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revista de cultura # 56 |
livros da agulha
En agosto del 2006, Aleyda Quevedo publicó su último poemario, Soy mi cuerpo. El texto contiene dos libros: el primero, titulado “Un viaje”, consta de 35 poemas; el libro dos, “Soy mi cuerpo”, de 33. El poemarios se abre con un prólogo, “Arte del cuerpo y erótica del sentido”, escrito por Rafael Courtoisie, que destaca un discurso poético que “desculpabiliza el cuerpo, se adueña del cuerpo, de sus palpitaciones y discontinuidades que se denominan con el nombre genérico (y a veces engañoso) de ‘enfermedad’, hace retornar el cuerpo a la unidad primigenia: no se ‘tiene’, se ‘es’ un cuerpo”. Ciertamente, los poemas de Aleyda hablan del cuerpo y desde el cuerpo. No de un cuerpo cualquiera: uno de mujer; expuesto, doliente, anatomizado, cortado. “Mi útero reposa / en la bandeja de cirugía / Se vuelve ceniza / en los basureros hospitaliarios”. “Me tumbo al sol / y de las piernas / y de la espalda/ salen latidos de fuego y caracolas”. Cuerpo propio, cuerpo extraño; el cuerpo deviene, en la voz poética, angustia puesta al desnudo. Estamos expuestos, en el contexto del entramado social, a un permanente bombardeo de discursos que publicitan cuerpos de salud y de placer, cuerpos mercancía, triunfantes, sonrientes, esculpidos, modelados. Cuerpos que ocultan sus cicatrices, sus cortes, los surcos y amasijos de carne que arrastra consigo el devenir del tiempo. “Las cosas / se desgastan / como el amor que te tuve / o el color de aquellas fotos”. ¿Dónde hablan los cuerpos afectados / infectados, los cuerpos del hambre o los demasiado alimentados; los cuerpos mutilados, prostituidos, sacrificados, enfermos; los cuerpos deportados, exterminados, torturados? La literatura es uno de esos reductos en los que podemos escuchar el susurro, también el miedo o el espanto, de los cuerpos llagados y abatidos. “Todavía escucho / a los dragones afilados / ingresando en mis entrañas / Tejido quemado / árbol de páramo yo”. “Siento rabia al saber / que soy mi propio miedo / enfundado en este cuerpo”. “La serpiente de la enfermedad / rasgando tus tejidos”. Si la salud se define como la vida en el silencio de los órganos, en la enfermedad el sujeto doliente siente y escucha la intimidad de sus vísceras: “Es banda sonora de latidos / crujir de tripas / saliva densa arrastrándose por la garganta”. Cuerpo que explicita, y reclama “la piel campo de batallas”, su lugar de enunciación, sus límites, su gravedad, sus anudamientos de significación. “Nada tiene que ver la cirugía / experimentos nuevas cicatrices”. “Cuanto dolor tolera / la suma del cuerpo”. Si la ilusión de identidad se constituye sobre la base de una imagen reflejada en el espejo, imagen enmarcada en un nombre propio y una historia de vida que se teje alrededor de una línea que, aunque quebrada y zigzagueante, deviene continua en la memoria; el cuerpo, entonces, se constituye como el referente más importante a la hora de establecer puentes de comunicación con el mundo ―habitado siempre por otros cuerpos― y con los otros. “Soy mi cuerpo / atrapado por partículas / de otros cuerpos”. ¿Cómo se enuncian esos puentes desde la imagen que proyecta, para los demás y para sí mismo, un cuerpo doliente y enfermo? “Mi cuerpo pequeño / cruza límites helados / con la espalda encorvada / y un blanco camisón”. “Ya mis deudos aceptan que las cenizas / regresarán a las montañas”. “Mi esposo con sus manos tibias / baña mi cuerpo dolorido / con raíces y hojas de menta”. “Me afeito la cabeza / y empiezan las preguntas / sobre lo que dejamos de hacer”. Se suele pensar, equivocadamente, que el pensamiento ―el mundo de las ideas y del “espíritu”― se encuentra fuera del cuerpo; lejos de él, o insondablemente oculto y perdido muy adentro. Sin embargo, hay una zona en la que cuerpo y pensamiento se encuentran: esa zona de las emociones; del miedo, del dolor, de la alegría, de la fe, de las ilusiones. “el peso del dolor / está en uno mismo”. “El agua en su paciencia / va y viene perforando el esqueleto”. “Cuerpo / que enjabono en el mar / reconociendo suciedades / y miedos”. “Pongo las manos / al Hermano Gregorio / él es mi intermediario / Centrípeta / llena de mí / riñones / uréter / vejiga / me entrego a la más honda fe”. “Un gato orina mi alma / él sabe por qué no se alejan / los malos tiempos / Los pesares huelen a gato”. Soy mi cuerpo es un libro consistente, extremadamente cuidado en la construcción de un lenguaje intenso, poético, volcado en la subjetividad de un cuerpo hecho de carne y voz, de miedos y esperanzas, de entrañas y sueños. Un cuerpo que se toca, se huele, se mira, se escucha, se escribe. Un cuerpo que dice de sí en un lenguaje de tonos y matices varios. Versos cortos que orquestan el libro, variantes de un mismo tema. [Alicia Ortega Caicedo]
