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revista de cultura # 53 |
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Lembranças afetivas do Surrealismo Cruzeiro Seixas
Em 2005 a Escrituras Editora publicou no Brasil uma antologia da obra poética e plástica de Cruzeiro Seixas (Portugal, 1920). Homenagem à realidade foi organizada por mim, porém desde os primeiros momentos contou com o apoio incondicional de Cruzeiro Seixas, em uma troca de cartas cuja seleção foi reproduzida ao final do volume. Praticamente não houve reação de crítica, o que cumpre ao menos atestar, confirmar, a condição autista da imprensa, sobretudo considerando a importância de Cruzeiro Seixas para o Surrealismo em Portugal, o prestígio de que goza internacionalmente e a oportunidade rara de ter entre nós, no Brasil, a presença de um das vozes mais expressivas da cultura portuguesa. Na seqüência de nosso diálogo, ciente de que preparávamos uma edição da Agulha dedicada ao Surrealismo, tratou de me enviar algumas raridades, sempre com um carinho especial, como veremos, a começar por esta carta, onde faz lúcida e sintética leitura do Surrealismo em seu país.
Carta Caro Floriano Relendo a tua última carta, embora num permanente estado de nervos que há alguns anos me toma, acrescento o seguinte: quanto a revistas vinculadas ao surrealismo, apenas tenho conhecimento de alguma colaboração ocasional e referências a diversos autores, que de facto seria interessante reunir, mas para o que não me sinto vocacionado, e porque a minha vida por demais dispersiva não conseguiu por vezes cabal conhecimento. Mas parece-me de acentuar o seguinte: muitas gentes mais ou menos mal intencionada acusam o surrealismo em português de estar por demais atrasado no tempo. A verdade é que outros surtos surrealistas irromperam durante os anos que se seguiram noutras partes do mundo. E principalmente há a tomar em consideração que nos anos 40 andávamos nós pelos 20 anos e essa idade aqui era muito diferente do que ter a mesma idade em Paris; o peso da família, da igreja e principalmente o peso de Salazar e da sua rigorosíssima polícia política, não nos deixava mais do que a adivinhação do que se passava pelo mundo. E quem prestar atenção à nossa posição geográfica, compreenderá o nosso terrível isolamento. Nos anos 40 reinventámos Dada e por percepção de certa forma o surrealismo. Além disso éramos todos demasiado desprovidos de recursos para nos deslocar-mos a Paris, e esses poucos que o fizeram (o O’Neil, o António Maria Lisboa, o Cesariny), traziam escondidos na exígua bagagem ou na memória, livros, exposições, encontros. Além disso, há a reafirmar que nunca se chega atrasado ao surrealismo; como a Liberdade, ele deve constantemente ser reinventado! Se esteve aqui uma surrealista de nomeada como Nora Mitrani, mal nos quis referir de regresso a Paris. É recentemente que Sarane Alexadrian na revista surrealista “Superieur Inconnu”, refere estes graves desencontros. O que muito desejo meu caro Floriano, é que para algo te possam servir a ti e à História estes dados. Se tens um filho que te ajuda, invejo um bocadinho e felicito-te muito! O mais forte abraço do, Artur
Artur é justamente o prenome de Cruzeiro Seixas, com o qual costuma assinar sua correspondência. Juntamente com esta carta, me enviou três textos de valiosa beleza, para assim compor a sua colaboração com a nossa edição. O primeiro deles é um depoimento concedido ao jornalista galego Francisco Lopes-Barxas, em 27 de março de 2003, onde recorda sua amizade com o genial artista galego, o também surrealista Eugenio Granell.
Depoimento de Cruzeiro Seixas sobre Eugenil Granell, concedido a Francisco Lopes-Barxas Não tenho grande memória e as datas sempre habitaram uma zona de grandes nevoeiros, que se tem agravado com a idade. Creio que escrevi a Granell sob o impacto fortíssimo de obras suas, quando realizei em Lisboa, (e depois tornei itinerante) uma expo “Phases” organizada a meu pedido por Edouard Jaguer, isto em 1978. Depois começou uma intensa correspondência, e transcrevo, de cartas de Granell, “Qué formidable sorpresa recibir mi livro com tus bellisimas ilustraciones sobre los motivos de los dibujos de Ludwig Zeller. No me canse de mirarlos una y otra vez. Y ahora pasa a ser una de las joyas más hermosas de mi biblioteca-pinacoteca. Aún ahora, después de haber visto cada dibujo incontables veces, no pude resistir la tentación de hacerlo nuevamente. Ya sabes cuanto me encantan tus dibujos y pinturas. Absolutamente inconfundibles, cargados siempre de un misterio y novedad que solo por su enorme fuerza poética, contribuyen a que sea vivible este mundo cada día más irrespirable”. E numa outra carta de 1968; “Uno se pregunta qué hado maléfico gravita sobre creaciones tan extraordinarias como la tuya. Que se ignore tu obra en el mundo, que no se conozca según debería conocerse y estimarse, es solo indicativo del momento de miserabilismo espiritual por el que estamos pasando. Uno se indigna, salta hasta el techo, pero y no puede hacerse nada! Sólo nos queda continuar en lo nuestro, seguir por nuestra parte hacia adelante, sin dar mayor importancia a esas miopías y poquedad universales. Tus dibujos tienen siempre un misterio poético y una indivualidad admirables, por los cuales puede reconocerse inmediatamente al gran artista que los creo inconfundible”. Assim se proporcionou durante anos, uma correspondência de grande e mutua admiração. Já não sei dizer quantas vezes estive frente a frente com Granell. Tenho o testemunho fotográfico da sua passagem em Lisboa, em 1990. E de uma das visitas a sua casa em Madrid onde me ofereceu (isto em 1982) o seu livro “La Novela del Índio Tupinamba” e “Estela de Presagios”. Mais tarde ofereceu-me “La Chambre Noir” e “Ile Coffre Mythique”, com esta belíssima dedicatória: “A mi admirado amigo Artur, que sabe, como yo, que no hay precio bastante para el disfrute de la Libertad…” Uma das telas que Granell enviara para a já referida expo “Phases”, “El Aprendiz de Jinete” foi-me generosamente oferecida. Dela foi feita uma admirável tapeçaria (1,50x1,85) na Manufactura de Portalegre. Outras obras suas e minhas viajaram entre Madrid-Lisboa e vice-versa. Tentei interessar galerias de Lisboa por uma expo individual sua, mas infelizmente jamais o consegui. Tendo por algum tempo dirigido galerias, nelas sempre que organizei expôs colectivas, figuraram obras de Granell. Para além do Surrealismo, do Amor e da Liberdade em que acreditávamos, uma grande simpatia se foi afirmando encontro a encontro. Infelizmente os meus papéis estão na maior desordem, assim como as cartas que de Granel recebi, e que são sempre admiráveis documentos humanos. Destes contactos guardo o reflexo de um homem com um profundo conhecimento do mundo. E com enorme simpatia por Portugal. Também algumas vezes África foi tema das nossas conversas pois lá permaneci 14 anos de inolvidável aprendizagem, e conhecimento de uma outra civilização, barbaramente destroçada. Inesquecível a sua casa cheia de livros, e da presença de obras de gentes ilustres. A vida de Granell é uma história apaixonante! Em sua casa encantava-me particularmente um armário onde se guardava a sua colecção de “Bonecas Kachina” dos índios Hopi. E no meio de tudo isto, como uma fada, a inesquecível presença de Amparo, sua mulher. Em Maio de 2001 realizou-se em Aveiro uma grande expo que reunia obras de Granell (36 telas) e de minha autoria. Granell não podia acreditar quanto é venenoso este meio português e sem ouvir os meus protestos e esclarecimentos, amigavelmente me obrigou a esta expo. As suas obras, “à la hauter du cri” como dizia Péret, não mereceram aqui uma palavra dos Senhores críticos e ensaístas, do que me envergonho. Em 1981, para uma sua expo, Granell pediu-me um prefácio, e nele referia eu aquele sorriso seu aos 89 anos, puro como o de uma criança! Muito bem, diz Granell que “el museo asesina al artista” e que “el sueño de los monstruos produce la razón”! Assim, talvez de facto sejamos pouco conhecidos, para além das fronteiras que nós próprios traçamos no nosso dia a dia. As figurações que pôs neste mundo, nada têm a ver com este mundo que nos metem pelos olhos dentro; as suas figurações são como faróis de mistérios e de inteligências. Essas figurações vejo-as integradas em obras de Rembrandt, de Cravage, de Rousseau ou de Gustave Moreau, o Surrealismo está em Granell, como a água está na nascente. A Liberdade que exigimos para o homem é tanto a interior como a exterior. Esta pintura que refiro com tanta admiração, é reflexo desses anos 40, de tanto horror, mas também de tanta esperança. Se a paisagem que temos actualmente é precária não será de mais o labor de tentar tornar o homem meio pássaro meio máquina, meio vidro, meio árvore, meio palavra, meio vento, meio lágrima, meio diamante. Sem poesia não há realidade… Evidentemente que aquilo que eu expus em Aveiro não estava a altura da obra de Granell, essa obra de um barroquismo espanhol, apaixonado e comunicativo, que não deixa duvidas quanto ao seu conteúdo humanista. Granell por sensibilidade, e também por certo por contactos com Cesariny mostrava-se conhecedor do Surrealismo daqui, que no entanto perfez (ou perfaz ainda?) um muito acidentado caminho, que tem talvez tudo a ver com o saber-se que os portugueses, desde sempre, preferiram sonhar a realizar os sonhos. Aqui nada é fácil.
Digo que aqui tudo é difícil e esclareço que por exemplo o Surrealismo esteve desde sempre silenciado no ensino, embora seja reconhecidamente uma das grandes esperanças do séc. XX! A todas as outras filosofias o Surrealismo se adiantou pois o seu programa foi antes de mais o indivíduo. Só com indivíduos, que sejam capazes de encontrar dentro de si a LIBERDADE, reconhecendo a Liberdade dos outros, se poderá ter acesso a um TEMPO OUTRO. Quem não tiver liberdade dentro de si, em vão a esperará dos políticos. Não fui de facto um activo combatente de esquerda, no sentido em que o foi Granell, envolvido numa horrível guerra civil. A minha família errou, e transmitiu-me o seu erro. É que depois de um tempo de constantes revoluções que se seguiram aqui à Implantação da República em 1910, muitos portugueses facilmente se sentirem cansados e desiludidos. Meus avós paternos e maternos foram convictos republicanos, mas os meus pais eram salazaristas. Erraram, mas hoje pergunto-me se erraram menos os que se ligaram ao estalinismo. Tempos perturbadores. Descoberto enfim o caminho, por duas vezes fui chamado à PIDE (Gestapo portuguesa), e são diversas as referências encontradas nas terríveis fichas dessa polícia politica, após o 25 de Abril de 1974. A minha ânsia é de ser livre, e julgar com liberdade; assim não pertenço a qualquer partido político. E por vezes é enorme o desânimo perante as insuficiências desta democracia, em muitos aspectos hipócrita escondendo uma terrível miséria material e moral. O ensino esquece ainda hoje milhões de crianças! Perante tudo isto, tento pôr-me a hipótese de que estamos a sofrer as dores de parto de um novo mundo, de tal maneira novo, que já não seja fácil os da minha idade o aceitarem… Muito gostaria de poder voltar cá daqui a uns 50 anos… Tanto quanto posso e sei é de posições morais que sobrevivo. Quanto à morte ela nunca me aterrorizou, Sempre circulou ao meu lado entre outros grandes mistérios. Foram muitos os que estimei e me estimaram e que a morte levou, mas sempre os mantive vivos ao meu lado. Metafísico é o dia a dia. Repito; não temo a morte, pois já morri mil vezes. O que mais me dói na morte é a sua espectaculosidade eu que sempre da espectaculosidade fugi. Porque não é a morte uma evaporação? Durante a minha já tão longa vida, não tive tempo de me considerar “um artista”. E há pouco se radicou em mim a ideia de que, é na morte, que está a eternidade. E é de lá que nos vem os mais fortes acenos, como os de Artaud, de Rimbaud, ou de Granell. De facto a minha obra não foi feita com consciência de “artista”, mas como uma forma de LIBERDADE. O que desenhei e pintei é como uma chave (falsa?) da liberdade, que coloco acima de tudo, pois julgo que o AMOR É LIBERDADE. No que fiz nunca houve preocupação técnica; são centenas e centenas de desenhos em papeis de acaso, que não são pensados, e que logo após serem feitos são esquecidos. Trata-se apenas de um documento, de um depoimento, de um testemunho. Mas talvez por serem menos compreendidos de tudo o que realizei, como essa chávena que tem (como nós) a asa por dentro, prefira os “Objectos”. Há no mundo de hoje, incompreensivelmente, ainda uma grande dificuldade em reconhecer, em tempo útil, gente como Granell, ou aqui, por exemplo, um poeta como António Maria Lisboa. Mas as figurações de Granell, com o seu humor, estão sempre ao meu lado. E como dar a conhecer António Maria Lisboa, se a poesia é tão dificilmente traduzível? Julgo que um e outro exprimem a surrealidade com “a consciência poética do real”. Se as minhas figurações são nocturnas, isso não significa uma escolha. O sol atravessou todas as minhas mais tenebrosas noites. Tudo acontece, como reflexo do MISTÉRIO, na minha alma. Por certo espero, inconscientemente, que da escuridão surja plenamente a LUZ. A minha vida certamente tem estado mais do lado da obscuridade, e assim, a luz tem sido persistentemente imaginada. Eu sei que devo muito a África, mas também sei que isso não é imediatamente visível no que desenhei e pintei. A África por certo esteve desde sempre dentro de mim, e é por isso que toda a minha poesia é datada de Áfricas, tratando-se talvez de duas Áfricas, a África que sou, e a África geograficamente existente com o seu drama. Granell deu-se com alguns dos nomes míticos do Surrealismo, como Breton, Duchamp. Peret, etc. Eu, preso em Lisboa tão longe do mundo, tenho como amigo o Eduard Jaguer. E a morte levou, cedo demais um outro grande amigo, José Pierre, senhor de uma notável bibliografia, que tinha grandes projectos em que me envolvia. Com ele organizei uma importante expo em 1987, em que reunia Matta, Man Ray, Silbermamn, Svanberg, Télémaque, Toyen, Camacho, Klapheck, Lam, Miro, Maddox, etc., etc., e que por desrazões nacionais, foi silenciada… Estimei sempre muito a obra de Philip West, e na Holanda conheci ainda alguns dos pioneiros do Surrealismo naquele país. E há um entendimento profundo com Jorge Camacho, como havia uma amizade com Francisco Aranda que criou o primeiro cineclube espanhol e que tanto deu a conhecer a força revolucionária de Buñuel. Há ainda os Amigos da República Checa, e há um muito admirado editor de Cuenca, o Juan Carlos Valera com uma paixão talvez só possível em Espanha. E aquele grupo Surrealista de Chicago, tão empreendedor, que torna mais evidente e dolorosa a ausência de actividade colectiva e o silêncio que aqui é imposto. Cito ainda André Coyné amigo íntimo do grande poeta que foi César Moro, e cito o romeno Perahim. Encontros inesquecíveis, trocas de obras, colaborações em “Cadavres-Exquis” e, sempre, a confirmação de um caminho. Fujo do dinheiro tanto quanto é possível, pois ele é a arma mais terrivelmente mortal deste tempo que atravessamos….
