revista de cultura # 55
fortaleza, são paulo - janeiro/fevereiro de 2007

discos da agulha

Asian Dreamland, Various1. Asian Dreamland, Various. Putumayo World Music. Contato no Brasil: Cezanne Pontes (cezanne@putumayo.com). 2006.

Asia es el continente más grande del mundo y alberga una diversidad de culturas y tradiciones. Pero no importa de qué país uno sea o qué idioma hable, los padres de todo el continente deben encontrar maneras de hacer dormir a sus hijos cada noche. Asian Dreamland, un nuevo lanzamiento de Putumayo Kids, presenta canciones tranquilizadoras y musicalmente fascinantes procedentes de países tan diversos como Japón, China, India, e incluso la república siberiana de Tatarstán. Asian Dreamland sigue los pasos de la primera colección de canciones de cuna de Putumayo Kids, Dreamland, uno de los CDs infantiles y para la familia más vendidos del sello. Ambos CDs son el puntapié inicial de una nueva serie Dreamland que presenta música del mundo para el relax de públicos de todas las edades.

 

Caminhos, de Bob Cupini2. Caminhos, de Bob Cupini. Brasil. 2006.

Um repertório primoroso, produção sofisticada e participação de grandes nomes da música instrumental brasileira. Com esta receita, o compositor, violonista e arranjador Bob Cupini lança seu segundo álbum solo, “Caminhos”.

Disposto a realizar um trabalho com muito suingue, uma de suas características, e do que se chama hoje de jazz brasileiro, e ao mesmo tempo, compartilhar com o público a alegria, o clima de alto astral e empatia que sempre obtém no estúdio com os músicos, como se estivesse tocando ao vivo, Bob convidou seu amigo de longa data o maestro e pianista Nelson Ayres, o saxofonista e arranjador Roberto Sion, além de músicos como Wesley Izar Fo. “Lelo”, Swami Jr., André Magalhães, Cláudio Faria, Paulo Pascali Jr., Beba Zanettini, Airton Fernandes , Luciano Deviá e o percussionista brasileiro radicado em Londres, Bosco de Oliveira.

O resultado é um disco que surpreende pela originalidade dos arranjos, sonoridade “quente”, conduzido em todas as 12 faixas pelo violão ovation de Bob Cupini, ora tecendo belas harmonias e levadas diversas, ora dialogando com baixo, piano, bateria, um arrojado quarteto de saxs, cordas delicadas e sutis, e expondo os temas com sua maneira característica.    

Bob Cupini, que também assina a produção e direção musical. Antes, ele lançou “Asas”, um CD marcado pela presença da bossa nova e do samba, bastante elogiado pela crítica e muito bem recebido nos shows de lançamento no circuito paulistano. Assim como “Asas”, que teve sua primeira tiragem rapidamente esgotada, “Caminhos” também é uma produção independente. Nasceu do desejo do compositor de resgatar um pouco da obra de grandes mestres brasileiros.

De Ataulpho Alves e Mário Lago, mostra o clássico “Ai que Saudades da Amélia”, samba antigo, em arranjo moderno de traços jazzísticos, e o piano de Nelson Ayres em perfeito diálogo com o ovation. Também de Ataulpho, gravou a emotiva “Meus Tempos de Criança”, num clima de “morro antigo”, como comenta o próprio Bob, trazendo saudades dos velhos tempos.  

De Monsueto, relembra “Me Deixa em Paz”, em que se destaca o arranjo que valoriza a alta densidade emocional da música. E Bororó comparece com “Da Cor do Pecado”, que ganhou um “clima caliente”, e acento espanhol, como define Bob. Já Adoniran Barbosa é homenageado com arranjo inovador de “Trem das Onze”, momento em que o ovation “conversa” com o violão de sete cordas de Swami Jr., tocado direto na gravação. “O que sempre busco e confirmei nesses ‘Caminhos’ é a certeza de que mais importante é a vibração, a empatia, o suingue”, afirma o arranjador. “Gosto de passar esses sentimentos para os músicos e para o público”. 

Admirador de Tom Jobim, compositor que já havia gravado no primeiro CD, Bob apresenta mais uma vez sua leitura original de obras do maestro, em dose dupla, com “Felicidade” e “Caminhos Cruzados”. Para ele, “Jobim sempre foi o norte”. Tanto assim, que em algumas de suas composições são claras as referências ao maestro.