Design do Objeto tem como fundamento a rica experiência prática e didático-pedagógica de muitos anos do Prof. Dr. João Gomes Filho na área de design, pesquisando, lecionando em cursos de Graduação e Pós-Graduação e atuando em empresas de grande porte. O livro define e conceitua as diversas especialidades e áreas de atuação do design na atualidade, como em design do produto, design gráfico, design de moda, design de ambientes, design conceitual, entre outros. Estrutura as bases conceituais do tema, numa metodologia original, pensada e organizada de modo a reunir e roteirizar os múltiplos conhecimentos identificados e relacionados, com o propósito de tornar mais eficaz a sua assimilação e conseqüente aplicação na busca de produto com excelência. O trabalho é substancialmente enriquecido por centenas de imagens que ilustram todos os assuntos abordados. As bases conceituais do design refletem os estudos e conclusões do autor sobre diversificados produtos industriais das mais variadas vertentes, sempre com o necessário e cuidadoso balanceamento entre elas, em razão da natureza e do tipo de cada produto tratado. De maneira sintética, o autor estabelece critérios, parâmetros, atributos e qualidades otimizantes, com o objetivo final de traduzir, tanto na concepção quanto na produção, objetos com padrão de excelência em termos funcionais, operacionais, ergonômicos, tecnológicos, estéticos, simbólicos, dentre outras perspectivas. João Gomes Filho é designer industrial pela Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), mestre em Estruturas Ambientais Urbanas pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), professor e Coordenador de Design do Produto e Design Gráfico em cursos de Graduação e Pós-Graduação e consultor em Design Industrial e Ergonomia. É autor dos livros Gestalt do Objeto: Sistema de Leitura Visual da Forma (7a edição), Ergonomia do Objeto: Sistema Técnico de Leitura Ergonômica e Design do objeto - Bases Conceituais, publicados pela Escrituras Editora.
Em Portão de ferro, Raquel Naveira desenvolve simultaneamente três linhas distintas de poesia: a memorialística, reunindo documentos da sensibilidade que oferecem conotações de interesse cultural quanto ao meio, economia e costumes de sua terra, o Mato Grosso do Sul (Cupim do Boi, Lembrança do Rio, Helena, a Violeira); a lírico-amorosa, em que se articulam afetividade, drama, feminilidade, como em Anjo e Lagarto; e a que se poderia chamar de geral, com doses de filosofia, delírio, reações de identificação com o mundo. Por que Portão de ferro? Porque Raquel vive passeando por lugares de sua infância; desvendando os segredos dos nomes, expressões, palavras que ouviu quando criança e que lhe provocaram fascínio. Foi assim com Nunca-te-vi, região da fronteira com o Paraguai, em que reuniu poemas celebrando o invisível, e agora, com Portão de ferro, uma referência a um local da cidade de Campo Grande, que fez a menina sonhar com uma passagem para o mistério. O livro contém 85 poemas, alguns mais curtos, outros de fôlego, como As Parcas, que foi escrito para abertura de uma peça teatral do dramaturgo carioca Flávio Leandro, toda inspirada em textos de Raquel Naveira e na figura que ela escolheu como símbolo: as parcas, as fiandeiras, as mulheres que tramam o destino, as tecelãs que têm domínio do seu tear. Raquel Naveira mostra-se desinteressada de teorias que se estabelecem para uso próprio e/ou alheio. Arrisca-se a criar com emoção à flor da pele, mas deixa transparecer a erudição e a bagagem da leitora e professora de Literatura que é. Vamos abrir esse Portão de ferro e entrar em bosques e florestas regidos pelas leis sobrenaturais da Poesia. Raquel Naveira nasceu em Campo Grande, sul de Mato Grosso, em 1957. Em 1986, formou-se em Letras, na antiga FUCMT, e, logo após, passou a lecionar na atual Universidade Católica Dom Bosco, onde está até hoje, no exercício do magistério e desenvolvendo várias atividades de pesquisa e extensão, como publicações e palestras. Publicou inúmeros livros de poemas, dentre eles: Abadia (Editora Imago) e Casa de Tecla (Escrituras Editora), ambos indicados para o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. Três romanceiros: Guerra entre Irmãos - Poemas inspirados na Guerra do Paraguai; Caraguatá - Poemas inspirados na Guerra do Contestado, ilustrado por Poty Lazarotto, transformado no curta-metragem Cobrindo o céu de sombra, direção de Célio Grandes, e Sob os Cedros do Senhor - Poemas inspirados na imigração árabe e armênia em Mato Grosso do Sul (poemas que inspiraram a escritora Ana Miranda, na criação do romance AMRIK, editora Companhia das Letras). Na linha religiosa, publicou uma trilogia sobre mulheres bíblicas - Samaritana, Madalena e Rute - pela editora Santuário e Canção dos mistérios pela editora Paulus. Seu infanto-juvenil, Pele de Jambo, editora RHJ, foi adotado como leitura paradidática em várias escolas do País. Raquel Naveira é membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, pois acredita firmemente que a literatura é o ideal que eleva e honra. Sua obra literária, erudita, comunicativa, regional e universal, é cada vez mais lida e analisada nos meios acadêmicos e literários do País e do mundo e germina com a beleza, a constância e a força das sementes cheias de amor e fraternidade.
