revista de cultura # 44
fortaleza, são paulo - março de 2005

discos da agulha

Peregrino, de Antenor Bogéa1. Peregrino, de Antenor Bogéa. Rob Digital. Brasil.

Um cidadão do mundo. Assim pode ser definido Antenor Bogéa, músico, diplomata, viajante, humanista e, sobretudo, como revela a sua música, humano. O disco reúne lançamentos de sua própria autoria, além de sucessos consagrados da MPB, como uma adaptação que Antenor fez para o francês da música “Futuros Amantes” de Chico Buarque e uma excepcional interpretação de “Joana Francesa”, também de Chico, na qual Antenor faz um dueto com a esplêndida cantora espanhola Paloma Berganza. Participações especiais de Alcione, Anna Condeixa, Célia Rabelo, Márcia Maria, Mariana Moraes, Fernando Sarney, Mano Borges, Miúcha, Paloma Berganza, Rita Ribeiro, Sandra Duailibe e Simone Guimarães.

Peregrino é aquele que viaja. Mais do que isso, peregrinar significa viajar em busca de algo, de um significado. É certo que Antenor Bogéa peregrinou pelo mundo. Diplomata de carreira, foi adido cultural na embaixada brasileira em Paris, foi Cônsul em Marselha, e serviu também, ao longo de sua carreira, na Espanha e, transitoriamente, em países da África (Moçambique, Costa do Marfim e Senegal).

Mas a peregrinação de Antenor não ocorre apenas através do mundo. Como mostra esse seu novo trabalho (sucessor de outros três discos – “Samba em Paris”, “Estações” e “Torcida Brasil”, todos produzidos e lançados na França), a peregrinação do músico-diplomata também ocorre pelas vias nem sempre fáceis de serem trilhadas da música, da poesia e dos sentimentos.

O disco, que conta com participações especiais de artistas de grande talento como Alcione, Anna Condeixa, Célia Rabelo, Márcia Maria, Mariana Moraes, Fernando Sarney, Mano Borges, Miúcha, Paloma Berganza, Rita Ribeiro, Sandra Duailibe e Simone Guimarães, reúne lançamentos de autoria do próprio Antenor, como a canção “Marinheiro” (em parceria com o colega músico e diplomata Guilherme Coimbra), um verdadeiro hino à peregrinação em busca do amor, além de sucessos consagrados da MPB, como uma adaptação que Antenor fez para o francês da música “Futuros Amantes” de Chico Buarque e uma excepcional interpretação de “Joana Francesa”, também de Chico, na qual Antenor faz um dueto com a esplêndida cantora espanhola Paloma Berganza.

Além das músicas de sua autoria como “Sete chaves” e “Teu olhar”, o novo CD nos brinda também com um forró de Hervé Cordovil (“Pé de manacá”), igualmente adaptada para o francês por Antenor. Há canções dos compositores Eduardo Rangel (“Sex shop”) e Luiz Quintanilha (“Pedaço de samba”), de Brasília, e dos maranhenses Zé Américo, Oberdan Oliveira e César Teixeira, músicos que despontaram nos festivais de música de São Luís, nos anos 70. De César Teixeira, Antenor gravou a bela e movimentada “Bandeira de Aço”, originalmente gravada por Papete e que está para o Maranhão como “Valsa de uma cidade” está para o Rio de Janeiro.

Foram incluídas no novo CD duas canções do primeiro disco: “Fim de tarde” (parceria com o irmão violonista Demétrio Bogéa) e “Samba em Paris”, composto em homenagem à cidade luz e que muito tocou nas rádios francesas nos anos 90.

Os arranjos são de Farlley Jorge Derze, Leandro Braga e Zé Américo.

Quanto ao espírito do músico Bogéa e do seu disco, ninguém melhor do que Ivan Lins, amigo do diplomata-compositor, para definí-lo:

“O nosso Brasil é realmente um país incrível, fascinante, maravilhoso. Produz a mais eclética, rica, bela e invejada música deste planeta. Essa música mágica vem de uma vocação natural de um povo para, de um nó de pingo d`água de um sopro de vento, de uma enciclopédia britânica, criar poesia e melodia e encantar o mundo. Com paixão e beleza. Querem um exemplo? ANTENOR BOGÉA. Diplomata, boêmio, poliglota e também compositor, cantor, músico, poeta, contador de estórias, paizão, maridão, cidadão do mundo… Só podia ser brasileiro. Portas e janelas abertas para o bem-sentir, para o cativar, para o seduzir… Basta só ouvir esse seu último CD "Peregrino", onde ele vem luxuosamente acompanhado de grandes vozes e excelentes músicos, para que vocês entendam direitinho o que quero dizer. Bênção, Antenor!”

