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Ana Peluso 

ana_peluso@uol.com.br

Delaroche, Hemiciclo da Escola de Belas Artes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia:


Ensaio, crítica, resenha & comentário: 


Contos:


Alguma notícia da autora:

 

Ana Peluso

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

William Bouguereau (French, 1825-1905), João Batista

 

Jornal do Conto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904), Plaza de toros

 

 

 

 

 

Ana Peluso


 

Bio-bibliografia


Ana Peluso (1966), paulistana, casada, um filho, formada em Comunicação e Programação Visual, escreve desde os 18 anos. Abandonou a faculdade de letras pelo desenho e as artes visuais. Aprendeu a desenhar e voltou a escrever. Atua na rede como webdesigner, ilustradora e colunista e colaboradora em vários sítios há mais de 4 anos. Dedica-se em tempo parcial ao desenvolvimento e conteúdo da Officina do Pensamento, sítio destinado à divulgação de arte e literatura e escreve por pura vocação, enquanto prepara seu primeiro livro de contos. O resto do tempo usa para pintar, escrever, curtir a família, além do teatro, música e cinema, outras de suas paixões.

Possui participação em algumas antologias.
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Titian, Venus with Organist and Cupid

 

 

 

 

 

Ana Peluso


 

Eu, Joanna


As palavras não surgem,
Não brindam,
Não rugem.
Prostram-se
Caladas,
Nas bocas
Fechadas.
Espaços mudos
Do nosso ser.
Reluto
Armada,
Dos pés à cabeça,
E de Joanna roubo
A echarpe de ferro
E o cinto do clero
Que ela não queimou.
Avanço o limite
Do chão.
Pedregulho
Que Afrodite
Pisou.
Encanto-te a alma,
E guardo na calma
Tuas chaves
De rei.
E na fogueira
Da cama
Saio ilesa.
Você, poder deposto,
Me acaricia o rosto,
E solta-me as mãos.

 

 

 

 

Da Vinci, Homem vitruviano

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Rubenio Marcelo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Titian, Three Ages

 

 

 

 

 

Ana Peluso


 

Versos soltos


Os versos
são soltos.
Os pensamentos
também.

Apenas poeira
ao vento,
nada de fundamento.
Nada de especial.

Centelhas elétricas,
as palavras
ficam no éter
até encontrarem o papel.

I

Minha
Máquina humana
Cansou.
A outra, imaterial,
Luta
Com todas as armas que tem.
Pra manter-se viva.

II

O sopro da vontade entrou pela janela, convidado e convidativo.
Achando-se necessário e sendo.
O sopro da vontade não gostou do ambiente, presente do diabo,
E se fez ausente.
O sopro da vida
Roda, perdido,
Sem o sopro da vontade.
E ambos se buscam
Na necessidade
De fundirem-se,
Eternos amantes
Amigos.
Do amor.

III

Não sendo exata,
Não sendo plena,
Minha solidão
Sucumbe
Ao chamado
Da convivência.
Conveniência
De alguns.
Minha solidão é esmagada
Diariamente.

IV

Algumas pessoas
Enojam-nos a existência
Pelo simples fato da falsidade
Com que tratam a nós
E nossos assuntos
Pessoais.
Algumas fazem isso após receber carinho,
Inclusive.

V

Ser leviano
Nada mais é do que nutrir uma necessidade
De destruir.

VI

Você
Acredita na "leviandade"
Na legião dos disfarces
E me debilita
A alma
E agita
Minha alma.
Me extingue a paciência
Me desaponta a ciência
De onde estávamos
Antes que você
Gostar de quem
Te engana.

VII

Palavras são tão sagradas
Que se profanadas
Por intenções
Põe dilemas
Em minha mente
Quanto à liberdade
De usa-las.

VIII

Guardei um brilho
De estrela
Dentro de uma garrafa,
No bar da sala.
Qualquer hora dessas,
Aparece para um drink...

IX

O olhar do moço se confunde
Na despedida.
Já não se sabe
A ida,
Fica?
Vai?
O olhar do moço
É triste
Na partida.
Por medo de conhecer
A possibilidade
Do amor
Prefere
Se retirar.
Uma lágrima
Corre por seus olhos,
Mas não percebe
Que se tornou dono
Delas,
Quando não aprendeu
A partilhar.

X

Sentimento
Pendurado
Na parede
Como diploma
Atestando o óbito
Do sentido.
Sentimento
Emoldurado
Para a visita
Reparar
Na moldura.
Sentimento
Congelado
E servido
Com uísque.
Sentimento
Emparedado
Perdido
Entre o vão e a viga.
E a vida passa.
O sentimento
Fica.
E morre
Sufocado
Pelo medo
Em rever-se.

 

 

 

 

William Bouguereau (French, 1825-1905), Admiration Maternelle

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Secchin

 

 

 

 

 

 

 

 

 

John Martin (British, 1789-1854), The Seventh Plague of Egypt

 

 

 

 

 

Ana Peluso


 

Perda


Acabou o café.
Acabou a hora.
Acabou o tempo.

O estado final
É a decomposição da idéia,
A entrega.

O antegozo ficou
Sem o ato final,
E saímos todos
De mãos abanando
Na falta de outras
Para segurá-las.


 

 

 

Maura Barros de Carvalhos, Tentativa de retrato da alma do poeta

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Alberto da Costa e Silva

 

 

 

 

 

 

 

 

 

William Bouguereau (French, 1825-1905), A Classical Beauty

 

 

 

 

 

Ana Peluso


 

Como em um sonho


Enquanto você dorme, eu roubo a sua alma e
entre telhados e montanhas,
juntas,
olhamos a lua.

Enquanto você dorme, passeio com sua alma
entre grilos, suspiros, gemidos e
uivos do vento,
entre o breve e o semi-tempo,
entre o espaço entre você e eu.

Enquanto você dorme, não sabe,
mas alcança estrelas comigo,
assim, como quem olha para o céu.

 

 

 

Rafael, Escola de Atenas, detalhes

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Luciano Maia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, The Empire of Flora

 

 

 

 

 

Ana Peluso


 

Folha branca


Uma folha em branco
Talvez explique tudo.
Talvez explique mais
Do que tenho
Tentado dizer.
Uma folha em branco
É livre
E não é livro.
E nos livra
De tudo
Que nunca
Quisemos ler,
Nem saber,
Ou perceber.
Antes fosse branca
Tua folha
Do que tantas letras
Dançando
E pedindo para serem lidas.
Já que não foram, a não ser por ti mesmo.
Como as minhas,
(a herança)
Também não serão.
E seremos dois sonhadores
Solitários,
Pois que já não estamos
Juntos...
Preferia teus olhos
Verdes nos meus,
Ao amarelo
Dos teus livros
Que jazem
Dentro do armário.

 

 

 

Michelangelo, 1475-1564, David, detalhe

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Rodrigo Garcia Lopes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, Rebecca at the Well

 

 

 

 

 

Ana Peluso


 

Sobre o poeta


o poeta sofre :
de falta de palavras
de falta de certezas
de falta de amores
que o tempo lhe rouba
enquanto busca a caneta : o papel
e os rascunhos pendurados
em si mesmo
: mas se a busca cessa
corre o risco de morrer
paralisado :
de falta de amores
de falta de certezas
de falta de palavras :
o poeta sofre

 

 

 

Ticiano, Magdalena

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Claudio Willer