Neste último livro de Rui Nunes, como aliás já ocorria nos textos anteriores, em maior ou menor grau, a leitura torna-se ela mesma um obstáculo, impede que o leitor deslize na escrita, à deriva do suspense criado pelas peripécias narrativas ou do interesse pela construção psicológica das personagens. A linguagem, descartada a transparência da comunicação funcional, espessa-se como um objeto e força assim o leitor a dar-lhe a atenção que daria às coisas no mundo, se quisesse nomeá-las e descrevê-las; na verdade, a palavra (o nome, a voz) é um dos grandes temas organizadores do livro, perspícuo pela alta freqüência com que as personagens se exercitam na nomeação de coisas, ou se atormentam quando uma palavra não lhes vem à mente; há personagens que ocasional ou gradualmente se esquecem de palavras, outra que decide deixar de falar, outra ainda que fala tão baixo que não se ouve; digressões sobre a voz, a palavra, a frase, o nome, incorporadas no discurso das personagens ou no de um narrador flutuante, adquirem relevância equivalente à dos incidentes narrativos. É difícil classificar o texto dentro de um gênero canônico: o mais próximo, naturalmente, é o romance, desde que o tomemos segundo tendências estabelecidas pela modernidade, isto é, admitindo a fragmentação ou mesmo estilhaçamento da narrativa e a instabilidade do ponto de vista. Além disso, como a referência acima ao espessamento da linguagem já poderia sugerir, há uma vertente poética que por vezes irrompe em ritmos alheios ao romanesco. Logo de início, impõem-se à mera visão dois blocos textuais graficamente singularizados: um em que a fonte é cursiva em negrito e outro, em fonte redonda normal. O primeiro bloco, distribuído ao longo do livro, compreende 6 ou 7 fragmentos, dependendo de se considerar o último fragmento, pp. 134-138, como um único ou dois, por causa do grande espaço a separar dois parágrafos na p. 137; o segundo inclui todos os demais fragmentos. O primeiro, em cursiva e negrito, abre o livro e acompanha-o quase até as últimas páginas; e o fato de ocupar um número bem menor de páginas dá-lhe quase a aparência de um esqueleto, de ossos que sustentariam, de certa forma, o restante da carnação discursiva. Talvez esteja, portanto, seguindo os indícios fornecidos pelo texto se examinar em maior minúcia o que nele é recorrente ou exclusivo, na relação com os demais fragmentos. “um homem caminha numa álea” – assim começa o bloco e o livro. Este homem, como a maioria das personagens, não tem nome; trata-se, porém, de um homem especial, vestido à antiga, numa paisagem específica e espacialmente circunscrita (a álea entre as árvores à frente do portão da casa) que raramente muda, e essa relativa estabilidade confere-lhe uma densidade maior que as demais personagens: podemos, portanto, chamá-lo de o Homem, ou H. Anda pela álea e sente-se ou está perdido, percorre sempre o mesmo caminho, realiza atos simples como apanhar uma folha seca do chão, amarrar o cordão dos sapatos, olhar as coisas e nomeá-las, lembrar-se de coisas do passado: desfiles nazistas, campos de concentração, mortos que “viu” serem despejados dos caminhões nas valas comuns (p. 127), câmaras de gás (p. 138). Às vezes aparece aos olhos do narrador e do leitor como se saísse de um esconderijo entre as árvores ou os pilares do portão, espião ou soldado em fuga?; num dado momento, é descrito de forma a lembrar um palhaço ou ébrio, e a imagem que nos vem à mente é a de Charles Chaplin como Carlito (p. 89): caricatura irreverente a sugerir que H. poderia ser ou teria sido, eventualmente, tratado com reverência. De algum modo, portanto, H. pertence a um mundo passado, o tempo da segunda guerra, e dela parece ter participado ativamente; sente-se perdido e ameaçado por uma “palavra enorme escondida”, que se aproxima dele, “corrosiva, não um fantasma, mas uma ameaça” – embora não se explicite qual seja essa palavra, as múltiplas referências ao envelhecimento levam a supor que seja a morte (p. 8). A partir do 5º. fragmento, o cenário muda por um momento, da álea rodeada por tílias ou castanheiros para um relvado contemporâneo onde pessoas vestidas à