De sua própria lavra, Bob Cupini gravou a bela composição “Azul Turquesa”, com referências eruditas e “jobinianas”, em movimentos iniciais de oboé e clarinete que conduzem à contemplação de um horizonte azul, evocado pela música. Também de sua autoria, a valsa “Bate-papo”, que se transforma em samba-jazz, seguindo a proposta, como ele faz questão de frisar, de uma “conversa entre músicos para deleite dos ouvintes”. A música nasceu pronta, rapidamente, como lembra Bob.

Outro mestre que abrilhanta o repertório do álbum é João Donato, de quem Bob gravou “Amazonas”, transformada em uma elegante salsa, executada com todo o balanço que o ritmo evoca.

Completando o repertório, dois standards “estrangeiros” - “Sunny” e “Estate”. A primeira faz parte do repertório dos shows e sempre sacode a platéia e a segunda, Bob considera “um primor de melodia”, além de reportar as suas origens italianas.

A bela capa, ilustrada por Neco Stickel, que também assinou a do anterior “Asas”, mostra a suavidade dos “Caminhos”, trilhas percorridas ao longo de uma trajetória musical, marcada pela alegria de compartilhar acordes, harmonias e canções dedilhadas no inseparável ovation, instrumento que o acompanha desde 86, em performances cheias de energia e calor, sempre em busca da “simplicidade misturada com a ousadia”. Não à toa, o encarte traz uma foto antiga, dos anos 60, de Bob Cupini e Nelson Ayres no começo da carreira.

A liberdade que ele valoriza em sua música pode ser apreciada de forma ampla no novo CD “Caminhos” que chega depois de oito anos da produção do belo vôo de “Asas”.

 

Elis, de Elis Regina3. Elis, de Elis Regina.

À margem de um sorriso largo e mágico, o espetáculo era uma estrela.

Completando 25 anos de extinção em 19 de janeiro de 2007, Elis Regina era exatamente a inquietação entre o ser completamente vivo e humano e uma persona que desejava atender aos anseios de si mesmo (e das pessoas, como missão), em que a força e a fragilidade estiveram expostos sempre, por princípio estético, por assertividade, para não perder “O Trem Azul”. Um senso paradoxal e multi-dimensional.

Inteligente e sensível, cuidava de dar conta das relações em sua profissão musical, exacerbada pela lucidez com que apreendia o sistema que compõe a indústria fonográfica. No entanto, mais impaciente, sabia que tinha” a sua linguagem para lidar com o mundo e que isto era muito pouco diante do poder econômico que tinha (e tem) o objetivo primeiro de lucro, mantendo uma fidelidade cruel e parasitária sobre o artista e o público, manipulando consciências em massa - mecanismo tão eficiente e historicamente comprovado em suas extensas dimensões.

Gravou seu primeiro disco com apenas 16 anos - no que consta que até alterações de idade teve que burlar para poder realizar seus sonhos musicais. Foi escalada para afrontar artisticamente Celly Campelo, o que foi desde a época uma afronta pessoal, sobretudo. Uma imensa consciência de si não a deixaria estar no mundo como sombra, como uma cópia mal feita do outro, sequer de si mesmo.

Este é o olhar que Elis desenvolveu, dando amplo apoio à indústria fonográfica (que também se desenvolveu muito, em seus tentáculos) e trouxe ao público uma obra discográfica aclamada pelos quatro cantos do mundo.

A sina de luta sobreviveu no que, agora, ainda é uma grande vendedora de discos, tem suas interpretações em novelas da rede Globo, com todo o seu acervo oficial disponível, e se transforma em objeto dos taisdireitos autorais” de sua imagem. Como também foi o amparo para a indústria televisiva, tem uma enorme diversidade de imagens de passagem no tempo, entre movimentos de toda sorte (musicais, políticos etc), sendo vítima e testemunha de grande parte de nossa conturbada história brasileira, no que se pode resgatar ainda uma nação.

Com determinados acordos entre empresas, suas imagens e shows estão aos poucos chegando no mercado e, de certa forma, preenchendo a lacuna de “quem é a substituta para Elis?”, através de suas próprias imagens.

