discos da agulha
Música popular
no Brasil: A luxúria do tédio
Um fenômeno constrangedor assola
com pés
de gigante a terra
musical brasileira: a mesmice dos que
se auto-profetizam renovadores e a restrição do acesso
do público aos
artistas
que se poderia
considerá-los “novos”. Infelizmente, com
grande e massacrante constância a indústria
vem exaurindo sua
própria
“chama” de
funcionamento
e não está notando o fogo que a
destrói. Está muito
bem
alocada a ausência de criatividade e sensibilidade
como fórmula
mágica de vendas,
a espetacularização do fútil e de si própria (é redundante mesmo!),
fazendo com
que
a música
brasileira
popular se agarre
em
um viés
cancerígeno que
já mostra
sérios sinais
de falência de
órgãos.
Nestes termos, o que Fayga Ostrower define como
grande característica
da cultura e arte
brasileiros, a
sensualidade, naufraga completamente, entre garrafinhas e outras
coisas
que não
vale a pena citar, em uma óbvia dificuldade
de traduzir-se no que melhor tem.
O maior problema não é a
falta do “novo” - apesar
do “novo” ser um dos pilares
“filosóficos” na música popular do século
XX -, pois podemos vê-lo
em
qualquer lugar,
sem grandes
esforços, também
em releituras de
obras.
O que vemos é uma estrutura formada nos
anos 60, dando os
primeiros
passos em
sua “ingenuidade”,
em
que a indústria
musical brasileira começou a se conscientizar da grande
possibilidade da indústria do espetáculo e suas derivações, em mais uma importação
de usos e costumes, ou pelo natural
encaminhamento na troca de conhecimentos. Este
caminho ainda
foi bem tratado,
inicialmente,
mesmo
que notemos uma
grave
falha, em
cujo hiato
vemos o detrimento do instrumental como parte da música - a música
contendo músicos e
não
estes servindo de cama
para solistas.
O início da música comercial, com introdução no máximo de 30 segundos -
quando muito - no que a música, propriamente, sofreu imensamente em sua
essência.
É esta estrutura que vem “desenvolvida”,
barra o tal
“novo” e se insere no
caos
onde se ausenta o
bom
senso,
principalmente
administrativo. A
cobra
começa a se engolir
em uma
emblemática
ganância
apropriada
dos que criam,
não
de sua
atividade
“fim”: manter
uma estrutura funcionando. Vende-se fumaça como nuvem. Os não-criadores não
podem se dar ao luxo
de se engolirem, pois não
saberão se recriar, logo
após.
Em
sua
primeira fase,
a época de ouro da MPB
(onde estão Elis Regina, Maria Bethania, Gal Costa, Roberto Carlos, Caetano Veloso, João Bosco,
Milton Nascimento e outros a mais) sobreviveu tentando romper
sutilmente com
a ditadura militar,
propagando-se em
herméticos
símbolos lítero-musicais, projetando
conotações de resistência
política, trazendo para a
cultura
musical os símbolos
diversos
da vida ideal,
da esperança, da
felicidade
- coisas que
se demarcam como
único
prato degustável a
um
público carente
de ser, como ainda é. Desta forma se
compõe a grande
mesa
de “medalhões”
que
fura tempo
e espaço
afora. E a demanda
atendida é somente o pó, lixo
musical, não
um
pedaço de bolo.
Pulando alguns anos, a partir dos anos 80, vimos consolidar
a indústria da
superficialidade,
em contramão à
rigidez
com que
se produzia na década anterior, de modo
a que essa
superficialidade
se derivasse nas novas ditaduras que
correspondem aos “novos” apelos mercadológicos - um
impingir de novas
necessidades que
chega ao absurdo
de negar os próprios
“discursos”.
Isso,
na área
musical, reproduz-se em música cada vez mais pobre, argumentos
cada vez
mais frágeis fazendo da música a indústria
de entretenimento e não
mais como
indústria cultural
ou
musical. Força-se facilmente a que se
tapem os ouvidos da
sensibilidade
para que, quem escute, se pense “rei”,
mantenha-se pleno - todo mundo começou a gostar do quase nada que era e é
oferecido. E ainda mantém o status de arte.
