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revista de cultura # 41 - fortaleza, são paulo - outubro de 2004 |
livros da agulha 1.
Alpharrabio 12 anos: uma história em curso,
org. Dalila
Teles Veras e Luzia Maninha. Alpharrabio Edições. São Paulo. 2004.
O
público encontrará, por exemplo, agora como textos, as palestras e
debates realizados durante o ano de 1999 sob o título "7 anos – 7
cidades – culturas", ciclo em que cada uma das sete cidades do
Grande ABC foi culturalmente investigada – e homenageada – em diversos
eventos e em mesas-redondas encabeçadas pelas mais expressivas de suas
vozes. Da mesma forma, o papel do livro eterniza conversas memoráveis com
figuras como o cineasta Aron Feldman, o pintor Luiz Sacilotto e tantos
outros. Seja
no registro rápido, seja naquele mais detalhado, cada página do livro
indicia que não é possível circunscrever a importância cultural dos
passos dados aparentemente entre as paredes do Alpharrabio – mérito não
somente dessa casa, mas da própria dinâmica com que a cultura se
desenvolve e alastra e estende suas raízes para as mais diversas margens.
O alcance dos fatos culturais registrados em Alpharrabio 12 anos: uma
história em curso vai muito além das janelas da antiga casa
cor-de-rosa da Rua Eduardo Monteiro (ou mesmo das amplas instalações de
hoje), e até muito além das fronteiras do ABC. O
livro registra data a data os eventos ocorridos no espaço cultural da
livraria Alpharrabio e, conseqüentemente, tudo aquilo que envolveu neste
período também a atuação editorial da casa. Enfim, trata-se de um
livro institucional? Se com isso se pretende afirmar que o livro se
restringe aos interesses da casa, a resposta é negativa. Mas, por outro
lado, será positiva se forem consideradas as dimensões peculiares a essa
"instituição" chamada Alpharrabio: uma instituição que
nasceu e permanece com as portas abertas, infiltrando-se e deixando-se
infiltrar pelas forças culturais mais diversas; um lugar de trânsito
entre idéias, em que se cruzam e enriquecem projetos e visões culturais
de vários lugares. E a história que salta deste livro é justamente a de
uma instituição cuja realidade se confunde com a cultura que a cerca e
com a vida das pessoas que fazem essa cultura. Contar
a história do Alpharrabio, portanto, é mais que reproduzir a agenda de
uma livraria que abriga eventos culturais e lança livros. As mais de 300
páginas de Alpharrabio 12 anos: uma história em curso dão um
importante testemunho (pelo ponto de vista privilegiado de seus agentes)
da efervescente vida cultural brasileira da "virada do século"
– não apenas para registrá-la, mas para instigá-la a seguir. O
livro foi organizado por duas pessoas que fazem parte do dia-a-dia do
Alpharrabio. A poeta Dalila Teles Veras é a idealizadora do misto de
livraria (sebo), espaço para eventos culturais e editora de autores do
Grande ABC (mas não só). Luzia Teles Veras, Maninha, além do trabalho
em todas as frentes defendidas pelo Alpharrabio, cuida dos elogiados
projetos gráficos das edições Alpharrabio, inclusive o deste novo
livro. 2.
Anacrusa, de Ricardo Daunt. Nankin Editorial. São Paulo.
2004.
Anacrusa
está dividido em quatro partes (“Os nomes e os modos”, “A levedura
dos corpos”, “A pelotinha de Isabel” e “O equinócio e a germinação
das plantas”) e 18 capítulos, numerados em seqüência. Tais capítulos
articulam-se entre si mediante a retomada de um para outro de suas
palavras ou imagens ou metáforas finais e iniciais. É o fecho forte de
um capítulo retomado em “tom fraco” no capítulo seguinte. É a
construção da anacrusa, termo
de origem musical, utilizado também na tradição poética. Assim,
o nome do romance não é o da heroína, mas parece que a própria forma
construtiva dele se faz heroína, e assim o nome enigmático, desde a
primeira palavra volta-se para a forma, o modo de narrar e construir.
Diversas são as experiências e os exercícios de narrar, de estilo, de
linguagem, de discursos. Antipsicológica por excelência, a narrativa é
construída com um mundo novo e original de imagens, que sucedem e
impregnam a leitura de um estranhamento quase metafísico. A devastação
das paisagens e dos seres sobressai como um efeito de visão de mundo e
produção de sentido. Ricardo
Daunt é um escritor experiente, com vasta obra ficcional (contos,
romances, poesia) e ensaística, consolidadas ambas no panorama das letras
brasileiras contemporâneas, capaz de perícia admirável no manejo da língua
literária, a constituir desafios sempre renovados para o leitor, que sairá
enriquecido de experiência artística e vital no contato com seus
trabalhos. [Valentim
Faccioli] 3.
Caos e razão: escritos de pedagogia e cultura, de Paulo
Archer. O Contador de Histórias. Tomar. 2004.
