revista de cultura # 57
fortaleza, são paulo - maio/junho de 2007

discos da agulha

Música popular no Brasil: A luxúria do tédio

Erico BaymmaUm fenômeno constrangedor assola com pés de gigante a terra musical brasileira: a mesmice dos que se auto-profetizam renovadores e a restrição do acesso do público aos artistas que se poderia considerá-los “novos”. Infelizmente, com grande e massacrante constância a indústria vem exaurindo sua própriachama” de funcionamento e não está notando o fogo que a destrói. Está muito bem alocada a ausência de criatividade e sensibilidade como fórmula mágica de vendas, a espetacularização do fútil e de si própriaredundante mesmo!), fazendo com que a música brasileira popular se agarre em um viés cancerígeno que mostra sérios sinais de falência de órgãos.

Nestes termos, o que Fayga Ostrower define como grande característica da cultura e arte brasileiros, a sensualidade, naufraga completamente, entre garrafinhas e outras coisas que não vale a pena citar, em uma óbvia dificuldade de traduzir-se no que melhor tem.

O maior problema não é a falta do “novo” - apesar do “novoser um dos pilares “filosóficos” na música popular do século XX -, pois podemos vê-lo em qualquer lugar, sem grandes esforços, também em releituras de obras.

O que vemos é uma estrutura formada nos anos 60, dando os primeiros passos em sua “ingenuidade”, em que a indústria musical brasileira começou a se conscientizar da grande possibilidade da indústria do espetáculo e suas derivações, em mais uma importação de usos e costumes, ou pelo natural encaminhamento na troca de conhecimentos. Este caminho ainda foi bem tratado, inicialmente, mesmo que notemos uma grave falha, em cujo hiato vemos o detrimento do instrumental como parte da música - a música contendo músicos e não estes servindo de cama para solistas. O início da música comercial, com introdução no máximo de 30 segundos - quando muito - no que a música, propriamente, sofreu imensamente em sua essência.

É esta estrutura que vem “desenvolvida”, barra o talnovo” e se insere no caos onde se ausenta o bom senso, principalmente administrativo. A cobra começa a se engolir em uma emblemática ganância apropriada dos que criam, não de sua atividadefim”: manter uma estrutura funcionando. Vende-se fumaça como nuvem. Os não-criadores não podem se dar ao luxo de se engolirem, pois não saberão se recriar, logo após.

Em sua primeira fase, a época de ouro da MPB (onde estão Elis Regina, Maria Bethania, Gal Costa, Roberto Carlos, Caetano Veloso, João Bosco, Milton Nascimento e outros a mais) sobreviveu tentando romper sutilmente com a ditadura militar, propagando-se em herméticos símbolos lítero-musicais, projetando conotações de resistência política, trazendo para a cultura musical os símbolos diversos da vida ideal, da esperança, da felicidade - coisas que se demarcam como único prato degustável a um público carente de ser, como ainda é. Desta forma se compõe a grande mesa de “medalhões que fura tempo e espaço afora. E a demanda atendida é somente o , lixo musical, não um pedaço de bolo.

Pulando alguns anos, a partir dos anos 80, vimos consolidar a indústria da superficialidade, em contramão à rigidez com que se produzia na década anterior, de modo a que essa superficialidade se derivasse nas novas ditaduras que correspondem aos “novosapelos mercadológicos - um impingir de novas necessidades que chega ao absurdo de negar os própriosdiscursos”.

Isso, na área musical, reproduz-se em música cada vez mais pobre, argumentos cada vez mais frágeis fazendo da música a indústria de entretenimento e não mais como indústria cultural ou musical. Força-se facilmente a que se tapem os ouvidos da sensibilidade para que, quem escute, se pense “rei”, mantenha-se pleno - todo mundo começou a gostar do quase nada que era e é oferecido. E ainda mantém o status de arte.

Distorções são claras. Quando se diz que a MPB acabou e que esta não é “popular”, lembro-me de milhares de pessoas de todas as classes cantando “O bêbado e a equilibrista”, pérola sintética de uma época tão complexa, não menos que agora, enquanto vivemos a inflamação da complexidade, a vida líquida.

Não retiro valores, mas é clara a inadequação da música comercial como representação da cultura popular (esta no sentido mais amplo, popular de raiz e das cidades e metrópoles - o folclore de todas as raças e províncias espalhadas no mapa-múndi). O entendimento de que esta coisa oferecida seja a expressão popular através da música que reina é uma imbecilização do povo, que come o que tem, mesmo! Uma indignidade clara que chega ao seu limite.