Distorções
são
claras. Quando
se diz que a MPB acabou e que esta não é “popular”,
lembro-me de milhares de pessoas
de todas as classes cantando “O bêbado e a equilibrista”, pérola sintética
de uma época tão
complexa, não
menos que
agora, enquanto vivemos a inflamação da complexidade, a vida líquida.
Não
retiro
valores, mas
é clara a
inadequação
da música comercial como representação da cultura
popular (esta no
sentido
mais amplo,
popular de raiz
e das cidades e
metrópoles
- o folclore de todas as raças e províncias
espalhadas no mapa-múndi). O entendimento
de que esta coisa
oferecida seja a expressão popular através
da música que
reina é uma imbecilização do povo, que só come o que
tem, mesmo! Uma
indignidade
clara que
chega ao seu
limite.
E a indústria,
coitada!, reclama dos direitos
autorais,
pela existência
dos formatos de
áudio
digital sendo transferidos pela internet. Quase
que eu
acredito que o
problema
é mesmo de
direitos
autorais!
No entanto, tudo foi “tão bem construído” que essa indústria
antes fincada em
estética e
ideologia
- pelo drible à ditadura - aprendeu a sobreviver
durante todos
estes anos
com as mesmas
máscaras
usadas em uma ditadura, aparentemente “ao inverso”, praticando nepotismo, um doentio hedonismo
pós-industrial, fazendo que o interesse pelas fofocas
sejam mais merecedores de atenção do que
o próprio “produto”.
O espetáculo do espetáculo
do espetáculo - cada
dia mais
longe da criação
em si, a criação reduzida a uma vista
origem medíocre.
Procuramos, então,
os legitimadores de uma forma de atuação do artista
no mercado e poderíamos
pensar,
por exemplo,
que o Prêmio
TIM, 2007, viesse a ser
um
bom referencial do
que
há de melhor da produção musical brasileira. O que
sabemos a respeito? Fala-se mais nas polêmicas
de Roberto Carlos não aprovando sua biografia, brigas entre
Caetano e Luana Piovani (ora, vejam só os personagens!)
e outras coisas
que
não trazem nada,
mesmo, ou
contribuam a quaisquer dos interesses sociais, culturais, artísticos
etc. do que
em música. Não há
tempo para
se repensar. Cifras,
cifras, cifras
(não notações musicais) versus piratas.
Quem é mais pirata?
A foto tirada nos anos 70, em larga ceia, é
preenchida por
caquéticos
caducos que
se auto-conclamam reis, ainda, depois
de toda a
estrada
sem santos,
sem caracóis, sem
música, sem
o mínimo aroma de poesia.
Claro,
o Prêmio
TIM não se faz entender
somente
desses aspectos fúteis, no que vale
ressaltar
os talentos de
artistas
como Marcos
Tardelli (violonista,
participante-arranjador do Grupo
Maogani, que fez
um
belíssimo álbum
com
parte da obra
do Guinga), Hamilton de Holanda (com
o trabalho “Brasilianos”), Nelson Freire (por
“Brahms - the piano concerts”), Zé Renato (cantor,
compositor e
produtor
pelo “Forró para crianças”), sem deixar de lado a premiação dupla
da “industrial” Marisa Monte (“Infinito
Particular” e “Universo
ao meu redor”)
que,
particularmente, conseguiu um
aprimoramento
como cantora e compositora, como também
Maria Bethânia (“Mar de Sophia”), que ainda reina soberana,
com alguma
sensibilidade
especial, mesmo que seus trabalhos tenham a mesma linha de condução há
tantos anos.
Considerando a maioria
dos prêmios temos uma articulação em torno das vendas,
não se fala
em música,
não se ouve
música. É estranho
que
um prêmio
direcionado à música ganhe esta conotação tanto
mais mercadológica. E isto é obviamente lamentável.
Em
um
apanhado geral
constatamos a presença
maciça
do selo Biscoito
Fino, que
carrega uma contramão do superficial, com lançamento
de grandes
obras
e artistas e a
relevância
dada a produções
instrumentais, que
inclusive
justificam determinados prêmios dados a
artistas “solo”.
Ótimos projetos têm sido jogados no mercado e os artistas anteriormente
alocados nas multinacionais estão correndo para comer uma fatia do Biscoito.
Afora critérios de
bom-senso, temos Caetano Veloso como melhor CD de rock.
Melhor
mesmo
acaba sendo entrar no
mundo
dos “independentes” (do quê?) e tentar ter acesso a grandes talentos
que estão no “sub-mercado”, como os cantos
de Fabiana Cozza, Ná Ozzetti, Rosa Passos, Teca Calazans, Rubi,
Zé Renato, Sérgio
Santos, Ceumar e Mônica Salmaso, (e tantos trabalhos
instrumentais) entre outras pessoas que
“não
aparecem na TV” e tanta gente que está
fazendo arte, de verdade.
Fofoca
não
soa bem e eu não desculpo (se me
permitem a licença).
[Erico Baymma]
1. …E por falar em
acordeon, de Chico Chagas. Rob Digital.
www.robdigital.com.br. Contato através de Marília
Motta:
contato@robdigital.com.br.
“...E por Falar em
Acordeon”, produzido por Luiz Avellar, conta com 13 faixas, sendo uma de
composição própria, e traz um naipe de instrumentistas da maior qualidade:
nos pianos, Leandro Braga, Itamar Assiére e Luiz Avellar; nos violões, João
Lyra, Luís Brasil, Leonardo Amoedo e Nando Duarte; nos sopros, Carlos Malta,
Paulo Sérgio Santos e Roberto Marques; nos baixos, Jorge Helder, Nei
Conceição e Arthur Maia; nas baterias, Jurim Moreira e Kiko Freitas; nas
percussões, João Hermeto e Fábio Luna, e no violino Nicolas Krassik.
O repertório traz
releituras variadas: de Djavan e Jair Amorim a Nando Reis e Marisa Monte; de
Pixinguinha e Jacob do Bandolim a Valdir Azevedo e Luiz Gonzaga. A música
autoral “Rio Branco” é uma homenagem de Chico à capital do Acre, seu estado
natal. Em “Day Tripper”, dos Beatles, o acordeonista mescla rock com xote,
em arranjo sofisticado com belos solos de sax. Assim como nas demais faixas,
o artista demonstra personalidade e estilo próprio, seja nos arranjos ou na
interpretação.
O instrumentista
descobriu sua vocação para a música aos seis anos de idade. Incentivado por
seu pai, ainda jovem começou a estudar piano e teclado. O reconhecimento
veio como pianista, mas assim que Chico se aprofundou na musicalidade do
acordeon, percebeu uma maior identificação com o instrumento. O músico
mudou-se para o Rio de Janeiro, onde tocava na noite e fazia cursos de
harmonia, improvisação e piano erudito. Foi convidado a fazer trabalhos com
o cantor Zeca Pagodinho, o que abriu as portas para sua entrada na indústria
musical. Tocou com nomes ilustres como Cássia Eller, Nando Reis e Elza
Soares, de quem também foi diretor musical.
2. Das ilhas
mestiças, de Rodrigo Lessa. Rob Digital.
www.robdigital.com.br. Contato através de Marília
Motta:
contato@robdigital.com.br.
No Cabo Verde -
arquipélago que o Brasil conheceu no século XVI, pois era entreposto dos
escravos que os portugueses traziam para cá - Rodrigo Lessa calcou sua
pesquisa musical. A intuição falou alto e as 12 faixas inéditas já haviam
sido compostas antes da viagem realizada para aquele país em 2006. Para lá
ele levou quatro bases gravadas e foi colher participações. Entre mornas,
batuks e coladeiras, o CD contemplado pelo Programa Petrobras Cultural
ganhou corpo, convidados e a certeza de que tudo é mesmo uma só coisa.