Para homenageá-la, após 25 anos, estão sendo lançados dois packs: a remasterização de seu último álbum de estúdio, de 1980, pela EMI, em suamilésima versão - havendo sido lançado com omissão e adição de faixas, inclusive no mercado internacional - sendo que nesta atual versão, se inclui uma novamodaque é a preservação dos barulhos de estúdio (também presente na versão remasterizada de Elis e Tom) e, como bônus, se tem um dvd com o especial Jogo da Verdade, levado ao ar poucos dias antes de seu acidente. Através desse especial vê-se como Elis era uma artista sóbria e lúcida, compreendendo todos os mecanismos que a envolviam e que fazem a máquina mover o tudo ao redor. É de se indagar: se ela tinha toda esta compreensão naquela época, 1982, o que ela teria pra dizer neste século XXI?

O segundo pack, lançado agora, em janeiro de 2007, é uma remasterização do célebre Falso Brilhante, também com DVD-Áudio, em som surround 5.1.

O cd Elis, de 1980, ganhou um realce sonoro notável nesta remasterização, com inclusão de seus vocalises, não vistos em edições anteriores. É de se lamentar que não tenham feito agora a remasterização para surround. O cd em si representa um momento de mudança de paradigma em sua obra, mais uma vez apostando no novo, ou não tão novo assim (Natan Marques, Ana Terra, Gilberto Gil, Guilherme Arantes, Beto Guedes etc.), mas um momento em que ela expõe seu desejo de ser mais popular - no queser popular passara a ser outra coisa, à época. César Camargo Mariano, seu marido na época e responsável pelos arranjos, também buscava uma “outra sonoridade” mais pop, repleta de sintetizadores e vocais ao estilo americano. Porém, nem isso prejudicou o resultado final. Por motivos óbvios, o trabalho é altamente recomendável.

Esperamos que nesta nova leva de remasterizações sejam lançados os shows Elis in Montreaux (o qualcondições de ser lançado em DVD e com áudio surround), o Falso Brilhante, e que façam, finalmente, um lançamento verdadeiro do álbum Saudades do Brasil, numa edição que respeite todo o trabalho executado, incluindo as imagens que foram registradas no show, pois até agora foram lançados somente vieram ao público edições com falhas terríveis na rotação de diversas músicas, desde seu lançamento em 1980.

[Erico Baymma]

 

Good Night, Good Luck, de Dianne Reeves4. Good Night, Good Luck, de Dianne Reeves. Concord Records. 2005.

Dianne Reeves é considerada uma diva no jazz. Suas performances são completas, muito bem acompanhada de grupos bem integrados com sua linguagem, que é ricamente recheada por vocalises e improvisos.

George Clooney vem sendo considerado um grande ator, mas, principalmente, mostrou-se um maravilhoso diretor e co-roteirista com o excelente Good Night, Good Luck. Um filme surpreendente, com ótimos atores a exemplo de David Straithairn, que caracteriza o protagonista, o personagem Edward R. Murrow, que foi perseguido na era do Senador Joseph McCarthy. Um grande filme.

Para completar a cena dos anos 50, gloriosamente, Dianne Reeves é a intérprete das lindas baladas do songbook americano, clássicos de grandes personalidades do jazz como Straighten up and fly right, Solitude, Pick yourself up e um magnífico momento intimista em How high the moon .

Por mais gloriosa seja a trajetória de Miss Reeves, neste álbum ela transcende sua própria linguagem, “retendo-se” e cantando preciosamente todos estes clássicos. Esta retenção valoriza sua voz de belíssimo contralto em interpretações precisas, sem exageros de qualquer espécie, junto aos músicos Matt Catingub e Peter Martin. As gravações foram feitas, em sua maioria, durante a própria filmagem deste ótimo thriller, o que mais pode reforçar a interferência de Mr. Clooney na direção de suas interpretações.

Good Night, Good Luck não é somente um filme sensacional, mas também uma trilha sonora especial para se ouvir freqüentemente e se ter entre os maravilhosos clássicos do Jazz.

[Erico Baymma]

 

Orphans, Tom Waits5. Orphans, Tom Waits. Epitaph Records. 2006.

When I was small I always thought that songwriters sat alone at upright pianos in cramped smoky little rooms with a bottle and an ashtray and everything came in the window blew through them and came out of the piano as a song…and in a weird way that is exactly what happens.

What’s Orphans? I don’t know. Orphans is a dead end kid driving a coffin with big tires across the Ohio River wearing welding goggles and a wife beater with a lit firecracker in his ear.