E a indústria, coitada!, reclama dos direitos autorais, pela existência dos formatos de áudio digital sendo transferidos pela internet. Quase que eu acredito que o problema é mesmo de direitos autorais!

No entanto, tudo foi “tão bem construídoque essa indústria antes fincada em estética e ideologia - pelo drible à ditadura - aprendeu a sobreviver durante todos estes anos com as mesmas máscaras usadas em uma ditadura, aparentemente “ao inverso”, praticando nepotismo, um doentio hedonismo pós-industrial, fazendo que o interesse pelas fofocas sejam mais merecedores de atenção do que o próprioproduto”. O espetáculo do espetáculo do espetáculo - cada dia mais longe da criação em si, a criação reduzida a uma vista origem medíocre.

Procuramos, então, os legitimadores de uma forma de atuação do artista no mercado e poderíamos pensar, por exemplo, que o Prêmio TIM, 2007, viesse a ser um bom referencial do que há de melhor da produção musical brasileira. O que sabemos a respeito? Fala-se mais nas polêmicas de Roberto Carlos não aprovando sua biografia, brigas entre Caetano e Luana Piovani (ora, vejam os personagens!) e outras coisas que não trazem nada, mesmo, ou contribuam a quaisquer dos interesses sociais, culturais, artísticos etc. do que em música. Não tempo para se repensar. Cifras, cifras, cifras (não notações musicais) versus piratas. Quem é mais pirata?

A foto tirada nos anos 70, em larga ceia, é preenchida por caquéticos caducos que se auto-conclamam reis, ainda, depois de toda a estrada sem santos, sem caracóis, sem música, sem o mínimo aroma de poesia.

Claro, o Prêmio TIM não se faz entender somente desses aspectos fúteis, no que vale ressaltar os talentos de artistas como Marcos Tardelli (violonista, participante-arranjador do Grupo Maogani, que fez um belíssimo álbum com parte da obra do Guinga), Hamilton de Holanda (com o trabalho “Brasilianos”), Nelson Freire (por “Brahms - the piano concerts”), Renato (cantor, compositor e produtor peloForró para crianças”), sem deixar de lado a premiação dupla da “industrial” Marisa Monte (“Infinito Particular” e “Universo ao meu redor”) que, particularmente, conseguiu um aprimoramento como cantora e compositora, como também Maria Bethânia (“Mar de Sophia”), que ainda reina soberana, com alguma sensibilidade especial, mesmo que seus trabalhos tenham a mesma linha de condução há tantos anos.

Considerando a maioria dos prêmios temos uma articulação em torno das vendas, não se fala em música, não se ouve música. É estranho que um prêmio direcionado à música ganhe esta conotação tanto mais mercadológica. E isto é obviamente lamentável.

Em um apanhado geral constatamos a presença maciça do selo Biscoito Fino, que carrega uma contramão do superficial, com lançamento de grandes obras e artistas e a relevância dada a produções instrumentais, que inclusive justificam determinados prêmios dados a artistassolo”. Ótimos projetos têm sido jogados no mercado e os artistas anteriormente alocados nas multinacionais estão correndo para comer uma fatia do Biscoito.

Afora critérios de bom-senso, temos Caetano Veloso como melhor CD de rock.

Melhor mesmo acaba sendo entrar no mundo dos “independentes” (do quê?) e tentar ter acesso a grandes talentos que estão no “sub-mercado”, como os cantos de Fabiana Cozza, Ná Ozzetti, Rosa Passos, Teca Calazans, Rubi, Renato, Sérgio Santos, Ceumar e Mônica Salmaso, (e tantos trabalhos instrumentais) entre outras pessoas quenão aparecem na TV” e tanta gente que está fazendo arte, de verdade.

Fofoca não soa bem e eu não desculpo (se me permitem a licença).

[Erico Baymma

…E por falar em acordeon, de Chico Chagas1. …E por falar em acordeon, de Chico Chagas. Rob Digital. www.robdigital.com.br. Contato através de Marília Motta: contato@robdigital.com.br.

“...E por Falar em Acordeon”, produzido por Luiz Avellar, conta com 13 faixas, sendo uma de composição própria, e traz um naipe de instrumentistas da maior qualidade: nos pianos, Leandro Braga, Itamar Assiére e Luiz Avellar; nos violões, João Lyra, Luís Brasil, Leonardo Amoedo e Nando Duarte; nos sopros, Carlos Malta, Paulo Sérgio Santos e Roberto Marques; nos baixos, Jorge Helder, Nei Conceição e Arthur Maia; nas baterias, Jurim Moreira e Kiko Freitas; nas percussões, João Hermeto e Fábio Luna, e no violino Nicolas Krassik.

