revista de cultura # 52
fortaleza, são paulo - julho/agosto de 2006

livros da agulha

O novo cinema iraniano, de Alessandra Meleiro1. O novo cinema iraniano, de Alessandra Meleiro. Escrituras Editora. São Paulo. 2006. Visite www.escrituras.com.br. Contato: imprensa@escrituras.com.br.

Qual o papel do cinema na atual sociedade iraniana? Quem influencia quem, o que, como e quando? Como é possível o florescimento da arte cinematográfica numa sociedade islâmica, com um governo altamente repressor e com as verbas aprovadas oficialmente para a produção de filmes? Trata-se de uma relação delicada e intrincada entre as partes envolvidas. Com prefácio de Teixeira Coelho, o livro O Novo Cinema Iraniano - Arte e Intervenção Social aborda todas essas questões de modo profundo e, ao mesmo tempo, interessante.

O prestígio e o sucesso de tantos nomes - de diretores, de filmes, de autores do Irã -, como Abbas Kiarostami e Mohsen Makmalbaf, em evidência na mídia, não são por acaso. Há uma efervescência política e cultural em andamento desde o fim da Guerra Irã-Iraque e a transição de governos. A sociedade amordaçada por tantos anos quer mostrar que seu país não pode ser reduzido a notícias e estereótipos divulgados pelas grandes redes de comunicação, principalmente as ocidentais. Também não se molda àquela imagem veiculada pelo governo nas propagandas políticas. O universo iraniano é muito mais complexo e rico.

Os filmes analisados por Alessandra Meleiro, que realizou três meses de pesquisa de campo no Irã, evidenciam a substituição de políticas culturais de enquadramento ideológico por outras de visões pluralistas e revolucionárias, a substituição de velhos valores pelos novos, apontando as contradições de uma sociedade em vigorosa transformação.

O Novo Cinema Iraniano - Arte e Intervenção Social conduz a diferentes olhares, a diferentes mundos e verdades. Política, cultura, religião e arte com pontos e contrapontos de história a serem desvendados página a página.

Alessandra Meleiro é pós-doutoranda pela Faculdade de Economia e Administração (FEA), da USP, com o tema "Estrutura e dinâmica da circulação internacional de produtos audiovisuais". É doutora em Cinema e Políticas Culturais pela ECA/USP e mestre em Multimeios pelo Instituto de Artes/Unicamp. A autora ministra aulas no Master Audiovisual Business Administration, no Istituto Europeo di Design, em São Paulo, e é membro da Society for Cinema and Media Studies da University of Oklahoma. Atualmente, é Reseach Fellow da University of London - Faculty of Arts and Humanities. Colabora com artigos sobre cultura e análise internacional para os jornais Folha de São Paulo (cadernos Mais! e Ilustrada) e Valor Econômico e para a revista Carta Capital. Atua ainda como curadora e produtora de projetos culturais e audiovisuais junto a instituições como Sesc - São Paulo, Itaú Cultural e Centro Cultural Banco do Brasil.


Lições de Sade - Ensaios sobre a imaginação Libertina, de Eliane Robert Moraes2. Lições de Sade - Ensaios sobre a imaginação Libertina, de Eliane Robert Moraes. Ed. Iluminuras. São Paulo. 2006.

Publicada na clandestinidade, sentenciada ao fogo, proibida ou censurada, a obra do marquês de Sade restou condenada ao silêncio por quase dois séculos. Até hoje - quando o escritor “maldito” parece ter cedido vez ao “clássico” -, a indomável ficção sadiana ainda dá margem a especulações que, não raro, desembocam em equívocos.  

Desvios de tal natureza costumam reduzir o autor à idéia de sadismo, ora incorporada por discursos científicos, ora explorada pelo mercado. Visões comprometidas, sobretudo se prescindem da leitura atenta do mestre de todas as libertinagens. Nada mais oportuno, portanto, do que voltar às raízes do pensamento e da vida do polêmico marquês para compreender a trama perversa do seu imaginário - tão difícil de ser qualificado.

Dotados de rara clareza, os ensaios de Eliane Robert Moraes configuram um olhar que privilegia a força imaginativa de Sade. Propositor de um erotismo sem precedentes, o criador da “Sociedade dos Amigos do Crime” funda um domínio único de expressão literária, marcado pelo excesso, cujos personagens devem ser compreendidos para além de qualquer alusão realista.

