facto, muitos dos discos em que participou e criou podiam ter assumido essa designação de forma natural. «Quando iniciámos a digressão e lhe acrescentámos as imagens, inconscientemente isso podia expressar que havia uma vontade. Mas nada que indicasse que no prazo de um ano teria um disco nestes moldes. Fui compondo como sempre fiz. Sem grandes objectivos quanto aos conceitos do disco. Até que o mesmo foi tomando uma forma. As coisas foram tomando sentido. Foi guardando temas. Descartando uns. Rescrevendo outros.»

«Só no início de 2004 decidi que o disco teria como título «Cinema». A Sétima Arte constitui uma das grandes fontes de inspiração para eu fazer música. Mesmo nos Sétima Legião e nos Madredeus havia composições, principalmente instrumentais, que possuíam um lado cinematográfico. Uma ligação que se acentuou já na minha carreira a solo», afirma.

Fruto da sua paixão pelo cinema – área em que lamenta não poder trabalhar mais em termos musicais porque «em Portugal o mercado é muito pequeno» - foi baptizando os temas com os títulos de alguns filmes, actores e realizadores da sua preferência. «Mas nenhuma composição foi escrita a pensar num determinado filme», explica.

Trabalhador dedicado da meia-noite às cinco da manhã - «preciso do silêncio para compor», explica -, Rodrigo Leão confessa que nem sempre consegue escrever. «Não é uma coisa diária. Não se trata de um bloqueio de escritor, neste caso de um compositor. Trabalho todos os dias. Uma forma de disciplina. Mas por vezes as coisas não saem ou está-se a ensaiar ou a efectuar um concerto. Mas estou sempre obcecado com as canções que estou a criar. Penso sempre nelas. Mesmo quando não tenho os instrumentos comigo. Tenho uma envolvência muito grande com o que faço.»

Este disco viveu a particularidade de andar a ser rodado na estrada antes de começar a ser gravado. «Não aconteceu com todas as faixas, mas isso revelou-se como algo importante. Houve uma fase pré e durante a digressão. E uma outra posterior. Esses diferentes tempos de trabalho permitiram experimentar uma série de arranjos. Quando fui para o estúdio levava um esboço muito bem estruturado de um disco que acabou por ser o que menos tempo levei a concretizar. Por exemplo, o «Alma Mater» levou quase três anos a ser preparado.»

Mesmo que o latim tenha deixado progressivamente de ser o dialecto primordial dos discos de Rodrigo Leão, existe algo que se tem tornado uma marca dos seus trabalhos: a presença de vozes femininas fortes. «Só um dos temas foi composto de forma propositada para uma voz: «L´Inspecteur», interpretado pela Sónia Tavares (dos The Gift).»

«Só na fase de pré-produção, já contando com o apoio do Tiago Lopes e do Pedro Oliveira, começámos a pensar em quem melhor se encaixaria cada composição. A Rosa Passos surge por intermédio da insistência do Tó Cunha, que me emprestou os discos dela. A Sónia é alguém com quem gosto muito de trabalhar. As experiências no passado davam-me todas as garantias. E acabou por ser importante para este álbum em muitos níveis. Contar com a Beth Gibbons (Portishead) era um desejo antigo. Gosto muito do seu trabalho nos Portishead. Admiro-a imenso. Enviámos uma demo com alguns temas. E ela escolheu um, «A Estrada», que nem sequer era o que eu tinha inicialmente em mente para ela. Escreveu a letra para esse instrumental. Gravou uma maqueta em casa. Enviou-nos. Gostámos. E acabou por vir cá registar o tema – que assume a designação «Lonely Carousel» no alinhamento. Por seu lado, a Helena Novoguerra é uma cantora luso-belga, pouco conhecida entre nós, mas que possui uma voz extraordinária», diz, conquistado pelas suas vozes.

E Sakamoto? «Uma influência determinante na minha vida enquanto músico», admite. «Sempre o referi nas entrevistas que dei. Para mim foi uma honra ter trabalhado com ele. Foi muito acessível e interessado. Aceitou trabalhar no tema «Rosa», mas quando estive com ele em Nova Iorque levava também uma fita com as primeiras palavras do meu filho António e rapidamente ele criou o instrumental de piano, de improviso, que encerra o disco.»

            [Texto de Felipe Rodrigues da Silva, Diário Digital, Portugal]

Mundo Verde Esperança, de Hermeto Pascoal e Grupo5. Mundo Verde Esperança, de Hermeto Pascoal e Grupo. Selo Rádio Mec-BR. Brasil. 2002. Contato: contato@robdigital.com.br.  
O “bruxo” Hermeto Pascoal volta à cena com um novo trabalho, o CD Mundo verde esperança, que está sendo lançado pelo Selo Rádio Mec-BR. Depois de um longo intervalo de 12 anos , é o primeiro disco em que Hermeto aparece acompanhado pelo seu grupo musical, com o qual toca há vários anos, além de estar junto com a Itiberê Orquestra Família, comandada por Itiberê Zwarg (baixo) e formada por músicos jovens, com idades entre 17 e 25 anos.