As composições e os
arranjos de Lessa souberam sublinhar o singular e único de cada um desses
lugares. Nelas, com espaço para improvisações dos convidados, as baixarias
do violão brasileiro, o pontilhado das coladeiras caboverdianas e a técnica
particular dos congueiros cubanos se aproximam a ponto de fundir-se em uma
só composição-síntese, transatlântica.
O disco foi gravado
entre Lisboa e Rio, com participações internacionais dos cubanos Julio
Padrón (cantor e trompetista) e Jose Izquierdo (congas), dos caboverdianos
Toi Vieira (piano) e Vaiss (guitarra), dos cantores portugueses Janita e
Vitorino Salomé, dos pianos de Tomás Improta e João Donato.
Rodrigo Lessa
(bandolim, bandarra, cavaquinho), Xande Figueiredo (bateria), Luis Louchard
(baixo), Rogério Souza (violão) e Jaguara (percussão) formam a base, que
conta ainda com luxuoso instrumental de Eduardo Neves (sax e flauta) Zé
Carlos Bigorna (saxes), Nailson Simões e Jessé Sadok (trompetes), Celsinho
Silva, Jorginho do Pandeiro, Bernardo Aguiar e Marcos Esguleba (percussões).
Colaboram também Gabriel Improta (violão) e Chico Chagas (acordeon).
Calango Mindelo, a
faixa de abertura, traduz o clima do disco. Mindelo é o nome da cidade mais
conhecida do arquipélago de doze ilhas (fica em São Vicente, terra de
Cesaria Évora). A primeira levada é de coladeira; logo após, um fraseado
lembra o choro de Honorino Lopes Língua de Preto; enquanto os baixos
inspiram-se no sucesso Sodade, de Cesaria. Julio Padrón dá sabor cubano no
fraseado super agudo no trompete. De mão cheia é choro rasgado, carioca.
Destaque para o diálogo entre bandolim de Lessa e o violão de Gabriel
Improta. Suave Dengo é delicada, feminina, pontuada pelo improviso do
meio-chileno meio-cubano Jose Izquierdo. Porque que tem que ser assim é
samba/sambalanço, prato cheio para Donato.
Lessa conta: “Adorei
essa faixa, ele tocando minha melodia e o arranjo tocando a melodia dele, já
que na volta da introdução eu cito a Rã em outra harmonia.”
A alegre Burrito
brinca com o duplo significado da palavra em espanhol. Julio Padrón brilha e
conduz o rico instrumental. A melódica Sonhos foge ao padrão do disco, e tem
solo antológico de Tomás Improta. Sem Vergonha retoma o projeto de
verdadeira fusão atlântica. Coladeira, salsa, maxixe e choro se alternam e
se superpõem em vários discursos. Equador fica fronteiriça entre o choro e o
ijexa.
Já Ponto de bala é
samba-choro como manda as regras da arte.
A faixa Ilhas Mestiças
é uma viagem musical. “Uma introdução que eu gostava ganhou na seqüência o
piano do Toi Vieira, que arrasa em bom gosto e economia”. Cabe acrescentar
que Toi Vieira é um dos principais compositores e arranjadores caboverdianos.
Foi uma música dele, Falso Testemunho o despertar de Rodrigo Lessa para o
país.
Aresta América surgiu
a partir de uma base destinada a um solo de percussão. Os cantores Janita e
Vitorino Salomé dão um clima mouro. A faixa-bônus Rala Coxa se justifica.
Composta em 2003 e já em dois discos de Paulo Moura e Rodrigo Lessa,
preconizava a paixão do compositor pela música de Cabo Verde.
Das ilhas mestiças é,
na prática e no dialeto crioulo, “morabeza” - que significa “gozar a vida,
bem estar, boa conversa”. Não é à toa que dá nome à única música que seu
autor toca solo, em tons pastéis. É assim que o CD deve ser ouvido: uma boa
conversa entre lugares que se afirmam e se reconhecem nos elos musicais e
que, apesar da distância continental, têm muito a trocar.
3. Centenário
Radamés Gnatalli, de Orquestra Petrobrás Sinfônica. Rob Digital.
www.robdigital.com.br. Contato através de Marília
Motta:
contato@robdigital.com.br.
Ponte entre o erudito
e o popular. Assim Radamés Gnatalli uniu o que para muitos era
inconciliável. O cenário do Theatro Municipal do Rio de Janeiro foi
auspicioso por representar o local em que o pianista, compositor e maestro
iniciou como solista o seu primeiro Concerto para Piano e Orquestra. A
preciosidade de sua música é resgatada neste concerto ao vivo, lançado em
álbum duplo, uma homenagem ao seu centenário completado dia 27 de janeiro de
2006.
Em 60 anos de
carreira, o maestro rompeu barreiras ao inventar novas formas de orquestrar
o ritmo brasileiro. Utilizou instrumentos até então negligenciados por
outros músicos, como o bandolim, a harmônica e o saxofone, por exemplo. A
liberdade de viajar em diversos estilos, fruto da convivência com mestres
como Ernesto Nazareth e Pixinguinha, estimulou sua criação nos arranjos para
gravações e programas de televisão e Rádio. Mesmo sem ter nunca sido
funcionário da Rádio MEC, era comum encontrá-lo nos estúdios participando
como convidado de inúmeros programas ou como regente da Orquestra de Sopros
da Rádio MEC, e assim deixou à emissora material de valor inestimável.
4.
Putumayo World Party. Varios. Presentando algunos de los ritmos más
populares del mundo, esta colección de canciones que te hacen sentir bien
garantiza la animación de cualquier fiesta. Putumayo World Music. Visite:
www.putumayo.com.
En todo el
mundo es sabido que la clave para que una celebración sea inolvidable es la
buena música. Ya sea que vivas en Islandia o Italia, Tahití o Timbuktu, la
música hará que la fiesta empiece y se mantenga en movimiento.
Putumayo World Party,con
fecha de lanzamiento el 24 de abril, es una colección de canciones que te
hacen sentir bien y que presentan algunos de los ritmos bailables más
conocidos del mundo, garantizándote la animación de cualquier reunión.
Parte de las ganancias de Putumayo por
Putumayo
World Party
será donada a
Action
Against Hunger
(Acción contra el Hambre), una organización internacional de ayuda y
desarrollo destinada a resguardar la vida de niños y familias desnutridas
facilitándoles acceso sostenible al agua potable y soluciones de largo plazo
contra el hambre.
5.
Animal Playground. Varios. Putumayo World Music.
Visite:
www.putumayo.com.
Animal
Playground
es el próximo lanzamiento de la multipremiada serie
Playground
de Putumayo Kids. Este nuevo álbum presenta una colección multilingüe de
canciones con temáticas sobre animales de todo el mundo. El CD también
incluye un video musical original como adicional producido por Putumayo en
Trinidad con la canción No More Monkeys del artista trinitense Asheba. El
lanzamiento se acompañará con un zoo temático “Animal Playground” y una gira
de conciertos para todo público en Estados Unidos a desarrollarse a finales
de esta primavera.
Como los
niños de todas las nacionalidades sienten fascinación por los animales,
Putumayo creyó natural crear una colección de canciones excepcionales
presentando temáticas animales y folclore de todo el planeta. Las 13
canciones del álbum llevarán a los oyentes a un viaje que comienza en
América del Norte y finaliza en África sin saltearse ningún ritmo entre
ambos extremos. Los fanáticos de la música de todas las edades querrán
saltar, brincar y cantar junto a las divertidas y rítmicas melodías de
Animal Playground.
6. Presença,
de Quaternaglia. CD: Paulus. 2006. / DVD: Eldorado. 2006.
Quaternaglia é
um grupo de violonistas
paulistas que
já atrai vasto
público
internacional,
tanto pelo repertório popular
relido a arranjos sofisticados, quanto pela maestria na execução
de peças eruditas.
