Carlos Nóbrega


A Fórceps

O que cantar de tão magra musa de tão pó a flora e lira tão penosa ? Entre mágoa e míngua a imaginação estia a se repetir no se-repetir do lacrau caatinga e das mãos ao alto dos mandacarus. Oh que torrão enxuto oh mulher inúmida oh ser tão enxuto com seu cabelo seco sua roupa enxuta seu lábio ressecado como se estivesse sob um toldo azul: essa terra mora embaixo de um telhado (mesmo que janeiro feche o guarda chuva, traga um copo d’água). Já que o tempo é feito de um sol de incêndio é visível o vento esse gato súbito. E a visagem à frente dá-se em catarata como se fervesse o que de fato ferve. Pois o que cantar de avara lira de musa tão magra de tão pó as rosas ? Perguntem ao Feitosa que retira lírios dos olhos das cobras.


* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *