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revista de cultura #
44 |
discos da agulha
Um
cidadão do mundo. Assim pode ser definido Antenor Bogéa, músico,
diplomata, viajante, humanista e, sobretudo, como revela a sua música,
humano. O disco reúne lançamentos de sua própria autoria, além de
sucessos consagrados da MPB, como uma adaptação que Antenor fez para o
francês da música “Futuros Amantes” de Chico Buarque e uma
excepcional interpretação de “Joana Francesa”, também de Chico, na
qual Antenor faz um dueto com a esplêndida cantora espanhola Paloma
Berganza. Participações especiais de Alcione, Anna Condeixa, Célia
Rabelo, Márcia Maria, Mariana Moraes, Fernando Sarney, Mano Borges, Miúcha,
Paloma Berganza, Rita Ribeiro, Sandra Duailibe e Simone Guimarães. Peregrino
é aquele que viaja. Mais do que isso, peregrinar significa viajar em
busca de algo, de um significado. É certo que Antenor Bogéa peregrinou
pelo mundo. Diplomata de carreira, foi adido cultural na embaixada
brasileira em Paris, foi Cônsul em Marselha, e serviu também, ao longo
de sua carreira, na Espanha e, transitoriamente, em países da África (Moçambique,
Costa do Marfim e Senegal). Mas
a peregrinação de Antenor não ocorre apenas através do mundo. Como
mostra esse seu novo trabalho (sucessor de outros três discos –
“Samba em Paris”, “Estações” e “Torcida Brasil”, todos
produzidos e lançados na França), a peregrinação do músico-diplomata
também ocorre pelas vias nem sempre fáceis de serem trilhadas da música,
da poesia e dos sentimentos. O
disco, que conta com participações especiais de artistas de grande
talento como Alcione, Anna Condeixa, Célia Rabelo, Márcia Maria, Mariana
Moraes, Fernando Sarney, Mano Borges, Miúcha, Paloma Berganza, Rita
Ribeiro, Sandra Duailibe e Simone Guimarães, reúne lançamentos de
autoria do próprio Antenor, como a canção “Marinheiro” (em parceria
com o colega músico e diplomata Guilherme Coimbra), um verdadeiro hino à
peregrinação em busca do amor, além de sucessos consagrados da MPB,
como uma adaptação que Antenor fez para o francês da música “Futuros
Amantes” de Chico Buarque e uma excepcional interpretação de “Joana
Francesa”, também de Chico, na qual Antenor faz um dueto com a esplêndida
cantora espanhola Paloma Berganza. Além
das músicas de sua autoria como “Sete chaves” e “Teu olhar”, o
novo CD nos brinda também com um forró de Hervé Cordovil (“Pé de
manacá”), igualmente adaptada para o francês por Antenor. Há canções
dos compositores Eduardo Rangel (“Sex shop”) e Luiz Quintanilha
(“Pedaço de samba”), de Brasília, e dos maranhenses Zé Américo,
Oberdan Oliveira e César Teixeira, músicos que despontaram nos festivais
de música de São Luís, nos anos 70. De César Teixeira, Antenor gravou
a bela e movimentada “Bandeira de Aço”, originalmente gravada por
Papete e que está para o Maranhão como “Valsa de uma cidade” está
para o Rio de Janeiro. Foram
incluídas no novo CD duas canções do primeiro disco: “Fim de tarde”
(parceria com o irmão violonista Demétrio Bogéa) e “Samba em
Paris”, composto em homenagem à cidade luz e que muito tocou nas rádios
francesas nos anos 90. Os
arranjos são de Farlley Jorge Derze, Leandro Braga e Zé Américo. Quanto
ao espírito do músico Bogéa e do seu disco, ninguém melhor do que Ivan
Lins, amigo do diplomata-compositor, para definí-lo: “O nosso Brasil é realmente um país incrível, fascinante, maravilhoso. Produz a mais eclética, rica, bela e invejada música deste planeta. Essa música mágica vem de uma vocação natural de um povo para, de um nó de pingo d`água de um sopro de vento, de uma enciclopédia britânica, criar poesia e melodia e encantar o mundo. Com paixão e beleza. Querem um exemplo? ANTENOR BOGÉA. Diplomata, boêmio, poliglota e também compositor, cantor, músico, poeta, contador de estórias, paizão, maridão, cidadão do mundo… Só podia ser brasileiro. Portas e janelas abertas para o bem-sentir, para o cativar, para o seduzir… Basta só ouvir esse seu último CD "Peregrino", onde ele vem luxuosamente acompanhado de grandes vozes e excelentes músicos, para que vocês entendam direitinho o que quero dizer. Bênção, Antenor!”