moderna se estendem para tomar sol; as lembranças de H. misturam-se com as de outras personagens do bloco em fonte redonda; e, embora esteja preso à sua álea, para onde retorna no último fragmento, as suas memórias e falas incluem referências e tons comuns a personagens do outro bloco. O mundo que o cerca oscila entre a repetição do mesmo (“ando pela álea e a álea é uma repetição: há sempre um melro negro que a atravessa aos saltos, e um esquilo em corrida, / há sempre Deus a escrever o texto que o homem percorre”, p.9), a imobilização num freeze-frame (“e o homem dobra-se para a folha, talvez a queira apanhar, mas não, fica assim dobrado, o vapor a sair-lhe da boca, em pequenas lufadas, grãos finos de uma água a morrer, os seus olhos estão fixos na folha, tão intensamente que nem sequer piscam, abertos parecem ter crescido até ao rasgão, exorbitantes, ...”, p. 71) e a indefinidora turbulência do caos (“tudo se desmancha e perde contornos, um caos onde se misturam sombras”, p. 24; “são os meus contornos que não se fixam”, p. 25). Já veremos que essa mesma oscilação marca também certos aspectos constituidores do outro bloco de fragmentos: a instabilidade, a fragmentação, por um lado; a ânsia de captar, imobilizar o fluxo, por outro. Auerbach ensinou à minha geração uma técnica de leitura que permite encontrar num texto certos segmentos iluminadores, “escolhidos ao acaso”, por assim dizer, e nos quais não se mexe “com leis, mas com tendências e correntes, que se entrecruzam e complementam da forma mais variada possível” [1] – o que significa que a atenção minuciosa a alguns episódios ou fragmentos pode levar a reconhecer “tendências e correntes” que percorrem o texto como um todo, sem nem por isso se transformarem em esquemas estruturantes e globalizadores. Valendo-me dessa lição, vou começar examinando o episódio do caçador, que se inicia depois do primeiro fragmento de H. e é retomado algumas vezes ao longo do livro. A cena inicial, na descrição do narrador, coloca uma criança numa paisagem seca de verão: nela anotam-se rigorosamente os nomes das plantas, a ação do pó sobre folhas e frutos, a luz opaca de um dia quente, a rola que voa e é abatida pelo tiro, o cheiro da pólvora e do pó: “na berma, as giestas, as camarinhas, os tomateiros do diabo, estão mortos de pó, é sempre pesado o sol com a outra morte, a pousar nos arbustos, e que o pó sôfrego devora, película a irradiar um verão turvo, um nevoeiro de luz, ralos os pinheiros são desenhos pontiagudos, o dia de pano cru penetra-os por todos os lados e destaca-lhes as agulhas, espinhas cravadas no céu, onde a cinza do voo da rola acaba no cocuruto, o pingo brilhante do olho, ave parva, escondida exposta ao caçador, o tiro liberta-lhe a queda e faz virar a cabeça da criança para uma trouxa de penas em desequilíbrio, peso a desfazer-se em som, na caruma seca a explosão translúcida, de novo, o cheiro, como uma ressonância, um vulto” (p. 12) Só depois é que a figura do caçador se materializa aos olhos da criança, bloqueando-lhe totalmente o sol com o seu desproporcional tamanho, e o ponto de vista muda para o que esta vê e percebe, da altura dos seus olhos até a cintura do caçador – e então novamente a descrição deste é implacável no esmiuçamento dos pormenores visuais, olfativos, táteis, que culminam na sensação de repugnância que o ver e estar em contacto com os pêlos e a fivela do cinto do homem provocam na criança: “frente aos meus olhos o dia esboroava-se, caía por aquele corpo, mostrava-lhe as botas, os atacadores na poeira, num rasto de cobra, as calças enrugadas até ao cinto, a suportar a barriga, mole, de osga, numa oscilação balofa, e o umbigo, frincha ou fístula, ora se abria num buraco redondo, ora se fechava em cicatriz, envolvia-me o cheiro a roupa suja, a couro, a suor, a pólvora queimada e a caça, cheiro acre como um grande peso que me tolhesse, (...) pêlo a pêlo se faz a repugnância,” (p. 13) Dir-se-ia que o narrador se entrega ao frenesi de apossar-se do mundo, aquele mundo daquele instante, seus objetos, ruídos, cheiros e sensações; a frase desliza de um ponto para outro, como se quisesse captá-los na