Cruzeiro Seixas
O segundo texto é esta reflexão datada de 10 de fevereiro de 2005, sobre um curioso objeto, a chávena com asa por dentro, exemplo de um dos inusitados achados surrealistas.
Sobre o Objecto “Chávena com a asa por dentro, como a maioria de nós…” É vastíssima a bibliografia do Surrealismo, mas nos anos em que me aconteceram os primeiros Objectos, era pouquíssimo o que me tinha chegado às mãos. Nos anos 40, o nosso grande mérito, foi o de reinventar por conta própria Dada. Picasso e os seus Papiers Collés, os Readymade de Duchamp, os Merz de Schwitters, são no entanto de 1912! Os primeiros Cadavres-exquis são de 1925. E a primeira exposição de Objectos realizou-se em Paris (que então era o centro do mundo), em 1936. Nada disto chegava a Portugal, e felizmente (ou infelizmente?) coisas destas são ainda hoje da maior actualidade. Em qualquer dicionário se encontrarão definições do Objecto Surrealista. Lichtenberg, em 1798 deixou-nos um curioso inventário de uma colecção de Objectos Absurdos, em que figura uma dupla colher para alimentar crianças gémeas! Como resistir a encontros como este? Trata-se de verdadeiros “coup de foudre”. É o inusitado, mas principalmente o sentido poético. Considero os Objectos que realizei como sendo o melhor da minha obra; produzi centenas de desenhos e pinturas, mas apenas guardo comigo avaramente os Objectos, o que mostra a profundidade a que se encontram no mar da minha alma. Mário Cesariny tem um verso que considero muito belo, de que ele próprio numa entrevista disse ignorar o sentido; Ama como a estrada começa. O mesmo direi do meu Objecto de 1951, “L’Opresseur”, que junta um cubo branco, uma esfera preta, uma velha torneira, uma pluma, e que no entanto figura num dicionário (“Fernand Hazan Éditeur”, 1973), pela mão de um dos próximos colaboradores de André Breton, o Jose Pierre, que de certa forma renovou a crítica pictural, publicando textos nas revistas surrealistas “La bréche”, “Le surréalisme même”, “L’Archibras”; etc., etc. No Objecto está sempre presente “L’amour fou” com os encontros mais inesperados. Que sabemos nós de um búzio exposto lado a lado com uma chave fora de uso na Feira da Ladra? O Conde de Lautréamont refere, genialmente, o encontro sobre uma mesa de anatomia de uma máquina de costura com um chapéu-de-chuva. Por certo um excesso de liberdade foi posto nas mãos dos homens, pois parece que, muito mal dela sabemos ainda hoje fazer uso… O Objecto pode testemunhar de um encontro sublime, mas também pode contrariar a função de um produto industrial, como fez Man Ray no seu “Cadeau”, um ferro de passar roupa, em que a parte que deve deslizar sobre os tecidos está cravejada de pregos.
Não quero deixar de lembrar que, tendo enviado ao Areal uma fotografia desta Chávena, ele sobre essa fotografia pintou, em 1971, um líquido tinto de sangue, de onde lutam para se evadir dois terríveis personagens. Somos obrigados a reconhecer que as palavras não são suficientes para DIZER o homem. E a sua insuficiência tem-se tornado dramática; resta-nos a poesia, a revolta, a blasfémia, a liberdade interior! Embora seja enormíssima a parte de humor expressa no Objecto Surrealista, será prudente que ninguém se deixe ficar apenas por aí. Essa é por certo uma das armadilhas que nos põe esta superior forma de comunicação. De facto o Objecto Surrealista está sempre pleno de humor negro, e foi dentro desse espírito que pus a circular a seguinte frase: Chávena com a asa por dentro, como a maioria de nós…
Cruzeiro Seixas
Quanto ao terceiro envio, trata-se de lúcido artigo sobre arte africana, escrito em 29 de janeiro de 2005, curiosamente mantido inédito até a presente data. Dá-nos, assim, uma imensa alegria, a de poder contar com a cumplicidade desta extraordinária figura humana. Decerto que sua obra está acima de todos os cuidados e sobretudo das desatenções que tem até hoje recebido. Como ele próprio observou em uma outra carta que me enviou em maio de 2004: “Vivo mergulhado no absurdo, e parece-me agora tão absurda a atenção que me dão, como a que não me dão”.
