revista de cultura # 53
fortaleza, são paulo - setembro/outubro de 2006






 

Sóis gêmeos: Yvan e Claire Goll na América

Nan Watkins & Thomas Rain Crowe

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Apresentamos abaixo um artigo sobre os oito anos de Yvan e Claire Goll nos Estados Unidos da América, escrito a quatro mãos por Nan Watkins e Thomas Rain Crowe. Seria melhor dizer que, por nossa sugestão, os autores fundiram e atualizaram em um só artigo dois outros textos que ambos haviam publicado em 1999 nos EUA e na França em tradução, a saber: “Yvan and Claire Goll in America” e “Twin suns: Yvan and Claire Goll in America”. Assim, o novo texto, tomando o título do segundo artigo, passou a se chamar “Dois sóis: Yvan e Claire Goll na América”. Nele, os autores traçam a trajetória do casal Goll, desde a temporada de Yvan Goll na França dos anos 20, em que participavam ativamente do surrealismo, até aproximadamente 1939, antes da invasão à França. Ao chegarem aos Estados Unidos, os Golls vão se juntar à comunidade franco-americana de Nova Iorque. Lá, além de encontrarem um porto seguro, publicam em órgãos como a Voix de France, editado por Alain Bosquet, e France-Amérique. De 1943 a 1946, Yvan Goll edita 6 números da revista Hemispheres. Nos oitos anos que passam pelos EUA, o casal tem uma intensa vida cultural e exerce grande influência sobre artistas americanos. O artigo de Nan Watkins e Thomas Rain Crowe tem como grande mérito chamar atenção, não só do público de língua inglesa, mas também de língua portuguesa, para a importância da obra de dois poetas que, apesar da qualidade literária, continuam ainda praticamente ignorados. [Éclair Antonio Almeida Filho]

 

Claire e Yvan GollYvan Goll nasceu em 1891 na Alsácia-Lorraine. Após ser uma figura central nos movimentos Dada e expressionista na Alemanha ao lado de Hans Arp nos primeiros anos do século XX, Goll prosseguiu suas atividades juntamente com Breton, Apollinaire e Éluard, em Paris, para se tornar uma das pedras angulares do movimento surrealista francês. (Seu próprio “Manifesto do Surrealismo” precede o de Breton). Mais tarde, ele iria fundar a editora Rhein Verlag e publicar livros de poesia que foram ilustrados por artistas visuais, tais como Picasso, Léger, Dali, Chagall, Matisse, e Tanguy. Amigo de James Joyce desde cedo, Goll foi responsável pela publicação de Ulysses em alemão.

Além de ser um preeminente poeta-tradutor, Goll era um dramaturgo de enorme influência. Suas peças, tais como “Methusalem” (1922), foram a base sobre a qual Ionesco construiu seu “Teatro do Absurdo”, e foram a plataforma de lançamento para o “Teatro da Crueldade” de Artaud. Na verdade, Goll é geralmente considerado como sendo o vínculo entre Jarry e Ionesco. Goll é provavelmente melhor conhecido como poeta por causa de seu livro Traumkraut (Relva de Sonho) e por causa de seu Manifesto do Realismo (1948), no qual ele clama por uma “poesia de realismo místico”.

Já autor de uns cinqüenta livros de poesia, peças, ficção e ensaios, Goll emigrou para os EUA, quando os nazistas invadiram a França durante a Segunda Guerra Mundial. Nos EUA, ele fez amizade com William Carlos Williams e logo se tornou o celebrado editor da revista Hemispheres (1943-46).

Após a guerra, Yvan contraiu um tipo severo de leucemia, e tanto ele quanto sua esposa Claire retornaram para a França. Durante as últimas semanas que passou num hospital de Paris, ele escreveu a maior parte de sua ópera Traumkraut, enquanto era literalmente mantido vivo com sangue doado por seus companheiros poetas. Após terminar o texto para o livro que iria por fim assegurar sua reputação como poeta tanto na Alemanha quanto na França, Goll morreu em 1950, conforme diz a entrada do livro Who’s Who In Twentieth Century Literature (Quem é quem na Literatura do século XX) : “com um coração francês, um espírito alemão, um sangue judeu e um passaporte americano”.

