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Tita do Rêgo Silva e o mundo fantástico, faceiro e colorido
da xilogravura
Viviane de Santana Paulo
Os seres
antropomórficos que habitam o universo de Tita do Rêgo Silva chamam a
atenção
não só
pelo movimento
concedido à imagem, reforçado
pelas pernas longas e finas, mas
a alegria e a
descontração
das figuras e o
uso
de cores
fortes
caracterizam sua
obra. A primeira
impressão
adquirida é a de uma ilustração
de um conto infantil ou a série de figuras
parece contar ela
própria suas
histórias. Nascida
em 1959, em
Caxias, no Maranhão, e formada em artes plásticas na universidade
de Brasília, Tita do Rêgo Silva vive
em Hamburgo desde
1988. Trata-se de uma artista
reconhecida, que no percurso de suas experiências
estéticas adquiriu
um
estilo singular,
desvencilhando-se da arte européia e buscando
a fonte de inspiração em suas
próprias raízes. As técnicas
múltiplas utilizadas na xilogravura
abriram-lhe espaço
para o experimento
e a criação
com
diversos motivos
extraídos da cultura brasileira.
Para
aqueles que escolhem explorar suas origens
culturais, segundo a maranhense: “no Brasil precisa-se
ter
muita coragem
para o artista
não ser
encarado como
um
etno-artista, isto é, artesanal, folclórico.
A brasilidade
não
é vista como
arte no Brasil”. A partir
de tal afirmação, somos imediatamente remetidos à
concepção
ideológica do Movimento Modernista e
à Semana de 22 e nos
indagamos onde estariam os ecos desse movimento
que foi um
marco na história
da arte brasileira.
O Movimento Modernista propagava justamente a idéia
de aproveitar tudo
o que era
proveniente do estrangeiro e
adaptá-lo às raízes nacionais. Assim surgiu pela
primeira vez
o destaque para
tudo o que
era brasileiro,
à miscigenação das
raças, à natureza, ao
folclore, ao índio, ao
negro, ao caboclo do
campo, à culinária e
assim
por diante.
Até que
ponto a ideologia
antropofágica de Oswald de Andrade estendeu-se à arte
de hoje é um
tema interessante de
ser
analisado profundamente, no entanto, não o
faremos nesse ensaio, levantaremos apenas alguns aspectos relevantes
a esse
respeito.
Os
artistas
plásticos como
Hélio Oiticica,
Lygia Clark, Tunga, entre outros, pertencem à uma
tendência
vanguardista que
mescla os
elementos
brasileiros em
suas obras
de forma intrínseca.
A concepção representada na famosa instalação
Tropicália de Hélio
Oiticica
exposta no Museu
de Arte Moderna
do Rio de Janeiro,
em 1967, estendeu-se na música, dando nome
ao Movimento Tropicalismo, caracterizado pela
contracultura,
pelos
valores
diferentes
daqueles que eram propagados na época, incluindo na música
referências consideradas bregas, cafonas,
ultrapassadas, de mau gosto. Na arte, Hélio Oiticica
procurou atingir uma nova
ideologia: “com
a
teoria da Nova
Objetividade queria
eu
instituir e caracterizar
um estado
da arte brasileira
de vanguarda, confrontando-o com os grandes momentos da arte mundial e
objetivando um
estado
brasileiro da arte ou das manifestações
a ela relacionadas... No início do texto
sobre Nova
Objetividade, invoco Oswald de Andrade e
o sentido da
Antropofagia
como um
elemento
importante
nesta tentativa de
caracterização
nacional. Tropicália é a primeira tentativa consciente, objetiva,
de impor uma imagem
obviamente “brasileira” ao contexto atual
da vanguarda e das
manifestações
em geral
da arte nacional.”
(artigo publicado no jornal Folha de
São Paulo,
Folhetim,
São Paulo, 8 de
janeiro
de 1984). A Tropicália e a Nova Objetividade de Oiticica
poderiam ser encaradas
como
uma extensão do
Movimento
Modernista, diferenciadas pelas formas
de expressão distintas adotadas pelo próprio
Oiticica
e pelos
artistas
Clark e Tunga, que exploraram suas manifestações
estéticas através
da instalação,
isto
é, do objeto e do ambiental.