Texto sobre Arte Africana Parece que ainda não se acertou na designação a dar à arte do continente africano. Começa a reconhecer-se que ela é tão ARTE como a “arte francesa” a “arte italiana”, a “arte espanhola”, etc., etc., mas admitamos que as definições são na sua grande maioria imprecisas… Sabe-se da descoberta desta arte por Braque, Picasso ou Derain em 1900. E sabe-se da preferência dada à arte da Oceânia por André Breton – em duas palavras, por lhe parecer mais imaginativa. Também por esse tempo de tão ricas descobertas, a arte dos índios Hopi com as suas Kachinas, apaixonou gentes de superior sensibilidade. Portugal que tanto navegou através do mundo, só em 1975 teve enfim o seu Museu Nacional de Etnologia; no entanto, pelo menos o escultor Diogo de Macedo, nos anos 20, já possuía algumas peças de África. E um irmão de Teixeira de Pascoaes, caçador de elefantes, tinha guardado algumas belas esculturas no solar de Amarante. De admirar me parece que estas obras ainda hoje sejam vistas como etnologia, quando deveriam ter lugar no Museu das Janelas Verdes, junto a Nuno Gonçalves ou Gerónimus Bosch. Ou poderiam/deveriam povoar a Torre de Belém acompanhando o Rinoceronte que figura num dos ângulos da Torre. Parece-me evidente, que sempre se trata da mesma carga estética e humana. O que se procura tocar é o lado fugidio da alma do homem! E é derrubando fronteiras que vamos construindo a liberdade. É certo que (como os animais), estamos condenados a viver em sociedade; a sabedoria está em conseguir conquistar em cada minuto do dia a dia a liberdade interior, que é a única liberdade livre. Só pela inteligência somos livres, e talvez por isso, desde os anos 40, o surrealismo é a minha política. Foi assim que o inconsciente e o subconsciente, me conduziram a África. Se lemos Levy-Stauss, ou nos tão distantes anos 20 deparamos com a referência na revista “Revoluction Surrealiste” às Kachinas, verificamos com desespero quanto temos recuado. Lembro Durer, em 1520, posto perante obras vindas das grandes civilizações que se localizaram no México: J’ai vu les choses qu’on a rapportees du noveau pays de l’or; toutes sortes d’objects étonnants á divers usages, bien plus beaux que tout ce qu’on avait déjà vu. De ma vie je n’ai rien vu qui mait fait autant de plaisir. Ce sont des objects d’art étonnants, et j’ai étè frappe du genie étrange des hommes de ses pays. Da viagem de André Breton “Chez les Hopi”, na selecção das suas notas, que fez José Pierre, retiro estas linhas : Refus complet de coopération avec amérique á la guerre; 30 jeunes gens emprisonnés pour refus de service militaire; on les relâche aprés quelques mois d’incarcération, dans l’espoir qu’ils se soumettent, mais ils restent inébranlables; on les enprisonne de nouveau et cela dure depuis 4 ans… E transcrevo da “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”: Pouco tempo após a tomada de Cambambe, (1604), principiaram os angolas a atacar os portugueses, e a sua atitude de rebeldia foi-se sucessivamente transformando no propósito de nos expulsar. (…) Em 1611, quando assumiu o Governo-Geral de Angola, Bento Banha Cardoso, estava à frente dos angolas insubmissos um soba de grandes qualidades guerreiras chamado Quiluangi. A campanha para o aniquilar durou até 1615. É que não sei separar; o meu desejo é unir, ou pelo menos aproximar. Acredito que TUDO põe em causa o próprio sistema universal, pois são inúmeras as correspondências de TUDO com TUDO. O que quero referir é o espírito das coisas invisíveis, que tanto afinal se afirmam. África? Europa? Oceânia? E outras e outras civilizações? Como falar de arte sem falar do homem? No meio de tudo isto, que importância tem a minha obra? Tenho dito e redito que amo muito mais a obra dos outros do que a minha, e daí a colecção que neste momento está exposta na SNBA, de espantar apenas porque não foi feito com o verdadeiro espírito de coleccionador. Nos anos que passei em Angola procurei permanecer o menos possível em Luanda, apesar do seu encanto. Era o “interior” que me atraía e inevitavelmente dessas longuíssimas e difíceis viagens, resultou também uma “colecção” sem consciência de coleccionador, para o que me faltava dinheiro e saber. Tratava-se de “viagens comerciais” e era no pouco tempo livre dessas tristes funções que entrava em apaixonado contacto com o que ainda restava daquela admirável civilização. Infelizmente quando do 25 de Abril, para subsistir, tive que vender essas obras. O que aprendi com elas? O que aprendi a quilómetros e quilómetros da “civilização”, em batuques que assombravam o próprio luar? E o que aprendi quando trabalhando numa barragem ouvia o leão que vinha assaltar a capoeira? Sou eu um primitivo? De facto, a mensagem do Douanier Rousseau ou a do Facteur Cheval tocam-me profundamente. Julgo que é a ausência desse “primitivismo”, que falta dramaticamente na sociedade contemporânea.