sua concretude. É muito mais do que o mero perseguir de um efeito de “verossimilhança” ou de cor local, como na descrição realista; trata-se, antes, de trazer para o primeiro plano as coisas do mundo e de estabilizá-las pela nomeação. A mesma preocupação pode ser observada no primeiro fragmento de H., quando este nomeia os objetos que vê ao seu redor; no entanto, embora as primeiras nomeações sejam diretas e sugiram coincidência entre o objeto e o nome, aos poucos percebe-se que “nomes e coisas desfizeram já a sua absoluta intimidade” (p.8) e que correções se fazem necessárias para a apreensão mais precisa do específico (“olha o limo e diz: limo, e emenda: algas”, p.9) ou que as relações percebidas entre as coisas ou ações interferem metonimicamente na predicação (“olha uma criança a correr e diz: foge”, p. 9). O tempo, a memória e a história forçam o intervalo entre o nome e o objeto, tornam indiscerníveis ou permeáveis as fronteiras entre histórias e personagens. Na narrativa do episódio do caçador, também, insere-se outra narrativa, a do menino no confessionário, produzindo instabilidade nos eventos narrados e no ponto de vista, de tal forma que memórias distintas, de personagens diferentes, se fazem intercambiáveis. O movimento, portanto, que busca estabilizar, singularizar, encontra logo o seu contraponto em outro que fragmenta, desorganiza, e que diz a desorganização e a incompletude (“para esta criança o mundo são pedaços, os sonhos são pedaços, a paisagem são pedaços, o passado são pedaços que não se ajustam, ...”, p. 18). Alguns procedimentos narrativos acorrem como que para preencher as fissuras criadas pela fragmentação da experiência e da sua expressão: o mesmo episódio pode ser narrado várias vezes, variando a perspectiva segundo a personagem, embora isso não nos leve (como num romance policial ortodoxo) à decifração de uma “verdade”. Confere, porém, uma espessura maior ao acontecimento, dá-lhe relevância pelo próprio fato do retorno, procura andar à sua volta para captar-lhe as diversas facetas e as diferentes iluminações que lhe emprestam os olhares de protagonistas ou testemunhas. A repetição, por outro lado, que poderia eventualmente conduzir à estabilidade, na realidade dos fatos produz uma falsa equivalência ou uma equivalência perversa, derivada do esquecimento, da negligência ou do abuso: as pátrias afinal são todas iguais, os caminhos “repetem a mesma pobreza” (p. 34), “o espaço ocupa-se sempre da mesma maneira” (p.37), os imigrantes ucranianos e croatas “repetem” em Portugal o capítulo da história da emigração portuguesa que estes já esqueceram (p. 18), o poder fala sempre da mesma maneira, o discurso de W.B. e o discurso de Hitler sobrepõem-se (pp. 102-3). As personagens, embora não estejam confinadas dentro de um ponto de vista fixo (do narrador ou do seu próprio), mas transitem de um lugar para outro o seu foco, partilham histórias em que são comuns a violência, o abandono, o esquecimento, a solidão, a rejeição – pessoal ou social; participam também de um mesmo “tom” que tende a obscurecer os contornos individuais. Mas os diálogos estridentes, por vezes teatrais, como se ditos para um público, ou simplesmente ineficazes, truncados, deixados sem resposta como uma porta que se bate na cara de alguém (“não me responde, está bem, já estou habituado a que não me respondam, ah, a porta está fechada, nem a ouvi fechar-se, acontece-me com tanta frequência estar frente a uma porta fechada, ou porque lhe vou bater ou porque acabaram de me bater com ela na cara”, p. 136) - da mesma forma que o sexo (“enquanto a mulher gritava: lambe, como se não te visse, nem sequer a ouviste, continuavas a lamber (...) eu olhava-os, o sexo na mão, a mão húmida de esperma,...”, pp. 46-7), fecham as personagens em si mesmas, isolam em vez de unir. Dois tipos de discurso incorporam de forma mais ou menos nítida ou exclusiva as duas vertentes no livro: o narrativo, que vive no tempo e na história e sofre portanto a fissura original e a fragmentação dela decorrente; e o poético, que tende a cristalizar a linguagem, restituindo-lhe a concretude de um encontro primordial. Não