Agulha - Revista de Cultura
 
William Blake William Blake
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revista de cultura # 67
fortaleza, são paulo - janeiro/fevereiro de 2009

William Blake

editorial

1999-2009

Quem diria. Em 1999, nenhum de nós desconfiava que Agulha iria tão longe, que chegaria a tanto em duração, na extensão temporal; na quantidade de títulos, na extensão espacial; e principalmente no alcance, em sua difusão.

Fomos consistentes. Os números iniciais de Agulha continuam atuais. Dez anos, mantendo o mesmo projeto inicial: uma revista digital, sítio da web ou conjunto de páginas de Internet, com um formato e um projeto bem específicos, que não mudaram. A fórmula: seriedade, mas sem academicismo; rigor, mas sem pedantismo. Do número 1 até hoje, são publicados ensaios, complementados por entrevistas e artigos; e, em cada número, um artista plástico, cujas obras ilustram a edição toda. Dez a quinze matérias por edição bimestral. Uma publicação mais específica, mais especializada que outras com as quais tem afinidade e mantém intercâmbio. Aberta, porém temática e com propósitos claros. Alguns parâmetros: não recuar diante da complexidade ou densidade; preferir o que está fora das pautas do mundanismo cultural, incluindo os temas “malditos”, a começar pelo sistemático e detalhado exame do surrealismo; empreender o diálogo com as literaturas e toda a produção cultural da América Latina e do mundo hispânico; ao mesmo tempo, entender-se como expressão da lusofonia, da criação em língua portuguesa.

Agulha surge ao final de 1999, desde então afinada com um sentido de aproximação de culturas cujas afinidades são incontestáveis e também com uma atenção particular para o inadvertido dentro do ambiente de cada cultura em si. Entendia então que a criação artística circulava com um fluxo não correspondido por sua reflexão crítica. Não se tratava de defesa de uma crítica acadêmica, mas antes de evocar a reflexão no interior da própria criação. Auscultar as veias comunicantes dessa misteriosa operação, tão divina quanto terrena.

Não há danos causados por uma vertente racionalista que não possam ser correspondidos pela crença no espontâneo a todo custo. Agulha sempre quis estabelecer um palco confiável para a manifestação dessas vertentes. Mesmo considerando uma presença mais acentuada de temas e colaboradores situados em um ambiente ibero-americano, não nos fechamos de maneira ortodoxa sequer em um plano geográfico. O fato de que recebamos um largo número de material crítico veiculado diretamente a temas ibero-americanos nos gratifica e confirma um caminho essencial a ser reiterado permanentemente.

Agulha não surge como um libelo em defesa do Surrealismo ou da condição algo expatriada da cultura ibero-americana, mas antes como um veículo de credibilidade onde tais questões podem ser tratadas com a justiça a que fazem direito. Sem retóricas protecionistas ou rejeições preconceituosas ou mesmo da ordem de interesses comerciais. Será bastante visitar o índice geral dos 67 números até aqui publicados.

Em 10 anos de existência da Agulha, os obstáculos podem até haver mudado de nome, porém se mantêm firmes na mesma exigência. Em uma década o mercado financeiro se estabeleceu de tal forma como determinante de toda e qualquer ação e reação que o mundo empalideceu quando se cobra sentido no âmbito político ou cultural. Uma das exigências naturais da Agulha é que nada na crítica que divulgamos e mesmo assinamos ao longo de 10 anos assuma o caráter – se há caráter nisto – de vítima. Se o mundo cair por terra, somos todos responsáveis. Os que fizeram algo a favor ou contra e os que nada fizeram. Tão simples como trocar uma lâmpada na cozinha.

Realizada no Brasil, onde residem seus editores, é natural que a revista compreenda melhor o que passa por real na cultura deste país, as identificações de pérolas e porcos a que correspondem os anseios locais. Confirmamos de maneira quando menos curiosa o pouco caso dado à cultura hispano-americana dentro do Brasil, sintoma de provincianismo que nos proíbe dar o salto histórico que somente será possível ante a aceitação do outro que trazemos em nós mesmos. Nenhuma cultura americana, por maior ansiedade cosmopolita que a defina, pode desprezar sua origem índia.

Em 1999, estava-se às vésperas do estouro da primeira bolha de Internet. O Google começava a ser cotado como a melhor ferramenta de buscas. Como parecia enorme, e como ainda era incipiente e minoritário o mundo digital, comparado às suas dimensões atuais: a essa cifra inimaginável, de nada menos que um trilhão de páginas que podem ser acessadas através do Google. Conseqüência: leitores de todo lado. Consultas, a toda hora, de pesquisadores. A evidência de que estamos fazendo algo em favor da difusão do conhecimento.

Além de romper barreiras de espaço (nosso leitor pode estar em qualquer lugar do mundo) e tempo (o texto publicado em 2000 pode ser acessado e lido do mesmo modo que aquele da última edição – tudo dura, tudo permanece), como a Internet facilitou a cooperação, como promoveu sinergia. Acrescente-se ainda condição bilíngüe da Agulha. Outros meios eletrônicos, devidamente registrados em links nossos, ampliaram seu alcance e circulação: o pioneiro Jornal de Poesia de Soares Feitosa, o TriploV de Maria Estela Guedes, mais recentemente Cronópios de Edson Cruz. E, evidentemente, o efeito sinérgico provocado pelo próprio Google e demais ferramentas de busca: visitas e consultas determinam a posição em suas páginas, o ranking, gerando novas visitas e consultas.

Tal crescimento evidencia um grau de interferência que nos leva a observar também o comportamento de outras esferas e a possibilidade de mútua cooperação, para que assim possam atuar conjuntamente uma revista de cultura de circulação na Internet e organismos institucionais com declarado interesse na recuperação e expansão de seu acervo cultural. Editores de Agulha têm viajado por vários países e partes do Brasil, participando de eventos, ao mesmo tempo em que atuando na consultoria, coordenação e/ou curadoria de outros, o que permite ampliar consistência cultural como projeto identificado da revista e sua circulação em termos de leitores de espaços os mais diversos, e não apenas virtuais. Comprova isto o encarte especial que traz a presente edição, dedicado à recente edição, a 8ª, da Bienal Internacional do Livro do Ceará.

Internet acelera sobremaneira todos os componentes que caracterizam as sociedades em nosso tempo, o que significa dizer que alimenta maniqueísmos de toda ordem. Como em tudo na vida, gera violência, distorções de poder, fraudes e um sem número de aspectos danosos que são, quer aceites ou não, parte da humanidade. Trata-se de um mecanismo que evidencia o caráter da sociedade que o utiliza. Uma grande janela do espírito humano. Com todos os seus prós e contras. Os editores da Agulha compreendem com rigor o papel que desempenham em tal meio, declaradamente agradecidos pelo carinho com que leitores em toda a parte do mundo têm recebido – e ampliado através de intensa e generosa divulgação – nosso trabalho editorial.

Os editores


Encarte Especial Agulha # 67

8ª bienal internacional do livro do ceará | encarte especial

O Centro de Convenções de Fortaleza (Ceará) recebeu, de 12 a 21 de novembro de 2008, a programação da 8ª Bienal Internacional do Livro do Ceará, que contou ainda com destacado espaço físico da Universidade de Fortaleza (UNIFOR), ampliando, assim, a agenda desse já tradicional evento cearense. Esta bienal é uma iniciativa do Governo do Estado do Ceará, por intermédio da Secretaria da Cultura, Sindlivros e parceria com a RPS Eventos. A curadoria ficou a cargo de Floriano Martins, Karine David e Jorge Pieiro.

O tema da 8ª Bienal Internacional do Livro do Ceará foi A aventura cultural da mestiçagem, o qual abrangeu duas comunidades lingüísticas: a portuguesa e a espanhola e, ainda, suas manifestações artísticas e culturais, totalizando 30 países situados em quatro continentes: África, América, Ásia e Europa. A ousadia de tal abrangência deslocou o foco habitual das programações literárias de outros eventos similares, concentrando-se em evocar a multiplicidade de culturas e a condição mestiça de suas raízes.

Motivada pelo tema central, a programação da 8ª Bienal Internacional do Livro do Ceará esteve comprometida com a integração das culturas envolvidas, reconhecendo seus hábitos, costumes e literatura, e com a democratização e a mobilização do acesso universal ao livro, à leitura e à produção literária. Foram realizadas atividades baseadas na promoção e geração de conhecimentos destinados ao público.

As sessões literárias incluíram palestras, debates, leituras de poemas, encontros especiais, lançamentos de livros, tendo sito esta agenda configurada, por sua vez, a partir do tema central. Os debates contemplaram assuntos como produção e circulação de revistas e suplementos literários, casas de cultura, política cultural dos centros de estudos brasileiros na América Hispânica, movimentos contraculturais, circuito editorial universitário, encontros internacionais de escritores, dentre outros. Já as palestras trataram de aspectos ligados aos fundamentos da mestiçagem, jornalismo cultural e obras literárias, considerando particularidades regionais e continentais dos países envolvidos.

