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revista
de cultura # 43 |
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A escritura coletiva de Jacques Prévert com surrealistas Eclair Antonio Almeida Filho
Ce fut au surréalisme où j’ai fait mes humanités. Jacques Prévert
Para determinar o encontro de Jacques Prévert com o
Surrealismo (depois ele se encontraria com os surrealistas), podemos
marcar três momentos. O primeiro se dá no fim de 1924 na livraria Les amis du livre, de Adrienne Monnier onde, além de entrar em
contato com a revista La Révolution
Surréaliste, a qual muito lhe impressiona e entusiasma, Prévert tem
acesso a uma literatura surrealista avant
la lettre: os Cantos belos e
terríveis de Maldoror, do Conde de Lautréamont, os Campos Magnéticos, de Philippe Soupault e André Breton, Le
mariage du Ciel et de l'Enfer, de William Blake, Le refrain du Décervelage,
do Roi Ubu de Alfred Jarry. O segundo encontro com o Surrealismo ocorre quando, de um
ônibus, pelo fim do mesmo ano de 1924, Prévert e o pintor Yves Tanguy,
que então moravam com Marcel Duhamel na famosa Rue du Château 54,
avistam numa vitrine da galeria Paul Guillaume em Paris o quadro Cerveau d’enfant, de Giorgio de Chirico, o qual lhes mostra a
escritura dos sonhos. De acordo com Yves Courrière, Yves Tanguy sofreu um
inpacto tão grande ao ver essa tela que, ao chegar em casa, destruiu
alguns de seus quadros por considerá-los ingênuos demais. No início de 1925, Marcel Duhamel conhece Breton e o leva
para uma visita na Rue du Château; Breton fica tão entusiasmado com Prévert,
Duhamel e Tanguy que passa a utilizar a casa como um dos locais de reunião
do grupo surrealista. Durante sua passagem pelo grupo de 1925 a 1929, Prévert não
publica nada, não participa de sessões de hipnose, não relata seus
sonhos nem exerce qualquer tipo de escritura automática. Participa apenas
das “pesquisas sobre a sexualidade”, recolhidas nos “Archives du
bureau surreáliste”. Os únicos manifestos que subscreve voltam-se para
a defesa de dois artistas com quem mantém afinidades poéticas. Um deles
é: "Hands off love", publicado na edição de outubro de 1927
da revista "Révolution Surrealiste", a favor de Charles
Chaplin, que era acusado, judicialmente, de maltratar sua esposa; o outro
é "Permettez", no qual Raymond Queneau protesta contra a
inauguração de uma estátua em homenagem a Arthur Rimbaud. Ajuda a criar o "cadavre exquis", atividade que
consistia em produzir um texto coletivo em que cada participante
continuava um texto, acrescentando uma parte da frase sem saber o que
vinha antes, daí resultando em criações livres de qualquer associação
lógica. No primeiro texto, Prévert escreveu "le cadavre
exquis", em um papel dobrado e o passou a um outro participante que,
em segredo, prosseguiu acrescentando "boira"; um terceiro, nas
mesmas condições, concluiu o jogo e o texto com "le vin
nouveau". Gérard Guillot considera que, graças ao grupo
surrealista, Prévert pôde experimentar coisas novas e entrar em contato
com várias modalidades de arte. Nas palavras do próprio Prévert, o
surrealismo era une rencontre de gens qui n’avaient pas de rendez-vous
mais qui sans se ressembler se rassemblaient. Militaires, religieuses,
policières, les grandes superencheries sacrées les faisaient rire. Leur rire, comme leurs peintures et leurs écrits, était
un rire agressivement salubre et indéniablement contagieux. (Prévert, 1996) Em 15 de janeiro de 1930, Prévert rompe com Breton, ao
participar com seu primeiro texto “Mort d’un Monsieur, no panfleto
“Un cadavre”, que ele e outros 11 dissidentes do Surrealismo dirigem
como resposta aos ataques pessoais que Breton promovera no Segundo Manifesto. Em “Mort d’un Monsieur”, num estilo e num
humor que caracterizarão seus poemas, Prévert começa lamentando o
desaparecimento daquele que o fazia rir: “Hélas, je ne reverrai plus
l’illustre Palotin du Monde Occidental, celui qui me faisait rire! (Prévert,
1996). Depois, Prévert ataca os relatos de sonhos de Breton,
dizendo que um dia num sonho, após se olhar seriamente (ou seja, sem
humor) no espelho, ele se achou belo. Para Prévert, foi o fim de Breton,
que passou a confundir “le désespoir et le mal de foie, la Bible et les
Chants de Maldoror, Dieu et Dieu, […] la Révolution Russe et la Révolution
Surréaliste. (Encore… et toujours la plus scandaleuse du monde)
(Prévert, 1996). Depois de sua ruptura com Breton, Prévert decide fazer
“route à part”, sem, no entanto deixar de se reencontrar com o
Surrealismo nem com o próprio Breton, com o qual se reconcilia em 1937. A