Universalmente reconhecido como um dos maiores escritores multilíngues do século XX, Goll tem permanecido, curiosamente, desconhecido para um público geral aqui nos Estados Unidos, bem como no exterior.

Em seu livro de 1970, The Alternative Society (A sociedade alternativa), Kenneth Rexroth, em um ensaio intitulado ''Poetry in 1965" quando discute “os modernistas esquecidos” (“modernistas esquecidos” é um termo do próprio Rexroth), diz de Yvan Goll: “Há poucas coisas como Dix Mille Aubes (10,000 auroras) na literatura moderna - seu próprio título tem sempre me levado às lágrimas”. Aproximadamente ao mesmo tempo, o tradutor e antologista Paul Zweig escreveria destes mesmos poemas: “Diferentemente dos surrealistas, Goll amava um mulher real que foi um presença invariável em sua vida. Ele e sua esposa Claire formavam um turbulento mundo-do-amor do qual ele escreveu continuamente. E pode ser que Goll seja finalmente lembrado por estes poemas.”

Luis López GabúO sentimento de que Yvan Goll é um dos “modernistas esquecidos” tem sido ecoado, verbatim, nos anos recentes por Galway Kinnell, James Laughlin, Miriam Patchen, Philip Lamantia e outros que conheceram a ele e a sua obra antes de sua morte em 1950.

Kenneth Patchen e sua esposa estavam vivendo em Greenwich Village, Manhattan, nos anos 1940 quando Yvan Goll contactou Kenneth sobre sua poesia. Miriam Patchen era uma das poucas pessoas ainda vivas que conheceram os Golls e se lembravam deles em Nova Iorque. “Por um período, Yvan Goll foi o centro de um grupo de artistas que geralmente se encontrava no Village, mas ocasionalmente eles iam ao apartamento dos Golls e tinham longas noitadas de conversa sobre poesia. Na época, senti que ele era muitíssimo popular”, Miriam Patchen relembrou. “Ele conhecia todas as pessoas mais importantes”.

Yvan e Claire Goll haviam navegado sobre o Veendam a partir de Boulogne e chegaram a Nova Iorque em 6 de setembro de 1939. Eles se estabeleceram no número 136 da Columbia Heights em Brooklyn Heights, onde encontraram um porto seguro. Lá, eles se juntaram à colônia franco-americana de Nova Iorque onde muitos dos escritos de Yvan iriam aparecer em Voix de la France, editada por Bosquet, e em France-Amérique.

“Eles eram um casal extraordinário”, Miriam Patchen contou por telefone de sua casa na Califórnia. “Tínhamos uma amizade muito afetuosa com os Golls. Eles eram extremamente gentis conosco e tivemos alguns poucos jantares com eles. Eles não nos deixavam oferecer-lhes refeição, mas eles nos convidaram para sua casa uma quantidade de vezes e tivemos muitas boas conversas. Vivíamos no Village e tínhamos que fazer aquela longa viagem de metrô até Brooklyn Heights”.

Parece que, em qualquer lugar onde os Golls estivessem, eles saíam do ninho e atraíam a companhia de outros artistas. Continuando a tradição de publicar o trabalho de artistas companheiros que ele tinha começado na Europa com a editora Rhein Verlag e com o surrealismo, Yvan publicou a primeira edição de seu jornal americano literário bilíngüe, Hemispheres, no verão de 1943. Durante sua estada na América, Yvan publicou seis edições de Hemispheres, as quais incluíam não apenas alguns dos seus escritos e de Claire, mas também trabalhos de Saint-John Perse, André Breton, Alain Bosquet, Aimé Césaire, Guillévic, Henry Miller, William Carlos Williams, Philip Lamantia, e Kenneth Patchen. Philip Lamantia, que aparece na edição dupla nos números 2-3, era então um jovem prodígio americano de 16 anos. André Breton, que também aparecia na edição dupla de Hemispheres, escreveu a introdução para o primeiro livro de Lamantia e o recebeu muito bem no movimento surrealista. Falando de sua casa em San Francisco, Lamantia relembrou: “Recebi cartas graciosas e de cumprimentos de Yvan Goll expressando seu apreço por meu trabalho e por poder publicá-lo na revista que ele estava editando na época em Nova Iorque. Meu sentimento, tanto hoje quanto ontem, é de que é difícil imaginar por que ele não é melhor conhecido. Ele foi certamente uma importante figura literária para a primeira metade do século XX”. Miriam Patchen expressou tristeza pelo fato de que, embora os Golls “estivessem fazendo tudo, sua revista não estava conseguindo muitos assinantes. Eles não conseguiam obter o dinheiro das pessoas que eles sabiam que tinham”. A primeira edição de Hemispheres foi vendida por 50 centavos de dólar, e uma assinatura anual custava $1.75.