Observa
o autor, com razão, que de Agostinho da Silva o que ficou não foi o
burocrata, que criou universidades no Brasil, nem o infalível tecnólogo
ou mediólogo, mas o professor que criou humanidade, e que não sendo um
comunicador nato, foi aquele que orientou a procura e estimulou a
curiosidade de cada aluno ou discípulo. Que melhor exemplo para os
professores de hoje? Como
lembra o autor, Agostinho da Silva sempre centrou toda a sua atenção na
criança – não remetida prudentemente para o seu mundo, mas vivendo no
nosso mundo, presente e futuro. Também a esta luz, para o pensador, o
professor é um veículo da humanidade. “Certamente que a humanidade não
começa nem acaba nele, mas é o elo que desenvolve um esforço pelo
reconhecimento dos direitos humanos, como escreve (Agostinho) em plena II
Guerra Mundial, porque o professor, sobretudo o sábio, caminha em direção
ao paradigma da fraternidade, ou melhor, ele deverá exercer o verdadeiro munus
de um sacerdócio cívico”, diz Archer, repetindo palavras agostinianas,
sem deixar de lembrar que quem assim escrevia encontrava-se, no entanto,
em pleno deserto (e com as luzes fechadas). Mais
adiante, o autor recorda uma entrevista em que Agostinho da Silva diz que,
à época em que estava na revista Seara Nova, “com a gente mais
culta que havia em Portugal naquela altura”, ninguém lhe falou de um
certo Fernando Pessoa: “Nem o Sérgio, nem o Câmara Reis, nem o
Aquilino, ninguém falava dele. Aliás, quase não se sabia que ele
existia, não foi nunca chamado para nenhuma coisa nem metido num partido,
como é tão vulgar hoje fazerem”. Archer,
porém, travando um saudável diálogo póstumo com Agostinho, lembra que
não era bem assim, pois hoje conhecem-se referências a Pessoa de alguns
dos mais notáveis intelectuais portugueses da primeira metade do século.
“Cortesão e Pascoaes conheceram-no na Águia, e há tráfico
epistolar que o comprova”, lembra. O
ensaísta observa que um dos textos fundamentais que assinalam a irrupção
da nova sensibilidade face à poética e à figura pessoanas e que
anatemizava a posição daqueles que abjuraram Pessoa como poeta burguês,
“poeta de classe” ou “não-poeta” – sobretudo os neo-realistas,
defensores das teses da III Internacional e dos cânones estreitos do
realismo socialista – deve-se a um ainda jovem Eduardo Lourenço que nas
páginas de O Primeiro de Janeiro, do Porto, em novembro de 1952,
denunciou, com violência, “os representantes dessa crítica simplista e
grosseira” que “com notável poder de continuidade que os caracteriza,
começaram por achá-lo demasiado inteligente e acabaram por catalogá-lo
como poeta de classe”. Archer
diz que de Pessoa reclama Agostinho da Silva o pensamento paradoxal, a
exasperação do contraditório, a negação do hegemônico pensamento único,
o manifesto de uma sobrevivência cultural e rebelião individualista como
processo de conquista de um mundo cooperante e fraterno; “mas não a
consentida autocontemplação egotista, o deserto do tédio, ou a reversão
do paradigma camoniano que ganha e se transfigura, no Martinho da Arcada,
num descontentamento contente pelo desamor”. Em
outras palavras: para um lutador, como Agostinho da Silva, acostumado a
brigar por suas idéias, o poeta Pessoa seria o homem da mansarda, aquele
que, como seu heterônimo Bernardo Soares, contenta-se com o espetáculo
do mundo, sem nele intervir, ainda que seja possível na história de vida
do poeta extrair um ou outro episódio de intervenção política. Nem por
isso Agostinho da Silva deixou de ser um dos primeiros redescobridores de
Fernando Pessoa. Dez
anos se passaram desde a morte de Agostinho
da Silva, mas ele segue sendo um dos primeiros artífices da
cultura luso-brasileira, um sábio como poucos, ainda que não seja tão
reverenciado em Portugal e no Brasil como deveria, o que é uma injustiça.
Por isso, o livro do professor Archer, embora não seja inteiramente
dedicado à obra agostiniana, presta uma justa homenagem a uma imaginação
inquieta, livre e insubmissa, que tem feito muita falta nas duas margens
do Atlântico. [Adelto
Gonçalves] 4.
Cerrando
el Círculo,
de Dario Restrepo Soto. Editorial
Ojo Mágico. Medellín.
2004.
André
Breton, que por esos años admiraba los esqueletos revolucionarios y
danzantes de José Guadalupe Posada, llegaría a la conclusión de que México
era “la tierra elegida del humor negro” porque nada sabía de
Colombia, donde, se debe sacar a bailar a la vez la muerte y el diablo, si
se quiere sobrevivir a las circunstancias políticas del país.
“Colombia es el país del diablo”, nos dice Fernando González en su
adánico Viaje a Pie. “Pobre
país de medianías, desmoralizado, en el que son condominios el diablo,
el político farandulero y el animal social ratero” -corrobora por su
parte Jorge de Hoyos autor de El diablo al revés: una crónica libertina
y política, escrita en la década del 30, que todavía no perdona la
“cultura paisa” a la que desmitifica hasta un punto no igualado ni por
Gonzalo Arango ni por Fernando Vallejo. En
condiciones tan privilegiadas podía esperarse al menos que Colombia
tuviera en su acervo una veintena de humoristas negros, pero no posee sino
panfletarios, calamburistas, chistosos y bromistas inofensivos: falta en
ellos la suficiente distancia o apartamiento de los intereses económicos
y las pasiones políticas. No están poseídos por ese “sentimiento de
superioridad” frente a la vida cotidiana que, según Baudelaire,
constituye el origen verdaderamente demoníaco de la risa. Por ese motivo
adquiere relevancia y actualidad la presencia o reaparición en nuestro
medio literario de Darío Restrepo
Soto, un escritor de mi generación -la inmediatamente siguiente al
nadaísmo- y sus dos únicos libros publicados hasta el momento El
Enemigo en Casa (Medellín. 1997), y Cerrando el Círculo
(Medellín, 2004). Darío
es un ser humano insólito e irreprochable. Inmune a las tentaciones y
tribulaciones de la “carrera literaria”, lo que explica quizás que
haya publicado tan poco. Otra cosa sucede con su obra narrativa (su
especialidad es el relato corto) donde es capaz de contarnos impertérrito
las mayores atrocidades en la línea de un Jonathan Swift (“Una modesta
Proposición”), Edgar Poe (“Nunca apuestes a la cabeza al diablo”),
Ambroce Bierce (“El Club de los Parricidas”). Todavía recuerdo
regocijado nuestros paseos, en la década del setenta, por Junín, La
Playa, Juan del Corral, Bostón o las inmediaciones de Lovaina -cotos de
caza preferidos del diablo, como los llama De Hoyos- donde nuestra
conversación giraba invariablemente alrededor de la magia y el satanismo,
la novela gótica o fantástica, las religiones orientales, el esoterismo
y sus diversas escuelas o tendencias …todos esos temas que después ha
puesto de moda, adulterándolos y vulgarizándolos previamente, la llamada
Nueva Era. Esto -en resumen- para decir que Darío es un bricoler de lo
absurdo y maravilloso, un humorista fabuloso e imaginativo en cuya obra se
desvela -mejor que en el relato lineal o realista- la fatalidad de ser
colombiano y por extensión, la pesadilla de habitar el mundo contemporáneo. [Raúl
Henao] 5.
Desde
el umbral, poesía colombiana en transición.
Universidad Pedagógica y Técnológica de Colombia, Tunja. Corporación
Literaria "Si mañana Despierto". 2004.
Hemos
conocido épocas en las cuales el poeta es sometido a un innumerable juego
de avatares, sortilegios, humillaciones y trifulcas históricas. El siglo
XX es un tiempo, para la poesía, absolutamente miserable. Impone el dolor
y la angustia, el sufrimiento, el destierro y el exilio, las más crueles
derrotas y una desesperanza atroz. El absurdo baila como un perro que
desea morder su cola. Basta girar la cabeza hacia cualquier continente
para erizarse. El desastre moderno fue anunciado desde el siglo XIX con
dos versos irrevocables: “Para qué poetas en tiempos de miseria” y
“He aquí el tiempo de los asesinos”. Y el lúcido poeta
proclama:“Es necesario cambiar la vida y reinventar el amor”. Hace más
de una centuria fueron escritas estas sentencias y uno se pregunta: ¿qué
hemos logrado a comienzos del siglo XXI? Apenas confirmamos el horror y el
terror y lo otro parece una buena idea utópica. Hace rato que las
palabras están en situación. El orden racional imperante, desde los
griegos, ha pretendido sumergir en el fondo del olvido la sabiduría de la
sinrazón, donde reposan los más antiguos saberes que el imaginario
humano ha elaborado. El saqueo reciente en Irak es una apabullante
certeza. Bien lo explicó el palestino Said. Los
poetas del siglo XX herederos de la Tradición nombran el presente
corrompido, saben de las miserias del pasado y con ágil y soberbia
paciencia hacen posible que los saberes antiguos, renovados, tomen la
palabra. ¿Qué han aportado, entre otros, Pound, Eliot, Graves; Rubén
Darío, Neruda, Vallejo; Machado, J. Guillén, Alexaindre; Maiakovsky,
Essenin, Pasternak; Perce, Char, Bonnefoy, Jouve; Montale, Ungaretti,
Pavese; Kavafis, Seferis, Olitis; N.Sachs, I. Baschman, W. Szymborska;
Lezama, Borges, Diego, N.Guillén; Cardoza y Aragón, Cuadra, S. de la
Selva, Utrecho, Mejía Sanchez;; Molina, Orozco, Pizarnik; Ramos Sucre,
Carrera Andrade; Gorostiza, Paz, Montes de Oca, Mutis, Pessoa, Vinicio de
Moraes, Drumend de Andrade, Sabines, Bañuelos, E.Bartolomé, J. Teixidor,
J. Sarsanedas, Martí, I Po, F. Formosa, Gil de Biedna, Corredor Matheos,
Gimfferrer...? Ir a las esencias de la vida humana con su nutrida carga de
mitos, alucinaciones, lucidas visiones, perversiones, deseos,
trasgresiones. La realidad humana sigue siendo la misma, plena de miseria,
la implacable presencia de los asesinos es más decidida y perturbadora. En
Colombia en medio del actual caos sangriento, espeluznante, la flor de la
poesía ofrece un aire que refresca el paso de los días, no sin dolor. A
los más jóvenes los atrapa la nostalgia de lo que fue la vida del
abuelo, la presencia-ausencia de la casa, que habita como un vacío. El
desamparo campea como signo de la orfandad y más que dejarse atrapar en
sus muelles febriles ocurre el apego a la vida como única posibilidad poética.