partir então de 1930, passa a escrever para revistas como Biffurs,
Documents, Commerce. Em 1932, torna-se dramaturgo do Groupe Octobre,
escrevendo peças teatrais inspiradas em acontecimentos, querendo fazer a
Revolução por meio do teatro. Com o fim do Groupe Octobre em 1936, passa
a participar ativamente como roterista de filmes com diretores como Jean
Renoir e Marcel Carné, com o qual realizou sua obra-prima, Les
enfants du Paradis (1945). Ainda em 1945, lança seu primeiro e mais famoso livro, Paroles,
no qual se dirige violentamente contra as instituições com letras maiúsculas:
a Igreja, a Família, a Propriedade, o Estado. Seguem-se a Paroles:
Histoires (1947), Spectacle
(1951), Grand bal du Printemps (1951)
Charmes de Londres (1952), La
pluie et le beau temps (1954),
Fatras (1966), Imaginaires
(1970), com colagens do autor, e
Choses et Autres (1972). Além desses livros, Prévert escreveu outros
a 4 (quatro) mãos com artistas ligados ao Surrealismo como: Max Ernst
(Les chiens ont soif), Picasso (Portraits de Picasso), Miró (Miró e
Adonides) e Georges Ribemont-Dessaignes (Arbres). De acordo com Bersani, em seus poemas, Prévert realiza a síntese
de duas correntes que atravessam o Surrealismo: as correntes “dos jogos
de linguagem” e “a libertária”. Para Bersani, Prévert é um “poète
qui joue des mots, qui sait, comme le recommandait Breton, leur laisser
“faire l’amour” pour mieux engendrer la merveille, Prévert est
aussi et en même temps celui qui se joue des mots pour mieux se jouer de
la société d’exploiteurs et d’oppresseurs qu’il vitupère”.
Em toda sua obra poética, Prévert empreende a busca
surrealista pelo surreal, com a criação de uma realidade de liberdade,
amor, poesia, sonho e revolução. Em um dos mais belos poemas de Fatras, "La veille au soir", são as crianças que ao
sonhar sopram apagando a vela do vigilante da noite e dos sonhos. Eis o
poema: La veilleuse du surveillant s'est éteinte Et le surveillant dans la
nuit Num maravilhoso jogo de palavras, Prévert aproxima
semanticamente veille (vigília,
privação do sono à noite), veilleuse
(lanterna, vela e também o feminino de veilleur,
guardião da noite) e surveillant
(vigilante). Nesse jogo, imagina-se que um vigilante, um guardião do
sono, munido de sua vela e ao mesmo tempo sua companheira, vigia os sonhos
das crianças, para depois puni-las. Entretanto, estas são mais fortes
que os guardiães, e, sonhando, destróem a realidade que as oprime,
apagando – isto é, eliminando seus opressores. Nas palavras de Breton,
no Primeiro Manifesto: “L’esprit qui plonge dans le surréalisme
revit avec exaltation la meilleure part de son enfance. […] C’est peut-être l’enfance qui approche le
plus de la “vraie vie” (Breton, 1986). No poema “Ministère du ludique-action-publique” (que
também dá título a uma colagem de Prévert), o poeta apresenta um
artigo dos direitos universais da criança (e do ser humano), conforme o
qual ela tem total liberdade: Art. I L’enfant n’a pas de contrat, il n’a pas signé son
acte de naissance. Il est libre de refuser tôt ou tard l’âge qu’on
“lui donne” et d’en choisir un autre, d’en changer selon ses désirs,
comme de le garder le temps qu’il lui plaît. (Prévert, 1996) Assim, não estaria Prévert realizando o que Breton disse
no Primeiro Manifesto: que os
surrealistas deveriam reescrever os direitos do ser humano para libertá-lo
totalmente? No último poema de Paroles
(1946), “Lanterne magique de Picasso”, Prévert demonstra que sua
obra procura a surrealidade, o ponto onde as contradições deixam de ser
percebidas: Les idées pétrifiées
devant la merveilleuse indifférence Assim, a busca pela surrealidade continua a ser o ponto de
contato entre aqueles que querem, através da união entre o Amor, a
Poesia, o Sonho, o Humor e a Revolução, transformar o mundo e mudar a
vida. Neste mesmo poema, a lanterna mágica de Picasso ilumina “le
visage d’André Breton et de Paul Éluard”. Nas entrevistas de Breton a André Parinaud, ao ser
perguntado se a grande fonte do Surrealismo nos anos 1920 e 1930 seria o
amor, Breton responde: “Oui: indépendamment du profond désir
d’action révolutionnaire qui nous possède, tous les sujets
d’exaltation propres au surréalisme convergent à ce moment vers
l’amour”. (138) Para Prévert, não existem nem cinco ou seis
maravilhas, mas apenas uma: o amor. Em outro poema, Jacques Prévert
aproxima amor e revolução por sua cor vermelha: Rouge, le mot rouge révolution
reste rouge malgré les décorations
et les décolorations, Rouge (vermelho) é a cor pela qual Breton e Éluard no Dictionnaire
abrégé du surréalisme definem Jacques Prévert: “Celui qui rouge
