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Consagrado por nomes ilustres da nossa vida literária, não
será minha opinião nenhum acréscimo nesse seu acervo
crítico. De qualquer forma, sinto que preciso dizer-lhe que seu
poema é, verdadeiramente, inusitado, não apenas por você
enfrentar o tema de peito aberto como pela sua criatividade artística
na composição de cada um dos poemas.
Digo de você o mesmo que o xará Amado disse, e ainda o mesmo o que disse Hélio e Millôr. Olhe: seu verso é mesmo que aquela espada polida que lampeja como relâmpago. Vou mais longe para afirmar que você como vive em estado permanente de poesia desabrida, arrombada pela sua visão diferente, vendo o que os olhos nem sempre vêem — ainda assim os olhos de nós outros, pobres viventes cegos nesta escuridão de mundo. Não sei se Gerardo chegou a pastar nos seus campos semeados de poesia. Iria-se saciar com suas descobertas, seu sotaque traquinas, mas sempre no caminho do iluminado, das estrelas, da lua e do sol. Cego Aderaldo no seu canto vê melhor do que nós. É um cego de ver. Sol dos olhos.
Mas voltando a você, é como se uma praia se abrisse em nossa
frente, cheia de búzios, conchas, hipocampos, salsugem, areia fina,
erengueira, daquelas que cantam aos nossos pés... Foi muito bom
receber seu livro, melhor ainda passear com você nessa serenata de
tanto luar poético. E as suas ilustrações nos dizem
que somos da mesma família. Meu mestre Soares Feitosa, fabricante
de poemas, criador de pássaros que contam, que anunciam a vida.
Jorge de Lima, Jorge Luís Borges caminham lado a lado de você,
e eu vou atrás assobiando a minha admiração por você
que sabem onde mora a beleza do mundo. Estou voltando aos poemas, para
lavar a alma de tanta borra suja. Brigado. Medauar.
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