Itiberê, André Marques (piano), Vinícius Dorin (sax, flauta e flautin), Marcio Bahia (bateria e percussão) e Fábio Pascoal (percussão) fazem todas as bases das 15 faixas do disco, todas inéditas e de autoria do próprio Hermeto, que presta uma homenagem musical a seus netos e bisnetos. Catorze faixas levam os nomes desses descendentes – Ailin, Airan, Aluxan, Caio, Camila, Celso, Ilzinha, Joyce, Renan, Taiane, Taynara, Uína e Úrsula. A exceção é a faixa Victor Assis Brasil, dedicada ao músico falecido em 1981, aos 36 anos.

Mundo verde esperança tem as características que marcam o genial trabalho de Hermeto Pascoal: ritmos contagiantes, improvisos com os mais diversos instrumentos e uma opção que mistura, nas devidas doses, a paixão por gêneros tradicionais do Brasil e a ousadia jovem e sempre à frente do tempo. A participação de Hermeto inclui do piano a berrante, passando pelo flugelhorn (um tipo de sopro), viola caipira, palmas e até gritos de “olé”.

Este também é o primeiro disco do músico com participação de um vocal feminino jovem e pouco conhecido, formado por Beth Dau (também na viola), Joana Flor (também no clarinete) e Mariana Bernardes, as três da Itiberê Orquestra Família. Os demais músicos da Orquestra que participam do álbum são Aline (flauta) Renata, Carol e Isadora (violinos), Carol (viola), Maria Clara e Pedro Mano (violoncelo), Mailo e Pedro Albuquerque (contrabaixos).

“É muito difícil definir o meu trabalho, porque costumo dizer que faço música universal; é um som que não tem rótulo”, diz Hermeto. “Eu tenho influência de coisas que, aparentemente, não podem ser chamadas de música. Tudo me inspira, as pessoas, a rua, as estradas, as viagens, o céu, os passarinhos, o mar. Nós somos o instrumento mais perfeito que existe, o corpo da gente, a nossa voz. A música para mim é isso. Este disco reúne todas as influências. Não existe uma música que mantenha um mesmo ritmo até o fim. E tenho a honra de ter a turma da orquestra do Itiberê tocando comigo, eu tocando com eles, nós tocando juntos. O nível destes músicos é excepcional. É a primeira vez em que tanta gente participa de um trabalho meu.”

Hermeto Paschoal é padrinho do Selo Rádio Mec, lançado no final de 1999, como fruto de uma parceria entre a emissora e alguns artistas que estavam fora dos elencos das grandes gravadoras.

Para o pessoal que assistirá aos shows de lançamento de Mundo verde esperança, o músico manda um aviso: “O público que me acompanha já sabe que o disco é completamente diferente do show. Nunca é igual, porque, no palco, gosto de dividir a criação também com o público, que se sente dentro daquele arranjo. No meu trabalho de palco, também existe teatro, interpretação. Quem vai o meu show quer novidade.”

Filactera, de Mário Delgado6. Filactera, de Mário Delgado. Xangrilá Studios. Portugal. 2002.  
Mário Delgado n
asceu em 1962. Iniciou os seus estudos musicais na Escola de Jazz do Hot Clube de Portugal, sob a orientação de José Eduardo e David Gausden, onde começou a participar em vários grupos formados por alunos da escola.

Mais tarde, na procura de outras formas musicais, dedicou-se ao estudo da guitarra clássica, estudando com José Peixoto e Piñero Nagy na Academia de Amadores de Música de Lisboa.
Paralelamente integrou vários projectos e grupos com David Gausden, Carlos Martins, Maria João,  Nana Sousa Dias, e foi convidado regularmente para tocar com músicos estrangeiros que se deslocavam ao nosso país.

Já participou em vários seminários e workshops, nomeadamente com: Atila Zoller, Bill Frisel, John Abercrombie, Barney Kessel, Kenny Burrel, Gary Burton, David Liebman, Jimmy Giuffre, Steve Lacy, Hans Benink, Derek Bailey, José Eduardo, Paul Motian, Red Mitchel, Joe Lovano e Hal Galper.

Tem trabalhado com vários nomes da música popular portuguesa como: Jorge Palma, Anamar, José Mário Branco, Mafalda Veiga, Janita Salomé, Lua Extravagante, entre outros.