Só Cartola, de Elton Medeiros2. Só Cartola, de Elton Medeiros, Nelson Sargento e Galo Preto. Rob Digital. Brasil.

Sinceridade e emoção nas 25 pérolas de Cartola, o mais lírico dos poetas do morro, interpretadas por Elton Medeiros e Nelson Sargento, dois de seus principais parceiros,e pelo grupo Galo Preto que acompanhou o próprio Cartola no show "Acontece" de 1978. Gravado ao vivo no show-homenagem aos 90 anos do compositor, este CD que traz cinco músicas inéditas, está sendo considerado pela crítica como um clássico definitivo do samba.

"Só Cartola" traz cinco músicas nunca gravadas no Brasil, "A Mangueira é muito grande", "Velho Estácio", "Ciúme Doentio", e "Deixa", interpretadas pelo parceiro e amigo Nelson Sargento, e o prelúdio instrumental "Sol e Chuva". Elton Medeiros - também companheiro - relembra suas parcerias com o mestre: "Sofreguidão", "A Mesma história", "Peito Vazio". "Injúria" e "O sol Nascerá". Nelson e Elton também cantam juntos alguns sambas memoráveis.Os arranjos refinados são de Afonso Machado, bandolinista do Galo Preto e pesquisador que compilou as partituras de 140 músicas de Cartola. Em breve estará sendo lançado o vídeo, com a gravação do show, ao vivo, e até julho sairá um songbook com as partituras das 25 músicas deste CD definitivo.

Pela palavra, de Jorge Simas3. Pela palavra, de Jorge Simas. Duna dos Anjos Produções Artísticas. Brasil.

O compositor Jorge Simas tem músicas gravadas por Elizeth Cardoso, Délcio Carvalho, Elymar Santos, Zeca Pagodinho, João Nogueira, MPB-4 e outros. Tem músicas em parceria com grandes nomes da MPB, como: João Nogueira, Zeca Pagodinho, D. Ivone Lara, Délcio Carvalho, Ivor Lancelotti, Cacaso, Jorge Aragão, Marcos Paiva e Reginaldo Bessa.

Em 2000, lançou o CD Carta ao Rei,  fruto de sua parceria com o grande poeta Paulo César Feital, lançou o CD Carta ao Rei, que contou com as participações especiais de grandes como: Chico Buarque, Leny Andrade, Paulo Moura, Selma Reis, Carlinhos Vergueiro e Cris Delano.

Pela Palavra é o segundo CD autoral com obras do violonista e compositor Jorge Simas. Apresentando um leque variado de músicas, o repertório vai do samba ao choro e suas vertentes, afinal é por aí que o autor e intérprete tem suas raízes.

Dentro deste contexto desfilam ilustres parcerias em músicas como: “O Despertar do Mago (João Nogueira e Jorge Simas), “Ser Tão Só” (Jorge Simas e Delcio Carvalho), “Seo Tião e Seo Bonfim”(Edyl Pacheco e Jorge Simas), “Meu Rio” (Jorge Simas e Roberto Martins), “Riscando o Chão” (Márcio Proença e Jorge Simas) e ainda “ Cor de Rosa “e “ Waldeocly “ assinadas por Jorge Simas e Paulo César Feital.

Há também, faixas onde ele assina letra e música: “Malandro Internet”, “Nos Olhos de Quem Se Ama”, “Quatro Velas”, “Minha Lei” e “Pela Palavra”, que dá título ao CD.

Ouve-se assim Jorge Simas, ora como letrista, ora como melodista, ora como os dois, nas mais diferentes situações temáticas. Em muitas delas o pano de fundo é o cotidiano carioca.

Jorge Simas é responsável também, por quase todos os arranjos, mas convidou Ruy Quaresma (em duas faixas) e Marinho Boffa (em uma faixa) para darem com seus reconhecidos talentos de arranjadores mais um toque de realce ao CD.