Procurando contemplar essa visão, as reflexões aqui apresentadas circulam entre a literatura, a filosofia e a história, voltando atenção especial aos detalhes que constituem a impressionante arquitetura erótica proposta pelo escritor francês. Por isso mesmo, justifica-se o destaque dado a temas inesperados como as sociedades secretas da libertinagem, a alimentação dos devassos, ou a paisagem noir dos castelos do deboche.

Essa diversidade também está presente nos comentários sobre as repercussões da obra sadiana, que constituem verdadeiro testemunho do seu efeito perturbador. Da exaltação do “divino marquês”, promovida pelos surrealistas, às reflexões que lhe dedicaram Octavio Paz ou Roland Barthes, o que se percebe é a notável e seminal influência da imaginação libertina sobre muitos autores que lhe sucederam.

Lidos em conjunto, os textos de Lições de Sade expõem o aprendizado de uma leitora exigente, que vem freqüentando a literatura libertina há duas décadas. Eliane Robert Moraes, dotada de estilo sagaz e elegante, revela uma sintonia fina com os ensinamentos sintetizados na frase de um dos mais lascivos personagens do marquês: “Toda a felicidade do homem está na imaginação”. O mesmo vale para os leitores destas lições.

Eliane Robert Moraes é professora titular de Estética e Literatura no departamento de Jornalismo da Puc-SP. Doutora em Filosofia pela USP, atua como crítica literária, colaborando em diversos jornais e revistas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Traduziu a História do Olho de Georges Bataille para o português (Cosac & Naify, 2003) e publicou diversos ensaios sobre o imaginário erótico nas artes e na literatura, além dos livros: O que é pornografia (em co-autoria, Col. Primeiros Passos, Brasiliense, 1984); Marquês de Sade - Um libertino no salão dos filósofos (São Paulo, EDUC, 1992); Sade - A felicidade libertina (Rio de Janeiro, Imago, 1994); e O Corpo impossível (São Paulo, Iluminuras/Fapesp, 2002).

 

Teatro completo, de Renata Pallottini3. Teatro completo, de Renata Pallottini. Ed. Perspectiva. São Paulo. 2006.

Renata Pallottini é uma artista inestimável e rara. Floresceu na grande geração paulista dos anos de 1960 que trouxe renovação à cena contemporânea, inseriu o teatro como vanguarda no amplo movimento político-cultural que caracterizou a época e marcou de maneira decisiva as gerações posteriores. Como dramaturga, alinha-se a autores da importância de Gianfrancesco Guarnieri, Plínio Marcos, Lauro César Muniz e outros. E a Lírica, gênero que domina como poeta de primeira linha, também dá suporte e distingue seu trabalho em teatro. Como pesquisadora, Renata influenciou com seus ensaios sobre dramaturgia toda uma geração de estudiosos e dramaturgos. O vigor que a dramaturgia brasileira apresenta atualmente - em multiplicidade de experiências e em quantidade e qualidade de obras - tem em Renata Pallottini uma de suas mais significativas origens e neste volume de seu Teatro Completo uma expressão de sua fecunda contribuição para o amplo espectro temático, histórico, político e poético que se apresenta ao espectador e ao leitor de suas produções. [Luís Alberto de Abreu e J. Guinsburg]

Renata Pallottini, poeta, dramaturga, contista, romancista, nasceu em São Paulo, e nesta cidade realizou seus estudos preliminares; graduou-se em Direito pela faculdade de Direito de São Francisco, da Universidade de São Paulo, e em Filosofia pela Faculdade de Filosofia de São Bento, da Pontifícia Universidade Católica. Fez, mais tarde, o curso de Dramaturgia da Escola de Arte Dramática da USP, e cursos de Literatura e Língua Espanhola e de História da Arte, na Universidade de Madrí, Espanha. Advogou durante algum tempo, optando depois pela Literatura e pelo Magistério. Ministrou cursos em Roma, Itália, na Embaixada do Brasil; na Universidad Autônoma de Barcelona, Espanha; em centros culturais de Lima e Cuzco, Peru, na Escuela Internacional de Cine y Television de Havana, Cuba. Foi ainda Diretora da Escola de Arte Dramática da USP, presidente da Comissão Estadual de Teatro da Secretaria de Estado da Cultura e Chefe do Departamento de Teatro da ECA/USP. Recebeu o prêmio PEN CLUBE DO BRASIL, para Poesia, em 1961; o prêmio GOVERNADOR DO ESTADO, para Teatro, em 1965; no mesmo ano, o prêmio MOLIÈRE, de Teatro; o prêmio ANCHIETA, de Teatro, em 1969; a MEDALHA DO MÉRITO, da Câmara Municipal de São Paulo, em 1971. Recebeu o prêmio JABUTI, de Poesia, em 1996 e o prêmio CECILIA MEIRELES, de Poesia, em 1997, entre outros.

 

Ayvu membyre/Hijo de aquel verbo, de Susy Delgado4. Ayvu membyre/Hijo de aquel verbo, de Susy Delgado. Edición trilíngüe. Versión en portugués de José S. Rodrigues. Centro de Estudos Brasileiros Asunción-Paraguay. 2005.

Esa palabra es mujer. Y es madre de numerosos hijos e hijas. Es lo que en un solo giro nos dice con tanto propiedad la lengua guaraní en labios de mujer. Ayvu membyre: Hijo o hija de palabra madre. Palabra de mujer que dios situó frente a su propio corazón en reflejo exacto y diferente, y la hizo conocedora de su propia divinidad. Y así como se abre cual flor la palabra fundamental, flor de luz en las tinieblas originarias, surge también el fundamento del amor, y de entrambos en un tercer movimiento nace el himno inacabable, en quien se inspirarán los excelsos verdaderos padres de las palabras-almas, las excelsas verdaderas madres de la palabras-almas, después de haberlo asimilado entrañablemente.

La poesía de los Mbyá-Guaraníes no ha terminado y siempre hay madres excelsas que la dirán con acentos nuevos que continúan los antiguos. Ayvu membyre es nueva voz que goza de toda la libertad de decir lo que todavía no había sido dicho. Ayvu membyre no está hecho sólo de palabras; pero si se quiere, es cuerpo de palabras, hijo e hija de una palabra-mujer.

Un poema esta hecho con palabras de sonido paladeable y tangible en un horizonte, por cierto muy ancho, pero no indefinido. Por eso las palabras están situadas en un ambiente que las recorta singular y concretamente, pero no les quita libertad con que nacen. Significante y significado, decimos, porque ahí está ese hijo e hija de un Verbo encarnado e inconfundible, con muchos ancestros y muchos hermanos, pero que comienza a caminar con propia andadura.

Poesía es decir concretamente lo nuevo, y también lo sabido. Las palabras de esta lengua ya la conocíamos, pero esta serie de palabras de este cuerpo armonioso y bien trabado, las encontramos por primera vez.

Y en cada lengua en que se diga el poema habrá nueva creación, tanto más pura cuanto que en ella se trabaja más la forma que el contenido ya conocido. En otra lengua surge otra forma, y esto es también creación. El texto pasa a otro horizonte, pero sin quedar descolocado del original. “El Verbo universal sólo habla dialecto”, nos decía Pedro Casaldàliga, obispo poeta, en su convencido respeto por todas las palabras de todas las lenguas y culturas. En realidad nunca hay dos hijos enteramente iguales. Las resonancias y armónicos de cada lengua están siempre presentes, y hay que tenerlos en cuenta para no engendrar burdos adefesios en traslados al pie de la letra.

Susy Delgado había presentado ya dos hijos de ese Verbo suyo. Traducción del guaraní, decía ella, la castellana. Dos palabras, diría yo, no repetidas, cada una con su propio genio y figura, carácter e historia.

Llega ahora una nueva versión en lengua portuguesa, que también es creación. La lengua que nos es vecina y familiar, algo semejante, que vive dentro de un horizonte, en cuanto brasileña, con aire y tono parecidos, pero -ahí está el engaño- con finas propiedades y matices no tan fácilmente intercambiables. Y no sólo la búsqueda de nuevas posibilidades de decir sino el placer de acceder a otros timbres y voces, justifica esta llave de paso que lleva a otra lengua y otro mundo.

