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Elaine Pauvolid
Diálogo
Sinto-me grafiteira pichando o muro de sua sensibilidade.
Daí, ouvi um estranho diálogo em mim:
“Elaine, pare de escrever bobagens.
Você já parou e pensou que as pessoas lerão isso e farão imagens a
seu respeito?"
"Imagens errôneas decerto."
"Elaine, pare com isso."
"Para quê, Pauvolid?"
"Deixe-me fora disso.
Sou um intelectual autodidata que em tudo vê beleza."
"Então, é você, Pauvolid, que anda mandando a Elaine, pobrezinha,
escrever aquelas
inúteis e infundadas sílabas pseudo-poéticas?"
"E se fosse, o quê, você, senhor gélido pederasta, iria fazer?"
"Vejo preconceito."
"Preconceito? Chamar-lhe do adjetivo devido ofende-lhe os brios?
Quem tem preconceito aqui, amigo?"
"Pauvolid, você pode ser bom nas palavras, mas não sabe nada da
vida"
"É mesmo?
E, você, que sabe fazer, além de ler o segundo caderno, escrever
seus versos
mórbidos e vazios?"
"Nunca me intitulei poeta"
"Porque não é."
"Pauvolid, você é mesmo um arrogante vil pretensioso...
Mas o amo."
"Ah, pare com isso, leitor."
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