Luis López GabúNão levou muito tempo para que os Golls se tornassem imersos em seu novo ambiente e explorassem várias partes do Novo Mundo, e cada experiência de um novo lugar parecia germinar em Yvan a semente para uma nova obra. Na primavera de 1940 Yvan e Claire viajaram por Cuba durante seis semanas. A viagem inspirou o livro “Parmenia” de Yvan, cujos temas foram mais tarde destilados em “Vénus Cubaine”, que apareceu em Hemispheres números 2-3, juntamente com seu ensaio “Cuba, corbeille de fruits”. O interesse de Yvan pelas culturas indígenas da América levaram à Élégie d'Ihpétonga, que ele incluiu no número 1 de Hemispheres. Ihpétonga era o nome de indígena do lugar que os colonizadores mais tarde rebatizariam como Columbia Heights, onde os Golls estavam vivendo, e Manahatta era o nome indígena para Manhattan. “Le Mythe de la Roche Percée” (O mito da rocha furada), escrito em 1946 após os Golls terem visitado a península de Gaspé, foi inspirado pela Roche Percée, situada longe da Costa de Gaspé (um nome indígena que significa “o fim do mundo”) no Canadá, e que fica defronte à vila de Percé.

Élégie de Lackawanna, um grupo principal de poemas escritos na América, foi iniciada em 1943 em Nova Iorque. Galway Kinnell, o poeta ganhador de um Prêmio Pulitzer e tradutor da Elegia de Lackawanna, escreve: “As paisagens americanas nestes poemas - na maior parte o East River e Manhattan como vistos de sua sacada em Columbia Heights no Brooklyn - são cenas reais do outro mundo, e num nível mais profundo são as metáforas de uma região angustiada dentro do próprio poeta”. No meio do processo de escritura destes poemas que ele tinha esperado tornar um só, Yvan foi diagnosticado com leucemia. Kinnell conclui: “Conforme Yvan Goll ouve, nestes poemas, o dobrar dos sinos da morte de sua própria vida - tão rica em trabalho, amizade e amor - ecoando até ele vindo de uma distância finita, todo o seu caso de sonho com a morte, todas as suas preparações ao longo da vida, todos os seus esforços para concluir encontram o único teste...Ainda este poema, esta elegia do fim, por sua liberdade e graça, sua coragem e sua imensa tristeza que sai para alcançar todos os homens, irradia sobre o combate fracassado de Goll uma luz quase que como dando a vida como vitória”.

Está claro que a influência dos Goll ia bem mais além da comunidade franco-americana de Nova Iorque. Em 1941, encontramos Yvan Goll escrevendo a elegia a James Joyce para a revista nacional, The Nation, homenageando o amigo cujas obras ele tinha defendido e tinha sido o primeiro a publicar em alemão. Seu poema, aparecendo em francês, conclui:

Il montait tous les soirs à une balustrade

où il attendait la folle aux cheveux de mélisse

D’une racine d'Eire il tirait la ballade

Pour mourir avec elle de sa propre musique

[Ele subia todas as noites numa balaustrada

onde esperava a louca com cabelos de melissa

De uma raiz do Eire ele tirava a balada

Para com ela morrer de sua própria música]

Luis López GabúO ensaio de Yvan, “Voltaire”, apareceu em tradução inglesa no influente volume daqueles anos de guerra, The Torch of Freedom: Twenty Exiles of History. Antes que eles tivessem chegado aos Estados Unidos, o poema de Goll “Ein Gesang” (em alemão: Uma canção) tinha aparecido em alemão na importante Little Review já em 1921. O romance de Claire Goll, Une Perle, tinha sido publicado em inglês como The Jewel, pela prestigiosa casa de edição Alfred Knopf em Nova Iorque, graças à recomendação de Thomas Mann para seu amigo Knopf. Sabemos que os Golls também conheceram os editores-publishers Helen e Kurt Wolff, Allen Tate, e Marc Chagall e sua esposa Bella durante sua estada no Brooklyn.