JSR, al decirlo en otra voz, crea a su vez otro mundo. Es una propuesta de adaptación, dice el traductor. Toda traducción es en efecto una adaptación, y el árbol bien adaptado no sólo continúa viviendo, sino que crece y se crece, cría ramas y da frutos. Esto ocurre cuando a un poeta lo traduce otro poeta, otro hijo de la palabra-alma. Horacio traducido por fray Luis de León es Horacio León.

¿Por qué no decirlo? Hay versos del guaraní que suenan y se gustan mejor en las propuestas lusitanas voces del adaptador que en las de la autora cuando se dice en Castilla.

Son, pues, ahora tres poemas que se sustentan en sí mismos, Ayvu membyre mbohapy, tres hijos y tres palabras-almas que corren hermanadas al mismo tiempo que independientes y libres. El analista, si quiere, podrá comparar las tres creaciones y afinar sus correspondencias, sus puntos de contacto y sus distancias. Pero no sea tal vez, la manera de gustar un poema el mezclar y confundir sazones alternadamente. La versión portuguesa es autónoma y tiene su gusto y voz propios.

Susy Delgado. Escritora bilingüe y periodista, nació en San Lorenzo, Paraguay, en 1949. Su obra literaria muestra una clara preeminencia del género de la poesía. Sus cuatro poemarios en guaraní -Tesarái mboyve (Antes del olvido), Tataypýpe (Junto al Fuego), Ayvy membyre (Hijo de aquel verbo) y Ñe’ë jovái (Palabra en dúo)- están reunidos en la antología que lleva este último título. Entre sus poemarios en castellano están Sobre el beso del viento, La rebelión de papel y Las últimas hogueras. Publicó también el volumen de cuentos La sangre florecida, el libro para niños Ñe’ë saraki y la antología 25 Nombres Capitales de la Literatura Paraguaya.

Su libro Tataypýpe fue Primer Finalista en el Premio Extraordinario de Literaturas Indígenas de Casa de las Américas, Cuba, en 1991. Obtuvo también diversas distinciones nacionales y su obra ha sido traducida a varios idiomas extranjeros.

Reunió una extensa trayectoria como periodista cultural en medios de prensa paraguayos y actualmente dirige la revista Takuapu.

En diciembre de 2005 obtuvo el Premio Cide Hamete Benengeli para relatos escritos en lenguas hispánicas distintas del castellano, otorgado por la Universidad Toulouse Le Mirail y Radio Francia Internacional.  

 

Haikuazes, de Hamilton Faria5. Haikuazes, de Hamilton Faria. Escrituras Editora. São Paulo. 2006. Visite www.escrituras.com.br. Contato: imprensa@escrituras.com.br. 

Nestes Haikuazes o poeta Hamilton Faria apresenta sua visão poética do mundo e traça sua cosmovisão, de maneira transparente, límpida como a água. “Deus me deu a loucura /de brotar da palavra/ água pura”.

Neste livro, o poeta conecta-se com um caminho que lembra os haicais, mas traz desse gênero apenas o espírito. Logo, Haikuazes - seu poder de síntese de dizer muito em poucas linhas e com força poética.

Estes textos mínimos compõem um universo de emoções onde o poeta solta seus rios e eles se bifurcam em pequenos fios cristalinos que, por sua vez, transformam-se em viagens sonhadas. Assim vai construindo um cosmos habitável poeticamente, remando com encanto, contra a maré de um mundo árido e sem oásis.

Na última parte, poemas mínimos, batizados como Hais: pequena unidade formal, mas imenso vigor poético: sempre um lampejo abrindo para mundos a serem descobertos.

Hamilton Faria é curitibano e reside em São Paulo há mais de 25 anos. Escreve por influência do pai, Rômulo da Costa Faria, que foi editor do jornal Diário do Paraná. No final da década de 70, com outros poetas, fundou a Editora Cooperativa de Escritores que teve abrangência e repercussão nacional, conforme estudos publicados sobre literatura da época. Escreveu seis livros de poesia (Diavirá, 1977; Estações, 1983; Cidades do Ser, 1988; Encântaros, 1995; Súbitos Encantos para São Pedra e Espanto, 2000) e participou de doze antologias no Brasil e no exterior. Considera que o poema deve ultrapassar o estado de livro. Assim, realiza, desde os anos 70, recitais e leituras poéticas, percorrendo centros culturais, universidades e eventos no Brasil e em vários outros países. Tem diversos textos e poemas traduzidos para o francês, o inglês e o espanhol. Em 2003, publicou, na Índia, o livro Re-enchanting the World com o poeta Pedro Garcia. Em 2006, recebe, em Paris, o Prix Thorlet, da Société Académique des Arts, Sciences et Lettres, da Académie Française, pelos relevantes serviços prestados às Artes, Ciências, Letras e Cultura em geral.

