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Henrique Marques Samyn
Balada do Bate-bola
Bate-bola bate a bola,
sai da escola já montado,
mascarado, bate a bola
pronto pra assombrar o mundo:
faz das ruas o seu palco
vira-mundo bate-bola,
vence uma calçada, e outra,
só de um salto; a larga capa
lança, lesto, e ameaça
quem se mete em seu caminho;
Bate-bola bate a bola,
mas jamais parte sozinho:
tem seu bando o bate-bola,
mil e tantos mascarados,
clóvis multicoloridos
que, em impávidas passadas,
Avenidas, aguerridos,
fazem suas: bravas pátrias,
terras que – até Quarta Feira –
não serão mais de ninguém;
Bate a bola o bate-bola,
bate, sem saber a quem
intimida, o bate-bola,
pouco importa: nesta terra
muitos são os inimigos,
e, entre mortos e feridos,
se um qualquer inda restar,
também este o bate-bola
terá, forte, de enfrentar,
e o fará, seja quem for:
porque desconhece o medo
e o perigo o bate-bola.
Sob a máscara, ferino,
toda a dor ele suporta:
sabe da morte os segredos –
e, se morto, um dia volta.
[de “Poemário do desterro”]
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