Ali desenhei, pintei, fiz “Objectos”, escrevi poesia e expus, sempre como amador, pois nunca me senti impelido para o profissionalismo, que é a chave deste assustador momento que o mundo atravessa. Amei intensamente África, tanto as gentes como a sua arte riquíssima até nos pequenos artefactos de uso diário como os tachos de barro, as cabaças ou as esteiras, que são obras de arte únicas. Trata-se de caminhos que vão muito mais longe do que me é possível, a mim: são caminhos onde podemos encontrar Grunewalde, Goya, Picasso, Cezanne ou Lam, e eu só faço aquilo que sei – ou seja aquilo que não sei. Não sei se algo de África estará nalgum dos inúmeros desenhos que fiz, e logo perdi. Lembro que quando, regressado de África, as pessoas que em minha casa viam essas peças mostravam-se indiferentes, ou não se coibiam de censurar o meu mau gosto. Hoje já há, espalhados pela cidade um certo número de estabelecimentos comerciais mostrando “arte negra”, que certamente tem o seu público! África sofreu brutais contactos com a Europa através dos séculos – afinal como nós hoje que trocamos a alma por frigoríficos, automóveis, computadores e as mais diversas maquinetas! A África foi obrigada a trocar a alma por pequenos espelhos, canivetes e inutilidades, que lhes eram oferecidas por missionários e comerciantes.
Cruzeiro Seixas
Concluímos esta especial participação de Cruzeiro Seixas com uma cronologia de vida & obra, agradecendo carinhosamente a Eduardo Tomé, por sua paciência no preparo e revisão de todos os textos aqui apresentados. [FM]
Cronologia Vida & Obra. Cruzeiro Seixas Em 1920, na Amadora, nasce Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas que afirma não ser um pintor mas um homem que pinta. De 1940 a 1947 período expressionista-neo-realista. Em 1945 primeiros «objectos», em materiais perecíveis, de que restam apenas más fotos. Em 1946 retrato de Cruzeiro Seixas por António Paulo Tomaz (ingénuo). Em 1948 toma parte na actividade dos surrealistas António Maria Lisboa, Mário Cesariny, Mário Henrique Leiria, Pedro Oom, Fernando José Francisco, Risques Pereira, Fernando Alves dos Santos, Carlos Eurico da Costa, Carlos Calvet e António Paulo Tomás. Em 1949 e 1950 exposições de «Os Surrealistas». Atraído por África alista-se na marinha mercante: viagens à Índia e Extremo Oriente. Em 1952 fixa-se em Angola. Percorre o «interior», formando colecção etnográfica. Primeiros poemas. Em 1954 e 1957 exposições em Luanda que levantaram um dos maiores movimentos de opinião de que dão curioso testemunho os jornais da época, a primeira de desenhos sobre a evocação de Aimé Cesaire, e a segunda principalmente de «objectos» e «colagens», numa montagem que incluía todo o espaço de um palácio do século XVII em ruínas. Em 1955 morre António Maria Lisboa. Executa «Retrato Homenagem», incluído na edição de a «Verticalidade e a Chave». Em 1960, interessado por museologia trabalha no Museu de Angola, criando aí um salão de pintura. De África diz, foi um amor inteiramente correspondido. Em 1964, na impossibilidade de viver num clima de guerra colonialista, regressa à Europa. Em 1968 bolsa de estudo da Fundação Caloust Gulbenkian: encontro de Goya e Gaudi. Em 1967 breve retrospectiva na Galeria Bucholz, com folha volante de Pedro Oom e prefácio de Rui Mário Gonçalves. Com Cesariny expõe no Porto, na Galeria Divulgação. Em 1970 e 1972 exposições individuais na Galeria São Mamede, com prefácios de Cesariny, de Laurens Vancrevel e de Herberto Helder. Em 1973 publica-se o livro «Cruzeiro Seixas», por Mário Cesariny, da colecção Escritores e Artistas de Hoje. Em 1975 na Galeria da Emenda expõe guaches de África (do período 1954/58), com a apresentação de Alberto Lacerda e de Hellmut Wohl. Para a manufactura de Portalegre executa cartões de tapeçarias. Juntamente com Samouco, Raul Perez, Laurens Vancrevel, Paula Rego, Mário Botas, entre outros, realiza uma série de «cadavres-exquis» e «pinturas colectivas» que ocasionam uma exposição colectiva na Galeria Ottolini, para comemorar os cinquenta anos da Revolução Surrealista. Em 1972, 1974 e 1976 figura em exposições colectivas em Paris, no Brasil, em Bruxelas, em Chicago, em Londres, em Madrid, na Alemanha e no México. Em 1977 expõe em Amsterdão com Raul Perez e Philip West. Em 1982 fixa-se no Algarve, em S. Brás de Alportel, numa casa com “piscina”, que pomposamente chama ao chuveiro num dos muros do quintal e onde se refresca nos dias de canícula. Em 1985 é convidado por Artur Schwarz para a Bienal de Veneza, por razões alheias à sua vontade e à dos responsáveis pelo certame a sua presença não se verifica. Em 1986 edita-se o livro de poemas de Cruzeiro Seixas «Eu Falo em Chamas», com apresentação de André Coyné. Publica-se um álbum referindo 230 obras de diversos autores, da colecção de Cruzeiro Seixas, adquiridas pela Fundação Cupertino de Miranda, de V. N. de Famalicão. Em 1988 regressa a Lisboa e instale-se no Bairro Alto, num amplo andar antiga que recupera, com um magnífica vista sobre a cidade. Em 1989 é-lhe atribuído o prémio SOCTIP «Artista do Ano», na sequência do qual é publicado o volumoso álbum profusamente ilustrado «Cruzeiro Seixas», sobre a sua vida e obra.
