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revista de cultura # 58 |
livros da agulha
Livro premiado pelo PAC – Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Estado de São Paulo. Imagens que expressam uma revolta diante do tempo são tão recorrentes e têm tanta força em Visões do medo que vale a pena examiná-las e interpretá-las mais detalhadamente. Uma delas, o tempo circular das sociedades tribais e civilizações arcaicas. Outra, o tempo linear, progressivo, da nossa civilização. O tempo circular é aquele dos fenômenos cósmicos e da natureza, com seus ritmos, ciclos e repetições. Correspondem a eventos mágicos, ao encontro de dois planos, temporal e atemporal, transcendente e imanente, sagrado e profano. Em contraste, em nossa civilização o tempo é série linear, feita de eventos sucessivos e únicos. A história, em nossa cultura, é movimento dotado de sentido, progressivo: confunde-se com o crescimento do saber e com o acúmulo da riqueza. Mas não para Beth Brait Alvim, que vê o tempo muito mais como um crescimento da repressão e perpetuação da dor. Beth Brait Alvim não é dualista, e não vê chances de transcendência do tipo religiosa; tampouco é tradicionalista, e por isso não antevê a recuperação de um tempo arquetípico, primordial, menos ainda, de retorno a um passado utópico, idealizado. É claro que mudar o mundo por meio da poesia supõe um uso ou função mágica da palavra – daí as constantes referências a rituais e bruxarias. E uma solidariedade ou cumplicidade com os criadores visionários ou delirantes. Um desafio que ressoa nas páginas deste Visões do medo, e lhe confere vigor e alcance profético na razão direta de sua consistência e seu compromisso com a palavra poética. Beth Brait Alvim é formada em Letras e especializada em Ação Cultural, ambos pela USP. Tem poesias, prosas, artigos, críticas, entrevistas e ensaios publicados em revistas, jornais, livros e sites nacionais e internacionais, além de resenhas divulgadas no programa Entrelinhas, da TV Cultura. Participa de seminários e palestras sobre literatura, cultura e políticas culturais, além de ter atuado em teatro, cinema e vídeo. Foi conselheira de literatura e diretora cultural da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, em São José dos Campos, assessora de literatura do Departamento de Cultura de Diadema, fundadora do Grupo Palavreiros e membro do Coletivo de Cultura do ABC e da Cátedra Celso Daniel de Gestão de Cidades. É membro titular do Conselho Municipal de Cultura de Santo André. Em 2003, recebeu a bolsa de especialização profissional Politiques de la Culture et leur Administration, do Programme Courants du Monde, promovido pela Aliança Francesa e pelo Ministério das Relações Internacionais da França. É assessora de literatura do Departamento de Cultura de Santo André, onde coordena a Casa da Palavra e a Escola Livre de Literatura. Recebeu diversos prêmios e menções, entre eles o Prêmio Alice Leonardos, da Academia Brasileira de Letras, pela idealização da Antologia de Dramaturgia Vladimir Maiakovski, da Fundação Cultural Cassiano Ricardo (1996). É autora de diversos livros de poesia e contos, entre eles Ciranda dos tempos – espaços do desejo (2a edição/Escrituras Editora), projeto beneficiado pela Lei de Incentivos Fiscais à Cultura de São José dos Campos, incentivado pela Kodak do Brasil e com apresentação de Teixeira Coelho.