Emerge la magia de lo cotidiano como un paisaje fluyente de encantos y
encuentros. El deseo latente y la pasión festiva, el amor y la
sensualidad brotan con ávida cortesía surreal y en cierto momento es
furor y pleno fervor por la carne. La orfandad construye su casa de vacíos.
Pero no falta el humor, la ironía, la ternura, la ofrenda al instante. No
olvidemos que los poetas colombianos han sido, casi sin excepción, otra
vez de Greiff, ávidos de trascendencia. Se escucha una voz que va de lo cósmico
a lo terrenal, de lo onírico a lo circunstancial. Lo íntimo asume el
cuerpo de lo real y éste aireado por su propia magia hace de la casa un
cosmos. Todos estamos presos como Himet. Guillermo
Martínez González templa su lira arraigado en tradiciones bien
asimiladas, logrando un diagrama metafórico muy fino. Este poeta posee
una exquisita lucidez que va desde las visiones del mito hasta las
entretelas del presente. Carlos Fajardo abre espacios desde la invisible
cotidianidad para poetizar dentro de la tradición moderna del
exteriorismo con belleza y sabiduría. Pablo Montoya hace del pasado un
presente provocador. Su lira nos permite viajar por antiguos y sabios
saberes clásicos, sin rendirse como plebeyo; cómo nos atosigaron varios
poetas con su engolfado grecolatinisno, cuyos nombres es inútil recordar.
Omar Ortiz ha sabido llegar a las más insólitas fronteras de la realidad
acompañado del humor, elemento infrecuente en nuestros poetas, excepto en
De Greiff y Vidales. Luz
Helena Cordero Villamizar poetiza desde una intimidad visionaria por las
sendas de la soledad, el
desamparo y la incertidumbre con una belleza tan ágil como surreal, sin
la melancolía fugaz, tocando sí lo etéreo, rebasando las fórmulas del
comienzo y el fin, huidiza y fundadora de espacios como la casa que habita
transfigurada en “un camino”. Y sabe del otro, de ese que sólo se
conoce en los abismos. La nostalgia y el dolor en Andrea Cote Botero se
hacen relato por la casa y el río y vierte una memoria que registra una
eficaz fortaleza ante la desolación que crea el desastre. Su poesía,
entre los antologados, es la que con mayor decisión penetra en la memoria
viva de la actual Colombia. Sin maniqueísmos, sin hacer de la escritura
pesadilla o verbalismo. En el verso de Nana Rodriguez Romero la palabra
toca fondos escasamente frecuentados, propios de la condición femenina, y
se escucha una mujer en plena altivez desmitificadora, en su escritura, al
partir de los antiguos y consagrados mitos judeocristianos hasta los
presentes. María Isola Salazar nos instala en la subversión desde el
deseo. Luis Felipe Robledo imprime al verso una luz reveladora de
tensiones y saberes agazapados en el inconsciente colectivo y hace posible
una voz insospechada y audaz que crece poderosa. Un
sabor simbolista y expresionista fluye en la antología desde la mejor
herencia. El surrealismo campea con sigilo y depurada voluntad. No podía
faltar el poeta iracundo, el decidor poético rabioso que desde el
erotismo logra que comulguen el dolor y el amor por la vida (Pineda Mozo).
