Anderson Braga Horta


Sobre a Poesia de Soares Feitosa


           Termino a leitura/releitura de Psi, a Penúltima; e confirma-me a impressão inicial que me deu sua poesia: a singularidade sintática, consistente no expor, às vezes, por justaposição; ênfase no humano, especialmente na infância, na carência. Repito que me agrada o poema Femina, que você apresenta como uma variante e homenagem cuja referência é "Lembranças", de Angela Schaun. Daí por diante minhas preferências recaem em "Perdidos e Achados", "Strip Tease", "Mergulho", "Lua de Março", "No Céu Tem Prozac", "Réquiem em Sol da Tarde". "Abismo em Três Dias" tem um verso que avulta ao ouvido amante do decassílabo: "rasga-me o peito a chama murmurada".


           Como já tive oportunidade de lhe dizer, agradou-me deveras o ensaio sobre os "Poemas da Besta". Estas preferências não querem dizer restrições às demais páginas.

           Invenção que me encantou foi o envelope com semente de imburana-de-cheiro torradas e moídas. Seu odor mágico me leva a um trecho de minha infância, em Goiás Velho, em cuja praça principal, quase em frente a nossa casa, havia grande umburaneira, que um temporal, há alguns anos, arrancou com raízes e tudo. No tempo azado, dedicava-me, como a um trabalho de música ou poesia, a perseguir suas sâmaras em queda helicóptera. Havia um quê de voluptuoso nessa colheita. Guardávamos as sementes, cujo cheiro delicioso é uma das boas marcas de minha infância.
 


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