Poesia & Utopia, escrito pelo Prof. Carlos Felipe Moisés, gira em torno de uma só interrogação básica, que indaga sobre o papel social da poesia e do poeta, hoje. Sem tirar os olhos da realidade contemporânea, o autor reflete sobre as razões que teriam levado Platão a expulsar o poeta da República; recua um pouco mais no tempo e, com o mesmo olhar posto simultaneamente no passado e no presente, dirige a Confúcio, aos pré-socráticos e à tradição que daí se origina, interrogando acerca do lugar ocupado pelo Homem no mundo; depois, investiga os modos de circulação e de percepção da poesia; discorrendo sobre o predomínio do lirismo, a crise do individualismo e o isolamento do poeta no mundo moderno. O poeta e pesquisador avalia ainda as implicações da resposta pragmática, porventura dominante nos dias de hoje, segundo a qual a poesia é um passatempo inútil, quer isto ecoe, 2.400 anos depois, os temores aventados por Platão, quer se prenda às prerrogativas mais avançadas e “realistas” da sociedade atual, dominada pela técnica. Neste desfecho da obra, se assim o preferir, o leitor poderá ficar com esse juízo taxativo, como poderá aderir ao ceticismo que se desenrola nos capítulos anteriores, e prossegue, à procura de outras respostas, ou ao menos outras maneiras de formular a pergunta. Carlos Felipe Moisés é poeta, com participação em várias antologias no Brasil e no exterior, e autor de livros como A poliflauta (1960), Carta de marear (Prêmio Governador do Estado de São Paulo, 1966), Círculo imperfeito (Prêmio Gregório de Mattos e Guerra, Salvador, 1978), Subsolo (Prêmio APCA, 1989) e Lição de casa (1998). Formado em Letras clássicas e vernáculas pela Universidade de São Paulo, onde realizou o mestrado (1968) e o doutorado (1972), ensinou teoria literária e literaturas de língua portuguesa na Faculdade de Filosofia de São José do Rio Preto, na PUC de São Paulo, na USP e na Universidade Federal da Paraíba. Entre 1978 e 1982, lecionou na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Desde os anos 70, dedica-se regularmente à crítica literária, colaborando em órgãos especializados e na grande imprensa. É autor de vários estudos sobre autores modernos e contemporâneos, como Cesário Verde, Fernando Pessoa, João Cabral, Mário Cesariny, Vinícius de Moraes, Campos de Carvalho e outros. Dentre seus livros nessa área, destacam-se Poesia e realidade (1977), O poema e as máscaras (1981, 2a ed., 1999), Literatura, para quê? (1996), Poesia não é difícil (1996), Mensagem de Fernando Pessoa: roteiro de leitura (1996), O desconcerto do mundo: do Renascimento ao Surrealismo (2001, Coleção Ensaios Transversais 15, Escrituras Editora) e Fernando Pessoa: almoxarifado de mitos (2005, Coleção Ensaios Transversais 33, Escrituras Editora). Traduziu Retórica da poesia, de Jacques Dubois (1980), Tudo o que é sólido desmancha no ar, de Marshall Berman (1986), Que é literatura?, de Jean-Paul Sartre (1989), O poder do mito, de Joseph Campbell (1990) e Alta traição, poemas de vários autores franceses, norte-americanos e outros (2005). É autor também de livros de literatura infanto-juvenil, como O livro da fortuna (1992), A deusa da minha rua (1996) e Poeta aprendiz (1997).
Eduardo Mosches ha escrito en estas Palabras sin ruta un testimonio lírico de los últimos veinte años del mundo que habitamos. En cuatro Justros ha habido lugar para huelgas y bombardeos, asesinatos y elecciones, pugnas étnicas y raciales, debate político y conflictos sociales, economías inhumanas, ideas despavoridas, dudas, convicciones y literatura. La revista Blanco Móvil albergó los escritos urgentes de Mosches durante todo ese tiempo; una escritura coyuntural que nos da cuenta y fe de diversos momentos de nuestro continente y del mundo. Textos, subtextos y contextos redactados a veces necesariamente apresurados pero también despacito y con buena letra, como Machado aconsejaba, y siempre con agudeza, inteligencia, humor. En estas líneas editoriales se reúnen viajes al interior de uno mismo y se comparten tas salidas al exterior: Mundo y necesidad de escritura, comarcas y territorios aún por escribir en una revista que en veinte años ha traído más gustos que disgustos, duelos y quebrantos, y el palomino dominical de Don Alonso el bueno, por añadidura. Estas Palabras sin ruta nos sugieren que las arrugas no son siempre símbolo de sabiduría y nos toca continuar la larga caminata; que la historia está llena de tropezones y deseos. Las páginas de Mosches han encontrado tréboles de cuatro hojas; han buscado a Borges para conversar con quienes no se les dificulta pronunciar ese nombre; han viajado por el Cabo de la buena esperança, han padecido exilios y gozado Ipanemas, han convocado al amado Jorge Amado, a Clarice Lispector, a Ciorán, a tantos otros escritores que conversan con nosotros desde la cima de cualquier idioma. Este es apenas un primer volumen de esa escritura continuada.