At the center of this record is my voice. I try my best to chug, stomp, weep, whisper, moan, wheeze, scat, blurt, rage, whine, and seduce. With my voice, I can sound like a girl, the boogieman, a Theremin, a cherry bomb, a clown, a doctor, a murderer…I can be tribal. Ironic. Or disturbed. My voice is really my instrument.

Kathleen and I wanted the record to be like emptying our pockets on the table after an evening of gambling, burglary, and cow tipping. We enjoy strange couplings, that’s how we got together. We wanted Orphans to be like a shortwave radio show where the past is sequenced with the future, consisting of things you find on the ground, in this world and no world, or maybe the next world. Whatever you imagine that to be.

If a record really works at all, it should be made like a homemade doll with tinsel for hair and seashells for ears stuffed with candy and money. Or like a good woman’s purse with a Swiss army knife and a snake bite kit.

Orphans contains songs for all occasions. Some of the songs were written in turmoil and recorded at night in a moving car, others were written in hotel rooms and recorded in Hollywood during big conflamas. That’s when conflict weds drama. At any rate these are the ones that survived the flood and were rescued from the branches of trees after the water’s retreat.

Gathering all this material together was like rounding up chickens at the beach. It’s not like you go into vault and check out what you need. Most of it was lost or buried under the house. Some of the tapes I had to pay ransom for to a plumber in Russia. You fall into the vat. We started to write just to climb out of the vat. Then you start listening and sorting and start writing in response to what you hear. And more recording. And then you get bit by a spider, go down the gopher hole, and make a whole different record. That was the process pretty much the last three years.

Then we met Karl Derfler, a wizard engineer who works at Bay Side Studios in Richmond, CA, in the science fiction part of town. A battlefield medic, he did a Lazarus on a number of the songs and recorded all the new material.

On Orphans there is a mambo about a convict who breaks out of jail with a fishbone, a gospel train song about Charlie Whitman and John Wilkes Boothe, a delta blues about a disturbing neighbor, a spoken word piece about a woman who was struck by lightening, an 18th century Scottish madrigal about murderous sibling rivalry, an American backwoods a cappella about a hanging. Even a song by Jack Kerouac and a spiritual with my own personal petition to the Lord with prayer…There’s even a show tune about an old altar boy and a rockabilly song about a young man who’s begging to be lied to.

I think you will find more singing and dancing here than usual. But I hope fans of more growling, more warbling, more barking, more screeching won’t be disappointed either.

[Tom Waits]

 

6. Sobre divas & standards [vários].

Não é pequeno o filão das chamadas releituras de clássicos do jazz, principalmente focados na figura legendária de Billie Holiday. Lady Day é sempre um referencial quando se fala de sentimentos ardorosos, contenções, expansões e grandeza de interpretação.

Mas, antes de falar sobre Miss Holiday, voltemos a esta grande indústria mercadológica de voracidade e apelo incontíveis com ampla ressonância direta no coração do público.

O “jazzsempre foi relido pois, em si, cada execução é uma nova experiência - no que se em shows e um tanto desde a própria Billie, Ella Fitzgerald e todas as tantas divas, sem falar na enormidade de instrumentistas realmente talentosos na arte de nunca serem redundantes ou prolixos.

Deixando de lado a tradição de passado, deixado em torno dos anos 40-60, pulamos agora para 10 anos atrás, 1995, quando a produção em massa de releituras tornou-se uma obviedade ululante. Não quero dizer que não tenham surgido grandes trabalhos neste período. Até podemos citar exemplos de “crias de standards como a menos conhecida Jacintha - uma voz dócil, delicadíssima com cada nota e cada sílaba emitida, em um ambiente cool, realçando a linda voz da intérprete - ou de Patrícia Barber, Holly Cole e Cassandra Wilson - cujas vozes e criatividade valorizam suas experiências sonoras a um ponto inquestionável, embora não apreciadas por alguns.

No topo desta indústria está Diana Krall, como representante máxima do sucesso desta “fórmula” - a indústria não sobrevive sem fórmulas, não sabe pensar de outro jeito, tanto que vemos o emergente desespero em sua perda de visão. Diana Krall fez seus primeiros trabalhos completamente voltada ao jazz tradicional, até que glamourizou a indústria com não menos belas releituras, mas expôs a “fórmula”, que quase se desgasta de vez. Tomou outro caminho e procura realocar sua imagem num cenário mais consistente .