É
verdade
que “o produto
artístico é
sempre
fruto também
da herança
que
nós recebemos do
trabalho
estético feito
pelos nossos
predecessores e
esse
trabalho estético
não se coloca
simplesmente
apenas no campo
do nacional” (Haroldo de Campos, Asa Delta para o
Êxtase,
em Hélio
Oiticia e Lygia Clark, Funarte, RJ, 1987). Sendo
assim,
normalmente, a arte
é uma mescla das
influências
exercidas pelas tendências internacionais interagidas na
vivência
cultural do artista. No
decorrer
da história da arte
brasileira, são
muitos os
artistas
que conseguiram
desenvolver
um trabalho autêntico, sem deixar de incluir suas experiências
e influências
estéticas
vividas e adquiridas em seu país, como Sérgio Camargo, Iberê Camargo, Amílcar de Castro,
Eduard Sued, Waltércio... para
mencionar
alguns nomes.
Observamos que a questão de trabalhar as origens não é exclusiva
dos artistas
brasileiros, é bem
provável
que artistas
de outras culturas não-européias e
norte-americanas possuam este dilema: como integrar as raízes na arte moderna de forma que não caíam no
folclórico? Provavelmente, não apenas no
Brasil é necessário coragem
para seguir um caminho que entrelace
as raízes culturais com as tendências internacionais
ditadas pela Europa e pelos Estados
Unidos, livrando-se da classificação “exótico”
ou "folclórico".
Para inserir-se no panteão
dos artistas bem
reconhecidos, desprovidos dessas etiquetas é necessário seguir um caminho arriscado
ou entregar-se de
vez
à arte européia ou
norte-americana e a
seus mandamentos
de originalidade, correndo o risco da perda
de
autenticidade.
Por
outro lado,
é verdade que
a maioria de nossas raízes está
arraigada na Europa, significa que,
muitas coisas consideradas tipicamente brasileiras têm origem européia, o que
veremos no decorrer desse
ensaio.
A
originalidade
na obra de Tita do Rêgo Silva reside
em
sua autenticidade,
as fontes européias
não
lhe oferecem mais
nada de novo,
é no reconhecimento
de sua
identidade
e de suas raízes culturais que o novo abrolha e floresce. Tita desistiu
cedo
de criar uma arte exclusivamente européia e voltou-se à tradição cultivada em
sua região
natal: a
xilografia,
muito propagada
através
da literatura de cordel.
Dessa forma, sua
obra desperta a
curiosidade
não só
do observador estrangeiro,
curioso em
conhecer outra
cultura, um
novo mundo, mas também a curiosidade do próprio brasileiro que pouco conhece de sua
própria cultura.
Embora, Tita não
tenha procurado transpor
em
seu trabalho
as características das ilustrações empregadas
na literatura de cordel
e essa influência tenha ocorrido de
forma
inconsciente, para
entendermos seu
universo
criativo, necessitamos de conhecer mais profundamente os “folhetos
de feira”.
Um
cabra de Antônio Silvino
Por
nome
de Zelação
Morto
há 24 anos
Contou um drama
moderno
Dizendo que
o inferno
Estava em
revolução
Foi quem
trouxe o ocorrido
Desta tenebrosa
cena
Dizendo, lá
no inferno
Ninguém
termina a
quinzena
Há grande
revolução
Tem morrido
tanto
cão
Que
quem
ouvir contar faz pena
[João José da Silva]
Os “folhetos
de cordel”
brasileiros
têm a sua
origem
na chamada
literatura
de cordel portuguesa, no final do século
XIX, e já existiam na Espanha e
França. Portanto, trata-se de uma
tradição
brasileira de
origem
européia, mas deglutida pela cultura brasileira, mais
especificamente a norte e nordestina, e hoje em dia a literatura de cordel tornou-se um
gênero típico
dessas regiões.