O repertório traz releituras variadas: de Djavan e Jair Amorim a Nando Reis e Marisa Monte; de Pixinguinha e Jacob do Bandolim a Valdir Azevedo e Luiz Gonzaga. A música autoral “Rio Branco” é uma homenagem de Chico à capital do Acre, seu estado natal. Em “Day Tripper”, dos Beatles, o acordeonista mescla rock com xote, em arranjo sofisticado com belos solos de sax. Assim como nas demais faixas, o artista demonstra personalidade e estilo próprio, seja nos arranjos ou na interpretação.

O instrumentista descobriu sua vocação para a música aos seis anos de idade. Incentivado por seu pai, ainda jovem começou a estudar piano e teclado. O reconhecimento veio como pianista, mas assim que Chico se aprofundou na musicalidade do acordeon, percebeu uma maior identificação com o instrumento. O músico mudou-se para o Rio de Janeiro, onde tocava na noite e fazia cursos de harmonia, improvisação e piano erudito. Foi convidado a fazer trabalhos com o cantor Zeca Pagodinho, o que abriu as portas para sua entrada na indústria musical. Tocou com nomes ilustres como Cássia Eller, Nando Reis e Elza Soares, de quem também foi diretor musical.

Das ilhas mestiças, de Rodrigo Lessa2. Das ilhas mestiças, de Rodrigo Lessa. Rob Digital. www.robdigital.com.br. Contato através de Marília Motta: contato@robdigital.com.br.

No Cabo Verde - arquipélago que o Brasil conheceu no século XVI, pois era entreposto dos escravos que os portugueses traziam para cá - Rodrigo Lessa calcou sua pesquisa musical. A intuição falou alto e as 12 faixas inéditas já haviam sido compostas antes da viagem realizada para aquele país em 2006. Para lá ele levou quatro bases gravadas e foi colher participações. Entre mornas, batuks e coladeiras, o CD contemplado pelo Programa Petrobras Cultural ganhou corpo, convidados e a certeza de que tudo é mesmo uma só coisa.

As composições e os arranjos de Lessa souberam sublinhar o singular e único de cada um desses lugares. Nelas, com espaço para improvisações dos convidados, as baixarias do violão brasileiro, o pontilhado das coladeiras caboverdianas e a técnica particular dos congueiros cubanos se aproximam a ponto de fundir-se em uma só composição-síntese, transatlântica.

O disco foi gravado entre Lisboa e Rio, com participações internacionais dos cubanos Julio Padrón (cantor e trompetista) e Jose Izquierdo (congas), dos caboverdianos Toi Vieira (piano) e Vaiss (guitarra), dos cantores portugueses Janita e Vitorino Salomé, dos pianos de Tomás Improta e João Donato.

Rodrigo Lessa (bandolim, bandarra, cavaquinho), Xande Figueiredo (bateria), Luis Louchard (baixo), Rogério Souza (violão) e Jaguara (percussão) formam a base, que conta ainda com luxuoso instrumental de Eduardo Neves (sax e flauta) Zé Carlos Bigorna (saxes), Nailson Simões e Jessé Sadok (trompetes), Celsinho Silva, Jorginho do Pandeiro, Bernardo Aguiar e Marcos Esguleba (percussões). Colaboram também Gabriel Improta (violão) e Chico Chagas (acordeon).

Calango Mindelo, a faixa de abertura, traduz o clima do disco. Mindelo é o nome da cidade mais conhecida do arquipélago de doze ilhas (fica em São Vicente, terra de Cesaria Évora). A primeira levada é de coladeira; logo após, um fraseado lembra o choro de Honorino Lopes Língua de Preto; enquanto os baixos inspiram-se no sucesso Sodade, de Cesaria. Julio Padrón dá sabor cubano no fraseado super agudo no trompete. De mão cheia é choro rasgado, carioca. Destaque para o diálogo entre bandolim de Lessa e o violão de Gabriel Improta. Suave Dengo é delicada, feminina, pontuada pelo improviso do meio-chileno meio-cubano Jose Izquierdo. Porque que tem que ser assim é samba/sambalanço, prato cheio para Donato.

Lessa conta: “Adorei essa faixa, ele tocando minha melodia e o arranjo tocando a melodia dele, já que na volta da introdução eu cito a Rã em outra harmonia.”

