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cult (brasil) CW - CULT foi lançada quando,
mesmo? Em 1995? Ou foi 97? Seja como for, logo completará dez anos. Tenho a
impressão de que passará a ser, se é que já não é, o mais longevo dos
periódicos literários nacionais em circulação, descontados aqueles, como
o Suplemento de Minas, Poesia
Sempre da BN ou Correio das Artes,
da Paraíba, que são subvencionados pelos respectivos governos. Isso sugere
algum tipo de comentário, reflexão ou observação? (sobre duração da
CULT ou pouca duração de outros periódicos).
CW - A propósito, literário,
mesmo? Ao longo de sua existência, CULT sempre me pareceu oscilar entre uma
revista cultural geral, cobrindo também música, artes visuais e cinema, e
uma revista especificamente literária e de idéias, de filosofia. O que é
CULT, no plano do conteúdo? MR - Bem, estamos aqui face a uma
questão que assombra um pouco a CULT e alguns de seus leitores. Antes, um
esclarecimento pessoal: como estive afastado do Brasil entre 1998 e 2002 (não
estive no país nem mesmo para férias ou algo desse tipo; foi um momento de
ausência total), período no qual morava em Paris, não pude acompanhar de
perto a história da revista. Recebia alguns exemplares, como de outras
publicações, de amigos que procuravam me apresentar um pouco do que se
passava aqui. Assim, se houve instantes de crise de identidade da CULT, pude
observá-los não apenas de uma distância oceânica. Eu me encontrava também
em uma posição específica: lia (leio) muitas publicações européias e
norte-americanas que - com aproximações e afastamentos - estavam tentando
impor projetos semelhantes aos da CULT. Em seus primeiros anos, a CULT se assumia como uma revista de
literatura, e acredito que o criador do título, o jornalista e crítico
Manuel da Costa Pinto, tivesse a intenção de fazer da CULT um espaço não
apenas para o comentário jornalístico de livros e autores, mas, sobretudo,
um lugar no qual a crítica literária brasileira –e suas tendências-
pudessem ultrapassar seu território; isto é, o da academia, o circuito
universitário. Se houve a passagem editorial de “revista de literatura”
para “revista de cultura” (e esses conceitos me parecem estar sempre
sendo entendidos como se estivessem em um jogo de opostos; há a recusa da
idéia de ser possível haver aproximação entre esses dois campos; um
engano, me parece), algumas das razões estão na resposta abaixo. CW - Coisa de três anos atrás,
CULT mudou de proprietário. O que mudou então, em conseqüência? (em nível
propriamente editorial, é claro). MR - A CULT, a partir do número
57, deixou de ser editada pela Lemos Editorial (que controlava o título
desde sua fundação) e passou para as mãos da editora Bregantini, que
iniciava seu projeto de se tornar uma editora competitiva no cenário
nacional. A mesma equipe editorial foi mantida, mas a revista passou então
a se assumir como um título voltado para a “cultura em geral”, ainda
que eu não esteja muito certo do que essa expressão possa querer dizer
hoje… Mas acho ser necessário fazer
algumas distinções aqui. De início, estabelecer uma diferença entre produção
cultural e produto cultural. Publicações culturais (revistas, suplementos
culturais) mantém um necessário (inevitável talvez seja a melhor palavra)
diálogo com o mercado de cultura. Essa relação não se dá de maneira pacífica,
ou ao menos não deveria acontecer assim. O fato é que publicações
culturais podem terminar se submetendo ao produto cultural, acreditando não
haver mais diferença entre o produto e o fato cultural. Eles podem ser o
mesmo, mas não necessariamente. A tarefa de uma publicação cultural seria
a de apontar para o leitor essas diferenças. Seria. Estamos no reino do
condicional aqui. Essa tarefa editorial talvez seja o muro diante da
imprensa cultural (as revistas universitárias são uma outra questão)
hoje, e em nações periféricas como o Brasil isso se torna extremamente
relevante. O analfabetismo funcional cresce no país. Há décadas. Não está
diminuindo. Em sociedades que passaram por eficazes programas de educação
de massa isso é um problema. O que dizer de nós, brasileiros, que nunca
tivemos uma razoável educação para a população? Isso significa que a imprensa
(que é uma atividade econômica privada, que visa o lucro) tem também um
papel educacional. Ela deveria, ao menos em teoria, apresentar os fatos e
contextualizá-los. Hoje, onde alguém pode saber quem foi (um exemplo) Pier
Paolo Pasolini? Nos livros? Na universidade? E se essa pessoa não sabe
quais livros ler nem em qual curso universitário encontrar o que procura?
