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capitu
(brasil) FM - Quando surgiu Capitu e em quais
circunstâncias editoriais?
A preocupação com lançamentos veio depois e
muitas pessoas vieram para agregar valor ao projeto. FM - Qual a razão de seu nome? EC – O Cakko desejava um nome que não fosse
ponto com. A febre do momento. Como se tratava de literatura pensou num
escritor representativo. Chegou a Machado de Assis e daí à sua personagem
mais enigmática: Capitu. Tinha que ser feminino, também. Ou seja, o Capitu
é o resultado de muitos ‘acasos’, se é que isto existe. As coisas
foram acontecendo espontaneamente, sem muito planejamento. Com relação ao
nome, cá pra nós, foi um achado de muita felicidade. FM - Como o sítio convive com outros projetos
similares em todo o país? EC – Acho que estamos na vanguarda de um novo
tempo para as letras em geral. Temos que trabalhar em conjunto e com
camaradagem. O Capitu busca o diálogo e o intercâmbio com todos os
projetos feitos com seriedade e qualidade. Temos colaboradores no Brasil
inteiro, e em nossas matérias não vemos problema nenhum em ilustrá-las
com links, fotos, textos de outros sítios. É como se expandíssemos
exponencialmente as possibilidades virtuais da informação e da ação.
Quer coisa mais bonita do que um texto sobre Cortázar, escrito por um
brasileiro, que te remete aos textos originais de Cortázar disponíveis em
sítios da língua pátria de Cortázar? É isto que o Capitu vem fazendo.
Uma resenha não precisa ser burocraticamente profissional. Pode ter sim
mais que 40 linhas. Pode ter imagens, desenhos, teses, intervenções poéticas
e informar. Por que não? FM - Qual a situação atual do sítio, em
termos de conquistas, dificuldades, novos planos etc.? EC – Estamos em um novo momento e partindo
para um grande desafio que é ter nossa própria livraria. Muitos sites
surgiram e a maioria saiu do ar ou vive no anonimato. O Capitu conseguiu
estabilidade num grande portal e chega a sua maturidade sem estar preso a
nenhuma corporação de mídia. Vamos ser (pelo que eu saiba) o primeiro
site de conteúdo que possue seu próprio comércio eletrônico. O que vai
nos dar solidez e total independência. Vamos reunir uma comunidade literária,
já formada e crítica, a possibilidade de convivência com grandes e
pequenas editoras e autores. O conteúdo sempre foi nosso diferencial e
continuará a sê-lo. A literatura é a flor da cultura e com ela podemos
sentir o aroma de várias manifestações estéticas. É isso que queremos.
Ampliar nossa apreensão do mundo e da vida através do olhar estético que
a literatura nos permite. FM – Capitu circula apenas em módulo virtual
ou há também uma versão impressa? EC –O Capitu é um projeto virtual. Queremos
mergulhar neste universo espectral que são os módulos virtuais e
expandi-lo ao limite de outras galáxias e civilizações. Mas, como sabemos
que o ser humano gosta do cheiro do papel e de exercitar o tato, estamos lançando
nossa revista literária, Mnemozine, que embora virtual, prevejo uma versão
impressa mais para frente. Devo dizer que a Revista Mnemozine, embora no
Capitu, tem voz própria e será capitaneada por mim e pelo poeta e editor,
Marcelo Tápia,com trabalho gráfico exuberante do Pipol. FM - Como funciona sua difusão? EC – O Capitu está hospedado no UOL, e isso
nos dá uma visibilidade que às vezes chega a assustar. Não temos patrocínio
nem pagamos nenhum tipo de marketing. O site corre no boca-a-boca, ou melhor
seria dizer, de micro-a-micro. Temos um mailing de umas 10 mil pessoas que são
leitores ativos do site. Além disso soubemos utilizar o BlogCapitu (agora
Blablablog, parodiando o título de uma matéria de Nelson de Oliveira) para
gerar debates, manifestações, divulgações e alimentar uma comunidade
literária que se espalha pela América do Sul. Nosso sonho é chegarmos a
dialogar em todos os níveis com nossos hermanos da América, assim como,
com toda a comunidade de língua portuguesa no mundo. Ambicioso, mas possível.
Está dentro dos limites que a ferramenta nos oferece. Temos que usá-la.
FM - Como vês as possibilidades da Internet
como ferramenta aplicada à cultura? EC – As possibilidades, por enquanto, são infinitas. É uma ferramenta revolucionária que deve ser usada com criatividade, ousadia e critérios. Não há limites de páginas. Não precisa se esperar pela vontade da editora. Não precisa pedir autorização da academia. Todos os limites podem ser rompidos e milhares de pessoas podem acessar o que se veicula no tempo de um piscar de olhos. O único alicerce seguro para que a casa não caia em nossas cabeças é a diversidade de opiniões e conceitos, aliado a um critério de qualidade e profundidade. Se nivelar por baixo, a meu ver, não dura. Pode até explodir em louros e aplausos públicos, mas não dura. Sem consistência do início ao fim não há permanência.
Editor: Edson Cruz E-mail: sonartes@uol.com.br |
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