Se observa en Desde el Umbral, como bien anota Jorge Eliécer Ordoñez Muñoz, en
el prólogo: “poemas-aluvión, de largo aliento, y textos breves, limítrofes
a veces con el hai-kú y la tanka orientales, la canción y el madrigal
hispánicos; poemas tan sutiles y oníricos como expresionistas; tan
conversacionales y cotidianos como herméticos y neo-barrocos; tan
sensibles a la cultura popular como al intimismo de la saga familiar, que
a fin de cuentas hace parte de la historia de nuestro país”. Los
poetas congregados son diversos y están integrados en las tendencias
vigentes, no se alejan, más bien enriquecen las corrientes activas que en
hispanoamérica suceden hoy en día. Van por las sendas de la cultura
popular, lo culterano, lo introspectivo, lo esperiencial hasta lo
subversivo surreal. Muy poco los anima el neobarroco. Son poetas de la
lengua castellana con referentes locales -colombianos- o de otras culturas
-Medio Oriente, Europa- que asumen esos saberes y los incorporan con
certera eficacia. El tono fresco, la ausencia de vacua retórica, en casi
todos, es algo que caracteriza la antología. Ni exuberancia verbal ni
desgajado nihilismo. Sin faltar el lirismo. Se escucha un verbo sin
escaramuzas, muy decantado. No podría ser de otra manera en un país que
viven sus poetas dolorosa y sabiamente el presente. Un
aspecto que identifica a la mayoría de los poetas de la antología es que
son también narradores y ensayistas y destacan, además, como editores y
promotores culturales. Identidad que habla bien de hombres y mujeres que
asumen la cultura como un oficio, como una voluntad de vida. Ahora, por
fin, los poetas toman y asumen la palabra como flor viva de la vida. La
poesía no es cuestión de simple saber libresco. En nuestro país se
escribe ahora para anunciar otra manera de ver, de sentir, de pensar, de
ser: de vivir. Allí está la obra de Luis Carlos López, de De Greiff,
Vidales, Arturo, Gaitán Duran, J. Zalamea, Mutis, Charry Lara, Fernando
Arbeláez, Rojas Erazo, Mario Rivero, Luque Muñoz, Quessep, Echeverría,
Gonzalo Arango, Jaramillo Escobar, J. Mario. José Manuel Arango, Harold
Alvarado Tenorio, Willian Ospina, Gómez Jattín, Samuel Jaramillo,
Santiago Mutis, Raúl Henao, Piedad Bonnet, Victor Gaviria, María
Mercedes Carranza, Juan Manuel Roca, Cobo Borda, Darío Jaramillo, Carlos
Bedoya (el olvidado), Jaime Aljure (el inédito por voluntad propia),
entre otros. Cualquier diatriba a estos poetas es una vulgar insensatez. Creo,
sin ninguna presunción, que la poesía de lengua castellana escrita por
colombianos hoy en día toca umbrales que merecen una amplia difusión en
hispanoamérica por su sabiduría y belleza. Vamos por buen camino: todos
los caminos conducen a la poesía. Sólo la poesía, la verdadera, la de
siempre nos salvará a todos de todo, ha dicho el poeta. [Ricardo
Cuéllar Valencia] 6.
Estudos
de Pele,
de Floriano Martins. Editora Lamparina. Rio de Janeiro. 2004.
Não
é também um volume de prosa tipicamente ficcional, ainda que aqui e ali
se encontrem elementos do gênero. Não
é só e propriamente um livro de poesia, mesmo que pleno dela. "O
poema, Floriano, terás que escrever um." Também
não é uma peça de teatro, mesmo que carregado de dramas, tragédias e
espetáculo. Nem
é livro religioso, ainda que presente a piedade (ao lado do terror) e
mesmo tendo um sentido nessa direção. Tem oração? Tem. Por exemplo:
"A morte esteja comigo, senhora dos versos". Se
não é isto ou aquilo, como classificar Estudos de Pele, então?
Pois que alguma coisa há de ser e é. Melhor
dizendo, Estudos de Pele não é tão-só uma ou outra coisa. Seu
texto contém versos que carregam poesia, versos típicos de prosa e até
despidos da poesia corrente, prosa que leva poesia, prosa que é prosa
mesmo, e por aí vai. Diz-se a certa altura, com razão, que "Não
estou bem certo se o domínio de uma linguagem afiança uma poética."
Reúne poemas e alguns não-poemas; jamais antipoemas. Ilude sempre.
Sinceramente, é muito difícil indicar-lhe o gênero. E isso está longe
de ser defeito porque é virtude. Diria – só para não omitir uma
classificação – que está embebido de poesia. Cabe a quem recebe as
confissões do texto "aprender a lidar com o imprevisto". Não
é um livro linear, com certeza absoluta. Instiga o tempo todo e vai
provocando o leitor. Não a qualquer leitor, posto que não há escritura
que alcance a façanha de envolver toda e qualquer pessoa alfabetizada. A
leitura de Estudos de Pele envolverá tipo especial de leitor, qual
seja, aquele que quer chegar ao fim do livro para recomeçar a lê-lo,
para chegar ao final com novas descobertas e constatar que outras leituras
se fazem necessárias, para, depois, perceber que entendeu menos com mais.
Não está fechado; cada página é uma porta abertíssima. Sua
estrutura é fugidia, porém encontra a forma adequada a cada passagem.
Com certeza, Floriano abusou e com isso fez grande bem à sua criatura.
