Graal
das metáforas – a
lira de querubins
– O bom mestre é aquele que sabe ser
Um eterno aprendiz, um alvaner
Sempre a desbastar ásperos rochedos!
In:
Graal das metáforas
Ler estes versos de Rubenio Marcelo é entender a história do Graal.
A princípio, pode parecer específico demais. Mais de noventa poemas
abrem a Mensagem que significa Ordem na Terra. Porém funciona muito
bem e o ponto de partida é a metáfora – foco específico que amplia e
dá coerência a todos os versos.
Para apresentar seus poemas sob o título Graal das
metáforas, o autor apresenta a origem, o resultado, os efeitos,
o vínculo contido em esclarecimentos fundamentais e imprescindíveis
a respeito da existência humana, ou seja: a inquietude que “chega em
rumas, / Atormentando” o ser-avatar (Fênix que mora em mim).
Suas inspirações iniciam-se num “reino de transcendental elã”.
Quando chegamos ao Soneto – a arte considerada a mais
perfeita –, o poeta liricamente começa mostrando o zelo de suas
próprias experiências, envolto em “mil querubins citaredos [que
elegem] – em luz – alguns aedos / Para serem polens desse mister...”
Essas imagens sensoriais têm por finalidade enaltecer o visual
poético, o som e o Graal da poesia. Seus versos em Inseto,
Último monólogo da paz e Dois son(h)etos para uma dama dos
sonhos descrevem imagens vivas, ou seja: procuram prover a
descrição dessas imagens com elementos característicos provenientes
dos sentidos da visão, audição, tato, gosto e cheiro. Há uma
preocupação em ativar os cinco sentidos do leitor.
O som é emocional, profundo, com o qual é fácil se envolver, porque
soa bem até aos ouvidos alienígenas à poesia. Em Globo da morte,
os versos são fáceis; têm a beleza do “ziguezaguear estrepitante /
de suas colossais motocicletas”. O visual da morte, seu som, aquele
som “esférico, eletrizante / marchetado de luzes inquietas”, era, em
surdina, o som do espetáculo. De vida virando morte.
Que significa Graal? É conceber “mens sana in corpore sano!”.
E onde encontrar essa fonte de energia transcendental – o ponto de
onde se irradia a força que vem do Criador e que mantém em movimento
e dá vida a tudo o que foi criado? Sua alma de avatar aprendeu a
buscar em um passeio “No Parque das Nações Indígenas...”.
Seus versos levam à recuperação do valor ético da palavra. Veja o
Último monólogo da paz. Versos que anunciam um poeta a viajar
nas crinas do tempo. Ou do vento? Ele sairá “entoando salmos
incomuns / Sorrindo de alguns que ficarão chorando. E ressalta:
“Sairei apagando qualquer cicatriz, / Numa força motriz de
antigravitação ...”. É o momento de fazer as pazes com os inimigos e
entrar, como convidado do excelso Sangraal, pela porta da frente.
As metáforas da sua produção poética são cuidadosamente estudadas,
escolhidas e arrumadas com certa espontaneidade, de maneira a soarem
bem ao ouvido humano, de maneira a carregarem em seu bojo a Mensagem
de Luz.
Por exemplo: em Último monólogo da paz, Cruzada é apresentada
como metáfora de viagem.
E nessa Cruzada
Transplutoniana,
Farei minha jornada
Em messes soberanas...
Por fim, o livro Graal das metáforas – prefaciado por
Jorge Antônio Siufi, ser afortunado pela lira – é uma
reverência, um diálogo com o qual a poesia alinhava registros e
informações do mundo do autor. E mais: uma poesia que dialoga com
seu objeto ao inseri-lo numa rede de signos capaz de desdobrar e
refratar seus sentidos – o reviver poético com sabedoria.
Enilda Mougenot Pires
Da Academia Sul-Mato-Grossense de
Letras