Sinceridade
e emoção nas 25 pérolas de Cartola, o mais lírico dos poetas do morro,
interpretadas por Elton Medeiros e Nelson Sargento, dois de seus
principais parceiros,e pelo grupo Galo Preto que acompanhou o próprio
Cartola no show "Acontece" de 1978. Gravado ao vivo no
show-homenagem aos 90 anos do compositor, este CD que traz cinco músicas
inéditas, está sendo considerado pela crítica como um clássico
definitivo do samba. "Só
Cartola" traz cinco músicas nunca gravadas no Brasil, "A
Mangueira é muito grande", "Velho Estácio", "Ciúme
Doentio", e "Deixa", interpretadas pelo parceiro e amigo
Nelson Sargento, e o prelúdio instrumental "Sol e Chuva". Elton
Medeiros - também companheiro - relembra suas parcerias com o mestre:
"Sofreguidão", "A Mesma história", "Peito
Vazio". "Injúria" e "O sol Nascerá". Nelson e
Elton também cantam juntos alguns sambas memoráveis.Os arranjos
refinados são de Afonso Machado, bandolinista do Galo Preto e pesquisador
que compilou as partituras de 140 músicas de Cartola. Em breve estará
sendo lançado o vídeo, com a gravação do show, ao vivo, e até julho
sairá um songbook com as partituras das 25 músicas deste CD
definitivo.
O compositor Jorge Simas tem músicas
gravadas por Elizeth Cardoso, Délcio Carvalho, Elymar Santos, Zeca
Pagodinho, João Nogueira, MPB-4 e outros. Tem músicas em parceria com
grandes nomes da MPB, como: João Nogueira, Zeca Pagodinho, D. Ivone Lara,
Délcio Carvalho, Ivor Lancelotti, Cacaso, Jorge Aragão, Marcos Paiva e
Reginaldo Bessa. Em
2000, lançou o CD Carta ao Rei,
fruto de sua parceria com o grande poeta Paulo César Feital, lançou
o CD Carta ao Rei, que contou com as participações especiais de
grandes como: Chico Buarque, Leny Andrade, Paulo Moura, Selma Reis,
Carlinhos Vergueiro e Cris Delano. Pela
Palavra é o segundo
CD autoral com obras do violonista e compositor Jorge Simas. Apresentando
um leque variado de músicas, o repertório vai do samba ao choro e suas
vertentes, afinal é por aí que o autor e intérprete tem suas raízes. Dentro
deste contexto desfilam ilustres parcerias em músicas como: “O
Despertar do Mago (João Nogueira e Jorge Simas), “Ser Tão Só”
(Jorge Simas e Delcio Carvalho), “Seo Tião e Seo Bonfim”(Edyl Pacheco
e Jorge Simas), “Meu Rio” (Jorge Simas e Roberto Martins), “Riscando
o Chão” (Márcio Proença e Jorge Simas) e ainda “ Cor de Rosa “e
“ Waldeocly “ assinadas por Jorge Simas e Paulo César Feital. Há
também, faixas onde ele assina letra e música: “Malandro Internet”,
“Nos Olhos de Quem Se Ama”, “Quatro Velas”, “Minha Lei” e
“Pela Palavra”, que dá título ao CD. Ouve-se
assim Jorge Simas, ora como letrista, ora como melodista, ora como os
dois, nas mais diferentes situações temáticas. Em muitas delas o pano
de fundo é o cotidiano carioca. Jorge
Simas é responsável também, por quase todos os arranjos, mas convidou
Ruy Quaresma (em duas faixas) e Marinho Boffa (em uma faixa) para darem
com seus reconhecidos talentos de arranjadores mais um toque de realce ao
CD. Há
que se ressaltar as presenças de músicos que integram o primeiro time de
nossa MPB, e que dispensam comentários: Mauro Diniz, Alceu Maia e Márcio
Almeida (cavaquinho); Kiko Furtado e Philippe Baden Powell (piano); Dirceu
Leitte e Ruy Alvim (sopros); Chico Chagas (acordeon); Afonso Machado
(bandolim) ; Alexandre Cavallo (baixo); Moacyr Neves (bateria) e Jorginho
do Pandeiro, Mestre Zizinho, Silvão, Macalé, Ovídio e Marcelinho
Moreira (percussão).