Há que se ressaltar as presenças de músicos que integram o primeiro time de nossa MPB, e que dispensam comentários: Mauro Diniz, Alceu Maia e Márcio Almeida (cavaquinho); Kiko Furtado e Philippe Baden Powell (piano); Dirceu Leitte e Ruy Alvim (sopros); Chico Chagas (acordeon); Afonso Machado (bandolim) ; Alexandre Cavallo (baixo); Moacyr Neves (bateria) e Jorginho do Pandeiro, Mestre Zizinho, Silvão, Macalé, Ovídio e Marcelinho Moreira (percussão).

Ouro e sol, de Lui Coimbra4. Ouro e sol, de Lui Coimbra. Rob Digital. Brasil.

Primeiro CD solo do violoncelista, cantor e compositor Lui Coimbra, um artista que começou no canto, tendo estudado depois violoncelo, instrumento pelo qual apaixonou-se e que deu grande impulso a sua carreira. Músico de discos de Zizi Possi, de estrada de Alceu Valença, arranjador de Ana Carolina, membro destacado do grupo Aquarela Carioca, Lui integrou a banda de Zeca Baleiro na turné européia de "Líricas". Depois de todo esse trajeto Lui retorna ao canto nesta estréia surpreendente. Com repertório calcado no popular brasileiro da mais pura origem, arranjos de alta qualidade, excelentes composições próprias e uma interpretação vocal madura que equilibra técnica e emoção, Lui prova com competência que é possível injetar bom gosto em um produto de fácil assimilação pelo público.

Um instrumento surgido na Europa medieval, uma voz contemporânea do novo mundo. O artista Lui Coimbra professa fé estética na lavra. "Ouro e sol" é seu primeiro CD solo - resultado de quase 25 anos de garimpo num cadinho de baticuns, canções, cirandas que colocam na mesma roda Capiba e cultura pop. Música étnica brasileira por um "violonceleiro".

Às quatro cordas de seu cello soma-se uma emissão vocal com eco dos quintais mineiros. Filho de pais nascidos nas cidades de Carangola e Ourofino, o carioca Lui reverencia de forma explícita tal ascendência em "Peixe vivo". Adapta uma canção de domínio público a seu escaninho singular. Como guia o charango, instrumento de cinco cordas duplas, origem inca, cujo groove andino é pontilhado pelo flautim preciso de Mário Seve, titular dos sopros neo-chorões do Nó em Pingo D?Água.

Logo na primeira faixa Lui mostra a que veio, cantando o poema Astrologia de Mário Quintana, por ele musicado e delicadamente acompanhado ao violoncelo. Segue-se a faixa título Ouro e Sol versão de Lui e Zeca Baleiro para a música de Sting Fields of Gold aprovada com louvor pelo compositor britânico. A partir daí uma mistura de composições com forte sotaque regional- como as cirandeiras Vem Morena de Baracho e Minha Ciranda de Capiba- com canções do próprio Lui, com destaque para a belíssima Flores de Amsterdã de forte apelo romântico. Há espaço até para a composição Fazê o que? do contemporâneo Pedro Luís que ganhou uma sofisticada introdução de rabeca.

Os arranjos são um show a parte, introduzindo inesperados elementos de cordas nas baladas e subvertendo com acentuações roqueiras nas cirandas mas sem deixar de trilhar o bom gosto a que se propõe desde a primeira nota. Estréia rara esta de Lui Coimbra, que consegue em seu primeiro CD atingir patamares de qualidade só alcançados por artistas consagrados e assim mesmo depois de muita estrada.

Midnight sun, de Pamela Driggs5. Midnight sun, de Pamela Driggs. Rob Digital. Brasil.

A afinidade da talentosa cantora americana Pamela Driggs com a música brasileira, colocou-a no projeto do selo japonês aosis representando a ligação entre o jazz e a bossa-nova. Com arranjos impecáveis de Cesar Camargo Mariano, Ben Wittman e Romero Lubambo, Pamela desfila com sua voz envolvente But Not for Me de Ira e George Gershwin, Midnight Sun de Lionel Hampton e Johnny Mercer, duas composições póprias em parceria com Romero e as brasileiras Você e Eu de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra e Uma Canção sem Tom, uma homenagem a Tom Jobim de Paulo César Pinheiro e Cesar Camargo Mariano. Super super cool.

