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Aroldo Ferreira Leão
Fortuna crítica: Luis Nogueira
Li, com atenção, as poesias de Aroldo
Ferreira Leão, poeta nascido em Parnamerin, Rio Grande Norte. Sisuda
Sisudez, O Espelho dos Labirintos e A Manhã Vã do Amanhã.
Muito ligado aos temas da História e Ensaios Históricos, nada me
impede, entretanto, de gostar da poesia, isso porque também sou um
dos muitos apaixonados pela Filosofia. E exatamente isso foi o que
me despertou atenção nas poesias de Aroldo. De saída, a sua
juventude, trançada com inquietações, ora de velho e ora de
filósofo, com divagações pela Teologia. Ora pessimista e ora
audacioso, um certo contraste instala-se na sua produção poética,
por conta da inquietação que vive quando escreve, num labirinto
existencial que certamente lhe reserva futuras e grandes
oportunidades poéticas. Aguardemos...
Mas Aroldo tem segurança nas suas afirmações e conclusões. Vejamos :
Sou incertezas diversas, / caminhos
perdidos nas / estradas lancinantes / dos reagrupamentos / que nos
fortalecem / intuitivamente. / sou o amplo sentidos dos / motivos
que / surpreendem sempre, do poema Sou. O poeta segue e afirma, mais
adiante : Dói-me a coesão / dos esquecimentos / os ressentimentos /
sem razão., do poema Dói-me. No poema Escorregadio, Aroldo fala de
sua vizinhança com a solidão: A solidão vista / da minha janela é
uma pista / escorregadia que dista / muito pouco de mim. Aroldo
ainda tem seu eu não definido, em outro poema também de nome Sou :
sou confuso, sozinho, / algo em desuso, vizinho do obtuso medo,
carinho inconcluso, pinho que já não toca, mudo.../ Poeta cheio de
inquietações, Aroldo estanca diante de gravíssimo e eterno problema,
no poema Memória: A memória do medo / habita a história / de todo
segredo.
Interessantes repetições de poema com
o nome Sou, mostra a situação caleidoscópica do poeta, procurando
encontrar-se dentro de si mesmo, numa permanente conexão com o
universo, desde o micro, seu sertão, até o macro, o universal que
todos desejamos atingir. Os poema que mencionei estão no livro O
Espelho dos Labirintos, um livro de densidade teológica e
filosófica, sem obrigatoriamente os cânones sagrados das duas
doutrinas, mas com as preocupações do homem comum, cotidiano.
Seu outro livro, Sisuda Sisudez,
confesso, não me despertou muita atenção, vez que a temática, ali,
tem certa repetição...
Mas anotei, com certa simpatia, no seu
livro A Manhã Vã do Amanhã, algo que vale a pena ler, no poema II –
somos a síntese desmiolada / dos desencontros, / o eco deteriorado /
das vidas ausentes de si mesmas, /a fuga das almas / cansadas de
seus fantasmas.
Concluindo, e voltado ao livro O
Labirinto dos Espelhos, depois de tantas inquietações e
perquirições, Aroldo, no poema Escreveu, remete-nos a uma imensa
surpresa sobre ser escritor: escreveu, escreveu, / cansou. / Morreu.
/ sonhou, pensou / que já era perfeito, / abraçou serenamente / seu
próprio desespero, / buscou-se nas elucidações / fantasmagóricas /
de si mesmo.
Dia chegará no qual Aroldo, o poeta,
nos colocará novas surpresas sobre o que pensa da vida, e consegue
dizer em poesias.

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