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palavreiros
(brasil)
CW - Você é capaz de resumir, em umas poucas linhas, o
que é Palavreiros? JGN - Usando as palavras de uma amiga; Palavreiros =
trabalhadores da palavra = operários/formigas. CW - Dê-nos um histórico, conte-nos como surgiu
Palavreiros. Dá a impressão de ser algo coletivo, desdobramento ou conseqüência
de atividades de um grupo. Quem são? JGN - Surgiu em 1999, no encerramento de uma oficina literária
no município de Diadema, oficina essa ministrada pela Beth Brait Alvim. É
aquela velha história (como muitas outras histórias que conheço); bem pessoal acabou a oficina e fica aquele gosto de
quero mais um pouco ou está faltando algo. O que fazer? Temos em comum
o gosto pela palavra. O que fazer? Onde levar esse sentimento? Existia
a idéia de se forma um grupo, esse desejo foi se fortalecendo ao longo
das primeiras apresentações públicas, chegando até a inusitada inauguração
de uma escultura que representava a "Torre de Babel"(alunos de
artes plásticas das oficinas culturais ministradas por Ricardo Amadasi,
argentino radicado no Brasil). A princípio foi a experiência de
Saraus(centros culturais e escolas), depois o primeiro Fanzine. Naquele
momento já contávamos com cerca de 30 ou mais colaboradores: alguns
se retiraram ao longo desses cinco anos, e teve a chegada de outros. São
interessantes as experiências ao longo desses cinco anos: uma das maiores
marcas, é sem duvida uma sarau realizado numa escola municipal de ensino de
ensino para jovens e adultos. A escola parou suas atividades naquela noite.
Éramos: “estranhos num ninho de curiosidade e espanto”. Além das
poesias do grupo, apresentamos poetas consagrados como Cecília Meirelles,
Cora Coralina, Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade… Até aí nenhuma
novidade, mas ao fim da apresentação: - Quando vocês voltam? Passado
dois meses, voltamos a mesma escola e, para nossa surpresa, os alunos
estavam organizados: tinham escolhido os poemas/poetas para leitura, fizeram
jogral, participaram de um poema coletivo. Uma verdadeira comunhão. Tem
outras histórias; cada apresentação tem uma em particular, mas sempre
fica aquela pergunta: nunca pensamos que um dia nossa iniciativa, aquele utópico
desejo nos levasse a tantos lugares: SESC, Escolas e Universidades, Encontro
de Escritores de Rio Claro/SP, e além das fronteiras de terras brasilis;
Uruguai. Agora deixando a parte de apresentações; o grupo atualmente é
composto por(ativos e não ativos): A.
Smero, Arildo Correia Lima, Beth Brait Alvim, Cleibson Carlos, Edson Aquino,
José Geraldo Neres, Juan Carlos Rodriguez Latorre, Maria de Lourdes, Maria
Regina Oliveira de Araújo, Marlene Pereira de Lima, Murillo Kollek, Osmar
Almeida, Paula Barbosa, e Radi Oliveira (existem ainda outros
colaboradores que atuam indiretamente). É verdade que há uma tendência de
se reestruturar o grupo ou que ele venha a funcionar uma pouco mais.
Creio que isso se deve ao fato de que num determinado momento o desejo do
individuo vem influenciar o grupo, ou a aparição do velho desejo do homem
de trilhar novos outros caminhos. O Palavreiros tem um filho:
Formigueiros (que seria a vertente musical do grupo, e que agora dá seus próprios
passos). Alguns dos participantes começam a dar suas primeiras oficinas
literárias, a fazer intermediações em projeto de apreciação estética/literária
"Q. Poética?" e em outras atividades culturais. E temos ainda o nosso caminhar na grande rede (que surgiu como alternativa
de divulgação de nossos textos, após o rompimento de um convênio-patrocínio
que tínhamos para publicação de nosso Fanzine). Fizemos nossa primeira página
em 2000, e depois disso o site foi crescendo e agregando outros
poetas/escritores. O site acabou sendo a grande válvula de escape e
excelente ferramenta de divulgação literária e intercâmbio, sendo incluído
no diretório mundial de poesia da Unesco: www.unesco.org/poetry.