 

O Valor da Verdade. Entre a ignorância e a Iluminação, de Hsing Yün6. O Valor da Verdade. Entre a ignorância e a Iluminação, de Hsing Yün [Beatriz Cortés Gómez]. Escrituras Editora. São Paulo. 2006. Visite www.escrituras.com.br. Contato: imprensa@escrituras.com.br. 

Nesta obra, o Venerável Mestre Hsing Yün, nos lança numa extensa jornada de descoberta pessoal, oferecendo insights sobre temas tão diversos quanto "gerenciamento do tempo" e "generosidade", "estresse" e "o poder do pensamento positivo", "o valor da impermanência" e do "amor verdadeiro". Há muita sabedoria prática contida nestas páginas fundamentada na filosofia budista, com seus mais de vinte e cinco séculos de cuidadosas avaliações da condição humana. Esses insights são vívidos e provocativos e nos desafiam a dar um passo atrás em nossas reações condicionadas à vida para ver as coisas como elas realmente são.
Em um mundo aparentemente destituído de valores morais, o Mestre Hsing Yün nos roga que renovemos nosso compromisso com a cidadania, pelo interesse da ordem social, e que busquemos justiça sob a superfície aparente de uma sociedade que prega a sobrevivência do mais adaptado.

O Venerável Mestre Hsing Yün é o 48º patriarca do budismo chinês da escola Ch'an (Zen).
Fundador da Ordem Budista Fo Guang Shan, sediada na ilha de Taiwan (República da China).
Nasceu na China continental em 22 de julho de 1927. Tornou-se monge noviço aos 12 anos e recebeu ordenação plena em 1941, prosseguindo seu treinamento monástico formal orientado desde cedo pelo voto de revitalizar o budismo e semear pelo mundo os ensinamentos do Buda.

Em 1949, quando a China continental foi envolvida na guerra civil, o Venerável Mestre Hsing Yün deixou sua terra natal e foi para Taiwan. Durante quase meio século, a força de seu voto, sua visão e seus esforços incansáveis influenciaram os estudos e práticas budistas em Taiwan, de onde espalhou o Darma para os cinco continentes e implantou templos, universidades, colégios budistas, bibliotecas, gráficas, galerias de arte, uma clínica médica móvel e uma estação de televisão como meio de aproximar as pessoas do budismo.

Além disso, empreendeu iniciativas para aproximar as diferentes escolas budistas entre si e o budismo de outras religiões, num trabalho ecumênico pioneiro e de grande repercussão mundial.
Desde que deixou a função de abade de Fo Guang Shan, em 1985 - a primeira sucessão em vida de que se tem notícia na história do budismo -, tem viajado pelo mundo para propagar o Darma.

A fim de juntar forças a seu trabalho de divulgação do budismo, fundou em 1990 a Associação Internacional Luz de Buda (BLIA), em Taiwan. Em 1992, a sede mundial da BLIA foi inaugurada nos Estados Unidos, onde o Venerável Mestre realiza intensos trabalhos acadêmicos em parceria com universidades da Califórnia desde meados dos anos 1970, tendo erguido nas proximidades de Los Angeles o Templo Hsi Lai, inaugurado em 1988. Desde então, mais de cem seções internacionais da BLIA foram estabelecidas, inclusive no Brasil, onde o budismo humanista do Venerável Mestre Hsing Yün também se faz presente.

Em 2003, ele esteve em São Paulo para inaugurar o novo Templo Zu Lai, coroando anos de trabalho e dando início a uma fase de intensas atividades religiosas, educacionais, culturais e sociais. Em 2004, fundou, também, a ULB - Zu Lai, a primeira Universidade Livre Budista do país.  


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