Voltamos à Lady Day. Diana Ross filmou Lady sings the Blues, em 1972, sobre a vida da grande cantora. Fez um disco da trilha sonora do filme que foi muito bem recebido pelo público, lançou um show em vídeo e laserdisc baseado neste repertório no qual equivocadamente interpreta quase todas as canções numa ambigüidade irritante.

Agora, em 2006, lança o cd Blue, que é catapultado de volta aos anos 70, com a premissa de “obra resgatada”, isto é, gravada na época e nunca lançada, pois a indústria se precavia da superexposição. No entanto, o que ouvimos no disco é algo surpreendente na carreira de Diana Ross, em um canto comovido, arranjos sólidos e “contemporâneos” - no que me vem incomodamente duvidar que o disco tenha sido gravado nos anos 70, a não ser pelos ruídos característicos de velhas gravações, o que pode não dizer nada, pois temos tecnologia suficiente e eficiente para tirar tais aparatos sonoros. No entanto, é uma conjectura sobre algo que não receberá aval, nem precisa. É uma opinião minha a de que este disco foi “finalmentefeito, agora, com uma verdadeira “releitura” inspirada em Billie Holiday - como se fala e se tenta contemplar no encarte do disco. O projeto inicial propôs uma revisão mais adequada, mais de trinta anos após.

Blue é um disco quase perfeito, em que se alternam arranjos para Big Band, ou orquestra, com a sutileza que lembra o que foi feito por Johnny Mandel, Claus Oggermann e Clayton & Hamilton para os trabalhos que colocaram definitivamente Diana Krall no hall do Jazz.

Mas, Blue deixa rastros inconvenientes, essencialmente na interpretação de I Loves Ya Porgy, onde Miss Ross perde o controle e joga seu pop-soul na roda de intimismo - o que ainda não “comprova” o possível alocamento no tempo em que se tenta distinguir o trabalho. Enfim, “apesar dos pesares”, Blue é um disco tocante de uma grande cantora que “reenturmada” no jazz é capaz de dar sua graça, no que se aclama a “divina inspiração” de Billie Holiday sobre Diana Ross, surpreendendo em seu canto renovado.

Mas, a vida continua à parte ou apesar de qualquer interferência. Neste período ainda tivemos a incansável série American Songbook do desconfortável Rod Stewart e tendo como parceiros de fórmula, no entanto, George Michael com seu ótimo Songs from the last centur” - no qual elege canções de forma inusitada, juntando You’ve changed no mesmo espaço de Roxanne, não perdendo a sensibilidade da textura sonora completa e da interpretação, em qualquer instante - e Brian Ferry em As time goes by que estilizou à moda da raiz, ou seja, o som da Big Band “da época”, num revival bem cuidado.

Finalmente, chegamos ao Before Me, de Gladys Knight - cantora de interpretação personalíssima, contralto bem alocado, um sentimento exposto e coração resguardado - em uma produção de Tommy Lipuma - o mesmo que produziu a “explosão” de Diana Krall, When I look in your eyes - e Phil Ramone, com arranjos revezados entre John Clayton e Billy Childs em algumas faixas, junto à maravilhosa The Clayton/Hamilton Jazz Orchestra - grandes parceiros de Diana Krall.

Before Me, é uma homenagem às divas Billie Holiday, Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald e Dinah Washington. Disco elegantíssimo em arranjos, execução e impagável interpretação de Gladys Knight que diz a que veio. É como se faltasse sua pitada especialíssima nesta grande profusão, por vezes desordenada, de releituras dos clássicos de jazz e homenagens.

Sabemos que a história dos revivals não fica por aqui, mesmo porque o mais recente trabalho de Diana Krall, From this moment on, também é repleto de revivals, a partir do nome, e está indicado para o Grammy. Mas, com a possibilidade de evitar um lugar comum, Diana Krall traz para o trabalho um tempo de grandes canções, baseado em Ella Fitzgerald, Frank Sinatra e, principalmente, Nat King Cole - a quem dedicou um trabalho inteiro.

