Cauneto
cauneto@tdkom.com.br
CX P 101
86400-000 - Jacarezinho
(PR)
Tel. (043) 723-1548
BIOGRAFIA:
José Aparecido
CAUNETO, filho de Sebastião Otávio Cauneto e Maria Josefina
Alexandre, nasceu em Paranavaí (PR), aos 28.I.1962. Bacharel em
Direito, exerce a função de Diretor de Secretaria da Junta
de Conciliação e Julgamento de Jacarezinho-PR. Licenciado
em Letras (Português-Inglês) e com curso de Especialização
em Língua Portuguesa. Poeta, tendo já participado de vários
festivais, dentre os quais destaca-se o FEMUP-Festival de Música
e Poesia de Paranavaí-PR, do qual já participou com poemas
e como membro da Comissão Julgadora de Poesia.
48 sonetos de Cauneto
Primeira parte
Indice
-
De I a VIII
-
De IX a XVI
-
De XVII a XXIV
-
De XXV a XXXII
-
De XXXIII a XL
-
De XLI a XLVIII
-
Novena da alinaça
I
Amar-te como quem ama tudo
pois em tudo está tua lembrança.
Amar-te como ama uma criança,
ou amar-te sem palavras, mudo.
Amar-te no poema que faço,
amar-te no beijo que me deste,
amar-te entre flores campestres...
Dar-te um beijo eterno em tempo escasso.
Amar-te tanto... Amar-te tudo.
(Por ti todo o amor ainda é pouco).
Amar-te em paz! Amar-te, contudo,
com amor irresponsável e louco!
Amar-te assim, graciosamente,
todo o corpo, coração e mente.
II
Todo o corpo, coração e mente, em amar-te
tanto profundo quanto em largo empenhados,
trazem a mim teu rosto em tela: pura arte...
Eis o motivo para estar apaixonado!
Diante de tão rica obra, para tocar-te
as mãos estendo, e nelas o verso estirado
a traduzir o meu desejo de entregar-te
em beijos e beijos meu ser lisonjeado,
e a pele tua de meus beijos na morada
transformar, esta arquitetura bela e terna,
qual pétala curva e sequiosa da flor...
E minha vida nesse instante eternizada
(minha vida não quer morrer por ser eterna)
quer eternamente arder nas flamas do amor.
“...tanto profundo quanto em largo...”: Elizabeth Barrett Browning (trad.
Manuel Bandeira)
III
Nas flamas do amor, morrerei um dia!
— somente assim eu admito morrer —
Sabes, às lágrimas tenho alergia.
Do teu sorriso, o sumo do viver.
De amor, todo poeta sonha morrer.
Poeta, não quisera, antes seria
aquele amor puro e simples de ser,
— incompreendido pela poesia —
sem motivos, sem encadeamentos,
razão alguma, só um sentimento
que me leva a ti e te traz a mim.
Para amar-te tanto só há um motivo:
do amor somos a vida, e assim eu vivo
— para o amor não há morte! — até o fim.
IV
Para o amor não há morte.
Não há sequer derrotas
ou mapas cujas rotas
indiquem onde é o norte.
Para o amor não há sorte.
Nem destino que adota
uma chance remota
que o coração comporte.
O amor é uma essência
que, se temos carência
— sentimento de dor,
não morremos... Tendência
de quem tem na vivência
teu olhar de luz, amor.
V
Quando me olhas, amor,
com a força de um lampejo,
teu olhar, este rochedo,
revigora o meu desejo.
Quando me tocas, amor,
no coração com teu beijo,
sinto em teu sorriso quedo
a leveza com que rejo
a melodia do mar.
Quando, amor, o teu carinho
me falta, me sinto em grade
lançado no desamar,
amordaçado e sozinho
pelas ruas dessa cidade.
VI
Sozinho pelas ruas dessa cidade
em busca de uma única e bela flor,
voando nas largas asas da saudade
que me inunda, que me alaga, que me invade...
Trago um beijo a cada pétala: o amor —
invólucro da alma — à eternidade
por ti elevarei antes do sol se por.
E o colibri, enfim, no pólen da flor,
guardará para sempre o beijo molhado.
(Doce beijo que me pôs enamorado,
doce boca que de amor me falava,
doce lembrança que te traz p'ra bem perto —
de tão longe — do meu coração deserto...)
Tarde te encontrei mas cedo já te amava.
VII
Tarde te encontrei mas cedo já te amava!
Sei que te amo como se amam os poemas:
se amam e rimam desiguais semantemas...
E ainda que se esgrimam num ou noutro verso,
o amor dos versos sempre é mais-que-perfeito!
Se eu te amara igual aos versos desde cedo,
eu não teria com certeza este medo
de ver ficar este nosso amor submerso.
Só não quero amar como os poetas amam:
angelicamente, puramente e só,
vendo naufragar-se em palavras rimadas
o amor que sonhara entregar à sua amada...
Quero te amar assim, como a flor e o floema...
Vou te amar, eu sei, para além do poema!
VIII
Vou te amar para além dos poemas,
vou te amar para além das pinturas,
além da música eu vou te amar...
O nosso amor em mil partituras,
libertado de quaisquer algemas
e aprisionado em quaisquer loucuras,
lançado a todas as aventuras,
e adornado por lindos estemas...
São meus sonhos de amor, p'ra te amar
em mil paisagens e piracemas
lá nas correntezas do rio Negro,
aonde sói meu coração voar
ao som das águas burburejantes
e junto ao teu coração amante.
[Leia mais sonetos de Cauneto]
[Página inicial do JP]
|