Choro elétrico, de Qu4tro a Zero6. Choro elétrico, de Qu4tro a Zero. Zabumba Records. Brasil.

O primeiro CD do QU4TRO A ZERO registra as experiências do grupo na transposição da linguagem e estrutura do choro, do tradicional conjunto regional (formado por um, dois ou três violões – um dos quais de 7 cordas –, cavaco, pandeiro e um solista, geralmente flauta ou bandolim) para um quarteto cuja base é piano, guitarra, baixo elétrico e bateria, formação a que o grupo denominou choro elétrico.

Tais experiências foram aplicadas a um repertório diversificado, dentro do vasto universo do choro. Foram explorados alguns clássicos - obras de compositores como Pixinguinha, Jacob do Bandolim e Ernesto Nazareth, grandes referências definidoras do gênero; choros de autores mais contemporâneos, de linguagem moderna, como Radamés Gnattali e Paulinho da Viola; e, por fim, composições inéditas, dos próprios integrantes do grupo (Conta Outra, de Danilo Penteado e Choro Infinito, de Eduardo Lobo).

No som, há juventude e bom-humor: o QU4TRO A ZERO dá atenção ao aspecto lúdico, brincalhão, presente no choro desde os seus primórdios, em faixas como O Gato e o Canário, polca de Pixinguinha e Benedito Lacerda; Um Baile em Catumby, maxixe de Eduardo Souto e Conta Outra, composição inspirada de Danilo.

Ao mesmo tempo, há seriedade: o grupo propõe uma nova perspectiva dentro do choro, em que um profundo embasamento na sua tradição se associa à liberdade na utilização (criteriosa) de elementos de outros universos musicais, do samba às músicas latinas, do jazz à música erudita. O respeito absoluto aos grandes artistas que construíram a trajetória do choro, aliado à vontade de seguir em frente, resulta num alargamento das fronteiras do gênero. Bolacha Queimada, de Radamés Gnattali, expandida do original para piano solo, Sarau para Radamés, de Paulinho da Viola, relida num arranjo cheio de surpresas e Choro Infinito, composição de Eduardo que transita por diferentes texturas, são faixas que evidenciam estas preocupações do grupo.

Chiquinha Gonzaga, que encerra o disco, é o 4° e último movimento de uma peça maior de Radamés chamada Suíte Retratos. Sua gravação traz um sentido especial. Cada um de seus movimentos foi composto como uma homenagem do autor a um grande chorão: Pixinguinha, Anacleto de Medeiros, Ernesto Nazareth e, por fim, Chiquinha Gonzaga, foram os escolhidos. O QU4TRO A ZERO, ao adaptar a obra da partitura para conjunto regional e orquestra de cordas, para a formação de choro elétrico, presta homenagem àquele que, com seu sexteto, é a maior fonte de inspiração do grupo.
Enfim, em Choro Elétrico, o QU4TRO A ZERO apresenta uma música brasileira instrumental moderna, carregada de frescor e, ao mesmo tempo, fundamentada em nossa história musical, fruto de vigorosa reflexão estética sem, no entanto, perder a espontaneidade, plena de coerência, de execução esmerada e produção cuidadosa.

Quatro músicos de cidades diferentes se encontraram em Campinas, ao cursarem a graduação em música popular da UNICAMP e resolveram unir histórias diferentes numa afinidade comum: o choro. Coincidentemente, a vontade de todos era de imprimir uma feição mais moderna a esse gênero musical, no entanto, preocupavam-se em não descuidar dos elementos que o caracterizam como uma das músicas mais enraizadas nas tradições brasileiras. Assumiram como princípio básico de seu trabalho a preservação do espírito do choro: através de um criterioso trabalho de pesquisa musical, recorreram às gravações dos grandes chorões e à insubstituível prática com grupos regionais, a fim de adquirir um amplo conhecimento das características rítmicas do choro, de sua leveza, sua complexidade contrapontística e seu fraseado típico.

Daniel Muller, Danilo Penteado, Eduardo Lobo e Lucas da Rosa adaptaram estes elementos, tradicionalmente associados ao conjunto regional, a seus instrumentos principais, respectivamente, piano, baixo elétrico, guitarra e bateria. Neste processo, uma importante referência foi o histórico Sexteto de Radamés que, ainda na década de 50 (e apresentando-se até a década de 80), interpretava muitos choros, dentre um repertório de músicas brasileiras diversas, com uma formação não usual no gênero: dois pianos – Radamés e sua irmã, Ainda –, guitarra – Zé Menezes –, baixo – Vidal –, acordeom – Chiquinho do Acordeom – e bateria – Luciano Perrone.