Estão lançando no
Brasil, oficialmente, o
quarto trabalho nos formatos CD
e DVD. Neste trabalho, “Presença”,
encontramos pérolas
inestimáveis
tanto em
peças populares
como de
compositores
eruditos, que
também atuaram no
popular
como Radamés Gnatalli (em sua primeira execução
e registro mundial no
Quarteto
nº1, de 1939) e Tom Jobim, em sua maravilhosa peça
composta para
a trilha
sonora
de Crônica da
Casa
Assassinada (1971).
Também
são
registradas composições dos componentes do quarteto
Sidney Molina, Rodrigo Vitta, Paulo Tiné e Douglas
Lora. No DVD há um
registro
da participação especial de Paulo
Bellinatti, renomado violonista que entre as incursões na música
brasileira está registrado no
“Afro-Sambas”, dividido magistralmente com a cantora Mônica Salmaso.
Espera-se
que o quarteto lance
no Brasil o ótimo “Forrobodó”,
em que
visitam as obras de Ernesto Nazareth
e Egberto Gismonti, entre outros.
[Erico Baymma]
7.
Love, de The Beatles.
DVD-Áudio. EMI. 2007.
Formatado
por
George Martin, supervisionado por
Yoko Ono, Ringo Star e Paul McCartney,
apresentado primeiramente em formato cd simples, o trabalho “LOVE”,
que faz a trilha
sonora de mais
um espetáculo
do Cirque Du Soleil, vem a ser mostrado agora em um lançamento especial no DVD-Áudio de mesmo
nome.
A
tecnologia do som surround nos
formatos dolby
digital, DTS, Mlp e SACD, ainda é novidade
ou completamente
desconhecida para
qualquer brasileiro
mesmo que
já se tenha acostumado a
assistir
filmes em
DVD e não entende, comumente, o que são aquelas
opções de áudio
contidas nos DVDs. Tem-se feito um grande esforço para que o consumo de formatos
de áudio
digital
multicanal, contidos como opções de áudio
na maioria dos DVDs, se popularize
massivamente, através de ofertas de Home Theaters - que
são os
amplificadores
que possibilitam a
audição
do som distribuído
em
6 canais
diferentes.
O
som multicanal já havia tentado se impor
no final da
década
de 70, com
alguns
títulos em
som quadrafônico
em Lps. No entanto, a tecnologia não
vingou. Chegando à era digital a tecnologia
já atinge a possibilidade de 8 canais, o surround 7.1, que
já está em
funcionamento na
maioria
das salas de
cinema.
O DVD-Áudio do “Love”
traz consigo
a possibilidade de ser um
instrumento
definitivo
na criação de uma “necessidade”
de ouvir algo
além do efeito
estéreo dos sons
e DVDs comuns,
em
mais uma tentativa
para a popularização do
sistema,
apesar do preço
do novo formato
não ser tão popular assim. Os Beatles, com
este produto
e com fãs
ardorosos distribuídos em diferentes faixas
etárias, se tornam um
ótimo
condutor da
necessidade.
O
que fica evidente neste formato
específico, enfim,
é o por quê
do som dos Beatles tenha atravessado décadas e décadas.
Ao ouvirmos a remontagem de músicas
inteiras temos aparentemente um novo álbum, ou seja,
“Love” confirma a grande importância que
George Martin teve na construção sonora do “som
dos Beatles”, no material original, como agora em sua transformação em
áudio surround remixado e remasterizado.
Como o “grande
senhor dos sons”,
ele maneja
magistralmente os
arranjos
de cada
instrumento
das obras dos Beatles.
É
genial na reutilização de sons originais e a remixagem
de músicas, das
quais
se retira ou
adiciona melodias e
instrumentos, trazendo o trabalho
do grupo
para um contexto contemporâneo. Há
uma revalorização da obra através do magnífico
trabalho de engenharia
sonora, em
que melodias
e instrumentos de
músicas
diversas conversam entre si, traduzidos em
um outro
contexto
completamente
“psicodélico”, acionado pela divisão nos 6 canais diferentes.
O
resultado obtido neste trabalho,
seja em
estéreo ou
surround, é inegavelmente uma nova grande obra de
George Martin.
[Erico
Baymma]
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