Em 1995, com desenhos à pena seus, organiza na Galeria São Mamede uma exposição de «Homenagem a Mário Henrique Leiria» prefaciada por Ernesto Sampaio, para financiar a publicação sem fins lucrativos de «Claridade dada pelo Tempo», «Climas Ortopédicos» e «Pas pour les Parents», inéditos que lhe deixa o autor aquando da sua morte. Em 1999 doa a totalidade da sua colecção à Fundação Cupertino de Miranda, de V. N. de Famalicão, com vista à constituição do Centro de Estudos do Surrealismo e do Museu do Surrealismo. Em 2000 edita-se o álbum «O que a Luz Oculta» com poemas e desenhos de Cruzeiro Seixas. Sob o título de «Retrato sem Rosto» poemas seus são reunidos em livro pelo Centro de Estudos do Surrealismo, da Fundação Cupertino de Miranda, em cuja sede em V. N. de Famalicão tem lugar uma enorme exposição retrospectiva e de homenagem a Cruzeiro Seixas, por ocasião do seu 80º aniversário, de que resulta o volumoso álbum biográfico «Cruzeiro Seixas», com 150 reproduções de trabalhos seus. Em 2001 editam-se os livros de Cruzeiro Seixas «Viagem sem Regresso» de poemas e desenhos, é feita uma edição de luxo, em formato de álbum acompanhado de serigrafia; «Galeria de Espejos - Galeria de Espelhos» livro de poemas prefaciados e traduzidos para castelhano por Perfecto E. Cuadrado; «Local Onde o Mar Naufragou» de desaforismos e serigrafias; na Galeria Sacramento, em Aveiro, tem lugar uma exposição conjunta com Eugenio Granell, de que resulta um vasto catálogo em forma de livro; na Fundación Eugenio Granell, em Santiago de Compostela, realiza-se uma grande exposição retrospectiva, sendo paralelamente publicado o livro biográfico «Cruzeiro Seixas», profusamente ilustrado e com textos em galego, português, castelhano e inglês. Em 2002 o Museu do Chiado, em Coimbra, organiza uma exposição com trabalhos de Cruzeiro Seixas pertencentes a coleccionadores locais. É editado o livro de poesia «Artur do Cruzeiro Seixas – Obra Poética vol. I», prémio Ruy Belo 2002. Em 2003 no Centro de Arte e Espectáculos da Figueira da Foz, tem lugar uma grande exposição retrospectiva da obra de Cruzeiro Seixas. Na Galeria Municipal Artur Bual, na Amadora, realiza-se uma exposição retrospectiva e de homenagem a Cruzeiro Seixas. Publica-se o livro de poesia «Artur do Cruzeiro Seixas – Obra Poética vol. II». Conjuntamente com Raul Perez expõe na Galeria São Mamede, em Lisboa. Homenageado na 1ª Edição da Feira de Arte do Estoril pela importante acção cultural que desenvolveu enquanto director da Galeria de Arte da Junta de Turismo da Costa do Estoril. Em 2004 tem lugar na Fundação Cupertino de Miranda, em V. N. de Famalicão, uma exposição da colecção de Cruzeiro Seixas, com obras de mais de cem autores nacionais e estrangeiros, de que resulta um volumoso catálogo profusamente ilustrado. Expõe na Galveias Galeria de Arte, em Lisboa. Em 2005 a colecção de Cruzeiro Seixas é exposta na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa e posteriormente no Convento de S. José, em Lagoa, no Algarve. É editado o livro de poesia «Artur do Cruzeiro Seixas – Obra Poética vol. III». Juntamente com Carlos Calvet e Raul Perez expõe na Ler Devagar, em Lisboa. Participa na exposição «Primitivus Contemporaneus», na Perve Galeria, em Lisboa. Na Galeria do Centro Português de Serigrafia, em Lisboa, expõe serigrafias intervencionadas, «Aqui Não há Espaço para o Mar». No dia Mundial da Poesia é homenageado em Santo Tirso, pela autarquia desta cidade. No Brasil é editada a antologia poética sobre Cruzeiro Seixas, «Homenagem à Realidade», de autoria de Floriano Martins. No Porto é inaugurada a Galeria São Mamede com uma exposição de Cruzeiro Seixas. Organizada pelos surrealistas Jean Clarence Lambert e Sorane Alexandrian tem lugar uma exposição-homenagem a Cruzeiro Seixas, na Fundação Gulbenkian, em Paris. Executa ilustrações para diversos livros como «A Afixação Proibida» de António Maria Lisboa, «A Cidade Queimada» e «Titânia» de Mário Cesariny, «Antologia Erótica e Satírica» de Natália Correia, «Kunst en Anarchie» de Edgar Wind, «Casos de Direito Galáctico» de Mário Henrique Leiria, «História Trágico Marítimo» e «Mulher de Luto» de Gomes Leal, «Le Livre du Tigre» de Isabel Meyrelles ou «Wrong Numbers» de Franklin Rosemont. Participa em várias mostras