Participou em 1989 no 2? Festival de Jazz na Cidade (Lisboa), e em 1990 na Bienal de Marselha dos jovens artistas mediterrânicos com o grupo Zê-de-Zastre.Em Maio de 1990 compôs e executou, juntamente com o músico José Peixoto e o fotógrafo José Fabião, um espectáculo multimédia encomendado pela Câmara Municipal de Almada, incluído na Semana da Juventude daquele Concelho.

Desde 1991 tem trabalhado regularmente com o seu Trio que se baseia no reportório clássico e contemporâneo de Jazz bem como nos seus próprios originais.

Em 1992 cria um novo Trio de música instrumental com o guitarrista José Peixoto e o percussionista José Salgueiro com o qual participou entre outros eventos no ciclo Música Improvisada no Terraço do Palácio Fronteira, no I Encontro Nacional de Guitarras no Palácio Galveias ambos em 1992 e no ciclo Concerto de Guitarras II produzido por Simbiosis e A indeterminação na Música do Renascimento ao séc..XX, incluído nas festas da Cidade de Lisboa ambos em 1993.

Com este grupo gravou o CD Taifa em Março 93.

Em Maio de 93 interpreta em espectáculos da Companhia de Dança de Almada a banda sonora do bailado ‘Vozes Caladas’ da coreógrafa Amélia Bentes com música de José Peixoto.

Em 94 gravou e fez os arranjos para o disco Raiano, de Janita Salomé.

Fez vários concertos com a Orquestra Som do Mundo e com o saxofonista Carlos Martins. Desde 1990 mantém ainda, uma actividade pedagógica ligada à Escola de Jazz do Hot Clube de Portugal e aos seus Cursos Itinerantes, onde tem a seu cargo as disciplinas de Guitarra, Harmonia e Classe de Combo.

Segundo o crítico espanhol José Francisco Tapiz, Filactera (2002) é um “interesante y original aproximación al mundo del cómic del guitarrista portugués Mario Delgado. En formación de quinteto (guitarra, saxo tenor, trombón, contrabajo y batería) recorren diferentes figuras del cómic aportando su toque personal a la interpretación musical de los diferentes personajes y sus circunstancias. Resulta notable la capacidad de todos los músicos, tanto para trabajar sobre los arreglos de los temas como en los solos: del desconocido –para mi- trombonista Claus Nymark, al batería Alexandre Frazao, pasando por un contrabajista de calidad contrastada como Carlos Barreto, un viejo conocido en tierras españolas como es el saxofonista Andrzej Olejniczac y el cabecilla de esta formación, el guitarrista Mario Delgado (de filiación Scofieldiana). El resultado de este conjunto es un puñado de buenas composiciones que recorren diferentes estilos –del country-blues inicial se pasa a unos retorcidos ritmos en la segunda canción -con un magnífico solo de Olejniczak, los recuerdos a Scofield en el homenaje a Tintín, la balada dedicada a Corto Maltese, el gato Fritz y sus rememoraciones funkies, la marcha niuorleansiana que acompaña a los Freak Brothers, los experimentos solitario-sonoros dedicados a la Mulher Armadilha por parte del guitarrista, la marcha dedicada a las momias locas (Carlos Barreto está magnífico al arco), los ritmos funkies del penúltimo tema y el final que es un reprise decadente del primer tema que cierra este interesante círculo. Un disco que bien mereciera un mayor reconocimiento –fácilmente alcanzable en un hipotético mundo- a nivel popular para el sello Clean Feed.”

Pescadores, de Sérgio Rossoni Grupo7. Pescadores, de Sérgio Rossoni Grupo. Zabumba Records. Contato: estudiozabumba@uol.com.br.  
Com o objetivo de explorar a música instrumental brasileira em suas mais variadas expressões, a partir de uma base do jazz e da música erudita, o Sergio Rossoni Grupo vem desenvolvendo, desde 1996, um trabalho de música de fusão consistente.

De um lado, ritmos de raiz, como o Maracatú, o Samba, a Bossa Nova, festas e folguedos brasileiros, como a Folia de Reis, a Congada, cantos religiosos; e de outro lado, a técnica e a influência do jazz e da musica erudita, somados às diversas experiências que cada integrante traz em sua bagagem musical, são os ingredientes utilizados para a construção do trabalho desenvolvido pelo grupo.

O pescador é o símbolo do homem que, com muita determinação e fé, busca seus ideais adentrando no imenso mar de idéias e maravilhas, sofrimentos e angústias, sonhos, desejos e realizações.

Com seu primeiro CD, o grupo concorreu à indicação ao Prêmio Sharp. Dando continuidade a sua pesquisa musical, explorando as mais diversas influências de cada integrante, mais uma vez o grupo deixa sua marca no cenário da música instrumental brasileira com seu novo CD "Pescadores".


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