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revista de cultura # 50 |
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Segurança só na Rocinha Alberto Beutenmüller
Mas o que se pode esperar de um país que deixou de estar à beira do abismo para tornar-se o próprio abismo? Dias depois do roubo das telas famosas, eis que um bando adentra um quartel e rouba fuzis. O Exército sente-se ofendido na sua honra e faz uma companhia subir o morro atrás das armas, que foram tiradas de dentro de sua própria casa.
O pior ainda estava para suceder: o general-comandante do exército, general Francisco Roberto de Albuquerque parar um avião, fazê-lo arremeter o vôo programado, e retornar para pegá-lo, junto com a esposa. Além disso, a Cia. aérea teve de oferecer a um casal civil que descesse para subir o casal militar. Não soube disso nem na época da ditadura… A pergunta que não quer calar: se o general Albuquerque não fosse general, ele teria feito o que fez? E a Cia. Aérea teria mandado a aeronave voltar? Triste país que ainda vive sob o regime do sabe com quem está falando? Enquanto isso, políticos corruptos safam-se da comissão de ética com votos nada honrosos de seus colegas, graças a acordos espúrios do PT e do PFL. A estratégia do exército não é digna: ocupa o morro para atrapalhar o tráfico de drogas e, assim, fazer com que os chefões do tráfico mandem as armas de volta. É para isso que os soldados brasileiros estão sendo treinados. Quanto aos museus do país, estão todos falidos e são roubados e vezes há em que o desfalque é escondido pelas próprias diretorias.
O patrimônio público brasileiro perde suas principais peças, graças à falta de política cultural de defesa dos nossos bens, bens que pertencem à sociedade, embora os presidentes das fundações brasileiras pensem que o acervo dos museus lhes pertence.
A solução A diretora do Museu da Chácara do Céu deveria assinar um convênio com os traficantes de Santa Tereza para que tomassem conta de obras tão importantes como as que foram roubadas, já que o Museu da Chácara do Céu não tem competência para fazê-lo. Quem não tem competência, não se estabelece – diz um ditado popular. É triste constatar, mas o crime organizado é a única coisa organizada no Brasil. Quem sabe na mão dos únicos mentores que oferecem segurança real aos cariocas a segurança dos museus retorne. Sim, porque o tráfico é a única entidade a dar segurança a todos os moradores de favelas do Rio – fato que nem a prefeitura do César Maia nem o governo de Rosinha Garotinho conseguiram oferecer até hoje aos seus eleitores e concidadãos.
Se a diretora Vera Alencar quiser segurança total ao museu que dirige, procure os líderes do tráfico na Rocinha (quase Rosinha), eles saberão impor o toque de recolher e não deixarão que balas perdidas perfurem as telas do Museu da Chácara do Céu.
Em tempo: a tela o Jardim de Luxemburgo, de Matisse, chegou a ser ofertada em leilão bielo-russo, nas páginas da Internet. Trata-se, segundo a polícia carioca, de quadrilha internacional de roubo de obra de arte. Não me diga! É mesmo! Apesar disso, a polícia não tem uma equipe de experts para combater roubos e falsificações de obras de arte. Estava para terminar estas notas, quando outro museu foi assaltado em 10 peças de ouro: o Museu da Cidade. Parece haver uma “epidemia” de roubos de museus no Rio de Janeiro. O Museu da Cidade pertence à Prefeitura, agora é com o César Maia. Lembre-se, prefeito, a segurança com os traficantes do Comando Vermelho é total. Nem o exército se mete com eles, se não leva bala! |
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Alberto Beuttenmüller (Brasil, 1935). Poeta, crítico de arte e ensaísta. Autor de livros como Katatruz (poesia), Volpi, Ianelli e Aldir - Três coloristas e Viagem pela Arte Brasileira. Atualmente, é editor do Jornal da ABCA, Associação Brasileira de Críticos de Arte. Contato: fredmuller@uol.com.br. Página ilustrada com obras do artista Ivald Granato (Brasil). |
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