colectivas como em 1979 «Presencia Viva de Wolfgang Paalen» no Museu do México (cidade do México); em 1984 «Le Surréalisme Portugais» organizada por Moura Sobral, no Canadá (Montreal); em 1994 «O Rosto da Máscara» no Centro Cultural de Belém (Lisboa), «Surrealismo ou Não» na Galeria São Mamede (Lisboa) e de tapeçarias de Portalegre com Eugenio Granell na galeria desta manufactura (Lisboa); em 1997 «Le Surréalisme et l’Amour» no Pavillon des Artes, em França (Paris); em 1998 «O que há de Português na Arte Moderna Portuguesa» no Palácio Foz (Lisboa); em 1999 «Desenhos de Surrealistas em Portugal» no Museu Nacional Soares dos Reis (Porto) e “Confrontos” com Carlos Calvet e Manuel Moura na livraria Ler Devagar (Lisboa); em 2000 «Le Mouvement Phases de 1952 à l’horizon 2000» em França, exposição itinerante, «Neo-realismo Versus Surrealismo», na Galeria Municipal de Vila Franca de Xira (Póvoa de Sta. Iria) e «Parenté n’est pas hériditaire (Surréalisme et Liberté)» na República Checa, exposição itinerante; em 2001 «Surrealismo em Portugal 1934-1952» no Museo Extremeño Iberoamericano de Arte Contemporáneo, em Espanha (Badajoz), posteriormente no Museu do Chiado (Lisboa) e na Fundação Cupertino de Miranda (V. N. de Famalicão), ou «Os passos lado a lado» no Hospital Júlio de Matos (Lisboa), em conjunto com três artistas utentes deste estabelecimento de saúde mental. Entre 1968 e 1974 dirige a Galeria São Mamede, onde expõem pela primeira vez nomes como Raul Perez, Mário Botas ou Paula Rego, de 1976 a 1983 a Galeria da Junta de Turismo do Estoril, e entre 1985 e 1988 a Galeria de Vilamoura, no Algarve. Realizou cenários para a Companhia Nacional de Bailado e para a Companhia de Bailado de Gulbenkian. Colabora nas revistas surrealistas francesa «Phases», holandesa «Brumes Blondes» e na canadiana «La Tortue-Lièvre». Nos últimos anos galerias como a Gilde (Guimarães), SOCTIP (Lisboa), Constância (Constância), Presença (Porto), Neupergama (Torres Novas), S. Bento (Lisboa), Almadarte (Costa da Caparica), Funchália (Funchal), São Mamede (Lisboa), Adjectivo (Santarém), Lumière Noir (Montreal - Canadá) ou ArteManifesto (Porto) realizaram exposições individuais suas. A partir de trabalhos de Cruzeiro Seixas, o escultor Alberto Trindade tem vindo a executar diversas esculturas. Redige prefácios, dos quais se destaca para as exposições de Cesariny em 1969, de Raul Perez em 1981, de Philip West em 1988 e de Eugenio Granell em 1996. Bibliografia breve: «A Intervenção Surrealista», de Mário Cesariny, em 1954; «Cruzeiro Seixas» por Mário Cesariny, em 1967; «A Phala» (Brasil), em 1967; «La Parola Interdeta - Poeti Surrealisti Pottoghesi» de Antonio Tabucchi, em 1971; «O Surrealismo na Poesia Portuguesa» de Natália Correia, em 1975; «Dictionaire Géneral du Surrealisme et ses Environs» (Office du Livre, França), em 1982; «A Arte Portuguesa do Século XX» (CD ROM), em 1998; «Poetas Visitados» de Maria Augusta Silva, em 2004; «Dados» desenhos e poemas de Eugenio Granell e Cruzeiro Seixas (Menú-Quadernos de Poesia, Cuenca - Espanha), em 1998; «Histoire du Mouvement Surréaliste» de Gerard Duroye; «You are Welcome to Elsinore» de Perfecto Cuadrado (Mallorca - Espanha); «The Imagery of Surrealism» de J. H. Matthews; «Le Surrealisme» (Dictionaire de Poche, França) de José Pierre; etc. Dedicam-lhe poemas Mário Cesariny, Herberto Helder, Alfredo Margarido, Mário Botas, Franklin Rosemont, José Pierre, Juan Carlos Valera, Bernardo Pinto de Almeida, Albano Martins, António Barahona, entre outros. Encontra-se representado em diversas colecções privadas e em instituições como o Museu do Chiado (Lisboa), Centro de Arte Moderna da Fundação Caloust Gulbenkian (Lisboa), Biblioteca Nacional, Biblioteca de Tomar, Fundação Cupertino de Miranda (V. N. de Famalicão), Museu Machado de Castro (Coimbra), Fundação António Prates (Ponte de Sor), Fundación Eugenio Granell (Galiza), ou o Museu de Castelo Branco. |
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Cruzeiro Seixas (Portugal, 1920). Poeta e artista plástico, um dos principais nome ligados ao Surrealismo em Portugal. Contatos através de Eduardo Tomé: edutome@hotmail.com. Página ilustrada com obras do artista Cruzeiro Seixas (Portugal). |
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