| Termino
a leitura/releitura de Psi, a Penúltima; e confirma-me a impressão
inicial que me deu sua poesia: a singularidade sintática, consistente
no expor, às vezes, por justaposição; ênfase
no humano, especialmente na infância, na carência. Repito que
me agrada o poema Femina, que você apresenta como uma variante e
homenagem cuja referência é "Lembranças", de Angela
Schaun. Daí por diante minhas preferências recaem em "Perdidos
e Achados", "Strip Tease", "Mergulho", "Lua de Março", "No Céu
Tem Prozac", "Réquiem em Sol da Tarde". "Abismo em Três Dias"
tem um verso que avulta ao ouvido amante do decassílabo: "rasga-me
o peito a chama murmurada". Como já tive oportunidade de lhe dizer, agradou-me deveras o ensaio sobre os "Poemas da Besta". Estas preferências não querem dizer restrições às demais páginas. Invenção
que me encantou foi o envelope com semente de imburana-de-cheiro torradas
e moídas. Seu odor mágico me leva a um trecho de minha infância,
em Goiás Velho, em cuja praça principal, quase em frente
a nossa casa, havia grande umburaneira, que um temporal, há alguns
anos, arrancou com raízes e tudo. No tempo azado, dedicava-me, como
a um trabalho de música ou poesia, a perseguir suas sâmaras
em queda helicóptera. Havia um quê de voluptuoso nessa colheita.
Guardávamos as sementes, cujo cheiro delicioso é uma das
boas marcas de minha infância.
Leia Anderson Braga Horta |