Houve uma integração entre segmentos da criação artística, produção cultural e mídia, envolvendo um conjunto de 9 salas permanentes, assim distribuídas: Arena Jovem, Arte Postal & Poesia Visual, Artes e Ofícios, Cordel, Gravuras, Música, Rádio, Revistas e Vídeos. A área de expositores da 8ª Bienal Internacional do Livro do Ceará, considerando a abrangência de seu tema central, contou com um número de expositores também dos países envolvidos, influenciando assim integração entre as literaturas de línguas portuguesa e espanhola. Um diferencial nesse caso foi a criação de um espaço intitulado Ilha dos Continentes, cuja área de 234m² destinou-se a receber editoras estrangeiras que, em geral, não dispõem de condições de participar de eventos internacionais.

O grande homenageado desta edição de 2008 da 8ª Bienal Internacional do Livro do Ceará foi o humorista, compositor, dramaturgo, artista plástico, ator e radialista Chico Anysio (Ceará, 1931). Criador de uma extensa galeria de tipos (Professor Raimundo, Coalhada, Azambuja, Bento Carneiro, Gastão, Quem-Quem, Meinha, Zé Tamborim, Justo Veríssimo, Tavares, Pantaleão, Painho etc.), Chico Anysio atua há quatro décadas em teatro e televisão, representando hoje um marco exemplar em nossa tradição humorística. Por ser considerado, também, um notável escritor, a bienal foi palco de lançamento de um novo título seu: 3 casos de polícia.

A Agulha destaca aqui seu amplo reconhecimento a este evento, com a criação de um encarte especial em que disponibiliza vários dos textos apresentados nas mesas de debates e palestras. Também incluímos – logo abaixo – um comentário inédito do dramaturgo Oswald Barroso acerca da Bienal.

 

Os editores

 

 

O CHEIO E O VAZIO: A PROPÓSITO DA BIENAL DO LIVRO

 Oswald Barroso

Oswald BarrosoUma das críticas que a grande mídia fez à VIII Bienal Internacional do Livro foi a de que ela alternava espaços demasiadamente cheios e espaços demasiadamente vazios. Falou, inclusive, de atividades que não ocorreram por falta de público. Em que pese um número previsível de falhas e críticas outras pertinentes, essa, particularmente, é reveladora da falta de sintonia de setores hegemônicos da mídia brasileira com determinados fenômenos da contemporaneidade. No caso, sua miopia frente às mudanças processadas no campo das comunicações nesse começo de milênio.

Pra começar, “é sempre bom lembrar que um copo vazio está cheio de ar”, como diz uma canção de Gilberto Gil. Em outras palavras, um grande auditório apinhado de gente atraída, seja por estrelas midiáticas, ou por obrigações escolares, pode estar mais vazio que uma pequena sala, onde alguns imensos poetas afro-latino-americanos se encontram pela primeira vez, entre si, e/ou com seus poucos, mas iluminados leitores. Isto porque, quase sempre no grande auditório flui algo já vulgarizado, enquanto na pequena sala, não poucas vezes, está em gestação o inusitado, o novo, portanto.

Tenho freqüentado simpósios, encontros, seminários e outros eventos culturais e acadêmicos, assim como teatros e cinemas, ultimamente, e em quase todos eles este fenômeno é recorrente: muitas salas, muitos temas, muita gente espalhada por inúmeros espaços, num mesmo momento ou não, mas sempre, relativamente, poucas pessoas para cada assunto em pauta. Portanto, inúmeras minorias ou, se quiserem, grandes maiorias fragmentadas. Aparentemente, nada de causas comuns, nada de multidões uníssonas, a não serem aquelas promovidas pela grande mídia, no rastro de mega-shows, excessivamente mercantilizados.

Apesar do esforço nunca visto, por parte da grande mídia, de controle da informação em plano global, nunca foram tantos os emissores, nem tão numerosas as oportunidades de escolha dadas ao receptor. Perdem audiência as grandes cadeias de televisão (inclusive as novelas) e perdem leitores os grandes jornais. Há o Orkut, os blogs, os sites, há os DVDs e a pirataria incontrolável dos camelôs, há os jornais e revistas eletrônicos, finamente,há um circuito de comunicação de incontáveis vias não revelado pela grande mídia e que foge ao seu poder. Com o avanço tecnológico e a democratização dos multimeios, amplia-se a liberdade de escolha para o cidadão e aparece a possibilidade de uma sintonia mais fina com o que realmente lhe interessa.

Foi o que se viu na Bienal, espaços diferenciados e fluxos de pessoas em direção às suas escolhas. Programações dirigidas às poucas maiorias e às muitas minorias. O exercício da liberdade, enfim, com seus riscos, inclusive o de se ofertar um tema que não encontre audiência. Exceção, porém, porque na Bienal, o que se viu foi a oportunidade rara de encontro de literaturas marginalizadas pela grande mídia, mas profundamente sintonizadas com a vida de seus povos. Encontro que, por certo, gestará novos diálogos, alimentando um movimento em curso, pouco visível, aparentemente minoritário, num jogo sempre em andamento, em que a minoria de hoje, pode ser a maioria de amanhã.