Primeiro
CD solo do violoncelista, cantor e compositor Lui Coimbra, um artista que
começou no canto, tendo estudado depois violoncelo, instrumento pelo qual
apaixonou-se e que deu grande impulso a sua carreira. Músico de discos de
Zizi Possi, de estrada de Alceu Valença, arranjador de Ana Carolina,
membro destacado do grupo Aquarela Carioca, Lui integrou a banda de Zeca
Baleiro na turné européia de "Líricas". Depois de todo esse
trajeto Lui retorna ao canto nesta estréia surpreendente. Com repertório
calcado no popular brasileiro da mais pura origem, arranjos de alta
qualidade, excelentes composições próprias e uma interpretação vocal
madura que equilibra técnica e emoção, Lui prova com competência que
é possível injetar bom gosto em um produto de fácil assimilação pelo
público. Um
instrumento surgido na Europa medieval, uma voz contemporânea do novo
mundo. O artista Lui Coimbra professa fé estética na lavra. "Ouro e
sol" é seu primeiro CD solo - resultado de quase 25 anos de garimpo
num cadinho de baticuns, canções, cirandas que colocam na mesma roda
Capiba e cultura pop. Música étnica brasileira por um
"violonceleiro". Às
quatro cordas de seu cello soma-se uma emissão vocal com eco dos quintais
mineiros. Filho de pais nascidos nas cidades de Carangola e Ourofino, o
carioca Lui reverencia de forma explícita tal ascendência em "Peixe
vivo". Adapta uma canção de domínio público a seu escaninho
singular. Como guia o charango, instrumento de cinco cordas duplas, origem
inca, cujo groove andino é pontilhado pelo flautim preciso de Mário
Seve, titular dos sopros neo-chorões do Nó em Pingo D?Água. Logo
na primeira faixa Lui mostra a que veio, cantando o poema Astrologia
de Mário Quintana, por ele musicado e delicadamente acompanhado ao
violoncelo. Segue-se a faixa título Ouro e Sol versão de Lui e
Zeca Baleiro para a música de Sting Fields of Gold aprovada com
louvor pelo compositor britânico. A partir daí uma mistura de composições
com forte sotaque regional- como as cirandeiras Vem Morena de
Baracho e Minha Ciranda de Capiba- com canções do próprio Lui,
com destaque para a belíssima Flores de Amsterdã de forte apelo romântico.
Há espaço até para a composição Fazê o que? do contemporâneo
Pedro Luís que ganhou uma sofisticada introdução de rabeca. Os
arranjos são um show a parte, introduzindo inesperados elementos de
cordas nas baladas e subvertendo com acentuações roqueiras nas cirandas
mas sem deixar de trilhar o bom gosto a que se propõe desde a primeira
nota. Estréia rara esta de Lui Coimbra, que consegue em seu primeiro CD
atingir patamares de qualidade só alcançados por artistas consagrados e
assim mesmo depois de muita estrada.
A
afinidade da talentosa cantora americana Pamela Driggs com a música
brasileira, colocou-a no projeto do selo japonês aosis representando a
ligação entre o jazz e a bossa-nova. Com arranjos impecáveis de Cesar
Camargo Mariano, Ben Wittman e Romero Lubambo, Pamela desfila com sua voz
envolvente But Not for Me de Ira e George Gershwin, Midnight Sun de Lionel
Hampton e Johnny Mercer, duas composições póprias em parceria com
Romero e as brasileiras Você e Eu de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra e
Uma Canção sem Tom, uma homenagem a Tom Jobim de Paulo César Pinheiro e
Cesar Camargo Mariano. Super super cool.