A alegre Burrito brinca com o duplo significado da palavra em espanhol. Julio Padrón brilha e conduz o rico instrumental. A melódica Sonhos foge ao padrão do disco, e tem solo antológico de Tomás Improta. Sem Vergonha retoma o projeto de verdadeira fusão atlântica. Coladeira, salsa, maxixe e choro se alternam e se superpõem em vários discursos. Equador fica fronteiriça entre o choro e o ijexa.

Já Ponto de bala é samba-choro como manda as regras da arte.

A faixa Ilhas Mestiças é uma viagem musical. “Uma introdução que eu gostava ganhou na seqüência o piano do Toi Vieira, que arrasa em bom gosto e economia”. Cabe acrescentar que Toi Vieira é um dos principais compositores e arranjadores caboverdianos. Foi uma música dele, Falso Testemunho o despertar de Rodrigo Lessa para o país.

Aresta América surgiu a partir de uma base destinada a um solo de percussão. Os cantores Janita e Vitorino Salomé dão um clima mouro. A faixa-bônus Rala Coxa se justifica. Composta em 2003 e já em dois discos de Paulo Moura e Rodrigo Lessa, preconizava a paixão do compositor pela música de Cabo Verde.

Das ilhas mestiças é, na prática e no dialeto crioulo, “morabeza” - que significa “gozar a vida, bem estar, boa conversa”. Não é à toa que dá nome à única música que seu autor toca solo, em tons pastéis. É assim que o CD deve ser ouvido: uma boa conversa entre lugares que se afirmam e se reconhecem nos elos musicais e que, apesar da distância continental, têm muito a trocar.

Centenário Radamés Gnatalli, de Orquestra Petrobrás Sinfônica3. Centenário Radamés Gnatalli, de Orquestra Petrobrás Sinfônica. Rob Digital. www.robdigital.com.br. Contato através de Marília Motta: contato@robdigital.com.br.

Ponte entre o erudito e o popular. Assim Radamés Gnatalli uniu o que para muitos era inconciliável. O cenário do Theatro Municipal do Rio de Janeiro foi auspicioso por representar o local em que o pianista, compositor e maestro iniciou como solista o seu primeiro Concerto para Piano e Orquestra. A preciosidade de sua música é resgatada neste concerto ao vivo, lançado em álbum duplo, uma homenagem ao seu centenário completado dia 27 de janeiro de 2006.

Em 60 anos de carreira, o maestro rompeu barreiras ao inventar novas formas de orquestrar o ritmo brasileiro. Utilizou instrumentos até então negligenciados por outros músicos, como o bandolim, a harmônica e o saxofone, por exemplo. A liberdade de viajar em diversos estilos, fruto da convivência com mestres como Ernesto Nazareth e Pixinguinha, estimulou sua criação nos arranjos para gravações e programas de televisão e Rádio. Mesmo sem ter nunca sido funcionário da Rádio MEC, era comum encontrá-lo nos estúdios participando como convidado de inúmeros programas ou como regente da Orquestra de Sopros da Rádio MEC, e assim deixou à emissora material de valor inestimável.

Putumayo World Party4. Putumayo World Party. Varios. Presentando algunos de los ritmos más populares del mundo, esta colección de canciones que te hacen sentir bien garantiza la animación de cualquier fiesta. Putumayo World Music. Visite: www.putumayo.com.

En todo el mundo es sabido que la clave para que una celebración sea inolvidable es la buena música. Ya sea que vivas en Islandia o Italia, Tahití o Timbuktu, la música hará que la fiesta empiece y se mantenga en movimiento. Putumayo World Party,con fecha de lanzamiento el 24 de abril, es una colección de canciones que te hacen sentir bien y que presentan algunos de los ritmos bailables más conocidos del mundo, garantizándote la animación de cualquier reunión.

Parte de las ganancias de Putumayo por Putumayo World Party será donada a Action Against Hunger (Acción contra el Hambre), una organización internacional de ayuda y desarrollo destinada a resguardar la vida de niños y familias desnutridas facilitándoles acceso sostenible al agua potable y soluciones de largo plazo contra el hambre.

Animal Playground5. Animal Playground. Varios. Putumayo World Music. Visite: www.putumayo.com.

Animal Playground es el próximo lanzamiento de la multipremiada serie Playground de Putumayo Kids. Este nuevo álbum presenta una colección multilingüe de canciones con temáticas sobre animales de todo el mundo. El CD también incluye un video musical original como adicional producido por Putumayo en Trinidad con la canción No More Monkeys del artista trinitense Asheba. El lanzamiento se acompañará con un zoo temático “Animal Playground” y una gira de conciertos para todo público en Estados Unidos a desarrollarse a finales de esta primavera.