se trata, porém, de uma abordagem meramente formal, “meta-literária”; pelo contrário, a linguagem recobre no livro a dimensão exata da vida das personagens e falar ou não falar equivale ali a uma opção pela vida ou pela morte. [2] O mundo que as personagens encontram é este no qual “nomes e coisas desfizeram já a sua absoluta intimidade” (p. 8); no outro ponto da linha, a “palavra imensa” que os ameaça, espera-os numa ilha cujos relevos e cores são indistintos, ou seja, sem tempo e sem história, na imobilidade da morte: “só há uma cor na ilha, que vai do verde ao cinzento, e é preciso arranjar-lhe um nome,...” (p.116) E entre um não e o outro, o homem e a sua voz. Uma exceção ao desencontro inerente à linguagem, no entanto, pode ser percebida na conversa do velho cego com a criança: “o sr. Ângelo não contava histórias, contava coisas, isto é, descrevia os sons, a consistência da madeira, os seus nós e veios, a dureza quebradiça das folhas secas, o número de ossos que há num pardal, e ensinou-me que nunca esgotamos uma coisa, que podemos passar a vida inteira a dizê-la,...” (p.125) Ouvimos acaso nessa conversa uma voz arcaica, nostálgica dum acesso ao mundo que nele preservasse as margens pristinas do singular, restaurando a intimidade perdida, mas nem por isso expulsa da memória e do desejo? Na verdade, o tom desse diálogo é levemente apologal, distinto dos demais; a voz do cego vem naturalmente de um passado remoto para a criança, mas soa-nos também como se partisse de um contexto mítico na história: uma cegueira positiva, benfazeja e vidente, como a que se atribui a Homero, em oposição a outros cegueiras trágicas (“os seus olhos vêem, e o que vêem mata toda a recordação possível, vejo e esqueço: diz alto, vejo e esqueço: grita: quero cegar, quero saber que mesmo abertos os meus olhos não vêem,...”, p.57). Embora se integre nos movimentos contrários que vimos se conformarem no livro e constituírem a sua dinâmica, esse fugaz vislumbre de redenção poderia ser também ouvido na oposição entre o primeiro fim (a morte solitária da personagem nas escadas do prédio) e o segundo, no qual a velhice, igualmente solitária, é ambiguamente equacionada a um amontoado de nomes e a “belas” salas vazias (p.144). Da descrição imediatamente anterior dos corpos envelhecidos e já meio putrefatos, devorados por moscas, o adjetivo “belas” pode contaminar-se, retendo uma entoação irônica; contudo, deixa também transparecer, através do percurso ascético de despojamento, certa resignação melancólica. Abre-se dessa forma caminho para uma reflexão sobre o sentido e a função dessa escrita e da literatura em geral: a escrita é o lugar da sobrevivência das vozes e delas não se pode separar. Por isso, diz a personagem/narrador “sinto a morte quando me calo, ou quando não escrevo, e escrevo sempre a soletrar o que escrevo, e leio sempre a soletrar o que leio,...” (p.139) É ela que constrói a intimidade possível – e ao mesmo tempo inelutável e bela – entre vozes, coisas e nomes. [Yara Frateschi Vieira] NOTAS 1. Erich AUERBACH, Mimesis: a representação da realidade na literatura ocidental. [Trad. de George Bernard Sperber e Suzi Frankl Sperber.] São Paulo: Editora Perspectiva, 1971, p. 488. 2. A respeito da metáfora da “caça à linguagem”, usada por Dante no De vulgari Eloquentia, G. AGAMBEN faz a seguinte observação (cito da trad. inglesa, The End of the Poem: Studies in Poetics. Stanford University Press, 1999, p. 125): “At the origins of the Italian literary tradition, the search for an illustrious poetic language is placed under the disturbing sign of Nemrod and his titanic hunt, almost as if to signify the mortal risk implicit in every search for language that seeks in some way to restore its originary splendor. The “hunt for language” is both an antidivine arrogance that exalts the calculating power of the word and an amorous search that wants to remedy Babelic presumption. Every serious human effort in language must always confront this risk”. Lendo esse parágrafo, lembrei-me dos dois protagonistas do livro de R. Nunes: a linguagem e o caçador. Coincidências que, sem deixar de o ser, se iluminam.