 

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OSWALD BARROSO (Brasil). Prêmio Estado do Ceará (1985). Prêmio Estímulo à Dramaturgia (FUNARTE, 1996). Medalha Brasileira Folclorista Emérito, concedida pela Comissão Nacional do Folclore. Poeta, jornalista, ator, folclorista e teatrólogo. Tanto na atividade artística (poesia e teatro), quanto na atividade jornalística (particularmente como repórter do jornal O Povo), e na atividade acadêmica e de pesquisa, tem trabalhado sobre temas relacionados à cultura popular cearense, notadamente, aos movimentos sociais, à religiosidade, ao artesanato, às festas e aos folguedos. Participou como ator, dramaturgo ou encenador, durante 17 anos, entre 1976 e 1993, do Grupo Independente de Teatro Amador (GRITA) e, de 1996 a 2006, da Companhia Boca Rica de Teatro. Contato: oswaldba@ig.com.br.

William Blake

sumário

1 antonio bandeira: un árbol verde para el nuevo hombre. floriano martins | jacob klintowitz
2 carta do secretário da cultura do estado do ceará à associação cearense de cinema e vídeo. francisco auto filho
3 crítica de arte: um lugar no modernismo brasileiro. luís estrela de matos

4
cruzeiro seixas: "a minha vida foi uma experiência muito bonita" [entrevista]. vladimiro nunes
5
lezama lima y el surrealismo | primeira parte: andré breton y lezama lima, un acercamiento posible. carlos m. luis
6
lorena pradal y "habitaciones": la piedra como poética y percepción analógica del mundo. martin palacio gamboa
7
los instantes fatales y sus efectos. oscar gonzález
8
los ríos en la poesía chilena: nuevas definiciones ecocéntricas de la poesía épica y lírica. steven f. white
9 luis feito: "la pintura no es una carrera de novedades y modas" [entrevista]. miguel ángel muñoz 
10
os espaços do círculo: a distância e o trágico em rosa e proust. leonardo vieira de almeida
11
participação da antropologia na obra de herberto helder. maria estela guedes
12
william blake, poeta e profeta. claudio willer

artista convidado william blake [aquarelas e gravuras, texto de jesús david curbelo]
poesia
banda hispânica
visitação galeria de revistas  

8ª bienal internacional do livro do ceará | encarte especial

1 aproximar o distante - do estranho ao familiar, duas experiências: timor leste e guiné-bissau. joana ruas
2 avanços das neurociências para o ensino da leitura. leonor scliar-cabral
3 barroco, surrealismo e miscigenação na américa latina: água de um mesmo rio. luís eustáquio soares

4
de la canela a fortaleza. jotamario arbeláez
5
diálogo con floriano martins: bienal del libro de ceará, un espacio de descubrimiento(s) [entrevista]. gabriel chávez casazola
6
diálogos entre arte postal y poesía visual. francisco "paco" aliseda
7
escritores cearenses contribuem. ana miranda
8
fragmentaciones II. gary daher canedo
9
indigenismo, negritud y mestizaje en la literatura dominicana. manuel mora serrano 
10
influencias indígenas en el castellano regional de loreto. alberto chirif
11
inicios del mestizaje cultural en el río de la plata: la argentina, de ruy díaz de guzmán. marta spagnuolo
12
la aventura cultural del mestizaje. grazia ojeda del arco tang
13
la poesía guaraní - desde los cantos míticos a las expresiones de hoy. susy delgado
14
la vanguardia en los años sesenta. sergio mondragón
15
las casas de la cultura en la construcción de la identidad de américa latina. fabián guerrero obando
16 las fronteras como espacios de mestizaje cultural. rosario peyrou 
17
las revistas culturales y la integración de nuestra américa. carlos véjar pérez-rubio
18
o centro cultural brasil-república dominicana e os centros de estudos brasileiros (cebs). cristiane grando
19
o poder do autor vivo. maria estela guedes
20
o sertão grego de gerardo mello mourão. gonçalo mello mourão
21
perspectiva internacionalista da literatura cearense. floriano martins
22 vozes subentendidas em sagração do alfabeto. leonor scliar-cabral
 

William Blake

expediente

editores
floriano martins & claudio willer

projeto gráfico & logomarca
floriano martins

jornalista responsável
soares feitosa
jornalista - drt/ce, reg nº 364, 15.05.1964

correspondentes
todos os colaboradores

artista plástico convidado (gravuras e aquarelas)
william blake

apoio cultural
jornal de poesia

traduções
éclair antonio almeida filho [inglês, francês
ð português]
marta spagnuolo [português ð espanhol]
gladys mendia [português
ð espanhol]
floriano martins [espanhol
ð português]

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