Segundo
as pesquisas da professora de literatura brasileira
da universidade da Paraíba, Francisca
Neuma Fechine Borges, esse tipo de literatura
encontra-se quase
extinta
na Europa, sendo cultivada apenas por alguns colecionadores. Ela
divide os folhetos de cordel brasileiros
em três
grandes grupos:
os que versam
sobre
temas
antiqüíssimos
herdados da tradição ocidental ou oriental; e aqueles cujos relatos estão mais
diretamente relacionados com o contexto brasileiro e com características basicamente nordestinas.
Outro
especialista, Américo Pellegrini Filho,
professor
de Patrimônio
Natural, Cultural e Folclore
da universidade de São
Paulo, fala-nos sobre as várias
classificações referentes à temática, isto
é, das narrativas
poéticas
tradicionais, das ficções sobre temas de amor, humor, aventura, vingança, santos e diabos,
entre outros,
até do denominado “cordel
circunstancial”, da narrativa poética de caráter
jornalístico que
abrange temas
políticos
e sócio-políticos como o
suicídio
de Getúlio Vargas, o fracasso de
Collor de Melo, a renúncia de Jânio Quadros ou sobre os posseiros
do Maranhão, sobre o Pelé na Copa do Mundo ou o preço alto da gasolina
e etc., essa espécie de
literatura
de cordel
também
era chamada
de “folheto da
época”.
Os
“livretos populares” ainda
existem, geralmente
escritos
com rimas
em redondilha
maior ou
sextilha, e continuam mantendo as
características
originais, são
basicamente ilustrados pela xilogravura, mas também pelo desenho, clichê,
pela fotografia
ou gravura
em borracha.
A maioria das
ilustrações
é em branco
e preto, sendo raras as ilustrações em cores.
Vamos tratar
da chegada
quando Lampião
bateu
um moleque
ainda moço
no portão apareceu.
- Quem é você,
Cavalheiro -
- Moleque, sou
cangaceiro
-
Lampião lhe
respondeu.
-
Não
senhor - Satanás, disse
vá dizer que
vá embora
só me
chega gente
ruim
eu ando muito
caipora
e já estou
com
vontade
de mandar mais
da metade
dos que tem
aqui
pra fora.
Moleque
não, sou vigia
e não sou o
seu
parceiro
e você aqui não entra
sem dizer quem é primeiro
- Moleque, abra o
portão
saiba que
sou Lampião
assombro do mundo
inteiro.
[José Pacheco da Rocha, 1890-1954]
A
técnica
chinesa da xilogravura
era
usada na Europa basicamente para ilustração de livros.
O artista e
ilustrador
francês, Gustave Doré (1832-1883) ficou famoso com as ilustrações para os clássicos da literatura
mundial, A Divina
Comédia
e Dom Quixote.
Posteriormente, a
xilogravura
alcançou outra
dimensão
na Europa com o
pintor
alemão Albrecht Dürer (1471-1528), que passou a usar a xilogravura como expressão artística
independente do livro.
No Expressionismo (1900-1925), com o grupo de artistas alemães
"Die Brücke", a xilogravura e a litogravura
alcançaram um
espaço
muito significativo
nas obras de Ernst Ludwig Kirchner,
Karl Schmidt-Rottluff, Felix Vallotton, Max Pechstein e Erich Henkel. A artista Käthe Kollwitz sobressaiu-se através de suas
belas e polêmicas
gravuras
sobre a miséria
humana no
holocausto, foi a expressividade de
suas obras que
impeliu Lívio Abramo a dedicar-se à gravura
intensivamente.
Quando
Lasar Segall chegou ao Brasil, em
1912, trazia as influências do Expressionismo a ser empregadas no Modernismo
brasileiro. Contudo,
a xilografia,
tão
explorada no Expressionismo, não adquiriu grande
destaque no nosso
país, embora
alguns artistas
do Modernismo,
como
Tarsila do Amaral, Portinari e o próprio Lasar
Segall tenham se aventurado nesse gênero.