Como los niños de todas las nacionalidades sienten fascinación por los animales, Putumayo creyó natural crear una colección de canciones excepcionales presentando temáticas animales y folclore de todo el planeta. Las 13 canciones del álbum llevarán a los oyentes a un viaje que comienza en América del Norte y finaliza en África sin saltearse ningún ritmo entre ambos extremos. Los fanáticos de la música de todas las edades querrán saltar, brincar y cantar junto a las divertidas y rítmicas melodías de Animal Playground.

Presença, de Quaternaglia6. Presença, de Quaternaglia. CD: Paulus. 2006. / DVD: Eldorado. 2006.

Quaternaglia é um grupo de violonistas paulistas que atrai vasto público internacional, tanto pelo repertório popular relido a arranjos sofisticados, quanto pela maestria na execução de peças eruditas.

Estão lançando no Brasil, oficialmente, o quarto trabalho nos formatos CD e DVD. Neste trabalho, “Presença”, encontramos pérolas inestimáveis tanto em peças populares como de compositores eruditos, que também atuaram no popular como Radamés Gnatalli (em sua primeira execução e registro mundial no Quarteto nº1, de 1939) e Tom Jobim, em sua maravilhosa peça composta para a trilha sonora de Crônica da Casa Assassinada (1971).

Também são registradas composições dos componentes do quarteto Sidney Molina, Rodrigo Vitta, Paulo Tiné e Douglas Lora. No DVD há um registro da participação especial de Paulo Bellinatti, renomado violonista que entre as incursões na música brasileira está registrado no “Afro-Sambas”, dividido magistralmente com a cantora Mônica Salmaso.

Espera-se que o quarteto lance no Brasil o ótimoForrobodó”, em que visitam as obras de Ernesto Nazareth e Egberto Gismonti, entre outros.

[Erico Baymma]

Love, de The Beatles7. Love, de The Beatles. DVD-Áudio. EMI. 2007.

Formatado por George Martin, supervisionado por Yoko Ono, Ringo Star e Paul McCartney, apresentado primeiramente em formato cd simples, o trabalho “LOVE”, que faz a trilha sonora de mais um espetáculo do Cirque Du Soleil, vem a ser mostrado agora em um lançamento especial no DVD-Áudio de mesmo nome.

A tecnologia do som surround nos formatos dolby digital, DTS, Mlp e SACD, ainda é novidade ou completamente desconhecida para qualquer brasileiro mesmo que se tenha acostumado a assistir filmes em DVD e não entende, comumente, o que são aquelas opções de áudio contidas nos DVDs. Tem-se feito um grande esforço para que o consumo de formatos de áudio digital multicanal, contidos como opções de áudio na maioria dos DVDs, se popularize massivamente, através de ofertas de Home Theaters - que são os amplificadores que possibilitam a audição do som distribuído em 6 canais diferentes.

O som multicanal havia tentado se impor no final da década de 70, com alguns títulos em som quadrafônico em Lps. No entanto, a tecnologia não vingou. Chegando à era digital a tecnologia atinge a possibilidade de 8 canais, o surround 7.1, que está em funcionamento na maioria das salas de cinema.

O DVD-Áudio do “Love” traz consigo a possibilidade de ser um instrumento definitivo na criação de uma “necessidade” de ouvir algo além do efeito estéreo dos sons e DVDs comuns, em mais uma tentativa para a popularização do sistema, apesar do preço do novo formato não ser tão popular assim. Os Beatles, com este produto e com fãs ardorosos distribuídos em diferentes faixas etárias, se tornam um ótimo condutor da necessidade

O que fica evidente neste formato específico, enfim, é o por quê do som dos Beatles tenha atravessado décadas e décadas. Ao ouvirmos a remontagem de músicas inteiras temos aparentemente um novo álbum, ou seja, “Love” confirma a grande importância que George Martin teve na construção sonora do “som dos Beatles”, no material original, como agora em sua transformação em áudio surround remixado e remasterizado. Como o “grande senhor dos sons”, ele maneja magistralmente os arranjos de cada instrumento das obras dos Beatles.

É genial na reutilização de sons originais e a remixagem de músicas, das quais se retira ou adiciona melodias e instrumentos, trazendo o trabalho do grupo para um contexto contemporâneo. Há uma revalorização da obra através do magnífico trabalho de engenharia sonora, em que melodias e instrumentos de músicas diversas conversam entre si, traduzidos em um outro contexto completamentepsicodélico”, acionado pela divisão nos 6 canais diferentes.

O resultado obtido neste trabalho, seja em estéreo ou surround, é inegavelmente uma nova grande obra de George Martin.

[Erico Baymma]


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