Orelha Direita

 
Jorge Amado: Seu livro é como uma dessas arcas de antigamente, onde eram recolhidas coisas diversas, cada uma delas com sua importância e significação. Adjetivos poderiam ser acrescentados na busca de uma definição do que é difícil de se definir. Creio que se trata de poesia, poesia de alta qualidade.

  

Lêdo Ivo: É um estuário poético, com as suas vozes numerosas. Fragmentário e compacto ao mesmo tempo, move-se entre os horizontes de vários passados e o espaço experimental de vários presentes. 
Hélio Pólvora: Não conheço poesia brasileira atual mais buliçosa e arrelienta que a de Soares Feitosa. Uma vez lida, não desarreda mais da nossa emoção, fica zanzando na lembrança, futucando nas nossas cordas íntimas. Poesia-menina, danada de criativa, cheia de traquinagens: inventa, reinventa, parodia, salmodia e vai em frente, sabendo espalhar-se no espaço em branco e ali adquirir as formas gráficas do seu visual subjetivo.

  

Millôr Fernandes: Estou embaralhado com sua magnífica, estranha poesia (filosofia, sociologia? — bota aí) misturada num computador.

  

Thiago de Mello: Soares Feitosa conseguiu um novo idioma que é só seu. 
Osvaldo Carneiro Chaves: Tem o melhor do antigo e do atua: poesia sugestão. Poder de Homero para transfigurar o que é pequeno em plano olímpico; e o particular, o pessoal, em plano de universo. Poesia perene. É poesia.

  

Ivan Junqueira: Bastaria um poema como Panos Passados para justificar a publicação dos versos que inervam todo o seu ciclópico estro poético, no bojo do qual afloram a cada passo as vertentes heróica, telúrica e lírica.

  

Gerana Damulakis: Soares Feitosa não se isenta de engolfar, imergir e entranhar-se visceralmente nas relações humanas loucas ou normais; assim, ele fortalece seu texto com o próprio Homem, seja em estado lúcido, seja na irracionalidade dos gestos assoladores.

  

Maria da Conceição Paranhos: Até ficamos com medo dessa exigência da História, da Memória, da Experiência. É uma explosão implodindo e explodindo sucessivamente para o momento apical da assestada em papel branco, num épico cuja extensão atordoa e faz vacilar; um monstro lírico e telúrico nascendo desse rufar de tambores de guerra e de conquista.

  

Manoel de Barros: Sabe o que me veio logo? A figura de um cantador erudito. Como se fosse um Cego Aderaldo com erudição e instinto lingüístico. Sabe outra coisa que me encantou? Poeta substantivo. Quase não usa adjetivo, esse penduricalho. Poeta substantivo. A palavra carnal.

  

José Louzeiro: É admirável a multiplicidade formal, o lapidar da palavra e, mais que isso, a densidade poética: é o que posso chamar de “poema da imburana-de-cheiro”. Obra para ser lida e relida. E a releitura só os iluminados a merecem.

  

Artur Eduardo Benevides: O material de que se serve esse jogral ressurrecto é tão moderno ou tão eterno quanto a face da própria beleza. A chegada de Soares Feitosa é um episódio de significação marcante. E quem o ignorar não sabe o que é Poesia.

  

Roberto Pompeu de Toledo: Tudo é surpresa, de sua parte. Tudo é uma caixa de surpresas. Ou melhor: várias caixas de surpresa, uma dentro da outra, como nos jogos infantis de cubos.

  

Luís Antonio Cajazeira Ramos: Caldeirão febril sobre uma trempe cultural — grecirromana, judicristã e mundinordestina —, de onde sai cozida a palavra justa, e mais: o abismo.

  

José Alcides Pinto: Verdade se diga: Soares Feitosa deu um susto nos poetas brasileiros deste fim de século.

  

César Leal: Guardem na memória (a memória da mídia é muito fraca) o nome desse poeta. Os críticos competentes irão lembrar seu nome no próximo século.

 

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