de coeur” . Para nós, o reencontro com os surrealistas ocorre quando
Prévert os convoca tanto para questionar a linguagem, as instituições,
a guerra, quanto para buscar a surrealidade. Numa entrevista a André
Pozner, Prévert revela, ao falar de sua amizade com Breton, que nunca
escreveria sobre (sur) um amigo, mas sim com (avec),
expondo dessa maneira uma poética da criação coletiva, que se constrói
com a ajuda do outro, mesmo que esse outro esteja morto: "Breton, ou
André plutôt, avait tant de choses à dire, on a tant écrit sur lui! On dit toujours ça, écrire
sur quelqu'un. Moi,
si j'écrivais, j'écrirais avec
lui". (Prévert, 1996). Lembro aqui o preceito de Lautréamont: A
poesia deve ser feita por todos. A seguir, veremos exemplos de escritura
coletiva de Jacques Prévert com Max Ernst, o criador das colagens, André
Breton, Paul Éluard, Phillipe Soupault e Robert Desnos.
A Ernst Prévert deve seu gosto pelas colagens. Em Imaginaires,
Prévert dedica a Ernst o poema Roi image du collage: Max Ernst. No título
lê-se não Roi mage (Rei mago) mas Roi image (Rei Imagem). Para compor
seu poema, primeiro Prévert apresenta-nos a definição dicionarizada de
colagem, a definição oficial, petrificada, que não apreende a revolução
que a colagem imprime em nosso modo de ver a realidade: Collages Collage: Situation d’un
homme et d’une femme qui vivent ensemble sans être mariés. Depois, mostra suas definições, até mesmo a de décollage
(que em francês pode-se ler como “descolagem” ou “decolagem”): Roi image du collage: Max Ernst De um título de um livro de
colagem de Ernst, La femme 100 têtes,
Prévert cria « La femme acéphale », um de seus poemas que
mais questionam a sociedade com seu autoritarismo, seus lugares-comuns. Vejam
que Prévert inclui esse livreto em Fatras,
seu primeiro livro que traz colagens de sua autoria. Entendemos que assim
Prévert presta uma homenagem a Ernst, o criador da colagem. Em Spectacle, Prévert
transforma o livro em espaço de convocação coletiva. Na seçào
“Intermède”, além de outros escritores, Prévert convoca, entre
outros surrealistas, André Breton, Paul Éluard, Philippe Soupault e
Robert Desnos para escreverem juntos. De André Breton e Paul Éluard, Prévert
cita poemas do livro L’Immaculée
Conception que Breton e Éluard escreveram a quatro mãos, reforçando
assim a coletividade na ação de escrever: J’ai ma femme avec moi dans mon lit même quand je suis
debout. Com Soupault, Prévert escreve: Un éléphant dans sa
baignoire A este poema, Prévert coteja um poema de Minoutte, sua
filha, no qual três gatinhos se banham também numa banheira, a fim de
enfatizar o caráter infantil que deve constar na ação poética. Trois petits chats dans une
baignoire Tournent la manivelle de
satin De Desnos, Prévert apresenta um trecho do poema “Au bout
du monde”, da seção “Les portes battantes”, do livro Fortunes (1942), no qual um desertor parlamenta com sentinelas que não
entendem sua linguagem: Quelque part dans le monde
Aliás, dentre os surrealistas é com Robert Desnos que a
obra de Prévert mantém maior afinidade. Tanto Prévert quanto Desnos são
conhecidos por sua militância política, sendo que, enquanto o primeiro
militava apenas através de sua obra, o segundo participou ativamente de
grupos de resistência, tendo um fim trágico em 1945, durante a Segunda
Guerra. Em suas obras, há partes dedicadas a jogos com palavras, como o
“Rrose Selavy”, de Desnos, e os graffitti,
de Prévert. Se Desnos escreveu Trente
chantefables pour des enfants sages, Prévert escreveu, mas não
ironicamente, Contes pour enfants
pas sages, uma vez que a simples leitura dessas obras demonstra o
respeito que os poetas tinham por seu público infantil. Em um depoimento de Michel Leiris a Jean Paul Corsetti,
Leiris afirma que no surrealismo Desnos e Prévert haviam criado juntos um
ramo original de poesia que apresentava uma verve popular, a qual destoava
do restante da poesia praticada pelos surrealistas: Il était avec Desnos, qu’il ne faut pas oublier, le
creáteur de ce rameau original du surréalisme dont nous parlions tout à
l’heure et, en ce sens, il échappait à la menace de “littératurisme”
qui pesait sur le mouvement. […] En tout cas, Prévert incarnait pour nous une poésie du
“merveilleux”, mais du “merveilleux populaire”. C’est son
innovation en tant que surréaliste. (Corsetti, 1991) Embora, em vida, Desnos nunca tenha escrito nenhum texto
com Prévert, consideramos que, em alguns dos poemas de Prévert dedicados
a Desnos, pela magia da criação poética, podemos ler textos que trazem
ao mesmo tempo as marcas desnosianas e as prevertianas.