A Escrituras Editora publica no Brasil Expírito - multiversos, trabalho do poeta, editor e tradutor mexicano Rúben Mejía, que traz carta-prólogo de Jorge Aguilar Mora e posfácio de Reyna Armendáriz González. Expírito representa a morte vital; o exercício sublime e iniludível de expirar em consciência da morte, da leveza humana, exercício que paradoxalmente dá asas e força à existência. Este é, a rigor, o sopro de vida que normalmente chamaríamos de “espírito”, e que Mejía permuta por um ex latino que de imediato nos coloca “fora de”. Expírito sempre morre e, no entanto, vai modelando uma medula inesgotável na vida. O fundo encaixa-se à forma e deixa-nos profundos e gelados. Cruzamos a desolação sagrada da existência, a impossível fronteira do instante, o instante infinito da morte... religiosamente vivendo. O autor viaja no seu estado existencial, nas curvas mais ocultas das palavras que, por vezes, abruptamente cerceadas, brilham, se tocam, punçam melhor. Uma linguagem esculpida com profundidade oferece-nos harmonia e determinação, e, sobretudo, uma voz que está em condições de interatuar com a fagulha racional da alma. Rubén Mejía nasceu na cidade do México, em 1956, e mora na cidade de Chihuahua, ao norte do México, fronteira com os Estados Unidos. Ao longo de 25 anos impulsionou, sempre contra a corrente, a criação de espaços e publicações culturais: a revista artesanal Palavras sem rugas (1981-1982); a coluna jornalística “Letras à margem” (1983-1987); o suplemento semanal “Pró-Logos” (1984-1988) e Azar Revista de literatura (1989-1998), uma das principais publicações culturais da década de 1990, no México. Atualmente é diretor da editora independente Edições do Azar A.C., que traduziu e dissemina no México obras de escritores brasileiros: João Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Raimundo Gadelha e do poeta Lêdo Ivo, de quem publicou La tierra allende (2005), sua primeira antologia bilíngüe português-espanhol. Alguns dos livros de Rubén Mejía editados são: Segunda morte (poesia, Universidade Nacional Autônoma de México, 1987); A região romântica. Sete poetas do século XIX em Chihuahua (ensaio, Azar-Ayuntamiento de Chihuahua, 1996), um estudo sobre o extenso e arraigado romantismo regional do norte do México; os poemários Poesiglo e O poesible (Azar - Programa das Fronteiras, 1997), livros que significaram um preâmbulo, uma pré-escritura, da grande saga poética Expírito - multiversos (2000-2007), composta, até o momento, por quatro volumes.
Livro selecionado no Programa Estadual Lendo e Aprendendo 2006, da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo Prêmio de Poesia Guilherme de Almeida, da UBE - União Brasileira de Escritores/Rio de Janeiro, como melhor livro de poesia de 2005 Zôo Imaginário reúne cerca de 20 poemas inéditos e outros tantos éditos extraídos de livros anteriores do autor, o jornalista e professor Sérgio de Castro Pinto. Logo no prefácio do livro, nos esclarece José Nêumanne Pinto: “Em Zôo Imaginário, ocorre-me chamar a atenção para o apelo monocromático, mas no qual a cor única consegue conter todas as outras, nunca desprezadas, como no poema do leão, a juba.: ‘sol de pêlos / ao redor / da cabeça, // a fulva juba flameja: // estrela / de primeiríssima / grandeza!’ Aqui chama-me atenção o uso do superlativo como elemento surpresa. “Ao contrário do mestre João Cabral, que nega a música, embora a construa, Castro Pinto vai direto ao ouvido do leitor, assumindo-a na linguagem e na metalinguagem: ‘As cigarras // são guitarras trágicas. // plugam-se/se/se/se / nas árvores / em dós sustenidos. // kipling recitam a plenos pulmões. // gargarejam / vidros / moídos. // o cristal dos verões.’ “No poema a girafa (II), Castro Pinto esgrima o epigrama com ironia, sarcasmo e uma meiga memória afetiva, que transporta o leitor aos recantos mais úmidos e agradáveis de sua vida pregressa. Irreverente, sem perder a ternura, e conciso, sem perder a graça, o poema, uma vez mais, falará melhor das próprias qualidades, ao ser exibido diretamente a seus olhos neste espaço introdutório. Então, vamos lá: ‘a girafa é girassol, / a girafa é de lua, / não gira bem. // é top model, / é audrey hepburn, / olhem o pescoço / que a girafa tem!’. “Eu diria que a impressão que a leitura deste livro me causou foi a de estar numa festa, uma boda, o ‘casamento da raposa com o rouxinol!’ Núpcias da sagacidade com a sensibilidade, da precisão com a graça.” Sérgio de Castro Pinto nasceu em João Pessoa, em 1947. É jornalista profissional e professor de Literatura Brasileira na Universidade Federal da Paraíba, onde defendeu dissertação de mestrado e tese de doutoramento sobre Manuel Bandeira e Mario Quintana. Sua poesia foi tema da primeira tese de doutorado no curso de Pós-graduação em Letras da UFPB, Signo e imagem em Castro Pinto (Editora da Universidade Federal da Paraíba, 1995), de João Batista B. de Brito. Tem poemas traduzidos para o inglês e participa de antologias publicadas na Espanha e em Portugal.
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