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revista de cultura # 41 - fortaleza, são paulo - outubro de 2004 |
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artista convidado: valdir rocha |
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Bronzes e linhas: exposição de esculturas e desenhos de Valdir Rocha Mirian de Carvalho
Escultor, desenhista, pintor e gravador, Valdir Rocha é
autodidata e dedica-se às artes plásticas desde 1967. Residente em São
Paulo, Valdir Rocha já realizou mostras individuais nessa cidade, e seu trabalho
tem sido objeto de análise em diversos livros, artigos e ensaios, bem
como tem sido tema de estudos e comunicações em eventos universitários
relacionados à área artística, no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Dentre esses enfoques, em 2003 seu trabalho foi tema de comunicação em
Seminário realizado na UFRJ
[1], e, no ano em curso, Valdir Rocha participou de
evento com outros artistas, no Rio de Janeiro, onde apresentou
esculturas e gravuras na Capela Ecumênica da UERJ, por ocasião do lançamento
do periódico Dialoghi – Rivista di Studi Italici, na qual se encontra o
ensaio O Mito de Jano na Escultura de Valdir Rocha: as duas faces do tempo
e das portas.
[2] Além das obras de Mirian de Carvalho e de Péricles Prade, lançadas
na abertura da presente mostra, destacam-se os seguintes livros sobre o
trabalho do artista: 1 Intimidades
Transvistas (Escrituras, São Paulo, 1996), com reprodução de 80 de
suas pinturas, ilustradas com poemas de 20 autores. Nesse volume,
inverte-se a ordem usual das edições em que desenhos ou pinturas
ilustram textos anteriormente escritos. Nele, os poemas partem de algo
sugerido pelas pinturas de Valdir Rocha, com elas se harmonizando; 2 Fui
Eu (Escrituras,
São Paulo, 1998), volume em que 41 destacados poetas brasileiros, sob a
coordenação de Eunice Arruda, escrevem poemas em torno de uma única
pintura, que lhes serve de ponto de partida; 3 Valdir Rocha - Xilogravuras
(São Paulo, Escrituras, 2001), com mais de 120 gravuras reproduzidas e
texto de apresentação de Nelly Novaes Coelho; 4 Cabeças
(São
Paulo, Arte Aplicada, 2002), com reproduções de pinturas e esculturas em
bronze e texto de apresentação de Péricles Prade; 5 Gravuras
em Metal (São Paulo, Artemeios, 2002), com 125 reproduções e
texto de apresentação de Carlos Soulié do Amaral.
Valdir Rocha tem divulgado sua arte,
principalmente, através da mídia impressa, utilizando imagens
associadas a textos poéticos e a estudos críticos, bem como
por meio das mídias eletrônicas, tais como vídeo, DVD e CD, dando
à sua produção artística possibilidades de leitura conceitual. Dentre
os vários teóricos que escreveram sobre seu trabalho e / ou deram
depoimentos gravados, destacam-se professores universitários e / ou críticos
de arte filiados às Associações Brasileira, Internacional,
e Paulista de Críticos de Arte.
Neste número da Revista Agulha, apresentamos imagens do trabalho
de Valdir Rocha – abrangendo várias técnicas – e o seguinte texto
referente à mostra de esculturas e desenhos, em exposição no Rio de
Janeiro: A produção artística de Valdir Rocha implica diversificação
de meios expressivos e utilização de materiais inusitados, apresentando
estrato estilístico de cunho expressionista-simbólico, pautado numa poética
do estranhamento. Nessa poética, definimos por estranhamento incursões
nos campos do motivo, da temática e da técnica,
deflagradas através da imaginação. Quanto ao motivo, o
estranhamento compreende mundivisão mítica e encantatória. Mas, trazido
ao cotidiano, o mundo mítico-mágico se diversifica em temas que
abrangem seres pertencentes a uma espécie. E, quanto à técnica,
o estranhamento se refere aos materiais inusitados e/ou transformados de
modo não usual.
No trabalho de VR, o estranhamento se inicia pelo motivo
apreendido como fragmento. Na quase totalidade dos trabalhos, o artista
esculpe, desenha, pinta e grava Cabeças. Arquétipo e centro de
sentidos do ser, as Cabeças integram uma plêiade de fisionomias
reveladoras de sentimentos, paixões e atos próprios dos humanos. A
partir dessa matriz simbólica, VR reúne um rebanho de seres diversos e
aparentados. Figuras míticas. Animais. Objetos. Vegetais. Fenômenos
da natureza. Seres Humanos. Na Escultura, seja ela em bronze, pedra ou argila,
VR capta o “ser” da Cabeça. Esse ser se pontua um e vários.
Revela-se na rugosidade das coisas antigas. Revela-se na indiferença da
eternidade. Dinamiza-se na velocidade da Cabeça em busca de algo
– ou de si mesma. Dinamiza-se na personificação dos animais, na
animização dos vegetais, e no íntimo das coisas inanimadas. E se
atualiza na longevidade das imagens totêmicas. Fazendo-se motivo originário,
a Cabeça adere a um corpo intuído, enquanto a matéria revela
metamorfoses e/ou se vê valorizada em aspectos sensoriais. Do ponto de
vista escultórico, o estranhamento se insurge também através da
“pintura” das peças, bem como por meio das pátinas.
Não se trata de efeito decorativo, nem de efeito de envelhecimento
artificial da matéria. Mas de recurso plástico-expressivo, dando
qualidades à fisionomia, e ao corpo – seja ele imaginário ou
substancial.
Como se faz usual na contemporaneidade, no trabalho de VR a separação entre as artes se revela tênue na entredoação de materiais – que adquirem novos sentidos e funções estéticas rastreando motivo e tema. Alheias ao mimetismo, as Cabeças explicitam o sentido da completude e do fragmentário, revelando o limiar das várias situações do homem diante da vida. NOTAS |
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Mirian de Carvalho (Brasil). Doutora em Filosofia, professora de Estética da UFRJ, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte. Autora de A escultura de Valdir Rocha (2004). Contato: mir3@infolink.com.br. Página ilustrada com obras do artista Valdir Rocha (Brasil). |