"Toda a criação está feita de equívocos, exageros, precárias
aproximações da realidade, falsas suspeitas" diz uma das
personagens, logo no início do livro, cujo texto não esconde nada. Pelo
contrário: tudo é revelado, nenhuma senha é negada. O
livro volta-se a muitos assuntos: a criação, o nome ("Como não
tens um nome? Pois te arrumo um já."), as metáforas, os sonhos, os
enigmas, os significados, as confissões, o corpo ("Um corpo será
sempre inacabado."), as máscaras, a memória do sempre ("A memória
não faz outra coisa senão repetir-se."), a loucura ("Haverá
mesmo uma?") – tudo pelas vozes de personagens femininas,
plenamente femininas ("temos que aprender a ter mil vidas a um só
tempo"), que divagam, refletem, dissertam até, oram e perguntam. A
atmosfera – o palco – é de sombras, de fuga, rastros, ruínas e
abismos. O espaço é fugidio: "Onde estás nunca serás. (...) Não
estás senão no que negas." Estudos
de Pele resulta de "encomenda" ("Ainda não estimo de todo
o que me encomendaram, mas o fato é que não houve caridade alguma na
escritura deste livro."). Saiu melhor do que o pedido. Preciso reler
para saber menos. [Valdir
Rocha] 7.
Murmurios
y clamores,
de Enrique Fierro. Ediciones de la Banda Oriental. Uruguay. 2002.
El
libro reúne títulos conocidos, (desde La clave, el tono, 1978-1981
a La savia duda, 1980-1984), pero su disposición en el índice ya
me adelanta que, aunque anteriormente éditos, aquí toman un nuevo cuerpo
y marcan una nueva ruta por donde transitar la poética de Fierro. Una vez
más, también, la determinación de fechas para cada sección deja de
manifiesto la intencionalidad del datar, ya señalada anteriormente por el
poeta y ensayista Alfredo Fressia: “(...), no es con seguridad por un
mero afán documental sino por la conciencia de que cada libro constituye
una perspectiva nueva hacia la obra que el poeta construye sobre la
coherencia y la unidad” (Elogio de la duda, en Banda Hispánica). El
propio título del nuevo libro remite a su correspondencia con la obra
anterior: ‘murmurios y clamores’ de lo que ya fue dicho, pero forma
nueva del decir; ecos, resonancias y resignificaciones del discurso, una
forma de reescritura, tal vez otra mirada que da el autor a su poesía. En
este replay, nos remite a la misma reflexión -explícita a veces,
otras, encriptada- sobre su propia poesía y sobre el sentido de ésta en
la carnadura de la vida: “a todo esto: no hay poema / no hay nada /
fuera del poema: ómnibus que se desliza entre / (y hacia) nadie / y que
nos dice nada” (“Omnibus”). Y, una vez más, encuentra su
voz en una especie de melopea incantatoria que fascina en primer lugar al
propio autor, propiciando el lenguaje, de esa forma, como lo quisiera
Artaud, una ‘forma de encantamiento’. Es tal vez por ser la de Fierro
una rima blanca pero no anárquica, que encuentra muchas veces ese
ritornelo, no en la consonancia, sino en la medida de los versos y en su
armonía acentual. Pero ese canto está lleno de vórtices y agujeros
negros, y en ellos, comprimida en un fraseo, queda inmersa, a veces, toda
su poesía: “lo que parece según lo que aparece / lo que aparece
como aparente / lo aparente como real” (“Omnibus”). Esta
poesía que se busca, se interroga y se explica a sí misma puede provocar
inicialmente en el lector la sensación de apenas asistir al
desenvolvimiento de un canto que lo aleja, pero en el correr de las páginas
alcanza la revelación, ‘la clave’, ‘el tono’ que iluminan los
reductos herméticos de los versos, y logra ver de los poemas la luz que
los inspiró: “¿Y los muertos / que tienen / la palabra / perfecta /
en sus labios / y a los / vivos se / la dictaron?” (“Desde
Michoac”, 4). También
en Travestía (1978-1984), segunda sección del libro, la reiteración,
en el correr de seis poemas, de unos mismos versos, retomados en
diferentes niveles del discurso, hace girar una rueda oculta -que
inicialmente desconcierta- que posibilita una travesía espiritual, como
ruta, itinerario, derrotero (“Espacio, Tiempo, Regla Perpetua, / como
se llame, como la llames”), pero que también provoca cierto
travestimiento, tanto en el sentido de práctica intertextual, como en un
orden numénico: variaciones del sí mismo, paráfrasis del propio poeta,
una especie de ‘eterno retorno’ que lo explica y que termina acercando
a autor y lector a un compartido horror vacui. La
poesía de Fierro propone -en particular en los poemas de La clave, el
tono (1978-1981) (primera sección), ya desde su forma de elocución:
unas breves preguntas-, una experiencia de aporía: la de la verdad y la
muerte a través del lenguaje, como en el planteo derridiano: “recorrer
el campo de palabras / anterior a la escritura ¿no es / anterior a la
escritura?”; o, en Homenajes (“En Santa María:
fragmentos”): “¿Ningún / lenguaje / equivale / a / la
muerte?”. La aporía es aquí la frontera y la ley del lenguaje
contra las que embaten las palabras; pero la deconstrucción no amenaza la
