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O que o tempo há de querer? |
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Soares Feitosa
Ana,
que também é Anna, me disse: "Ela me olhou pela vez primeira quando
eu ainda Que, também Ana, a madrinha, um dia de tarde, aprontou a tábua em cima da pia da cozinha e disse que estava a fazer alfenins. Antes que nos cheguem os alfenins, chega-nos o puxa, e todo mundo sabe disto. Água, a tábua molhada. E, sobre a leve lâmina d'água, o mel fez-se véu e torrente. Quase quente. Acalmou-se, tomando forma de coisa que espalha e preenche. Antes, no fogo, borbulhara, quente. Espesso. Vulcano. Noutro dia, também de tarde, desta vez a mãe, quando retirava o ar da seringa, no alto da agulha aquela gota se explodiu depois de encher completamente todo o espaço de uma gota.
O bucho do compadre,
negro, branco como uma mão-de-cal, a madrinha já lhe
Sabe-se que uma voz de
agoiro pode matar. Eram de cobra, os dois buracos no pé. Seria de justo
nepotismo colocar os olhos da mãe aqui. Brilhavam, sim. Cheios, plenos,
explodidos. Da cobra? Os dela? E porque não?! Ninguém disse nada. Na
barriga do negro, compadre Totonho, a primeira dose do polivalente do
Butantã. Atalhei os chegantes. Disse-lhes que havia um "mordido". Isto
basta, sabemos que sim, por lá. Um leve desmaio nos olhos Lá, bem no canto do olho — despreza a pupila se puderes —, mas vê, para trás, viajando em mão de seguir, há luz de sombras. Minha mãe falava num choque. Destes de quando vemos...? Vemos o quê, meu Deus?! Não! Ela falava do momento de dosar os soros... Anafilá...
E eram os olhos do
finado. Rodantes. O brilho linear do aparelho dizia que era Contava para quem quisesse ouvir que quando puxara a enxada com o rolo de mato, ela, de quase dois metros veio junto. Saltara-lhe os olhos de bote e boca. Abaixo de Deus, a comadre!, ele dizia e se benzia. Então, os alfenins a caminho, mas carreguei antes as mãos de puxa. O suficiente para não queimar. Entre um puxão e outro, por entre os dedos, por entre as mãos, da porta da cozinha, era uma casa alta, o paredão da serra. Ali, nem ver de menos, o sol desabava para o outro lado. Meia banda de sol. O suficiente para faiscar os brilhos dos olhos dEla, muito jovem. Este eu, uns poucos meses mais, à beira do rio. Um rio seco.
Igual a Salomé, de José
Américo de Almeida, aportara por lá, filha de Fausto. Esquece os olhos.
Que seja cega, pois. Vê o volume em noites sobre a testa. Os panos eram nus. Não que estivesse nua. Não. Doutra vez foi o braço de Jorge. Acho que duma espingarda, como no pé, do Menino — Uma tragédia no mar, Navio. Saberia eu, sozinho, controlar tanto sangue? Havia um serrote. Álcool e uma lâmina de fogo.
Desiste dos olhos, por favor. Vê este contorno agora.
Repara como tangencia ao alto a linha da direita, face, sobre um contorno
em negro que também ascende. Nos escuros do pano. E nada E toda a dor do mundo, presumo. Cortado. E, mais uma vez eram os olhos da mãe. Então Jorge cotoqueava aquele toco e dizia que, abaixo de Deus, a comadre. E se benzia. Desiste dela em carne-e-osso e olhos! Porque já eram os jacintos boiantes no rio cheio quando se encheu de ausências.
Ajunta-te aos panos. Às dobras, às cores, aos leves e aos
ensaios de
Fortaleza, noite alta, 30.04.2002 |
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* A Menina Afegã, foto de Steve McCurry |
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E-mail de Soares Feitosa |
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[Montagem da página e recortes da foto, in FrontPage, by Soares Feitosa] |
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Da generosidade dos amigos |
| José Almino de Alencar |

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Dênio Magno Cunha
From: dmagno
Sent: Wednesday, May 15, 2002 9:39 PM
Soares, obrigado pela atenção.
Sobre o ensaio, não resisti e comprei a
revista. Lembro-me quando vi pela primeira vez esta foto e a impressão
que ela me causou. A ponte histórica foi fantástica.
Atenciosamente,
Dênio Mágno da Cunha |