Mas a influência
do Expressionismo
alemão
na gravura
brasileira
foi profícua; a
partir
de então, os
gravadores
Oswald Goeldi (1895-1961) e Lívio Abramo (1903-1992 ) inseriram a gravura na história
da arte no Brasil e tornaram-se
mestres
clássicos dessa
técnica.
Vale a pena mencionar que os primórdios da gravura
brasileira encontram-se ligados aos nomes de Carlos Oswald (1882-1971) e Raimundo Cela (1890-1954). Das cidades
do Rio de Janeiro
e de São Paulo encontraremos outros artistas
que também
se expressaram nesse campo, como Evandro Carlos Jardim,
Fayga Ostrower, Sérvulo Esmeraldo, Ivan Serpa, Ademir Martins, Renina Katz,
Anna Letycia, Marcelo Grassmann e outros.
O Clube de
Gravura
de Porto Alegre, fundado por volta de 1948, exerceu
importante
papel na história
da gravura no Brasil e os nomes de Carlos Scliar, Vasco
Prado, Glauco Rodrigues e Danúbio Gonçalves, entre outros,
sobressaíram-se pelos fundamentos de uma identidade
nacional nesse
gênero. Na gravura de
cordel, chamam a atenção
os nomes
de José Francisco Borges, Erivaldo Ferreira
da Silva, Marcelo Alves Soares, José Costa Leite,
Abraão Batista, e
outros.
Sobretudo o pernambucano
José Francisco Borges (1935), conhecido como J. Borges, é o mais
destacado com
exposição em
várias partes do
mundo,
principalmente na Europa.
Visitando Deus a Adão no Paraíso
achou-o triste
por
viver no abandono,
fê-lo dormir logo
um pesado sono
e lhe arrancou uma
costela, de improviso
estando fresca ficou Deus indeciso
e a pôs ao Sol para
secar um momento
mas por
causa, talvez
dum esquecimento
chegou um
cachorro
e a carregou,
nessa hora furioso
Deus ficou
com a grande
ousadia do animal
que lhe
furtara o bom
material
feito para a construção da mulher,
estou certo, acredite quem quiser
eu não
sou mentiroso
nem
vilão,
nessa hora correu
Deus
atrás do cão
e não podendo alcançar-lhe e dá-lhe cabo
cortou-lhe simplesmente o meio rabo
e enquanto Adão estava na trevas
Deus pegou o rabo
do cão e fez a Eva.
[Professor Jaime Pedro Martelo, 1665-1727]
Tita
do Rêgo Silva resgata a temática dos
folhetos
e a transporta para a arte
de âmbito
internacional,
sua obra
se diferencia da gravura de cordel quando passa a criar o seu próprio mundo imagético isolado do
texto, aperfeiçoando os ornamentos que vão além do popular,
do comum. Sendo
assim, o inusitado
em
seu trabalho
encontra-se
nos detalhes
das figuras,
em
suas formas
alongadas, nas cores vivas e no múltiplo
lirismo que
a composição da
imagem
evoca. Esses
traços
distintivos tornaram grande o interesse
pelas obras da
artista
no exterior,
onde
participou de diversas exposições em importantes museus e galerias
espalhados na Alemanha, como o Museu Gutenberg, em
Mainz, além das
cidades
de Hamburgo, Heidelberg e Koblenz. Outras exposições
foram realizadas na Áustria e na Suíça. Em 2004, Tita do Rêgo Silva foi a
artista
convidada para
a abertura do
Fórum
Cultural Mundial, em São Paulo,
com a série
de 30 gravuras de
três
metros de altura
e setenta centímetros de comprimento,
intitulada "Comitê de
recepção".
Ademais, a
ilustração
do conto, "Do
recente
milagre dos
pássaros", de Jorge Amado,
traduzido para
o alemão, fez grande
sucesso entre
os colecionadores. O mesmo caminho
seguiu o folheto transformado em livro, com os versos
do cordelista João José da Silva, sobre
os heróis nordestinos Lampião e Maria Bonita.
A
jocosidade
presente nos motivos é mais
uma característica que
aproxima sua
obra
da literatura de cordel.