Na contra-mão da “tradição mais recente”, Natalie Cole comemora 20 trabalhos com o ótimo Leavin’, em que passeia confortavelmente por clássicos R&B, sem perder seu olhar para o pop, em ótimas canções, entre as quais figuram as de Fiona Aple, Kate Bush e Sting, com títulos como You gotta be e If I ever loose my faith in you. Sem perder a doçura, incorpora a agressividade necessária para canções assertivas. Natalie acerta na mosca.

[Erico Baymma]

 

The Idan Raichel Project, Various7. The Idan Raichel Project, Various. Putumayo World Music. Contato no Brasil: Cezanne Pontes (cezanne@putumayo.com). 2006.

Cuando los últimos titulares de los periódicos se centran en las noticias sobre el conflicto y la guerra en el Medio Oriente, una colaboración musical israelí alcanza el éxito haciendo a un lado las diferencias interculturales y celebrando el valor de la diversidad. Con su fusión de música folclórica tradicional etíope, poesía árabe, cantos yemenitas, salmos bíblicos y ritmos caribeños, The Idan Raichel Project tomó por asalto a Israel con una serie de éxitos y ventas equivalentes a un triple álbum de platino.

The Idan Raichel Project es la creación del tecladista, compositor, productor y arreglador israelí Idan Raichel, quien invitó a más de 70 músicos de distintos orígenes a participar en las grabaciones. En particular, a Raichel siempre le fascinó la creciente población de judíos etíopes de Israel, y muchas de las canciones cuentan con la participación de miembros de la comunidad etíope de Israel. El disco también incluye músicos árabes, vocalistas yemenitas tradicionales, un percusionista de Surinam y un cantante sudafricano, entre otros.

The Project lanzó su primer álbum en Israel en 2002 y rápidamente se convirtió en uno de los mayores éxitos de la historia de la música popular israelí. El encantador estribillo de su primer corte, “Bo’ee” (Ven Conmigo), sonaba totalmente original a los oídos de los israelíes. La ola de interés propulsó el álbum hasta llegar a alturas pocas veces vistas en la escena musical local y cimentó a Idan Raichel como un nuevo tipo de estrella pop israelí. Hoy en día un icono musical en las comunidades israelitas del mundo entero, The Idan Raichel Project agotó entradas en prestigiosos locales de París, Bruselas, Nueva York, Los Angeles, Singapur y otros lugares.

El lanzamiento internacional de The Idan Raichel Project promete llevar a un vasto público el electrizante trabajo de este colectivo musical único. El Project ofrece una nueva visión de cómo los israelíes, sus vecinos en esta región volátil, y la gente de todo el mundo, pueden abrigar sus tradiciones culturales individuales, celebrar sus diferencias y crear nuevas e inspiradoras expresiones a través de colaboraciones respetuosas. “Nuestra habilidad para vivir en paz con los demás depende de que aprendamos a apreciar y respetar las diferencias entre nosotros”, explica Idan. “El progreso no consiste en tratar de cambiar a nuestro prójimo, sino en aceptarlo y reconocer que en la vida buscamos las mismas cosas: pan, agua, espíritu, respeto y amor”.

Fundado por Jacob Edgar, durante varios años director del departamento de A&R e investigación musical de Putumayo World Music, Cumbancha es un nuevo sello musical que se propone editar el trabajo de artistas de todo el mundo que merecen ser conocidos y apreciados por un público más vasto. “En Putumayo decimos con frecuencia que realizar compilaciones es como salir con alguien, y que fichar artistas es como casarse”, dice Edgar. “Después de años de flirtear con mis artistas favoritos, ¡es grandioso poder formalizar y finalmente sentar cabeza”!

The Idan Raichel Project será lanzado en conjunto con una colección especial de Putumayo World Music titulada One World, Many Cultures, que presenta colaboraciones musicales multiculturales e incluye además la participación de Willie Nelson, Ziggy Marley, Taj Mahal, y Youssou N’Dour, entre otros. Una parte de las ganancias por las ventas de One World, Many Cultures será destinada a colaborar con la organización sin fines de lucro Search For Common Ground (www.sfcg.org), que trabaja para transformar el modo de lidiar con conflictos mundiales -abandonando la confrontación y tratando de llegar a una resolución colaborativa de los problemas.

El lanzamiento internacional de The Idan Raichel Project promete dar aun más renombre a este proyecto inspirador. Paralelamente a la edición de este CD, The Idan Raichel Project planea iniciar una importante gira internacional que los llevará nuevamente a Estados Unidos, Europa y otros países para presentar su poderoso y entretenido mensaje a público de todo el mundo.