O lugar, a imagem – um novo livro de poemas de Ruy Ventura (Portalegre, 1973) – acaba de ser publicado em Espanha pela Editora Regional da Extremadura. Trata-se de uma edição bilingue, contando com uma tradução para o castelhano de Antonio Sáez Delgado (Cáceres, 1970), poeta, ensaísta, prestigiado tradutor e professor da Universidade de Évora. Esta obra é um dos primeiros títulos da colecção “Letras Portuguesas”, onde irão ser divulgadas algumas das vozes fundamentais da mais recente literatura portuguesa (tanto na poesia quanto na narrativa e no ensaio), como por exemplo António Cândido Franco ou José Gil. Sobre a obra agora dada à estampa afirma o escritor espanhol Julián Rodríguez: “Uma citação de Bernardo Soares, heterónimo de Pessoa e “autor” do Livro do Desassossego, abre este livro: “O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos”. Em volta destas palavras se articula o poemário de Ruy Ventura, um dos nomes mais interessantes da nova poesia portuguesa. A imagem, parece dizer-nos, pode ser também “interior”, isto é, não construída com o olhar mas com as vivências, com os lugares visitados, vividos, sempre com uma carga de passado, de atemporalidade e, quase, de sacralidade. Uma fortaleza (a do Portinho da Arrábida ou a de Aveyron...), uma igreja (a de Portalegre), um castelo (o de Sesimbra, o das Carreiras, o de Valencia de Alcántara...), uma torre (a das Jerónimas, em Trujillo)... E não apenas lugares: também objectos, objectos “contemplados” (uma escultura antiga, uma talha de madeira...). / As paisagens – os lugares – são projectadas na escrita com um distanciamento e uma dicção (sempre essa combinação: as formas populares e a vanguarda, digamos, tradicional) que as fazem mais verdadeiras e duradouras: a emoção sempre contida e as palavras sempre ditas em voz baixa. A marca deixada por esta poesia tem que ver tanto com o dito quanto com o não dito. Sirvam como exemplo alguns versos do poema “regresso”, que nasceram, como assinala Ventura numa nota de rodapé, ao contemplar uma escultura do lendário rei português Dom Sebastião, um verdadeiro mito, mais sentimental do que heróico, no seu país: “depositaste na pedra / o teu olhar sem sombra / para melhor suportares / o peso desses ombros, / recuperando a cinza / que ficou sobre o oceano.” (p. 30) E uma estela funerária romana encontrada em Mérida provoca estes outros, saídos do poema “memória”: “mal oiço o som do alaúde em tua casa. / não consigo ver a pomba / voando sobre a cinza, / no sepulcro da ruína e desta alma. / exumei com os olhos / o mosaico que rodeava, talvez, esse coração – / mergulhado na água e na melodia. // séculos depois, encontro esse rosto / tão cedo escondido. / desenhado no mármore. / como numa fotografia. / esse sorriso escavando a penumbra da nave – // a iluminação das lágrimas / no interior do vidro.” (p. 28). O lugar, a imagem é a quinta colectânea editada por Ruy Ventura. Antes publicou, em poesia, Arquitectura do Silêncio (Difel, Lisboa, 2000 – Prémio Revelação – Poesia, da Associação Portuguesa de Escritores), sete capítulos do mundo (Black Sun Editores, Lisboa, 2003), Assim se deixa uma casa (Alma Azul, Coimbra, 2003 – em castelhano e português) e Um pouco mais sobre a cidade (Cuadernos Porticus, Villanueva de la Serena, 2004 – em castelhano e português). Com Joaquim Cardoso Dias, José Mário Silva e Pedro Sena-Lino participou no livro colectivo Malcata 7 Geografias (Alma Azul, Coimbra, 2003). Colaborador de diversas revistas portuguesas, brasileiras, espanholas e norte-americanas, parte da sua obra está traduzida em francês, inglês e alemão. Ele próprio é autor de traduções diversas, nomeadamente de numerosos poetas espanhóis contemporâneos.
Quantos rockstars que você conhece que são nomes de
planeta? Bom, não muitos – na verdade apenas um: Frank Zappa, que batizou o
planetóide 3834 Zappafrank – localizado no cinturão de asteróides entre
Marte e Júpiter. Além de um segundo asteróide, Zappa serviu de inspiração na
hora de nomear uma nova espécie de aranha, uma recém-descoberta água viva...
As homenagens ao músico, morto há 13 anos, seguem também fora do mundo
científico – como o livro-tributo Zappa – Detritos Cósmicos,
organizado pelo reverendo Fabio Massari, o maior especialista, deste lado do
Equador, no bigodudo de Baltimore.