Miriam Patchen relatou que os Golls disseram que eles tinham visitado a Califórnia brevemente. Eles tinham levado em consideração trabalhar com alguns europeus que tinham ido para Hollywood trabalhar em filmes. “Mas eles disseram que não conseguiam tolerar a atmosfera e, por isso, voltaram”. Ela lembra que os Golls freqüentemente viajavam para fora da cidade, e que várias vezes eles foram a Norfolk, Connecticut, para visitar seu amigo, o editor James Laughlin, da editora New Directions.

Outro porto seguro para os Golls na América foi a Colônia MacDowell. Fundada em 1907 em Peterborough, New Hampshire, pelo compositor Edward MacDowell e por sua esposa Marion, foi o primeiro retiro de artistas na América e permanece hoje como um refúgio de elite para artistas. Yvan e Claire Goll eram “colonos” lá a cada verão, de 1942 até 1946. Infelizmente, não há na Colônia registros contando do trabalho dos Golls enquanto estavam lá. O compositor Lukas Foss - para quem Yvan dedicou seu “Atom elegy” (Elegia do átomo), publicado em Hemispheres e como o poema de abertura do livro Fruit from Saturn, de Yvan - era, aos 22 anos, o mais jovem companheiro colono, quando Yvan o conheceu lá.

Miriam Patchen descreveu a vida dos Golls em seu confortável apartamento em Nova Iorque. “Ficava num prédio de artistas, quase como uma colônia de artistas. Havia dois quartos de dormir, e Yvan usava um para quando ia escrever. Claire escrevia à noite no próprio quarto de dormir deles, mas Yvan ficava escrevendo o tempo todo”. Ela se lembra de que, quando eles “saíam à rua, Yvan e Claire caminhavam muito rápido... Yvan era esbelto e Claire tinha uma maravilhosa aparência”.

Parece que Yvan e Claire Goll foram capazes de estabelecer-se numa relativa harmonia de vida em seus anos de exílio juntos em Nova Iorque. Miriam Patchen lembra-se deles como “incrivelmente iguais. Eles eram apenas duas pessoas juntas. Havia uma maravilhosa atmosfera com eles. Os Golls eram um casal tão feliz, pensando sobre as mesmas coisas, trabalhando pelas mesmas coisas... Claire sentia fortemente a poesia dele, mesmo se ela também escrevia”. Ela se lembra de que os Patchens e os Golls “se comunicavam basicamente em inglês. Nunca soube de quaisquer dificuldades. Apenas uma vez Claire dava umas risadinhas quando algo não saía direito mas eu diria que eles eram perfeitamente trilingües”. Os Patchens estavam conscientes da pobre saúde de Yvan, porque “Claire teve muitos momentos de teste para se assegurar de que ela comprava o alimento apropriado para Yvan. Ela explicava como ela tinha ido cedo ao Mercado para comprar os vegetais frescos... Quando comíamos com eles, Yvan dizia: “Claire diz que devo comer isto”.

Luis López GabúUm dos projetos em conjunto de Yvan e Claire foi a publicação pela editora Hemispheres do livro Love Poems, para o qual Marc Chagall fez oito desenhos. O volume consiste de 48 poemas, 24 para cada um; alguns deles apareceram em diferentes versões em outros livros de sua poesia de amor, tais como Dix Mille Aubes, mas todos são sua própria versão inglesa de sua obra. Publicado em 1947, um pouco antes que Yvan e Claire retornassem para Paris, o livro celebra o espírito aventureiro e a angústia dos dois poetas, os dois exílios, os “dois sóis” e amantes que tinham passado por aproximadamente quase trinta tempestuosos anos juntos na Suíça, Alemanha, Franças e nos Estados Unidos.