 

Women of the World Acoustic, Various8. Women of the World Acoustic, Various. Putumayo World Music. Contato no Brasil: Cezanne Pontes (cezanne@putumayo.com). 2007.

El 8 de marzo de 2007, las mujeres de todo el mundo celebrarán el Día Internacional de la Mujer. Feriado nacional en muchos países y conmemorado por las Naciones Unidas, el Día Internacional de la Mujer es la historia de la mujer común como hacedora de la historia. Aunque muchas veces dividido por fronteras geográficas y por diferencias étnicas, lingüísticas, culturales, económicas y políticas, este día les permite a las mujeres de todo el mundo recordar una tradición de lucha por la igualdad, la justicia, la paz y el desarrollo. En homenaje a esta tradición, Putumayo World Music publicará un álbum que literalmente canta sus alabanzas. Con fecha de lanzamiento el 27 de febrero, Women of the World: Acoustic explora la música acústica de algunas de las intérpretes más destacadas del mundo.

Varias de las mujeres presentes en Women of the World: Acoustic son muy conocidas en distintas partes del mundo, como Sandrine Kiberlain y The Wailin’ Jennys. Kiberlain es más conocida como actriz, habiendo participado en más de 20 películas francesas. “M’envoyer des Fleurs” pertenece a su primer y único álbum, Manquait Plus Qu’ça. La carrera del trío canadiense The Wailin’ Jennys fue promovida por Garrison Keillor, un ávido fan que las invitó en reiteradas oportunidades a su programa de radio A Prairie Home Companion. El grupo armoniza deliciosamente en “One Voice,” una canción perteneciente a su álbum debut 40 Days, que ganó el premio Juno 2005 como mejor álbum raíz/tradicional.

La mitad islandesa, mitad italiana Emiliana Torinni es quizás más reconocida como la voz detrás de la encantadora “Gollum’s Song” de El Señor de los Anillos: Las Dos Torres. También realizó giras con Thievery Corporation y compuso el éxito pop “Slow”, un número uno en el ranking interpretado por Kylie Minogue. Pero a su segundo álbum, de donde se tomó “Sunnyroad”, Torinni lo desvistió de todos los elementos y lo grabó solo con voz y guitarra, lo que lo convierte en una pieza perfecta para este álbum. De la misma manera, Mona, de Argelia, cambió las rimas de su carrera rapera inicial por los sonidos tradicionales más suaves de su Andalucía natal para dar vida al cautivante “Sekna”.

Otras artistas de Women of the World: Acoustic se inspiraron en distintas fuentes.Marta Topferova nació en República Checa, pero descubrió su vocación por la música folclórica latinoamericana cuando conoció al grupo de protesta chileno Inti-Illimani a una edad temprana. La colombiana Marta Gómez aporta la encantadora “Paula Ausente”, una canción basada en el libro “Paula” de la célebre escritora chilena Isabel Allende.

Este homenaje a las voces femeninas también incluye artistas inspiradas en sus propias raíces folclóricas. La camerunesa Kaïssa aporta su sincero "Wa," un tributo a su hermana fallecida, y la popular cantante croata Tamara Obravac se inspira en la música folclórica istria de su tierra natal. La griega Anastasia Moutsatsou rescata la riqueza de la música tradicional de su país en "Ola Ta Aiskola," y Lura canta en el dialecto crioulo (criollo portugués) de las islas de Cabo Verde. "Bida Mariadu" pertenece a su segundo álbum, donde aspira a rescatar del olvido la clásica música caboverdiana.

Cierra esta compilación Luca Mundaca. Originaria de Chile, se mudó con su familia a un pequeño pueblo al sur de San Pablo, Brasil a la edad de seis años, y actualmente vive en Estados Unidos. Mundaca fusiona su sensibilidad folclórica contemporánea con bossa nova y aporta su cadenciosa y bella “Não se Apavore”. Luca también realizará una gira internacional recorriendo una serie de tiendas donde actuará para difundir el lanzamiento de Women of the World: Acoustic.  

Parte de las ganancias de Putumayo por la venta de este álbum será donada a Global Fund for Women para contribuir a promover y defender los derechos de las mujeres y niñas de todo el mundo.


parceiros da agulha nesta seção

Putumayo World Music   Rob Digital (Brasil)

 

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