Ela poderia ser apresentada ao cinema (e aos poemas e artigos) de Pasolini
pela imprensa. Mas essa imprensa depende de “um grande lançamento” (um
bom produto cultural) para falar de Pasolini. E, quando esse acontecimento
surge, prefere não dar muito espaço a Pasolini porque “as pessoas não
sabem quem ele é”. Parece estarmos diante de um ciclo vicioso, não? Quando cheguei à CULT, em
setembro de 2003, após o desligamento da antiga equipe de editores do título,
fui convidado pela publisher da revista, Daysi Bregantini, para elaborar um projeto
editorial que pudesse enfrentar essa desconfortável posição da revista, a
fim de que ela pudesse ser um título de cultura, e não apenas de produtos
da indústria cultural. A CULT deveria ser um título mais lido e comentado,
indo além de seu público inicial, o da faculdade de Letras, sem, claro,
perder esse leitor. Ela teria que ser menos conservadora, mais ousada e, ao
mesmo tempo, agregar leitores e não perder nenhum dos já acostumados com o
título. Na verdade, não estamos no mais fácil dos mundos… Esse projeto
é o que a editora vem procurando implantar desde o número 74. O primeiro número
que pude editar. Hoje, ela passa por um momento de crescimento, tanto em
relação ao número de leitores quanto de faturamento publicitário. A CULT
é um título que, segundo dados de sua distribuidora, a Fernando Chinaglia,
vende em banca cerca de 20% acima da média do que o mercado de revistas no
Brasil consegue. Estamos então diante de uma questão resolvida? Não,
certamente. Como todos os editores sabem, a relação com o leitor é sempre
delicada, e a revista deve sempre procurar ser melhor a cada número. Ou o
leitor se afastará do título. Mas parece que o leitor se sente confortável
diante de um título que acredita ser cultura não apenas o livro, o CD ou o
filme, mas o debate, questões políticas, a filosofia e o engajamento
intelectual em torno do livro, do CD e do filme. Não o partidarismo, que é
outra coisa, mas o pleno engajamento intelectual. CW - Fale-nos de você. De onde
você surgiu? O que fazia antes? Como aportou à CULT? MR - Minha trajetória é muito
breve, na verdade. Tenho 36 anos, estudei Comunicação Social na PUC-SP e
Filosofia na USP (que abandonei pouco antes de minha graduação) ao mesmo
tempo. Depois, trabalhei como repórter e editor-assistente nos cadernos Ilustrada
e Mais!, do jornal Folha de S. Paulo (1993-1998); após essa
fase, recebi um convite do diário Gazeta Mercantil para ocupar o
posto de correspondente em Paris (1998-2001). Permaneci nesse cargo até
2001 (me desliguei do jornal alguns meses antes de sua grande crise), mas
permaneci na França terminando alguns cursos que tinha iniciado e, antes de
meu retorno ao Brasil, passei ainda uma curta temporada em Roma. Quando voltei ao país, em 2002,
recebi um convite para retornar à Folha de S. Paulo. Essa segunda
fase durou apenas 5 meses. Após meu desligamento do jornal, passei a
trabalhar em um projeto de livro sobre um certo momento da arte em São
Paulo, um livro no qual trabalho ainda, e nesse período recebi o convite
para editar a CULT. CW - Como é o público leitor de
CULT? Quantos são os leitores de CULT? Qual é seu perfil? MR - O leitor é basicamente
jovem, com passagem pela universidade ou ainda passando por ela, seja na
graduação ou na pós-graduação. Logo, classes A e B. Me parece ser um
leitor curioso, disposto a ser apresentado a algo que não estava em seu domínio
e que talvez nem desconfiasse ser de seu interesse. Isso porque mesmo um
leitor “educado” não conhece muito além de seu campo de saber.
