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Astrid Cabral 

 

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Frederic Leighton (British, 1830-1896), Memories, detail

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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William Bouguereau (French, 1825-1905), Mignon Pensive

 

Jornal do Conto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Frederic Leighton (British, 1830-1896), Antigona,detail

Astrid Cabral


 

Biografia

 

ASTRID CABRAL FÉLIX DE SOUSA nasceu a 25/09/36 em Manaus, AM, onde fez os primeiros estudos e integrou o movimento renovador Clube da Madrugada. Adolescente ainda transferiu-se para o Rio de Janeiro, diplomando-se em Letras Neolatinas na atual UFRJ, e mais tarde como professora de inglês pelo IBEU. Lecionou língua e literatura no ensino médio e na Universidade de Brasília, onde integrou a primeira turma de docentes saindo em 1965 em conseqüência do golpe militar. Em 1968 ingressou por concurso no Itamaraty, tendo servido como Oficial de Chancelaria em Brasília, Beirute, Rio e Chicago. Com a anistia, em 1988 foi reintegrada à UnB. Ao longo de sua vida profissional desempenhou os mais variados trabalhos, fora e dentro da área cultural. Detentora de importantes prêmios, participa de numerosas antologias no Brasil e no exterior. Colabora com assiduidade em jornais e revistas especializadas. Viúva do poeta Afonso Félix de Sousa, é mãe de cinco filhos.

 


Obra poética:

 

  • Ponto de cruz. Cátedra, Rio de Janeiro, 1979.

  • Torna-viagem. Pirata, Recife, 1981.

  • Lição de Alice. Philobiblion, Rio de Janeiro, 1986.

  • Visgo da terra. Edição Puxirum, Manaus, 1986.

  • Rês desgarrada. Thesaurus, Brasília, 1994.

  • De déu em déu. Sette Letras/Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, 1998.

  • Intramuros. Secretaria de Cultura do Paraná, Curitiba, 1998

  • Rasos d’água. Secretaria de Cultura do Amazonas/Valer, Manaus, 2003.

     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904), The Picador

Astrid Cabral



SORVETERIA


Dia de verão qualquer
no labirinto dos shoppings
os homens tomam sorvete.
Alguns engolem vorazes
receosos de que o mormaço
lhes arrebate a porção.
Outros, lentos, não acertam
com o creme fugaz o ritmo
da fome. Morrem na fonte.
Poucos os que se deleitam
fruindo o açúcar e a neve
sem dúvidas sobre a dádiva.
Existe quem torça a cara
às iguarias servidas
imaginando outras raras.
E quem enfeite o bocado
de caldas extras, perfume
de licores, nozes finas.
Todos um dia qualquer
terão suas taças vazias
lábios imóveis, mãos frias.

 

   

 

Alexander Ivanov. Priam Asking Achilles to Return Hector's Body

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Nei Duclós

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Michelangelo, 1475-1564, Teto da Capela Sistina, detalhe

Astrid Cabral


 

MÃOS


No deserto da insônia
a mão, triste, me acena
nua de anéis e luvas.
Dedos gesto de adeus
anunciam o abandono
da matéria efêmera.
Dos campos do sono
a mesma mão me chama
cintilante de estrelas.
Tento alçar-me da cama
no encalço do convite
mas a carne me amarra.
E enquanto o corpo dura
fico entre a dor da perda
e o desejo do encontro.

 

   

 

Ticiano, O amor sagrafo e o profano, detalhe

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Ledo Ivo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Thomas Cole (1801-1848), The Voyage of Life: Youth

Astrid Cabral



MORTE POR ÁGUA


Da primeira vez
ninguém se deu conta do perigo.
Até a mãe sorriu pensando
como é dramática essa filha
e reviu-a sob um pé de acácias
desmaiada fingindo-se de morta.
Sorte que aos gritos de socorro
um anjo voou de entre as ramas
arrebatando-a ao umbigo do rio.
Da segunda vez
a muralha do mar desmoronou-se
mortalha sobre o vulto de sereia.
Mas rolava um tempo de amor cortês
e gestos de bravura. Sem demora
dois cavalheiros surgiram da areia
e cavalgando o dorso das ondas
venceram o monstro marinho
em vassalagem à jovem dama.
Da terceira e última vez
no peito sacudido por soluços
os olhos desataram cachoeiras.
Era a alma que morria embarcando
no esquife do filho rumo ao barro.
Dessa vez não escapou ao naufrágio.
Quando o corpo do fundo do poço
boiou, era cadáver ambulante
a alma decepada ao fio da dor.

 

   

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904), Slave market

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Francisco Carvalho

 

 

13/09/2005