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Rubenio Marcelo

rubmarcelo@bol.com.br

Thomas Cole (1801-1848), The Voyage of Life: Youth

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia :


Ensaio, resenha, crítica & comentário:


Fortuna crítica:


Alguma notícia do autor:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Edna Menezes

 

William Blake (British, 1757-1827), Christ in the Sepulchre, Guarded by Angels

 

 

 

 

 

 

 

 

 

John Martin (British, 1789-1854), The Seventh Plague of Egypt

Rubenio Marcelo



 

Membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (da qual é o titular da Cadeira nº 35), poeta/escritor, músico/compositor e revisor.

É autor das seguintes obras: - “Fragmentos de Mim" (1982); - "Cantar pra Viver" (1983); - “Estigmas do Tempo” (2001); - “O Metrô de São Paulo (Sistema Metro-Ferroviário) – Literatura de Cordel” (2002); - “Reticências... Sonetos & Outros Poemas” (2003); - A Música de Rubenio Marcelo & Parceiros - CD (2003); - “O Reino Encantado do Cordel - A Cultura Popular na Educação” (2004); - A Arte Maior de Rubenio Marcelo & Jorge Sales - CD (2005); e “Graal das Metáforas” – Sonetos e outros poemas (2007).

Recentemente foi homenageado e eleito Patrono da Cadeira nº 12 da Academia Mª Ester de Leitura e Escrita (Fortaleza/CE), cujo atual titular é o acadêmico Ilton Filho.

Bacharel em Direito, cearense, natural de Aracati, e tendo residido por muito tempo em Fortaleza (CE), onde estudou e também se formou em Engenharia, o escritor Rubenio Marcelo está radicado atualmente em Campo Grande (MS). [setembro de 2007]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Allan R. Banks (USA) - Hanna

 

 

 

 

 

 

Rubenio Marcelo

 

Cinco poemas de seu novo livro

Graal das metáforas,

Editora Viena, junho de 2007


 

  Globo da morte

No ziguezaguear estrepitante
de suas colossais motocicletas,
em alta adrenalina, os cinco estetas
vão imortalizando aquele instante...

Num habitáculo esférico, eletrizante,
marchetado de luzes inquietas,
estrugem máquinas, em loucas roletas,
aos olhos da platéia vigilante.

Alfim, de súbito, cessam os fragores:
os alazões de ferro e seus senhores
voltam às posições iniciais.

Do globo, abre-se uma portinhola...
Os acrobatas saem da gaiola
e novamente são meros mortais...

 

 

 

Taça poética

Há um vaso dourado sobre o escrínio

Que decora um recinto azul-turquesa,

Ofertando borbotões de fascínio

Aos condôminos do reino da pureza.

 

Há magia e luz neste condomínio

Esparzindo os arcanos da beleza...

Quem com o estro coabita em tirocínio,

Fertiliza a existência com lhaneza.

 

Assim como os antigos navegantes

Procuravam  tecer rotas distantes

Seguindo fielmente a estrela-guia,

 

Quando o tédio quer invadir meu ser,

Eu procuro guiar meu proceder

Com os faróis desta taça de estesia.

 

 

Cálix da inspiração

Num cálix borbulha o meu pensamento

Energizado no metaforismo...

Essências transbordam... Real portento

Que vem amenizar o meu mutismo.

 

Porque tudo se esvai em desalento,

De quando em vez, eu paro e sondo e cismo...

E, nesta interação, desacorrento

Meus braços – rebentos do niilismo.

 

Se o estro está longínquo, então num ápice,

Eu busco a primazia neste cálice

Que me conduz, qual lépido alazão...

 

Assim, ante os mistérios infinitos,

Contemplo as florações azuis dos mitos

No dorso alado e azul da inspiração.

 

 

Fênix que mora em mim 

O mundo baila em carrosséis de brumas...

E, nele, às vezes, fico a meditar.

Enquanto o tempo embala o longe-estar

Dos sonhos meus que se vão como espumas...

 

E a inquietude, que me chega em rumas,

Atormentando o meu ser-avatar,

Desencadeia em meu peregrinar

Vertigens que contundem quais ascumas...

 

Mas trago a fé e as dádivas ancestrais

Que me prolongam perante os umbrais

De um reino de transcendental elã.

 

Somente assim eu atravesso as noites,

Buscando a luz, em meio aos meus aloites,

E a esperança em cada antemanhã.

 

 

 

  Luz da sabedoria

   

   As maiores virtudes, incontestes,
   são a nobre humildade e a calmaria.
   Quem as tem, demonstra sabedoria,
   pois segue a lição do Mestre dos mestres.

 

   Assim são os jograis do dia-a-dia,
   à mercê das cidades e agrestes,
   sublimando as oferendas celestes
   e criando essências de primazia...

 

   Quanta luz tem um cego na esquina
   tocando uma rebeca peregrina,
   espargindo arte pura em seu mister...

 

   E quanta escuridão possui o ser
   que se julga sapiente, mas sem ver
   que há saberes que só Deus nos ensina.

 

 
 

 

Manoel de Barros

 

Augusto dos Anjos

 

 

 
 

 

John William Godward (British, 1861-1922), Belleza Pompeiana, detail

 

 

 

 

 

 

Enilda Mougenot Pires

 

 


 Graal das metáforas – a lira de querubins

 

– O bom mestre é aquele que sabe ser

Um eterno aprendiz, um alvaner

Sempre a desbastar ásperos rochedos!

 In: Graal das metáforas

 

 

Ler estes versos de Rubenio Marcelo é entender a história do Graal. A princípio, pode parecer específico demais. Mais de noventa poemas abrem a Mensagem que significa Ordem na Terra. Porém funciona muito bem e o ponto de partida é a metáfora – foco específico que amplia e dá coerência a todos os versos.

 Para apresentar seus poemas sob o título Graal das metáforas, o autor apresenta a origem, o resultado, os efeitos, o vínculo contido em esclarecimentos fundamentais e imprescindíveis a respeito da existência humana, ou seja: a inquietude que “chega em rumas, / Atormentando” o ser-avatar (Fênix que mora em mim). Suas inspirações iniciam-se num “reino de transcendental elã”. Quando chegamos ao Soneto – a arte considerada a mais perfeita –,  o poeta liricamente começa mostrando o zelo de suas próprias experiências, envolto em “mil querubins citaredos [que elegem] – em luz – alguns aedos / Para serem polens desse mister...”

Essas imagens sensoriais têm por finalidade enaltecer o visual poético, o som e o Graal da poesia. Seus versos em Inseto, Último monólogo da paz e Dois son(h)etos para uma dama dos sonhos descrevem imagens vivas, ou seja: procuram prover a descrição dessas imagens com elementos característicos provenientes dos sentidos da visão, audição, tato, gosto e cheiro. Há uma preocupação em ativar os cinco sentidos do leitor.

O som é emocional, profundo, com o qual é fácil se envolver, porque soa bem até aos ouvidos alienígenas à poesia. Em Globo da morte, os versos são fáceis; têm a beleza do “ziguezaguear estrepitante / de suas colossais motocicletas”. O visual da morte, seu som, aquele som “esférico, eletrizante / marchetado de luzes inquietas”, era, em surdina, o som do espetáculo. De vida virando morte.

Que significa Graal? É conceber “mens sana in corpore sano!”. E onde encontrar essa fonte de energia transcendental – o ponto de onde se irradia a força que vem do Criador e que mantém em movimento e dá vida a tudo o que foi criado? Sua alma de avatar aprendeu a buscar em um passeio “No Parque das Nações Indígenas...”.

Seus versos levam à recuperação do valor ético da palavra. Veja o Último monólogo da paz. Versos que anunciam um poeta a viajar nas crinas do tempo. Ou do vento? Ele sairá “entoando salmos incomuns / Sorrindo de alguns que ficarão chorando. E ressalta: “Sairei apagando qualquer cicatriz, / Numa força motriz de antigravitação ...”. É o momento de fazer as pazes com os inimigos e entrar, como convidado do excelso Sangraal, pela porta da frente.

As metáforas da sua produção poética são cuidadosamente estudadas, escolhidas e arrumadas com certa espontaneidade, de maneira a soarem bem ao ouvido humano, de maneira a carregarem em seu bojo a Mensagem de Luz.

Por exemplo: em Último monólogo da paz, Cruzada é apresentada como metáfora de viagem.

 

E nessa Cruzada

Transplutoniana,

Farei minha jornada

Em messes soberanas...

 

Por fim, o livro Graal das metáforas prefaciado por Jorge Antônio Siufi, ser afortunado pela lira – é uma reverência, um diálogo com o qual a poesia alinhava registros e informações do mundo do autor. E mais: uma poesia que dialoga com seu objeto ao inseri-lo numa rede de signos capaz de desdobrar e refratar seus sentidos – o reviver poético com sabedoria.


Enilda Mougenot Pires

Da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras

  

 

 

Carlos Felipe Moisés

 

Alphonsus Guimaraens Filho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Allan R. Banks (USA) - Hanna

 

 

 

 

 

 

José Pedro Frazão

 

 


De graal em graal...

 

(Acerca de “Graal das Metáforas”, o novo livro de Rubenio Marcelo)

 

– “O graal das metáforas vai doirando

    Os brasões do Verbo, com sutileza;

    E a Arte, esta divina alquimia,

    Vai transfazendo sonho em realeza.”

 

                                                                      In: Graal das metáforas

 

   O poeta Rubenio Marcelo é um imortal cavaleiro das letras que peleja airoso com a indômita palavra e a eutérpica inspiração, numa incansável busca do Santo Graal no reino versátil da poesia. A sua habilidosa e metafórica espada nos surpreende cortando a nossa pobre imaginação em versos de mil faces que ele coleciona como troféu nessa cruzada.

   A cada poema ou música que produz, esse compositor e escritor sul-mato-grossense, nascido em terras de Iracema, se supera mostrando a fortaleza do seu rico espólio literário forjado em convivência cultural e leitura analítica, como se vê nesta coletânea de sonetos e poemas livres, da sua mais recente lavra.

  A propósito, este mar de versos profundos herda o título de um poema nuclear: Graal das Metáforas, em que o autor nos convida a percorrer com ele os meandros da poesia, sob o clarão mágico da taça mística que bane a dor e a tristeza desde os helênicos vagidos de Homero.

   Rubenio Marcelo escreve, canta e toca sonetos e outros poemas, pugnando com maestria pela odisséia musical, tecendo letras e partituras, matéria em que assenta lume com douta visão, desde a rebelde tropicália, perpassando pela MPB, a outros ritmos clássicos/modernos. Do mesmo modo, sua obra em pauta nos traz poesias temáticas de reflexão social, histórica e cultural, ao sabor da autêntica arte literária.

   Como exemplo dessa busca metafísica das metáforas, vejamos, numa das composições do autor neste seu novo livro: “Num cofre de ébano / guardei o diário / e a taça dourada / dos nossos enredos... (...)”. Assim, podemos beber deste cálice, sem medo de cair na cilada de palavras mortas, mas com a certeza de que, aqui, poderemos também encontrar o nosso graal que as ressuscita com o lustro divino das metáforas – que neste cenário não se constituem simples figuras de estilo ou tonalidade lingüística de mera comparação entre significados. Se a poesia é a alma do poema, os versos de Rubenio Marcelo, ora rimados, ora solitários ou flutuantes, nos mostram que a metáfora também é o espírito da poesia e a efígie encantadora de Euterpe; o poeta, um semideus que agoniza em solilóquios, no divino afã de musicalizar o mundo.

   Portanto, não serei eu o barqueiro dessa travessia entre mares de Alencar e Lobivar. O leitor atento, ao navegar nas páginas do novo livro do bardo Rubenio Marcelo, encontrará, por si mesmo, os sinais doirados do Graal que resplandecem nas metáforas do nosso intrépido cavaleiro das letras.

 


José Pedro Frazão

(Jornalista e vice-presidente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras)

 

 

Regina Sandra Baldessin

 

Andréa Santos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

31.03.2006