O
primeiro CD do QU4TRO A ZERO registra as experiências do grupo na
transposição da linguagem e estrutura do choro, do tradicional conjunto regional
(formado por um, dois ou três violões – um dos quais de 7 cordas –,
cavaco, pandeiro e um solista, geralmente flauta ou bandolim) para um
quarteto cuja base é piano, guitarra, baixo elétrico e bateria, formação
a que o grupo denominou choro elétrico. Tais
experiências foram aplicadas a um repertório diversificado, dentro do
vasto universo do choro. Foram explorados alguns clássicos - obras de
compositores como Pixinguinha, Jacob do Bandolim e Ernesto Nazareth,
grandes referências definidoras do gênero; choros de autores mais
contemporâneos, de linguagem moderna, como Radamés Gnattali e Paulinho
da Viola; e, por fim, composições inéditas, dos próprios integrantes
do grupo (Conta Outra, de Danilo Penteado e Choro Infinito,
de Eduardo Lobo). No
som, há juventude e bom-humor: o QU4TRO A ZERO dá atenção ao aspecto lúdico,
brincalhão, presente no choro desde os seus primórdios, em faixas como O
Gato e o Canário, polca de Pixinguinha e Benedito Lacerda; Um
Baile em Catumby, maxixe de Eduardo Souto e Conta Outra,
composição inspirada de Danilo. Ao
mesmo tempo, há seriedade: o grupo propõe uma nova perspectiva dentro do
choro, em que um profundo embasamento na sua tradição se associa à
liberdade na utilização (criteriosa) de elementos de outros universos
musicais, do samba às músicas latinas, do jazz à música erudita. O
respeito absoluto aos grandes artistas que construíram a trajetória do
choro, aliado à vontade de seguir em frente, resulta num alargamento das
fronteiras do gênero. Bolacha Queimada, de Radamés Gnattali,
expandida do original para piano solo, Sarau para Radamés, de
Paulinho da Viola, relida num arranjo cheio de surpresas e Choro
Infinito, composição de Eduardo que transita por diferentes
texturas, são faixas que evidenciam estas preocupações do grupo. Chiquinha
Gonzaga, que encerra o
disco, é o 4° e último movimento de uma peça maior de Radamés chamada
Suíte Retratos. Sua gravação traz um sentido especial. Cada um
de seus movimentos foi composto como uma homenagem do autor a um grande
chorão: Pixinguinha, Anacleto de Medeiros, Ernesto Nazareth e, por fim,
Chiquinha Gonzaga, foram os escolhidos. O QU4TRO A ZERO, ao adaptar a obra
da partitura para conjunto regional e orquestra de cordas, para a formação
de choro elétrico, presta homenagem àquele que, com seu sexteto,
é a maior fonte de inspiração do grupo. Quatro
músicos de cidades diferentes se encontraram em Campinas, ao cursarem a
graduação em música popular da UNICAMP e resolveram unir histórias
diferentes numa afinidade comum: o choro. Coincidentemente, a vontade de
todos era de imprimir uma feição mais moderna a esse gênero musical, no
entanto, preocupavam-se em não descuidar dos elementos que o caracterizam
como uma das músicas mais enraizadas nas tradições brasileiras.
Assumiram como princípio básico de seu trabalho a preservação do espírito
do choro: através de um criterioso trabalho de pesquisa musical,
recorreram às gravações dos grandes chorões e à insubstituível prática
com grupos regionais, a fim de adquirir um amplo conhecimento das características
rítmicas do choro, de sua leveza, sua complexidade contrapontística e
seu fraseado típico. Daniel Muller, Danilo Penteado, Eduardo Lobo e Lucas da Rosa adaptaram estes elementos, tradicionalmente associados ao conjunto regional, a seus instrumentos principais, respectivamente, piano, baixo elétrico, guitarra e bateria. Neste processo, uma importante referência foi o histórico Sexteto de Radamés que, ainda na década de 50 (e apresentando-se até a década de 80), interpretava muitos choros, dentre um repertório de músicas brasileiras diversas, com uma formação não usual no gênero: dois pianos – Radamés e sua irmã, Ainda –, guitarra – Zé Menezes –, baixo – Vidal –, acordeom – Chiquinho do Acordeom – e bateria – Luciano Perrone. Depois
de três anos de muito trabalho, o entrosamento entre os músicos se
tornou uma marca do grupo. A afinidade entre eles se traduz em sinergia,
em intensa interação musical. É evidente o prazer que sentem ao tocarem
juntos. Entre
as conquistas recentes do QU4TRO A ZERO, destacamos a obtenção do 2°
lugar no Prêmio Visa de Música Brasileira, edição instrumental, em
2004 (ao todo, se inscreveram 514 candidatos); a seleção para
excursionar com o projeto Pixinguinha (a caravana deve sair no 2°
semestre de 2005); a apresentação no projeto Prata da Casa e na Mostra
Prata da Casa, do SESC Pompéia/SP, em 2004; a aprovação em 2 editais
para a ocupação das salas FUNARTE, no Rio de Janeiro e em São Paulo; a
apresentação na 1ª Mostra Brasil Instrumental, em 2004 e no V°
Festival Brasil Instrumental em 2005, em Tatuí; a pré-seleção no
projeto Rumos/Itaucultural 2004/2005, além de apresentações nos SESCs
Consolação e Araraquara.
CD
que inaugura série dedicada a instrumentistas brasileiros. Roberto
Marques é um craque que hoje acompanha intérpretes do quilate de Marisa
Monte e da tribo acústica dos Titãs, mas que tem solos espalhados por
discos dos melhores artistas brasileiros, de Roberto Carlos a Caetano, de
Milton Nascimento a Zeca Pagodinho. O repertório é absolutamente clássico,
indo de Chico Buarque, Zé Keti e Waldir Azevedo até standards da boa música
de gafieira. Um disco de Big Band para ouvir e dançar.
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