Depois de três anos de muito trabalho, o entrosamento entre os músicos se tornou uma marca do grupo. A afinidade entre eles se traduz em sinergia, em intensa interação musical. É evidente o prazer que sentem ao tocarem juntos.

Entre as conquistas recentes do QU4TRO A ZERO, destacamos a obtenção do 2° lugar no Prêmio Visa de Música Brasileira, edição instrumental, em 2004 (ao todo, se inscreveram 514 candidatos); a seleção para excursionar com o projeto Pixinguinha (a caravana deve sair no 2° semestre de 2005); a apresentação no projeto Prata da Casa e na Mostra Prata da Casa, do SESC Pompéia/SP, em 2004; a aprovação em 2 editais para a ocupação das salas FUNARTE, no Rio de Janeiro e em São Paulo; a apresentação na 1ª Mostra Brasil Instrumental, em 2004 e no V° Festival Brasil Instrumental em 2005, em Tatuí; a pré-seleção no projeto Rumos/Itaucultural 2004/2005, além de apresentações nos SESCs Consolação e Araraquara.

Trombone do Brasil, de Roberto Marques7. Trombone do Brasil, de Roberto Marques. Rob Digital. Brasil.

CD que inaugura série dedicada a instrumentistas brasileiros. Roberto Marques é um craque que hoje acompanha intérpretes do quilate de Marisa Monte e da tribo acústica dos Titãs, mas que tem solos espalhados por discos dos melhores artistas brasileiros, de Roberto Carlos a Caetano, de Milton Nascimento a Zeca Pagodinho. O repertório é absolutamente clássico, indo de Chico Buarque, Zé Keti e Waldir Azevedo até standards da boa música de gafieira. Um disco de Big Band para ouvir e dançar.

Sion & companhia, de Roberto Sion8. Sion & companhia, de Roberto Sion. Zabumba Records. Brasil.

Desde 1981, quando lançou seu primeiro disco solo, pelo selo Som da Gente, Roberto Sion tem desenvolvido muitos trabalhos na área da música instrumental. Com o Grupo Pau Brasil resultaram 3 álbuns, na década de 80: Pau-Brasil, Pindorama, Cenas Brasileiras. Após estes, vieram Happy Hour (vários meses entre os mais vendidos, segundo a Folha de S. Paulo), Terra Natal (com Arismar do E. Santo, Silvia Goes e João Parahyba), e seu último álbum, Oferenda, com Toninho Ferragutti, gravado no Japão e lançado aqui pelo selo Eldorado. O CD Sion & Companhia leva o nome do mais recente trabalho de Roberto Sion: um quarteto em que ele toca sopros e piano, ao lado de jovens músicos da Jazz Sinfônica - Fernando Corrêa (guitarra) e Rogerio Boccato (percussão) - mais o jovem baixista Alberto Luccas . O nome do grupo vem de uma idéia que Sion teve ao ver um antiqüíssimo cartaz de seu pai (1920) sentado no escritório de exportação de café, Sion & Co, que possuía filiais em Londres e Nova Iorque. No texto, elogios a seu conhecimento de vários tipos de grãos e as virtudes do café brasileiro. Portanto, num duplo sentido, Sion se encontra em ótima companhia e ainda presta homenagem a uma época, como dizendo que já não se exporta tanto café, mas se pode consumir boa música aqui no Brasil, e por que não exportá-la? É o que foi feito em fevereiro de 2004, quando o CD foi lançado nos Estados Unidos em uma turnê pela Flórida e Louisiana, que antecedeu o lançamento no Brasil. A proposta musical do grupo contempla releituras de composições como As Pastorinhas, de Noel, e Esses moços, de Lupicinio, onde Sion re-arranja os caminhos harmônicos, estruturais, e abre espaço para improvisações, sem descaracterizar a essência dessas maravilhosas composições. Ao lado disto, trabalham-se também arranjos de composições originais, onde a criatividade e a improvisação são sempre elementos primordiais. Que Sion & Companhia possa contribuir para a beleza e a evolução da nossa música instrumental é o nosso mais sincero compromisso!

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