Infelizmente. Os que conhecem muito a obra de Adorno talvez não se sintam
muito confortáveis diante de um texto e de uma obra do norte-americano
Donald Judd, apesar dos pontos de contato entre os dois. Logo, a tarefa da
revista seria apresentar Judd aos adornianos, e Adorno para os seguidores de
Judd. CW - O que você gostou mais de
publicar na CULT? MR - Muitas coisas, na verdade.
Falando especificamente sobre temas, meu primeiro número na direção da
revista, no qual procurava apresentar o leitor a uma nova e interessante
geração de autores hispânicos, como Ignácio Padilla, Bolaño,
Vila-Matas. Um dossier sobre SP (que contou com sua ótima colaboração),
que procurava mostrar um pouco da história da cidade por meio de seus
movimentos culturais em diferentes décadas, e o desejo de vanguarda que
existiu no cotidiano da metrópole; um número especial sobre os 20 anos da
morte do filósofo Michel Foucault, um típico caso de nome “que ninguém
conhece”, segundo o círculo vicioso da imprensa cultural, e que terminou
sendo uma das maiores vendagens da história da revista. Por fim, neste
semestre, o número sobre os “O que pensam os Estados Unidos”, talvez o
que eu mais tenha gostado de realizar até aqui. E, claro, não se trata de
realizações pessoais. O resultado é uma soma de colaborações diretas,
indiretas, pequenas sugestões, grandes ações e uma boa dose de acaso.
Acho que o mais importante, nas publicações culturalmente relevantes, é
que elas criem forma e identidade que possam seguir vivas, apesar dos nomes
de seus editores. Os leitores, enfim, se aproximam do título, e não
daqueles que o editam. A CULT foi criada pela força, coragem e ousadia de
Manuel da Costa Pinto, hoje eu a edito e espero que após minha passagem ela
continue sendo, enfim, a revista CULT reconhecida e respeitada por seus
leitores, que têm, sempre, a palavra final. CW - E o leitor, do que ele gosta
mais? Polêmica, intelectuais pulando na garganta um do outro, informação
geral, aprofundamento temático? Cultura pop ou universitária? É possível
captar indícios de preferências, pela vendagem e por comentários? MR - Essa pergunta, me faço
todos os meses. Se fizermos uma análise dos números mais vendidos neste
ano (isto é, que ultrapassaram a média de vendagem da revista), teríamos,
pela ordem, as seguintes capas: “Foucault”, “Dostoievski” e
“Literatura de Combate”. Bem, o leitor gosta de filosofia francesa?
Autores russos? Tendências da cultura? Ou gosta dos três? São os mesmos
leitores? Como você pode perceber, não há
uma resposta simples. Talvez, essas mesmas capas, se lançadas em 2005, não
teriam a mesma resposta dos leitores. Mas, ainda em meio a tantas intuições,
acho que podemos extrair algumas sólidas certezas sobre esse leitor: ele se
interessa por pessoas e temas que o ajudem a entender o mundo hoje, e isso,
algumas vezes, significa ter na revista assuntos, reportagens e entrevistas
que poderiam ser chamadas de polêmicas. Acredito que esse mesmo leitor
deseja ver na CULT algo que ele não encontra em outras publicações; isto
é, ele rejeitaria “os grande nomes” que podem ser encontrados tanto em
revistas de informação quanto em títulos de celebridades. Quanto à cultura pop ou
universitária, bom, essas diferenças são um tema de rigueur
entre os litterati brasileiros, e
parece existir muita confusão nessas qualificações. Hoje, no cenário da
música eletrônica (e estamos falando aqui, sim, da chamada “Cultura
DJ”), os conceitos do filósofo Gilles Deleuze são largamente usados. Os
autores do filme “Matrix” afirmaram terem utilizado algumas idéias de
Jean Baudrillard para realizarem o filme. O que é cultura pop e cultura
universitária, exatamente? Acho ser necessário em algum momento
ultrapassar o estágio de Guerra Fria no qual vários setores da sociedade
brasileira parecem viver. Há os que pregam um antiintelectualismo
militante, negando toda forma de sofisticação do pensamento e da ação,
vivendo em um mundo no qual nada pode ser analisado ou estudado sem ser
automaticamente rotulado como “difícil”. Do outro lado, há um sólido
conservadorismo dos setores acadêmicos que acreditam estar em um território
de “rigor e seriedade”, um discurso que serve apenas para disfarçar uma
esclerose avançada, uma imobilidade que se traduz em algo muito perverso…
Talvez por isso eu goste tanto de alguém como o esloveno Slavoj Zizek,
capaz de explicar para o leitor a crise da modernidade por meio do último
filme de Clint Eastwood. CW - E o que ainda gostaria de
publicar? O que precisa melhorar em CULT?