significación sino que, por el contrario, la funda. “Tono propio /
en el principio / fue la imagen / hasta el tormento / de la duda”;
como en un nivel metalingüístico, parecería que Fierro reconociera que
tono propio, imagen y duda son elementos constantes en esta retórica de
las fronteras que, paradójicamente, permiten el paso del atolladero, “el
salto mortal”, el hallazgo de la transparencia. La
manipulación de los elementos significantes, tipos de letras, cesuras de
los espacios, signos (que omito en las citas que vengo haciendo y que es más
notoria en libros anteriores), guiaría a una lectura adicional, a través
del elemento ideográfico, de la iconicidad de la palabra. Y esa lectura
tendría que ver, seguramente, con una plasticidad, una visualidad ínsita
en la estética de Fierro, en una poética que persigue la percepción de
una realidad polisémica y multilateral (‘poliédrica’, como él habría
confesado): “fracciones de imágenes / estimulan y ocultan / un
discurso que gira / en torno a un paisaje”. Pero la
experimentación lingüística de la poesía de Enrique Fierro prescinde
-desde los inicios, en los sesentas- de los recursos a que apelaron otras
poéticas para explicarse a sí mismas su propio hermetismo. La
resignificación del lenguaje no resulta en él de los excesos de los
neobarrocos, sino de cierta economía, ni de los devaneos de los
alucinados surrealistas, sino más bien de un logos controlado;
pero tampoco del cálculo gráfico de los concretistas. Si su trabajo es
sobre el significante (“sólo hay / palabras para p(l)acer
palabras”), y en la labor, éste vela los referentes o los sentidos
u oculta los motivos (“hablar por hablar / no decir nada / hablar en
vano / escribir en vano”), y apenas da ‘la clave, el tono’ del
canto (“el arco que se tensa / la flecha que no llega”), ese
ejercicio podría acercarlo tal vez a la preocupación del vorticismo.
Pero el poeta no queda acotado a la mera elaboración formal del poema,
sino que termina implicado también
en lo semántico: “cómo
/ conservar las palabras / el poder de los nombres”. La
operación poética consiste aquí en la vivisección del lenguaje, el
troceo afinado del significante, para dejar a la vista apenas trazas del
paisaje íntimo del poeta, para dejar escuchar acaso algunas inflexiones
de su monólogo interior. Como si el discurso de Fierro fuera inicialmente
una enorme marejada que luego se replegara y dejara sólo pequeñas
piedras en la arena de la página, un dibujo sutil o un espeso plancton:
”de la escritura la presencia / que indeleble reflexiona / echa la
sombra de una idea / en el poema contemplado”. Pero no es fortuita
la elección de esas piedras o el plancton; sólo que, para dejarlos en la
página, desecha la intención meramente comunicante y la búsqueda de una
filosofía vacua extraviada en los meandros de los sentidos. Mientras,
la métrica implícita del eneasílabo y el decasílabo sigue trabajando
su ritornelo extático, su prosodia salmódica. “El
tropo de las hojas como palabras”
(“Omnibus”, La savia duda) explica aquel “árbol de
las sílabas” de Contra la distancia; también muestra la
correspondencia entre “los troncos y las ramas/ y las raíces y las
hojas/ en el paisaje del poema" (de La savia duda) y la “balada
inmortal entre texto/ y figuras, follaje, follaje!" (del “Colofón”
de Travestía) o los “ombúes: / campo del verso” (de “Otoñal,
algebraica” en Marcas y señales). El poeta establece, así,
su propia pragmática, una especie de superestructura que ordenaría la
vida y la poesía como sistema; de esa forma se explican los tropos que
enlazan constantemente naturaleza y poesía en su escritura, y se llega a
entender (por la polisemia ya señalada por Fressia) que ‘la savia’
‘dude’, y que en la duda estribe la sabiduría. En
este universo referencial propio, pleno de figuras de construcción (aun
para practicar la deconstrucción), oscilando entre un sociolecto culto,
la poesía como aporía y el verso como canto, la complejidad radica, tal
vez, en esa fragmentación de lo Uno, una fisión que multiplica los
sentidos y significados hasta su agotamiento; y así, como con el oscuro
mineral que esconde el diamante, con similar sacrificio, al curtir la
escritura, ésta termina mostrando su brillosa gema. La
quimera del poeta es explotar la consabida ambigüedad del signo y sortear
la lid entre emoción y razón. No hay pugna entre forma y contenido,
entre traza y voz: es siempre el lenguaje, con su negra pasión del decir
y de ordenar (y desordenar) lo dicho que hace y deshace la blancura de la
página, de la realidad y el sentido. Y eso hace de la escritura un arduo
trabajo. De
ser así, Fierro exhibe sin pudores las costuras de los poemas, su
dolorosa factura, la sed que provoca su reescritura y la marejada en que
abreva. Entonces
se vuelve transparente. Y
su poesía termina mostrando“el verso de la voz ausente del verso”:
la brillante piedra de lo innombrable. [Mariella
Nigro] 8.