Creio que devo ter me estendido por demais, mesmo sabendo que existem outras
histórias ainda por contar. CW
- Que papel você desempenha em Palavreiros? JGN - Desde a fundação do grupo em 1999, venho
desenvolvendo o papel de relações públicas do grupo, desde 2001 sou
o responsável pela manutenção do site, e realização de um festival
virtual de poesia que está na sua terceira edição (a última edição
contou com a participação de poetas de 38 países, a edição de 2005
está ainda sendo estudada). CW - Essa conexão hispano-americana, com uma presença
forte de autores e obras em língua espanhola, algo que diferencia Palavreiros
de outros periódicos eletrônicos, como aconteceu? JGN - Creio que foi com a realização do festival
virtual de poesia. Foi algo surpreendente: o poeta que estava participando
convidava outro e esse outro. Eles acreditaram na proposta dessa antologia
virtual e se organizaram para que cada país estivesse poeticamente
representado. A notícia do festival saiu em programas de rádio em Puerto
Rico, em jornais na Bolívia, e não esquecendo dos diversos divulgadores
pela grande rede. É interessante essa cumplicidade: poetas que não tinham
micro eram indicados por outros que possuíam essa ferramenta. Na ausência
de poetas de um determinado país, por exemplo: no Paraguai, contei com o
auxílio de Tereza Méndez-Faith. Com relação aos poetas árabes; a
interlocução da poeta Belén Juárez (Coodinadora del Programa
Cultural "Puerta Abierta del Diálogo Internacional", 2001-2002,
Fundación Euroárabe (España). E isso foi uma constante, o círculo foi
aumentando cada vez mais e mais. CW - Diga algo sobre a expansão de sites e divulgação
de poesia pela internet. Quais são seus principais parceiros e
interlocutores? JGN - O site foi ganhando força ao longo desses 5 anos. E algo que é necessário de se dizer:
tratando-se de sites de literatura; existe sempre a divulgação ou vinculação/indicação
de navegação para outros sites. E funciona também a velha forma de
propaganda; um amigo apresenta outro e assim vai. Atualmente não possuímos
parceiros (creio que isso deverá mudar em breve; será reformulada a seção
de links e criada uma seção de destaque relativo a esses possíveis
parceiros, seja ele financeiro ou divulgador.). Mas sem duvida, algo que
ajudou muito no crescimento do site foi a sua inclusão no diretório
mundial de poesia da Unesco. Existe ainda a
divulgação/indicação de navegação do Instituto Camões - Centro
Virtual- de Portugal. Na verdade seria preciso mais linhas para poder
mencionar todos(as) os(as) divulgadores(as). Com a alteração/reformulação
da seção links isso deverá estar solucionado, pois devemos muito a
esses(as) amigos e amigas. CW - Haverá alguma expansão de Palavreiros no meio
impresso, sobre papel? JGN - Na verdade não seria uma expansão e sim um retorno;
começamos com um Fanzine impresso (1000 exemplares, com cerca de 18 páginas,
com poesias, crítica literária e ilustrações) e depois a parceira foi
rompida sem maiores explicações (até hoje não sei ao certo o motivo).
Precisamos retornar ao papel. CW - Certa ocasião, você me falou que recebe 100 e-mails
por dia. Em matéria de acessos, como está Palavreiros? Quem o
acessa ou consulta? JGN - Com relação a conteúdo; são mais de 20.000 páginas
(O grupo Palavreiros possui um espaço próprio, cada participante do
grupo possui sua página.
Temos uma média-mês de 15.000 visitas (houve ocasiões em que a visitação
diária ultrapassou a casa de 1.500 visitas). Sendo que em torno de 40%
dessa visitação é daqui do Brasil e o outro percentual representa a
visitação de mais de 70 países. Nossa lista de contatos ultrapassa 6.000
contas de e-mails. CW - O que você gostou mais de publicar ou divulgar em Palavreiros? JGN - Sem contar a divulgação de livros, celebrações literárias e outros acontecimentos… O prazer apareceu em vários momentos. Um desses momentos foi o de publicar poemas de integrantes do Taller "El rincón de los niños cubanos". Te presento a cuatro hermanos,/ Cada uno es una esfera,/ Cada uno un tenue fuego,/ Aquí tienes a Vulcano,/ Viviendo junto a la Tierra,/ Aquí tienes a Mercurio,/ Habitando con Neptuno,/ Más acá te muestro a Cintia/ En un abrazo con Bóreas,/ Y por Último está Apolo,/ El grande consigo mismo,/ Para verlos perecer / Basta golpear a cualquiera,/ Pues los ligan mutuos vínculos, / De extraña naturaleza/…(fragmento do poema "Arcanos naturales" de Guillermo Badia Hernández, 15 anos). Não somente pela força mítica do poema, mas por saber que existem pessoas preocupadas com a vivência poética dos jovens. E também a descoberta da poesia de outros países, bem como o intercâmbio literário com nossos irmãos de São Tomé e Príncipe, na África. E nossos hermanos do 1º Festival Internacional de Poesía de Granada, Nicarágua. Existem ainda outros contatos, mas isso farei noutra oportunidade. E um momento triste: a morte de uma amiga e divulgadora, Yêda Schmaltz, mantivemos contato por cerca de 2 anos ou mais, e para tentar registrar essa amizade, nós criamos uma seção especial dedicada a ela. CW - O que você gostaria de apresentar ou pôr em Palavreiros
e ainda não fez? JGN - Gostaria de publicar edições especiais de poesia e
prosa de cada país que mantemos contato. E fazer sair da gaveta uma revista
digital de literatura que a principio se chamaria: "Esfinge Móvel"
O primeiro esboço dessa revista pode ser acompanhado no endereço http://www.palavreiros.org/esfinge/home.html CW - E o futuro? Quais serão os próximos passos? Há
planos de expansão, haverá crescimento de Palavreiros?
Quantitativo, qualitativo ou ambos? Algo deverá ou deveria mudar? JGN - Tenho planos, mas isso só deverá acontecer depois de março, 2005. (Expansão, fortalecimento, a criação de outros intercâmbios literários, um selo próprio, sede ou local de reuniões, etc. Mas isso tudo ficará na dependência dessa futura reunião.) [entrevista
realizada em janeiro de 2005] Grupo
Palavreiros
[5 anos de atividades
culturais] A.
Smero, Beth Brait Alvim, Cleibson Carlos, Edson Aquino, José Geraldo Neres,
Juan Carlos Rodriguez Latorre, Maria de Lourdes, Maria Regina Oliveira de
Araújo, Marlene Pereira de Lima, Murillo Kollek, Osmar Almeida, Paula
Barbosa e Radi Oliveira |
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