CW - Tiragem de alguns milhares
de exemplares – isso é inserção na elite cultural ou contingência? Há
chances de crescimento? MR - Como falamos um pouco acima,
a média de vendas da CULT, em relação a sua tiragem, é superior à média
do mercado. Logo, ela vem crescendo. Mas é necessário não perder de vista
questões que transcendem a revista e suas intenções. O Brasil tem uma
população de cerca de 190 milhões, mas seus maiores títulos impressos não
chegam hoje a 1 milhão, nem mesmo os com estrelas televisivas nuas em suas
capas. Logo, toda imprensa no Brasil é segmentada: é feita para o segmento
que lê. CW - E o futuro? Quais serão os
próximos passos? Há planos de expansão, haverá crescimento de CULT?
Quantitativo, qualitativo ou ambos? Algo deverá ou deveria mudar? MR - Os planos editoriais são
muitos. E ousadia é o que poderia resumir todos eles. Acho que a revista
tende a ser ainda menos conservadora e mais ousada, porque toda publicação
que dá o que o leitor quer ou espera está condenada ao desaparecimento e
ao anacronismo. Uma revista, sobretudo uma revista de cultura, deve dar
aquilo que o leitor não espera e não sabe ainda que quer. CW - Que lhe parece o aumento,
quando não proliferação de revistas de poesia e periódicos literários
durante esses dez anos? Teria destaques, positivos ou negativos, comentário
sobre alguns deles? Faça comentários sobre periodismo eletrônico –
sites, páginas, blogs, etc. MR - Esse, acredito, é um fenômeno
muito novo ainda para podermos entender seu real significado. Hoje, fazer um
fanzine ou uma revista literária impressa é muito mais barato do que
antes. E o fato é que os meios eletrônicos se tornaram uma chance para
diferentes gerações, das mais variadas tendências, poderem se expressar,
pessoas e grupos que perderam seus espaços ou se desinteressaram pelos espaços
disponíveis. Essa, claro, é uma situação imensamente positiva, porque
tudo o que é capaz de abalar um discurso único (seja ele ditado pelo
mercado, pela situação política ou pela decisão dos próprios meios) é,
em si, positivo. Mas me parece que até esse métier
foi atingido pelo apelo “das celebridades”. Fazer uma publicação literária,
de poesia, ensaios, ok. Fazer uma publicação literária, de poesia,
ensaios para ser reconhecido em festas, ter a foto publicada nos segundos
cadernos ou se tornar amigo dos “autores conhecidos” não me parece ser
uma boa estratégia. Para nada. CW - E sobre crítica e
jornalismo literário na grande imprensa, nesse período? MR - A piada é inevitável: qual
crítica? Já que falamos antes do artista minimalista Donald Judd (morto em
1994), em um dos seus textos críticos ele escreve: “Se tornou um ataque
à democracia dizer que o trabalho de alguém é maior, mais
desenvolvido, mais avançado, complexo (o quanto complexo esse termo pode
ser), do que de outra pessoa. Não é educado dizer que meu trabalho é
melhor do que o seu. Essa atitude vazia é parte de toda sociedade. A mesma
pequena idéia contida nessa atitude é a de que a arte deve ser democrática,
e é uma hipocrisia pretender isso”. Esse trecho é do ensaio Not
about master-pieces but why are so few of them. Me parece ser a crítica e o
jornalismo literário brasileiros, para usar a idéia de Judd, extremamente
“bem educados”. Mas sem uma rigorosa crítica caímos em uma produção
na qual tudo é aceito em nome da “convivência” e da camaradagem. Mas a
arte não é democrática, ela é aristocrática. Se isso já não fosse um grande