O
silêncio do delator,
de José Nêumanne Pinto. Ed. A Girafa. São Paulo. 2004.
José
Nêumanne Pinto nasceu em 1951, em Uiraúna, Paraíba, é casado e tem três
filhos e um neto. Jornalista, escreve editoriais no Jornal
da Tarde e artigos para O Estado
de S. Paulo e apresenta comentários diários na Rádio
Jovem Pan e na rede de televisão SBT.
Escritor, tem, além deste, outros oito livros publicados: de poesia (As tábuas do sol, Barcelona,
Borborema e Solos do silêncio),
ficção (Veneno na veia),
reportagem (Atrás do palanque e A República na lama),
ensaios políticos (Reféns do
passado) e perfil biográfico (Erundina,
a mulher que veio com a chuva). Gravou poemas no CD As fugas do sol e organizou a antologia Os cem melhores poetas brasileiros do século. Segundo
o próprio romancista, O silêncio do delator é “a história que
sempre quis contar, e você me impediu, esta história tem vinte anos ou
mais de vinte anos, tem, oxalá, meio século, uma vida inteira, se é que
há vidas inteiras. Vidas não serão sempre parcelas? Não será a vida
humana apenas um capítulo do projeto maior. Que projeto? Quem saberá? Não
serei eu. Sou morto, mas não sou onisciente. Quem é que disse que os
mortos sabem tudo? Cabe-lhes saber apenas a parte que lhes toca, e agora,
que nada me toca, que ninguém toco também, me disponho a ir fundo, a
cavucar a ferida, a espantar o tédio, a épater
le bourgeois. Ai de ti, sepulcro caiado! Ai de ti,
Maria-vai-com-as-outras! Ai de ti, meu coraçãozinho dos outros! Tudo o
que estiver ao meu alcance será revelado neste velório.” 9.
Revelación
de un mundo,
de Clarice Lispector (traducción de Amalia Sato). Adriana Hidalgo
Editora. Buenos Aires. 2004.
Acaso
resulte inimaginable entre nosotros que los diarios brasileños ofrezcan
sus páginas, desde hace tiempo, a columnas periódicas firmadas por
grandes autores. A quienes se respeta profundamente en su libertad
creativa pero, al mismo tiempo, al colocarlos en un espacio de amplia
repercusión, en un medio ampliamente público, los obliga a ejercer esa
libertad dentro de un marco que a la vez les es propio, el de su misma
sociedad. De tal modo ejercido, con tanta solvencia y eficacia, que han
dado lugar a todo un género, el de la crónica, tan vivaz como exitoso.
La peculiar vitalidad de la cultura y de la vida brasileña demuestra así
un nuevo punto de toque: la exigencia y la originalidad de los creadores
encuentra su brillante contrapartida en la exigencia y la calidad de los
lectores. Dentro
de ese envidiable dominio, el de Clarice Lispector bien podría
representar quizás un caso límite. Y, a la vez, en gran medida
representativo. Porque si hay un escritor en Brasil que renuncie a lo
meramente descriptivo (“Nada explico. Me rehúso a explicar, me rehúso
a ser discursiva”), para intentar encarnar hondamente en un lenguaje
original la riqueza de su mundo interior, entrevista por medio de la
riqueza que percibe en el mundo (“Soy una persona muy ocupada: me hago
cargo del mundo”), muchas veces en la mismísima vida cotidiana, sin
duda es ella. Con
un lenguaje felizmente más cerca de la poesía que del periodismo (“Las
palabras me preceden y sobrepasan, me tientan y me modifican, y si no
tengo cuidado será demasiado tarde: las cosas se dirán sin que yo las
haya dicho”), espontáneamente enmarcadas además (“Escribo a la
medida de mi aliento”) en una rica tradición y en un rico imaginario,
personal y colectivo, pero a la vez ejercidas con el rigor y el alcance
que constituyen su marca, su estilo (“Y si intento hablar, sale un
rugido de tristeza”), no apenas literario, las crónicas de Clarice
Lispector se constituyen en parte viva de su obra y en testimonio latente
de la singular, entrañable personalidad artística y humana (“No soy de
dominio público”) de la autora de textos tan logrados como La manzana en la oscuridad, La pasión según GH o Lazos
de familia. Sin dejar de resultar, al mismo tiempo, indisolublemente,
también una flagrante evidencia de la envidiable vitalidad cultural del
país hermano. [Rodolfo Alonso] parceiros da agulha nesta seção
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