Para nós, no poema “Aujourd’hui”, podemos ver claramente a
presenç dessas marcas. A princípio, para entendermos que o poema se
constitui como uma criação coletiva de Prévert com Desnos, devemos
observar que, além de ser dedicado a Desnos, ele traz uma epígrafe
retirada do poema “Aujourd’hui je me suis promené”, de Desnos,
escrito em 1936, mas só publicado em État
de veille em 1942. Eis a epígrafe: Aujourd’hui je me suis promené avec mon camarade Em relação ao diálogo entre seu texto e a epígrafe, Prévert
dissemina pelo texto trechos da epígrafe a fim de marcar enfaticamente a
presença tanto de Desnos quanto do poema desnosiano. Logo no primeiro
verso de “Aujourd’hui”, Prévert dialoga diretamente com o poema
desnosiano ao utilizar o termo “Aujourd’hui”. Note-se que nesse
poema “Aujourd’hui” entra numa rede de referência tripla. Primeiro,
remete imediatamente ao poema desnosiano. Segundo, refere-se à revista
homônima em que Desnos trabalhou como crítico literário no início dos
anos 1940. Terceiro, marca o momento da enunciação, chamando a atenção
para o fato de que, para Prévert, Desnos continua. Em seguida ao termo Aujourd’hui
Prévert faz seguir lugares e datas ligados à vida de Desnos, como a Rue
Mazarine onde Desnos viveu durante muito tempo e seu período de militância
que começou em 1936 e terminou tragicamente em 1945, quando Desnos morre
contaminado pela febre tifóide. Depois, Prévert apresenta o segundo verso da epígrafe,
porém com a substituição do termo “mon camarade” pelo nome de
Robert Desnos: “je me suis promené avec Robert Desnos” (PRÉVERT,
1996). Quatro versos depois, Prévert cita o “même s’il est mort”. Ao retomar o último verso da epígrafe, Prévert também
opera uma modificação acrescentando-lhe na primeira enunciação um
“moi aussi” e na segunda, que vêm no verso seguinte em elipse,
substitui o “mon camarade” pelo termo “mon ami”. Na primeira
modificação Prévert nos diz que, além dele, vários outros também
passeiam com Desnos, ou seja, que tal passeio é possível a todos aqueles
que entram em contato com a obra desnosiana e aceitam empreender a
caminhada poética. Já na segunda modificação, Prévert estabelece uma
maior intimidade com Desnos, pois o autor de Paroles
prefere o termo “mon ami” ao termo “mon camarade”, uma vez que este termo traz uma conotação de militância. Assim, em “Aujourd’hui”, ouvimos dos poemas de Prévert
e de Desnos um canto ao amor, de saudação à amizade. Vemos a exaltação
da poesia como uma das formas de se chegar a esses momentos de
confraternização que ultrapassam a vida e a morte. Termino convocando André Breton e Jacques Prévert. Com
Breton cito um trecho do poema “Hommage-hommage”, contribuição de Prévert
para o número especial “Hommage à Picasso”, da Revista Documents
(março de 1930): o surrealista está com “un pied sur la rive droite,
un pied sur la rive gauche et le troisième sur le derrière des imbéciles”.
Com Prévert, rendo uma homenagem aos surrealistas: ils aimaient la vie. Pour les uns, c’était la poésie, pour les autres, c’était l’humour, pour d’autres n’importe quoi, mais pour tous c’était l’amour. En souriant ils envisageaient la mort, mais c’était pour mieux dévisager la vie. Pour la rendre plus libre, plus belle, plus heureuse même. Beaucoup d’entre eux ont disparu. Mais grâce à eux, cette vie réelle, comme leurs rêves, continue. (Prévert, 1966) |
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Eclair Antonio Almeida Filho (Brasil, 1974). Ensaísta
e notável pesquisador da obra de Jacques Prévert. Contato: eclairfilho@yahoo.com.br.
Página ilustrada com obras do artista Mario Maffioli (Costa Rica). |
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