As figuras apresentam situações satíricas que
poderiam ser ilustrações
de títulos de
folhetos,
como estes:
O homem que
casou com a jumenta,
de Olegário Fernandes da Silva, O rapaz que casou com
uma porca no
estado
de Alagoas, de José Soares, História da razão
dos cachorros chorarem o feofó uns
dos outros, de Abraão Batista
ou A moça
que bateu na mãe
e virou cachorra, de Rodolfo, com a gravura
de uma figura
com
corpo de cadela
e cabeça de
moça,
ou O homem
que virou bode,
versos e
ilustração
de Dila. Assim
como
no cordel, o
imaginário
de Tita engendra uma realidade
fantástica, dando enfoque
às criaturas
híbridas e aos animais excepcionais, aos monstros
e aos seres
inexistentes. Essas figuras
são
originárias das associações extraídas
de
sua infância,
dos contos
folclóricos
narrados pelos
adultos, das historinhas em
quadrinhos, as quais lia muito quando era pequena, da
sincretização das religiões católica e africana,
da natureza
exuberante
cheia de cores
vivas e bichos.
Tita usa
animais
típicos de sua
região
natal e da fauna
brasileira como
motivo, como
o peixe, o
tamanduá, o boi, o
cabrito, o pássaro, o
jacaré, o tatu, a
formiga. A forma
definida
e inusitada deve-se ao alongamento das figuras
que, incorporado à
metamorfose, ao híbrido e à
antropomorfia, enfatiza as situações
descontraídas, integradas nos elementos
da miscigenação de
culturas, estabelecendo uma linguagem pueril na obra.
Mas são
os ornamentos
criados
de forma minuciosa
que revelam a complexidade e o cuidado que
excedem a simplicidade e
popularidade
da gravura
empregada
na literatura de cordel;
além disso, a questão
cromática, isto
é, o vigor das cores
selecionadas, individualiza o trabalho dessa artista. Nas imagens
vemos animais
com
traços humanos
andando de patins e segurando um guarda-chuva, um pássaro de chapéu, outro
sentado segurando uma flor, uma vaquinha simpática
com rodinhas ao
invés
das patas...
como
a gravura do
painel, intitulado Contos
de Infância, de setenta
centímetros
de altura e quarenta e quatro metros e
meio de
comprimento,
que foi encomendado
para
decorar o muro
de um grande
hospital em
Hamburgo.

O
diabo,
dono de um
lugar especial
nesse universo
fantástico, não
é interpretado por uma visão sinistra,
aterradora, e sim
pela
inocência. O diabo
aqui é aquele
que aparece nas
canções
infantis ou no
cotidiano
das pessoas do
campo,
com suas
expressões típicas e antigas crenças, expressões
como “que
o diabo te
carregue”, “que o
diabo
te pegue” ou
“vai pro diabo”. Consideremos
que
a figura do diabo
é comum nos
folhetos, significa
que
o diabo convive no
dia-a-dia
das pessoas do
campo, "do homem
comum",
isto é, trata-se de uma figura popular.
Da mesma forma,
com relação
aos demônios
africanos
a artista se distancia do funesto e do iníquo
e sob os
artifícios
das cores, do
gracejo, ressalta a força, o
poder
e o desconhecido na
figura
dos demônios. Os
deuses
africanos como
Exu, Oxóssi,
Xangô ou
a rainha
Iemanjá
também se salientam nessa fusão de diferentes
cultos religiosos.
Tita do Rêgo Silva dedica-se ainda à instalação de altares,
onde deixa
mais evidente
essa sincretização das religiões
existente no Brasil e faz uma reinterpretação dos
seus
elementos, dos
símbolos
religiosos provenientes de diferentes crenças.
A dinâmica das figuras
oferece ao admirador a
condição
necessária para
a sua
interpretação
própria, assim
as obras permanecem de
preferência
sem título.
Cada pessoa que ingressa
nesse universo multifacetado, jocoso, de cores
exuberantes e de
originalidade, é seduzida pela
animação,
isto é, pelo movimento ou pela riqueza de detalhes, e está livre
para criar ela mesma as associações com
o seu mundo
real.
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