En el número correspondiente a febrero del presente año de la popular revista PC Magazine en español, dedicado a celebrar sus cinco lustros de existencia, además de la historia fascinante de cómo un grupo de empresarios visualizó lo que revolucionaría no sólo a una época sino a todas las actividades humanas como el fenómeno de la computadora, hay una noticia inquietante para muchas gentes y esperanzadora para otras, nos referimos a la de los ‘e-books’ Se trata del “Sony portable Reader System (PRS-500)” a quien el comentarista Dan Costa le asigna de excelencia tres puntos y medio de cinco posibles y cuya venta directa es de unos trescientos cincuenta dólares, lo que quiere decir que por ahora no estará al alcance de la mayoría. No hay demasiado detalles, pero la imaginación se desborda. Es “un dispositivo elegante, delgado y muy legible para ver libros electrónicos”, agrega, con pantalla de seis pulgadas y resolución de 170 pixeles, que conserva una sola página que se cambia usando teclas con flechas y que utiliza la tecnología ‘E Ink’. No consume energía para mantener la página abierta y la empresa productora calcula que el Reader puede leer siete mil quinientas páginas sin recarga (Costa la tuvo en prueba una semana), porque no tiene luz de fondo sino que debe usarse con suficiente iluminación ambiental. Hasta ahí los detalles más sobresalientes. Pero eso no es lo importante. Es que estamos frente a un hecho que va a revolucionar totalmente la cultura universal. Creo que los que como yo pensábamos que el libro tradicional no sería nunca sustituido por su manuabilidad, su fidelidad, ya que estaba siempre a nuestra disposición cuando lo queríamos y no precisaba energía accesoria, ahora ocurre que en este aparatito podremos tener no sólo un libro sino toda una biblioteca en nuestras manos y andar con ella. Adiós problemas de mudanzas y anaqueles y polillas. Lo que viene ni ocupa espacio ni pesa como los volúmenes y los de la segunda o tercera generación que ya deben estar perfeccionándose en un campo como la electrónica que cambia a cada minuto y que produce mucho dinero y despierta tanto interés en la juventud, abruma imaginarlo. Aunque no se explica la forma en que se alimentará el archivo del Reader, debe ser de la ya tradicional de bajar o cargar los demás existentes. ¿Hasta dónde esta tecnología de punta va a cambiar la forma de producir cultura y de recibirla? Eso es lo que nos pone a fantasear. Lo que viene es de tal naturaleza alucinante que marea imaginarlo. Nunca pensé en la defunción del libro impreso. Es temprano anunciarla porque no hay un cambio absoluto en cuanto a tipografía y manera de recibir la información en el prospecto que comentamos. Con las tecnologías actuales y las que se desarrollen en el futuro, se facilitará insertar imágenes, colores y sonidos (fotografías, videos, filmes, música) y hasta la lectura en las voces de lectores profesionales para ciegos y analfabetas. Muchas cosas cambiarán. Habrá tiendas sin carcomas de aparatos electrónicos en vez de fastuosas librerías. Ignoramos dónde meteremos tantas impresoras, ni qué será de las bibliotecas tradicionales y de las editoriales, pero el futuro ya está llegando y el relevo está en camino. Los que no somos jóvenes y amamos la palabra impresa en el papel, si nos hemos modernizado trabajando directamente en la PC, quizás no suframos tanto como los que aún redactan a mano y usan de la obsoleta maquinilla de escribir. Lo sentimos por ellos, pero el mundo no se detendrá. Antes de la imprenta estuvo reinando la piedra, duradera como ninguna otra materia pero casi imposible de trasladar; después la arcilla, menos confiable y luego el papiro que devino en papel y más tarde la imprenta que ha reinado durante cinco siglos, pero el asunto del espacio parece ser determinante. Borges veía el paraíso en forma de una biblioteca. Ahora nos permiten imaginarlo como un cómodo aparatito manejable donde estará a nuestra disposición inmediata todo lo que el hombre ha escrito o pintado. La globalización tecnológica es un hecho irreversible. Vanguardia o muerte parece ser la divisa universal. El libro del futuro ya ha nacido aunque sea temprano hacerle el epitafio al hermoso monumento que el actual ha sido. [Manuel Mora Serrano]
Sob os cuidados de Jorge Pieiro e Pedro Salgueiro e com a participação sem medidas do designer Geraldo Jesuíno, a revista revista revista ad infinitum… Caos Portátil: um almanaque de contos, sob os auspícios da Letra & Música Comunicação Ltda. Por que Caos Portátil? Porque Julio Cortázar em seu Jogo de Amarelinha acenou com esse título, no meio de tantas letras… Em 99, Jorge Pieiro reuniu seus contemas e fragmas e deu o primeiro título ao seu livro (Caos portátil, Letra & Música, 1999). A expressão ficou guardada, para ser lembrada, revista, revista, revista… Por que Almanaque de contos? Porque Pedro Salgueiro e outros contistas cearenses (entre estes os organizadores Elizângela Matos e Tércia Montenegro), quase todos inéditos, reuniram textos e os guardaram sob o título de Almanaque de Contos Cearenses (Ed. Bagaço, 1997). Mais idéia revista, revista, revista… São dois projetos, pois, resgatados, sem esquecer do Relato, uma folhinha de experiências literárias que rodou mundo e Brasil, da fornada do mesmo Jorge Pieiro, que também está na gênese deste projeto. Sempre em revista, revista, revista… No número 3, vinte e nove autores, em qualquer coisa que se pense como texto, recorte, fragmento e que conte, aponte, reafirme (r)evoluções. parceiros da agulha nesta seção
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