Se os leitores americanos quiserem encontrar a escritura dos Golls em inglês, eles vão descobrir que apenas uma obra está ainda em catálogo, e é a peça de Yvan, “Methusalem”, disponível nos EUA no volume da editora New Directions, Plays for a New Theater. Playbook 2, originalmente publicado em 1962. Todas as outras edições americanas estão fora de catálogo, a maioria delas tendo sido publicada mais de trinta anos atrás. O livro Anthology of German Expressionist Drama. A Prelude to the Absurd, de Walter Sokel, publicado em 1963, contém “The Immortal One” juntamente com o prefácio de Yvan para “The Immortals”. Quatro volumes da poesia de Yvan estão também fora de catálago: o magnífico projeto de tradução realizado por vinte poetas americanos vertendo Jean sans Terre para o inglês e publicado em Nova Iorque em 1958; Yvan Go1l: Selected Poems, traduzido por Robert Bly, George Hitchcock, Galway Kinnell e Paul Zweig, publicado em San Francisco em 1968; e a tradução de Galway Kinnell, Lackawanna Elegy, que apareceu numa edição bilíngüe em 1970 antes que o ciclo de poemas, originalmente escritos em francês, fosse então publicado na França; e Yvan Goll: Selected Poems, traduzido por Michael Bullock e Rainer Schulte, publicado no Texas.

Ao escrever em 1981 na introdução ao livro Selected Poems, Rainer Schulte diz: “Goll é um poeta que tem recebido muito pouca atenção no mundo que fala inglês. Trinta anos se passaram desde a sua morte em 1950 e nenhum volume de peso de sua poesia foi publicado em inglês. Não obstante, Goll é um dos mais importantes poetas do século XX; ele ajudou a formar a intensidade e o caráter explosivo imaginativo da sensibilidade poética moderna”. Ecoando os sentimentos de Schulte mas remetendo-se à literatura crítica sobre os Golls em inglês, Eric Robertson e Robert Vilain começam sua introdução ao volume que eles editaram em 1997, Yvan Goll - Claire Goll: Texts and Contexts, dizendo: “Com exceção de um breve período de interesse crítico no final dos anos 1950 e início dos anos 1960, até bem pouco tempo atrás surpreendentemente pouco de substancial foi escrito sobre Yvan e Claire, seja individualmente ou em parceria. Suas obras têm sido, na maioria das vezes, ignoradas pelas histórias da literatura européia, que tendem a pôr em primeiro plano escritores que se ajustam nitidamente numa singular categoria lingüística, genérica e estilística”. O clima está propício nos Estados Unidos tanto a novas traduções em inglês quanto a um renascimento para as obras de Yvan e Claire Goll. Nossa tradução (Crowe e Watkins), de 10,000 aubes (10,000 Dawns: The Love Poetry of Yvan & Claire Goll), publicada pela editora White Pine Press em 2004, é um passo a frente para levar a obra dos Golls aos modernos públicos que falam inglês.

Por fim, o leitor americano tem muito mais questões que respostas sobre os oito anos dos Golls nos Estados Unidos. Quais foram seus muitos contatos em Nova Iorque, Cuba, Califórnia, Canadá? Eles visitaram outros lugares também? No que eles estavam trabalhando na Colônia MacDowell? Como artistas americanos foram influenciados pelos Golls? E talvez o mais importante de tudo, por que os Golls são, eles que estiveram tão vitalmente envolvidos com seu trabalho, tão profundamente envolvidos com a promoção do trabalho de outros artistas e com as importantes questões de seu tempo e com as questões universais da humanidade, por que eles são tão pouco conhecidos na América hoje?

Éclair Antonio Almeida Filho (Brasil, 1974). Doutor em Literatura francesa pela USP (2006), e tradutor. Tem publicado vários artigos sobre Jacques Prévert e o surrealismo em diferentes revistas nacionais. Contato: eclairfilho@yahoo.com.br. Contato com Nan Watkins: nan_watkins@hotmail.com. Contato com Thomas Rain Crowe: newnativepress@hotmail.com. Página ilustrada com obras do artista Luis López Gabú (Galiza).

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