problema, há ainda o fato de que uma certa cultura literária está em
crise. Há na universidade aqueles que podem escrever confortavelmente sobre
o uso da narrativa em determinado autor sem jamais ter lido Claude Simon,
John Barth, BS Johnson. Enfim, me parece
que existe uma geração hoje, na universidade, que não vai muito além do
cânone estabelecido, e isso termina se traduzindo em uma produção tímida,
sem inquietação, respeitosa, “chatoboy”. E, no jornalismo, bem, toda sua
função educacional deixou de existir porque nossas relações com o
passado são “flutuantes”. Hoje, apenas um exemplo, o jornalismo
impresso acredita que o surrealismo foi uma corrente literária. E não um
projeto revolucionário a tempo pleno. As idéias parecem vir prontas, de
algum lugar, de uma “enciclopédia básica da cultura jornalística”.
Enfim, se na universidade há a timidez diante do cânone, na imprensa
parece que tudo se reduz a clichês que são usados para não espantar os
leitores; nada pode ser muito “difícil”. Por isso é que o cineasta
Nani Moretti é sempre, no Brasil, o “Woody Allen italiano”. Clichê e
reducionismo. Mas o que uma definição como essa pode querer dizer? Com uma
crítica neste estado, como jogar a primeira pedra contra nossa pobre produção
cultural? E, aliás, como apontar sua pobreza? CW - O planejamento de CULT
incorpora alguma reflexão crítica sobre o jornalismo literário atual no
Brasil? Há intenção de preencher um espaço vazio, cobrir uma lacuna,
algo assim? MR - A revista CULT tenta e
procura colaboradores, não colaboracionistas; pessoas dispostas a “não
colaborar”. Ou seja, que preferem ter uma visão crítica, e lutar por
ela. Há, claro, falhas, erros de cálculo, desvios, mas ao menos existe um
projeto. CW - E o resto do mundo? Há
publicações, do tipo Magazine Littéraire,
que servem como modelos ou referências? MR - O Magazine Littéraire é uma referência no que se refere à idéia
do dossier, um dos destaques da CULT. Mas a situação das revistas é
totalmente diferente, as sociedades são muito diferentes. A sociedade
francesa é letrada e leitora. A brasileira, não. E, entre os franceses, a
intelectualidade nunca esteve acima das questões políticas (criar uma
vanguarda é também uma questão política) e culturais. A própria palavra
“intelectual” assume outro sentido: significa a atuação pública,
significa estar presente ou contra a sociedade, e o saber não está
restrito ao que é produzido na universidade. No Brasil, mais uma vez, a
situação é totalmente diferente. E o Magazine é apenas uma das
revistas literárias francesas; na verdade, a revista da academia, da
instituição. A Lire seria mais
voltada aos lançamentos, cobrindo o mercado, enquanto a nova Matricule
des Anges é a que procura um caminho mais jovem e alternativo aos dois
títulos citados. Modelos,
referências? The Economist, Les
Inrockuptibles, Granta, L´Infini
(de Philippe Sollers), éditions de
Minuit, Rebel Inc., Il Manifesto, The Observer, Arts & Letters Daily,
Artforum, Tel Quel, The New Yorker (ainda), Courrier International. Várias, na verdade. CW - Conexões internacionais,
ibero-americana e lusófona, o tem interessado? Prevê ou planeja algo a
respeito? MR - Qualquer intercâmbio nos interessa, e muito. Mas gostaríamos e esperamos por ações realmente produtivas, e não apenas aproximações de ocasião. Queremos nossos colaboradores publicados em revistas de outras culturas e vice-versa.
Editora Diretor
de Redação CULT–
Revista Brasileira de Cultura |
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