Apêndice II
Notícia sobre o Jornal de Poesia

 
Nas calendas de junho de 1996, navegava eu pela Internet à procura de poesia de língua portuguesa. Esbarrei num sítio muito interessante: Portugalnet e nele, dentre muita coisa boa referenciada, uma informação sobre uma biblioteca eletrônica, a Biblioteca do Alex que então teria uma disponibilidade de 2.000 volumes prontos para ler pelo computador.

 

E uma informação: nenhum em português!

 

Cliquei Castro Alves nos buscadores mundiais e brasileiros (Cadê e Yahih) ninguém sabia quem era. Também não sabiam de Camões. Nem Gonçalves Dias. Nem Augusto dos Anjos, nem de Jorge Lauten, poeta contemporâneo, uma voz distante num Timor Leste esmagado. Nem dos poetas negros da África negra de onde viemos.

 

Naquele exato instante surgia de dentro do chão o Jornal de Poesia, um sítio de língua portuguesa para o mundo. Assim foi, assim é.

 

E hoje, 13 de dezembro de 1996, setes meses após a sua fundação o Jornal de Poesia em homenagem aos poetas de língua portuguesa do Terceiro Milênio cria a página de poesia infantil. 
Planta-se o distante.

 

Este jornal tem por finalidade principal divulgar, pela Internet, a poesia de língua portuguesa.

 

Aqui você encontrará páginas de poetas consagrados, de Camões a Castro Alves, mas, e em especial, dos poetas novos, inclusive daqueles que nunca tiveram a chance de publicar qualquer coisa. 
Encontrará também artigos e ensaios sobre teoria poética e literatura de um modo geral.

 

Será como que um grande armazém de poesia, um crescente banco de dados, para acesso e consultas do mundo todo. Se você deseja reler um poema que não encontra mais, passe-nos um "e-mail" que, provável, será encontrado e aqui divulgado.

 

Tem propósito este Jornal de funcionar também como uma cidadela contra o esquecimento: poetas, como por exemplo, Carlos Gondim, cuja obra está em vias de desaparecimento, terão aqui uma chance de restauração.

 

Mande sua colaboração. Participe, com críticas também. Nada cobramos, nada pagamos. Aliás, cobramos e pagamos em moeda alta: o preço da alma, eterno tributo e resgate da Poesia.

 

A emoção ? 
É digitar um Navio, atualizar-lhe a orthographia de um livro velho, relê-lo numa glote espinho como se o recitasse aos berros... cadastrá-lo no buscador Altavista que não sabia de Castro Alves. E em seguida clicar Castro Alves... e esperar a ampulhetinha em cambalhotas... o coração, como quem pega um canário com as mãos — o do canário! — e o Navio, depois de alguns segundos extraídos da eternidade, como um corisco selvagem que ninguém sabe donde veio, riscar a seus pés em Teresina, em Tóquio, em Cingapura, em qualquer aldeia africana ou no Inferno - se lá tiver um computador e um telefone - e com toda a certeza que tem!

 

É também receber um "e-mail" de um português informando que lera O Navio e que Castro agora circula em Portugal!

 

‘Stamos em pleno mar!

 


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