| . |
|
|
revistas em destaque |
![]() |
telescópio
(brasil)
CW - Você é capaz de resumir, em umas poucas linhas, o
que é Telescópio? ERC - Telescópio é um meio de divulgação da cultura
alternativa produzida no país e fora dele através da Internet, rádio,
jornal, vídeo, leituras em lugares públicos, etc… Começamos como um jornal impresso, mas chegamos à conclusão
de que não podemos nos restringir a um determinado formato, pois a própria
cultura se manifesta através de vários meios. CW - Dê-nos um histórico, conte-nos faz quanto tempo e
como surgiu Telescópio. É
iniciativa mais individual ou algo coletivo, desdobramento ou conseqüência
de atividades de um grupo? Que papel você desempenha em Telescópio?
Faz tudo, ou há colaboradores regulares? ERC - A iniciativa foi exclusivamente minha em relação ao
tablóide, cuja primeira edição foi lançada em 1995. Logo em seguida o
amigo Marcelo Duarte tornou-se co-responsável pela diagramação e inserção
de matéria visual impressa e on-line. Agimos em perfeita coesão,
discutindo e trabalhando amigavelmente. Recentemente o amigo Fernando
Dagolds também tornou-se um parceiro regular. Os colaboradores são os
amigos e pessoas que estejam produzindo algo interessante e que procuram
espaço para divulgar seus trabalhos. Há pessoas de toda parte do Brasil e
alguns colaboradores estrangeiros também. CW - Quero um perfil seu, uma minibiografia. Dê-me os
antecedentes dessa sua relação com poesia e com música, algo sobre sua
formação. ERC - Sou advogado e músico profissional (piano e sax),
minhas primeiras leituras em poesia se deram por volta dos 15 anos de idade.
Sempre gostei de ler poetas e autores diversos, ouvir e tocar músicas e
estilos variados, mas tenho especial carinho pelos autores transgressores, o
jazz, bossa nova, blues, música oriental, latina, tropicalistas, rock, música
concreta, folk, eletrônica, experimental, enfim de tudo um pouco. Os
autores que sempre releio, entre outros, são Nietzsche, Voltaire, Sartre,
Edgar Morin, Chomsky, Artaud, Murilo Mendes, Octávio Paz, Tchecov, Hess,
Kropotkin, Piva, Pessoa, Oswald de Andrade, Ésquilo, Li-Tai-Po, toda a geração
beat, e por aí vai… CW - Por que Araçatuba? Circunstância, por você residir
aí, ou escolha? Araçatuba já deu algum sinal de reconhecimento por
projetar-se assim através da net? Havia (parece-me) parceria com um jornal
regional? ERC - Araçatuba é uma “cidade-dormitório”,
circunstancialmente mudei-me para cá, vindo de Bauru no começo dos anos
70. Se eu pudesse gostaria de morar e trabalhar em São Paulo, ou em outras
cidades mais relevantes que Araçatuba. Se pudesse, até sairia do país… Tivemos em Araçatuba algum reconhecimento e espaço através
da extinta Agência Interior (Universidade Toledo) e Folha da Região, um
jornal local. No mais, o reconhecimento se restringe a artistas consagrados
do rock e da MPB, como Tom Zé, Tetê Espíndola e Arnaldo Baptista, além
de jornalistas, poetas, editores, acadêmicos de outras cidades (Caxias do
Sul - RS, em especial), movimentos sociais, partidos como o PCO, PSTU,
estudantes, anarquistas, sites culturais, de algumas prefeituras (Ribeirão
Preto - SP), bandas e gravadoras de rock, programas de rádio (Oscar Quessa
- Rádio Cultura e Hilda Costa -Jovem Pan). Estes são nossos maiores
divulgadores e incentivadores, e ficamos contentes de estarmos inseridos
dentro de um universo tão eclético. CW - O que mais diferencia Telescópio de outros periódicos eletrônicos e lhe confere
identidade? ERC - A abordagem de temas que normalmente não estão na
grande mídia, abrindo espaço para a divulgação de trabalhos e obras
marginais. Além disso, parte do que é publicado no Telescópio não provém
de fontes tradicionais como agências de notícias, por exemplo, sempre passíveis
de manipulação, mas dos próprios artistas e geradores do fato em si. A
independência dos meios tradicionais de comunicação é uma das características
que buscamos sempre. CW - Chama a atenção Telescópio ser ao mesmo tempo selecitivo, ter preferências manifestas,
e eclético. Abrange bossa-nova, com uma espécie de culto a Nara Leão e
Menescal, poetas contemporâneos, com destaque para, entre outros, Roberto
Piva, cinema, especialmente Glauber, algo de política, inclusive, durante
uma época, com atenção ao MST, parece-me. Há uma proposta, uma filosofia
ou visão de mundo que unifica ou articula tudo isso? ERC - Nara Leão é minha cantora preferida, representou a
modernidade da MPB em pessoa, como advertiu Caetano Veloso em seu livro
“Verdade Tropical”. Isso já seria suficiente para justificar minha
admiração por Nara, que nunca fez concessões ás gravadoras e aos
poderosos, e produziu ao lado de Roberto Menescal discos maravilhosos,
sempre apoiando novos compositores, redescobrindo os sambistas negros do
morro, esquecidos pela mídia. Além disso, Nara abriu caminho para o samba
de protesto, foi irmã da Tropicália, e contestou a ditadura militar num
momento crítico, quando muitos se calaram. Gravou de tudo que fosse bom, e
sempre se afastou do estrelato, do glamour, da mediocridade reinante. Piva
é uma inspiração constante, porque só acredita em “poetas
experimentais que tenham vida experimental”, sem desvincular poesia e
vida. Piva foge da idolatria, dos clubinhos e academias estéreis de poesia.
Glauber também apreciava Nara, houve influência mútua. A virulência poética
de filmes como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e “Terra em Transe”
ainda são imprescindíveis para quem pretende ver de perto esse país,
nossa realidade miserável, nossa pavorosa colonização hollywoodiana,
nossa educação cristã debilitada, nossa “esquerdalha” que emperra
todas as revoluções possíveis… O MST é um
movimento muito importante, na medida em que se insere de forma incisiva na
realidade brasileira, na questão do uso da terra, um tema secular e sempre
relegado pelas elites no poder. As conquistas nessa área só podem ocorrem
através de atitudes de mobilização e organização, e o MST é
extremamente atuante e corajoso nesse sentido. CW - Diga algo sobre a expansão de sites e divulgação
de poesia e outros temas culturais pela internet. Quais são seus principais
parceiros e interlocutores? ERC - Há na Internet uma série de sites culturais muito
bons: a Barata, Agulha, Whiplash, Blocos, Jornal de Poesia, sites de Tom Zé
e Tetê Espíndola, Fausto Wolff, Continental Combo, Senhor F… a lista é
enorme. Mantemos contato e colaboração com todos eles. CW - Em matéria de acessos, como está Telescópio?
Quem o acessa ou consulta? ERC - Temos um público restrito, mas seleto: são músicos,
escritores, poetas, jornalistas, atores, curiosos ligados às artes em
geral. Algo em torno de 400 a 500 visitas mensais. Considerando que a coluna
não tem a visibilidade de sites mais consagrados e que é dedicada ao espaço
das artes, diria que está razoável. CW - O que você gostou mais de publicar ou divulgar em Telescópio? ERC - A divulgação de bandas de rock, poesia visual,
agenda cultural, protestos contra os governos Lula, Bush, Sharon, Blair… Tudo o que publicamos nos dá prazer, mas ajudar a divulgar
novos artistas e novos trabalhos acredito ser o mais satisfatório. CW - O que você gostaria de apresentar ou pôr em Telescópio
e ainda não fez? ERC - Maiores recursos audiovisuais: trechos de músicas e
vídeos, que por exigirem muito espaço e largura de banda, não podem ser
utilizados dentro da estrutura atual. Temos espaço restrito de hospedagem,
basicamente só utilizamos texto e imagens estáticas, mas o espectro das
artes vai muito além disso. CW - E o futuro? Quais serão os próximos passos? Há
planos de expansão, haverá crescimento de Telescópio seja na própria net, seja no meio impresso, sobre papel?
Quantitativo, qualitativo ou ambos? Algo deverá ou deveria mudar? ERC - Na verdade, o Telescópio surgiu como um tablóide,
ou seja, versão impressa. Devidos aos crescentes custos de impressão,
houve uma migração para a Internet, um meio que, além de permitir o uso
mais amplo de recursos visuais e sonoros, é mais barato de se manter. O ideal seria manter as duas frentes, versão impressa e
Internet, mas, uma frase resume tudo: não há dinheiro. Pelo menos não
aqui em Araçatuba, onde o interesse dos patrocinadores é mínimo. Mesmo na
Internet, dependemos de uma série de colaboradores voluntários, que fazem
todo o trabalho por amor à arte. Isso ainda existe, acredite. Há planos de expandir a coluna, incorporando novos
colaboradores e novos recursos tecnológicos, mas esse deverá ser um
processo lento e contínuo, um verdadeiro exercício de sobrevivência. E estamos atentos às novas possibilidades da tecnologia, faremos uso de tudo aquilo que nos permita acompanhar a velocidade da arte. www.telescopio.vze.com |
|
parceiros da agulha |
. |
| .. |